É O PENÚLTIMO CAPÍTULO, OH DEUS.

Quem quiser, esse cap tem uma trilha sonora Q .com/watch?v=1x8uEcfczto
eu simplesmente escrevi ele inteiro ouvindo essa música. Ela é uma versão piano calminha de uma música que eu adoro, adaptada por uma menina que, na minha opinião, é uma pianista de muito talento. Essa música foi o que me fez escrever cada sílaba desse capítulo. Quem quiser, tá aí pra escutar enquanto lê.

Dizem que os olhos são a janela da alma. Então, se os seus olhos aparentam melancolia, sua alma está triste. Se seus olhos brilham, sua alma exercia certo fascínio e amor por algo. E se você perdeu tudo, pensei, seus olhos aparentam uma alma sozinha no mundo. Apesar daquela reflexão, eu continuava encarando meus próprios orbes azuis no espelho do quarto. Eram os olhos de quem?

Não importava. Já não me contentava mais com esse lado filosófico de ver meus próprios problemas. Porque tudo que andava instável já se rompia. Tudo.

Joguei-me na cama, estava sozinha no quarto do hotel da cidade Central. Encarava o teto, ou no caso, um mundo negro onde somente tinha consciência de mim. Acho que os meus olhos estavam... Perdidos. O problema aqui não é a alma! Pensei novamente. É o meu coração.

Eu simplesmente ainda não conseguia compreender por que estava pensando nisso, na verdade.

Sentia vontade de gritar; cheguei a entreabrir meus lábios levemente e puxar o ar para dentro de meu corpo. Mas logo soltei, expirando de forma audível. Fechei a mão estendida ao lado do corpo. Espontâneas, senti lágrimas descendo de meus olhos e deixando rastros pelas maçãs do rosto. Doía. Demais.

A verdade é que eu não estava conseguindo compreender nem os meus olhos, nem o porquê de chegar a conclusões profundas sobre isso, e muito menos o que os irmãos Elric tinham me dito naquela noite.

Mas eu acho que sempre foi assim. Não há nada de diferente, Winry.

Aquela única passagem de trem para Rizempool em minhas mãos fazia com que eu tivesse que resistir ao meu maior desejo: rasgá-la e atirar seus restos em uma fogueira qualquer. Aquilo... Doía.

Demasiadamente.

Até porque eu tinha que entender aquilo.

Seu braço estava sobre meus ombros. Ele me apertava junto de si enquanto seguíamos pelo bosque à procura dos muros da cidade do leste. Ainda me sentia um tanto lerda em relação às minhas reações ao que estava acontecendo.

Sentia o vento forte que tentava levar meus cabelos, juntamente com as folhas das árvores. As folhas esmagadas pelos nossos pés. Os aromas trazidos pelo quase amistoso minuano. Tinha a sensação de estar assistindo toda aquela dramática cena em câmera lenta. Contemplava meu próprio semblante inexpressivo. Eu tinha noção da presença de tudo isso, mas ainda assim não parecia raciocinar sobre o que tinha ocorrido, ou das vozes que naquele momento pareciam me chamar...

- Ei... Winry? – pareci retornar à realidade quando ele fez com que os passos cessassem, me soltando e postando-se à minha frente. Segurou meu rosto entre as mãos e me encarava com expressão confusa – Winry... Em que realidade você está? – perguntou de repente, espantado.

Meu rosto não mudava. Minha face não sorria. Não ainda. Era tudo absolutamente recente para que eu agisse como se já estivesse bem, e terminado... Eu não tinha essa capacidade. Era irônico pensar que tantas vezes eu me senti forte, tanto que em uma dessas vezes foi quando eu insistira em viajar àquela cidade com Edward e Alphonse. Mas eu nunca fui forte e sempre soube, e ainda assim tentava negar essa fragilidade que existia.

Olhei para um ponto do bosque sobre o ombro de Edward. Em que realidade eu estava? O vento que tentava jogar minhas madeixas loiras sobre meu rosto parecia sussurrar aquela quase óbvia resposta, a meu ver. – Eu não sei. – dei aquela resposta da mesma forma que o vento parecia dizer a mim. – Sinto-me estranha. – acrescentei, olhando fundo nos olhos ambarinos.

- Eu sei. – ergueu as sobrancelhas, respondendo. Suas mãos desceram de meu rosto para meus ombros. Puxaram-me para perto.

Seus braços me envolveram novamente, mas de outra forma. Dessa vez era um abraço. Forte. Terno. Inexplicável e incomparavelmente seguro. Demorei certo tempo, mas logo meu rosto se escondeu em seu ombro e meus braços envolveram seu corpo da mesma forma que os dele apertavam o meu.

- Está tudo bem. Já acabou, Winry. – sussurrou em meus ouvidos. – Acabou.

Não me desfiz em lágrimas, todavia, a sensação era de que meu coração esteve a todo o tempo parado e agora começava a bater. Ou então como se eu não respirasse mais e meus pulmões voltassem à ativa. Meu inconsciente lá estava, processando as informações ainda lento. Era o choque.

Apertei ainda mais o abraço. O vento ainda batia, mas não mais sussurrava para mim. Eu já sabia. Um alívio inexplicável se apossava de meu corpo.

A ferida no corpo padecido, em forma de triste cicatriz. Eu quase sentia aquela cicatriz imaginária sumindo vagarosamente, a silhueta sofrida, enfim, conseguia se recompor. Eu nunca soube de quem era o corpo ferido. Eu nunca soube qual era a cicatriz, nem sua localização. Mas eu sabia dela. Eu sabia que havia um corpo ferido. Mas naquele momento eu percebia a verdadeira profundidade daquela excêntrica comparação. Todos ostentam seus corpos padecidos. Todos carregam cicatrizes. Cada uma por um motivo. As cicatrizes da longa luta, da longa história de vida. E por que não dizer, da guerra.

Uma guerra acaba, mas continua por mais uma eternidade. Essa é a única verdade por trás de tudo. Mas eu quase sentia que era como se a eternidade daquela guerra estivesse chegando ao seu tão apetecido fim.

- Acho que... É hora de irmos para casa. – murmurou Edward, depois de um tempo.

Saí do envolto vagarosamente. Sim. Tudo havia mesmo acabado. Olhei em seus olhos, fundo, – Voltaremos para Rizempool, Ed? – perguntei por fim. Esperança; era algo que eu ainda carregava apesar de tudo. E que eu sentia que, do fundo do meu coração, valia a pena carregá-la. Pois agora estávamos livres para sorrir outra vez. Dar adeus às incertezas. Aos medos. À tristeza.

Todavia, Edward hesitou um pouco. Mordeu o próprio lábio, pensativo. Olhei para ele, começando a temer uma resposta que não me seria agradável.

Logo o semblante que hesitava se recompunha, voltando-se para mim com um sorriso sincero – Antes de tudo, primeiro precisamos voltar para a Central. – respondeu. - E depois iremos juntos.

Sorri abertamente, logo depois seguindo caminho ao lado dele.

Fins levam a novos começos. Sempre acreditei nisso. Nenhum final é ruim, e se ainda estaria ruim, era por não ter acabado. Essas duas frases sábias pareciam reger meus fins. Eu estava sorrindo, e era o fim. O fim era bom. Acreditava que naquele momento chegaria o começo de uma nova etapa. E dessa vez, a etapa seria infinita.

Paramos próximos da entrada do hotel. Engoli em seco ao reparar em certo aglomerado de pessoas e policiais. Todos analisavam atenta e minuciosamente os detalhes deixados pelo incidente de duas horas antes. Voltei-me para Edward. Ele olhou fundo em meus olhos e segurou minha mão, invitando que eu continuasse até o hotel com ele.

Quando nos avistaram, um grupo de policiais se aproximou – Elric, Rockbell – o do meio falava em meio a cumprimentos corteses e continência – Suponho que isso tenha acontecido por causa de vocês.

Eu e Edward assentimos simultaneamente. O policial pigarreou antes de prosseguir – Então... Algum de vocês pode me contar detalhes do que aconteceu por aqui?

Senti minha mão sendo apertada com mais força; Edward. Por certo e curto momento, o tempo me parecera parar. Afinal, entre eu e Edward, o único que sabia dos fatos ocorridos no hotel era eu. Pigarreei. Os três policiais passaram a me dar atenção e senti o olhar forte ao mesmo tempo em que curioso de Edward. Olhei de volta com total segurança, e passei a falar – Edward e seu irmão estavam no meio das investigações. – comecei, ainda mirando fundo no dourado puro de seus orbes. – Nem ao menos eles sabem do que ocorreu pelo hotel. No fim, se resume a que dois dos três guardas que ficaram para minha segurança, faziam parte do grupo de sequestradores e armaram um plano para que eu fosse a próxima vítima. Eles eram mesmo sobreviventes da guerra que teve no leste até recentemente. E faziam tais atrocidades pelo puro desejo de vingança.

- Isso me diz – o policial voltara a falar. Não prossegui meu razoavelmente extenso monólogo para ouvi-lo – Fora encontrado um corpo cujas vestimentas eram do exército. Ele estava na recepção, um telefone arrebentado ao seu lado. Você chegou a ver esse corpo?

Fiquei estática. Eu me lembro perfeitamente desse corpo. Pensei. Mordi meu lábio inferior e respirei fundo antes de assentir positivamente – Momentos antes de acabar inconsciente e levada a uma cabana de madeira no meio do bosque. – acrescentei. Depois, fiz um gesto com as mãos. Era isso que eu tinha a dizer.

- Acredito que nesse meio tempo, retornamos ao hotel – Edward me surpreendera ao acrescentar detalhes – Na recepção, ao lado do corpo estava um bilhete instruindo a chegar à cabana. Eles a tinham apanhado. Chegamos o mais rápido possível na cabana e os prendemos, antes de qualquer reação perigosa contra alguém. Al e os militares se encarregaram de transportar a gangue para a delegacia, junto de alguns policiais locais.

- Correto... – disse o policial, lendo outras anotações. Depois bateu continência – Obrigado pelas informações. – disse. Passou a me olhar – E principalmente por terem nos ajudado a acabar com isso. Imagino que seria melhor a senhorita Rockbell descansar agora.

Sorri de leve e assenti outra vez – Fico feliz por ter sido útil.

Depois das despedidas passamos pelo aglomerado à entrada do hotel. Antes de entrar pela porta, parei e olhei para trás. Um véu negro e seus pontos brilhantes; o céu da nova noite se destacava. Alguns policiais em volta de algo que parecia um corpo coberto. E, em volta de tudo, curiosidade e pavor se mesclavam entre as pessoas que olhavam. Uma mulher já idosa olhou para mim de cima a baixo. Perguntou algo a um policial sem tirar os olhos de mim; observando-me minuciosamente. Comecei a me perguntar o que havia de errado comigo, pois o policial me olhou, e logo depois assentiu para ela, tal que passou a me fitar com medida preocupação.

Voltei à entrada e Edward me olhava, esperando que eu fosse com ele. Suspirei e segui meu caminho. Me desconfortava ter noção do quanto esse acontecimento ficou conhecido e da repercussão deste, já que os agentes haviam sido detidos e a jovem – no caso eu, tinha sido salva a tempo.

E as múltiplas reações das famílias das jovens já mortas. Umas teriam inveja, queriam que a salva fosse a filha deles. Outras ficariam satisfeitas de saberem que tais homens finalmente teriam sido detidos e não mais ocorreriam essas mortes inumanas. Algumas ficariam preocupadas comigo. Ou sentiriam tudo isso ao mesmo tempo.

Dentro do hotel, os hóspedes assustados e perturbados pelo alvoroço me encaravam. Sentia-me um ponto colorido em meio ao negro neutro. Deslocada, como se houvesse algum problema comigo. Encolhia-me, baixava a cabeça, sendo praticamente carregada pela mão de Edward sobre meus ombros.

Paramos em frente à porta do meu quarto. Onde tudo aquilo havia começado. Ao contrário do resto do hotel, aquela parte encontrava-se vazia. Edward abrira a porta e parava à minha frente – Amanhã mesmo compraremos as passagens para a cidade Central e sairemos daqui. – disse. Entrei no quarto e parei à porta, no lado de dentro, enquanto Ed recostava-se despreocupadamente no vão da porta enquanto falava. – Por ora, descanse. Você está bem?

Tal alarde, ainda que tivesse sido pouco, me era um estorvo. Suspirei pesadamente – Sim. Eu estou bem, não se preocupe. – minha voz soava com visível impaciência.

Edward riu. – As pessoas se preocupam nesses momentos, sabe? – retrucou dócil. – Você passou por coisas terríveis hoje. Todos nós passamos. E você até está indiferente demais a isso. Não tenho culpa de me preocupar.

Sorri – Cada um passou por uma coisa difícil à sua maneira. – disse – Eu estou bem, não estou tentando impressionar. Só quero saber por que o Al não chegou ainda. Isso não lhe preocupa também? – acrescentei, levemente provocadora.

- Na verdade, nem tanto – ele me surpreendeu com a resposta. – Ele tem militares ao lado dele e uma boa vantagem numérica caso tenha tentativas de escapar dos sequestradores. Sem contar que ele é uma armadura – deu de ombros, e depois assumiu uma postura mais séria – Ele já deve estar chegando. Vou deixar você dormir agora.

Assenti. Edward se aproximou um pouco mais, e passou a mão em meus cabelos. Sentia meu coração palpitar agradável, mas também apreensivo. Sua mão parou em meu rosto, e ele aproximou o dele. Olhava-me fundo nos olhos. Já sentia minha respiração acelerada. – Boa noite. – sussurrou. Subiu o rosto, e senti seus lábios tocando minha testa.

Fechei os olhos, desfrutando da sensação. Minhas bochechas queimaram, sentia que corava. Depois, ele voltou a me olhar. Sorri e desejei a ele boa noite. E então ele seguiu pelo corredor. Continuei olhando, perdida, até que sumisse do meu campo de visão, e fechei a porta.

Engoli em seco, lembrando. Eu não sabia por que minha mente resolvia recordar de tudo após o ocorrido antes daquela notícia. Da minha cama, podia contemplar o céu da Central pela janela. O mesmo véu negro com pontos brilhantes que cobria o leste naquela noite...

Mais lágrimas correram de meus olhos. Na verdade eu me sentia particularmente burra. Por não ter pensado no quanto aquilo seria improvável.

Fechei os olhos. Não queria mais lágrimas. Eu disse que entendia, não disse? Pensei. Não posso me sentir assim pelas costas de ambos.

Era o som do trem dando a partida, o solavanco inicial. O marco do início da nova etapa? Talvez. Ou apenas a continuação de uma etapa pavorosa de nossas vidas. Não importava. O que realmente importava é que às minhas costas ficaram as lembranças terríveis, juntamente com aquela cidade. Se eu estava partindo para a Central para vivenciar novos pesadelos ou para ter o anúncio de que estava tudo bem, ambas as opções me eram aceitáveis. Depois de tudo aquilo que passamos os três, tudo poderia ser enfrentado.

Eu não havia me virado para trás em momento algum enquanto nós três seguimos em completo silêncio até o trem. Não havia necessidade de dizer, se apenas era necessário sentir. E já havíamos os três, sentido o suficiente para os nossos corações, ou então nossas almas.

Eram os solavancos mansos daquele trem que jogavam em nossas faces, sejam elas semblantes em desespero ou elmos inexpressivos, a grande verdade que nos presenteava com o alívio da alma. Mas que também, dentro de uma forma de troca equivalente, tirava-nos a certeza de um futuro; o que estaria por vir agora? O fim dos problemas ou apenas o começo dos mesmos? O alívio se mesclava com o medo de mil possibilidades.

Mirava através da janela, os vestígios da civilização já eram distantes. Um pequeno pedaço de um palco de pesadelos em meio a nossa tão acomodada realidade. Os trilhos do trem trespassavam bosques verdes, as extremidades do palco indesejado. O trem seguia veloz, cortando o vento como um humano raivoso rasga um tecido de seda. Materialista comparação, mas que não deixa de ser a forma exata.

Movi minha mão direita que estava sobre o banco. Senti outra mão, quente, segurando. Olhei para Edward, o dono da mão que segurava a minha. Seus olhos âmbares tão fortemente travados nos meus simples orbes azuis.

- Winry, você parece exausta. – ele disse, assim que passei a dar-lhe atenção.

Aquele detalhe não havia de passar despercebido por alguém e muito menos por Ed. Eu estava sim, cansada. Principalmente de tantos problemas. De não poder simplesmente comprar passagens de trem para Rizempool, acabar com aquele medo que se apossava de mim ao imaginar acontecimentos atrozes que poderiam frustrar todo o futuro que minha mente idealizava. Todavia, eu estava cansada de meus próprios pensamentos egoístas.

Às vezes eu apenas desejava dormir para sempre.

Acabar-se-ia o egoísmo, as incertezas... Mas eu não gostava do nome mais simples e claro que podia ser dado a esse ato.

Minha intenção não era Fugir.

Era apenas resolver as coisas.

Suspirei – Você está certo, Ed. – admitia tanto para os irmãos Elric quanto para eu mesma. Quase podia contemplar minha própria face esgotada e olheiras notáveis acumulando-se ao longo dos dias.

Despertei dos pensamentos assim que senti que a mão quente de Edward envolvia meu ombro e me puxava para mais perto dele. Hesitante, deixei meu corpo cair sobre seu ombro esquerdo. Sentia-me surpresa, e minhas bochechas levemente coradas com tal ato repentino vindo dele. – Então descanse. Essa viagem será longa. – ele disse docemente.

Sorri de leve e me deixei perder naqueles braços que me acolhiam e me protegiam de tudo no mundo.

Nos últimos tempos em que eu sentia Edward tão distante. Inatingível novamente, como era antes, muito antes daquilo tudo. E naquele momento ele me parecia próximo como nunca mais havia sido... Dava-me conta do tamanho da minha insensibilidade ao pensar certas coisas. Em achar que, às vezes, eu era a única que nutria sentimentos sinceros entre nós dois. Seus olhos âmbares desmentiam esses pensamentos e seu braço protetor os fazia fugirem de minha mente.

Eu não tive reação ou argumentos. Meus olhos se fecharam. Sussurrei apenas um "obrigada" antes de me entregar totalmente ao mundo dos sonhos que meu corpo tanto aclamava. Então com um bônus: entregava-me, no lugar mais seguro em que eu poderia estar.

Pensar naquilo era pedir para sofrer demais.

Minha mente me pedia, parecia ter se desvinculado de meu corpo e agora bradava diretamente em meus ouvidos, obrigando-me a parar de trazer aqueles acontecimentos recentes à tona. Todavia, minha consciência parecia deleitar-se no sofrimento que então se tornou aquela realidade. Aquilo que acontecera antes e durante o que me fora revelado.

Ainda assim, talvez o presente, que também poderíamos chamar de depois das revelações, não fora a etapa que tornou tudo isso muito ruim.

O doce momento do antes me parecia bem pior. Desde o começo.

Logo você entenderá o que tento dizer com isso.

Deixei minha cabeça cair para o lado na cama do quarto do hotel. Fechei meus olhos. Cansava de fugir do dia seguinte e do que aconteceria nele.

Minhas costas estavam demasiadamente doloridas pela longa e cansativa viagem de volta à Cidade Central. Desci do trem cambaleante. Era como se o tempo permanecido dentro do meio de transporte acabasse resultando no que a pessoa desaprende a caminhar por si própria. O próprio Edward massageava a lombar, resmungando. Se fosse possível, Al certamente faria o mesmo.

Pegamos nossos pertences e saímos da estação. Por algum motivo, o carro encostado na calçada estava nos esperando. Edward parou, eu e Alphonse fizemos o mesmo.

Deixou de ser algo inesperado assim que Roy Mustang saíra de dentro do carro. Como já era esperado por qualquer um ali, Edward não batera continência. Não que isso parecesse importar para o Coronel no momento.

- Bem vindos de volta. – disse formalmente e depois pareceu falar especialmente comigo – Levaremos a senhorita Rockbell para o lugar onde vocês estão hospedados. Depois vamos para o quartel, há algo que eu quero falar com você, Fullmetal.

Ninguém respondeu. Não era preciso uma afirmação ou negativa para algo que não havia escolha a ser feita. Apenas entramos no carro.

O hotel não era longe da estação e não tive muito tempo para devanear no interior do veículo. Logo estávamos parados à entrada do estabelecimento. Peguei as malas sozinha, tirei do carro, me despedi dos irmãos Elric vendo o carro partir em direção ao quartel.

Mirei o céu laranja, o dia chegava ao seu fim. E agora eu já sabia que teria tempo de sobra para me perguntar sobre o que Roy queria com eles. É... Eu teria tempo para me preocupar um pouco mais.

Levei as coisas para ambos os quartos. Depois apenas me joguei sobre a cama do meu próprio quarto e fiquei à deriva de um mar de hipóteses. As primeiras estrelas começavam a surgir, pontos brilhantes em um céu ainda claro.

Apenas permaneci daquela forma. Não sabia identificar se o tempo estava passando rapidamente ou agonizantemente lento. O que mais me fazia pensar era o quanto, talvez, algumas das coisas que haviam ocorrido pareciam irreais naquele momento. Ter retornado à Central parecia ter colocado minha rotina nos eixos. Os dias em que nós passávamos naquela mesma forma monótona pareciam retornar.

O céu já estava escuro quando suspirei entediada. Ao deixar de olhar a janela e fitar a mesa do quarto, encontrei o jornal. Ergui-me da cama e caminhei até ele. A edição era daquele mesmo dia. E a manchete já falava sobre o ocorrido na pacata cidade do leste de Amestris.

Folheei até encontrar as duas páginas inteiras que contavam com detalhes toda a história por trás dos assassinos. "... A base dessas informações veio da jovem sobrevivente, resgatada durante a operação. Sua identidade será mantida em sigilo por desconhecermos sua opinião sobre se identificar nessa reportagem."

Alívio. Eu pretendia não contar sobre nada para Pinako. Preocupações como aquelas já bastavam para quem as tinha.

Três batidas na porta. Olhei para o relógio; duas horas haviam se passado desde que eu chegara ao hotel. – Entre – permiti na esperança de ser Edward. Uma desconfortável sensação de que aquilo já havia acontecido antes se apossou de mim.

A porta se moveu com um rangido – Demoramos muito? – Edward colocara apenas a cabeça para dentro do quarto. Fiquei muito animada, até demais, em vê-lo ali. Sentei na cama rapidamente, sorrindo, e acenei negativamente com a cabeça. Ele entrou e fechou a porta atrás de si.

Segurava na mão do automail um envelope completamente branco. – O que o Coronel queria conversar com você e com o Al?

- Assuntos sobre algumas coisas que teremos de fazer – resmungou, sentando ao meu lado. Estendeu-me o envelope liso – Isso é para você.

- O que é isso? – segurei o envelope entre minhas mãos, mas não o abri. Apenas olhava para Edward, e eu temia saber a resposta dele.

- É uma passagem de trem para Rizempool.

Olhei para ele. Era exatamente o que eu havia pensado naquele meio tempo. De início, meu coração esquentou, e quase abri um sorriso alegre. Nós iríamos voltar para Rizempool. Todavia, eu não podia me precipitar. Abri a boca e fechei várias vezes antes de saber bem a forma de moldar minha pergunta. Queria mostrar que eu tinha certo controle sobre aquilo também. – É só uma passagem? – fiquei séria. Esperando.

Ele entendeu perfeitamente a sutil pergunta que existia nas entrelinhas. Ficou igualmente sério – Sim, Winry. – e já se preparava para falar mais.

E eu pude sentir uma tristeza enorme, assim como preocupação, indignação, o quanto me coração gritava em meu peito, dizendo que aquilo era uma completa injustiça. Mas minha consciência, eu, sabia muito bem o que era certo, e o que era errado. Eu não podia me entregar ao meu próprio egoísmo, à minha vontade de ficar próxima, de saber realmente o que acontece. Era como se eu não conseguisse confiar no que fosse possível de acontecer e no que Ed e Al eram capazes de fazer.

Apenas estava sendo um estorvo para todos continuar ali. Doía, mas era isso, fato inegável e, de qualquer forma, eu sabia que regressar a Rizempool antes da hora que eu realmente queria era algo inevitável. Minha resposta seria curta, em contraste com os sentimentos em meu peito e o nó em minha garganta – Eu entendo.

Se antes, Edward estava pensando em alguma forma de me consolar, de me convencer, de falar comigo sem mágoas ou desentendimentos, ele interrompera completamente a linha do próprio pensamento e ficara me encarando. Meio incrédulo. Percebi que ainda era a minha vez de falar.

- Sabe, Edward – comecei. Minha voz embargava já com o nó em minha garganta. A certeza de que lágrimas cairiam aos montes era tão absoluta, que elas já se formavam na superfície de meus olhos. Engoli em seco. Sofria por antecipação. – Eu acho que tenho que lhe pedir desculpas. Tudo isso que aconteceu no leste me fez pensar no quanto eu fui besta. Eu... Não digo que me arrependi do que fiz, apenas do que penso. – tive que parar. À medida que eu chegava perto do que tentava dizer, ficava mais difícil. – Eu devia ter feito isso muito antes. Talvez nunca tivesse vindo atrás de vocês se eu soubesse que tudo isso aconteceria – solucei no meio da frase. As lágrimas caíam soltas pelo rosto. Cada uma delas parecia lavar e queimar minha alma ao mesmo tempo. Levei as mãos ao peito. Doía demais. E Ed apenas conseguia me olhar, parecia cada vez mais perplexo. Abriu a boca para tentar me interromper, todavia, não permiti. – Eu realmente não acredito que tudo isso teve que acontecer para entender o quanto eu estava sendo egoísta em continuar aqui, tudo o que eu te fiz passar por causa do que eu fiz, e parecia que nada do que acontecia era o suficiente para que eu entendesse! Mas... Agora, eu sei. Eu sei que o meu lugar é Rizempool. Eu... Acho que eu sei que você não está me abandonando. Eu consigo te entender. Eu não queria, eu não quero, eu quase me recuso a ir embora e te deixar aqui, mas... Eu sei. – Fechei os olhos com força. E a última frase soou como um grito sufocado em meio a lágrimas da minha própria dor – Na verdade, eu estou tentando me convencer de que é melhor eu ir embora daqui de uma vez!

Doía. Demais. Soluçava. Eu não me sentia injustiçada, eu não estava brava, apenas... Preocupada. Mas não era hipócrita o suficiente para mentir para eu mesma dizendo que eu não me sentia contrariada por aquela decisão. Mas eu tinha consciência de que era necessário.

Ainda assim, eu só conseguia chorar como uma criança. Quando vi, as lágrimas já saíam de ódio por elas mesmas.

Senti que Edward me abraçava com força – Winry! – escutei sua voz. Enterrei a cabeça na base de seu pescoço, sentindo que aquilo tinha certo êxito em me acalmar. – Eu não estou te abandonando. Eu estou apenas preocupado com o que seria melhor, tanto eu como o Al. Eu sei que você entende. Não fique assim, não fale como se nós nunca fôssemos voltar! Quando tudo isso acabar, nós voltaremos, Winry. Você sabe disso. Não é?

- Eu... – respirar era difícil. Até mesmo esse simples ato. Mas dizer aquilo acalmaria meu coração e mostraria que sim, eu confiava neles. – Eu acredito em vocês dois. Eu sei que vão voltar. Por isso... Voltem, é só o que eu peço.

- Winry... Me desculpe. – disse. Senti seus braços me apertarem com mais força.

- Não há nada que você precise se desculpar. – soltei do abraço. Resolvi que o tirando do quarto rapidamente seria melhor para que eu digerisse aquilo. Já me sentia mais calma. – Pode ir. Eu vou ficar bem e preciso... De um tempo sozinha.

Ele hesitou, mas foi compreensivo. Me deu boa noite e saiu do quarto. Levantei da cama, fui até o banheiro. Sentia meu coração despedaçado. Podia ter ciência, podia ser convincente para minha própria mente e para Edward, mas não conseguia enganar meu próprio coração.

Lavei meu rosto com a água fria da torneira. Um banho para a realidade e para meus olhos que estavam inchados e vermelhos. Depois, ergui a cabeça, e encontrei esses meus olhos no reflexo do espelho.

... Dizem que os olhos são a janela da alma. Então, se os seus olhos aparentam melancolia, sua alma está triste. Se seus olhos brilham, sua alma exercia certo fascínio e amor por algo. E se você perdeu tudo, pensei, seus olhos aparentam uma alma sozinha no mundo. Apesar daquela reflexão, eu continuava encarando meus próprios orbes azuis no espelho do quarto. Eram os olhos de quem?

Você voltou ao ponto inicial. Pensei.

Minha maior vontade era rasgar aquele pedaço de papel que me levaria para Rizempool. Não podia me enganar, eu não queria ficar longe. Mas era preciso.

Voltei para a cama, digerindo tudo aquilo que tinha sido dito. Sabia que precisava dormir. Mas aquilo doía. Demais.

Minha mente teimava a me lembrar de tudo com detalhes, desde o primeiro momento, desde a cidade do leste.

Já estava chorando e me martirizando quando finalmente consegui dormir. Partiria no dia seguinte e cedo para minha terra natal.

Para a nossa terra natal.

Alguns raios de sol entravam pelas janelas mais altas do prédio da estação. Já estávamos lá, cedo. Quanto mais cedo eu partisse, menos mal eu me sentiria. O que significava, no fim, que eu ainda fugia de meus próprios sentimentos. Eu não amadureço, apesar de tudo. Pensei.

Estávamos os três em completo silêncio. Aquilo já não era mais nenhuma novidade. Nos últimos tempos, o silêncio nos disse mais do que mil palavras proferidas de forma entendível.

Assim como o silêncio me garantia que o que eu estava fazendo, por mais sufocante que fosse, era o que estava certo.

Todavia, meu coração teimava em dizer que aquilo tudo era completamente errado, nada daquilo deveria estar acontecendo e que eu tinha que permanecer na cidade Central.

Eu não sabia mais o que pensar.

Decidi deixar o tempo tomar essa decisão. A qual eu já sabia qual era.

Edward passou um bom tempo apenas observando o relógio da estação até que se levantou. Tanto eu quanto Alphonse passamos a lhe dar atenção. Edward olhou para o irmão – Eu posso conversar um pouco com a Winry? E... Já está quase na hora de ir. – ele disse. Al acenou positivamente com a cabeça – Vou levá-la direto para a plataforma.

Entendi o recado. É para se despedir do Al agora. Levantei do banco e fiquei de frente para a armadura. – Ei, Al. – dei o meu melhor sorriso para aquele que era como o meu irmão – Vou deixar uma torta de maçã deliciosa para você comer quando voltar, viu? Por isso, não demore! Seria um pecado deixar uma delícia dessas esfriar!

Al e Ed riram. Eu apenas continuei sorrindo e olhando para a armadura. – Eu quero te abraçar. – disse, séria, logo depois – Por isso... Não demore.

- Eu prometo que não vou demorar, Winry – a voz doce em contraste com a armadura robusta respondera. – E eu espero que essa torta de maçã seja realmente boa!

Sorri novamente. Depois, baixei a cabeça. Fui pegar meus pertences, mas estes já estavam com Ed. A pessoa que seria difícil de me despedir. Respirei fundo, olhei para ele, e assenti com a cabeça. O ambarino abriu um sorriso acolhedor, e passou o braço por meus ombros. Fomos até a plataforma.

Que ainda estava vazia. Respirei fundo, não tinha coragem de olhar para ele, apesar de tudo. Era a minha fraqueza. Era o meu motivo. Senti o toque de sua mão na minha, mas continuei do mesmo jeito. – Ei, Winry – ele disse baixo – Obrigado. Por não desistir de mim.

Então eu olhei para ele. Edward não me olhava, seus olhos estavam fixos em qualquer ponto que não fosse eu. Como se fosse algo difícil até mesmo para ele. Mordi o lábio, ficando de frente para Ed. Ele me olhou por um breve momento, logo depois desviou o olhar novamente. – Eu já te disse coisas horríveis – ele continuou – Já te tratei muito mal, já pensei em te abandonar, fui um completo idiota, e mesmo assim você ainda estava lá. Ainda tentava me fazer entender, ainda me apoiava. Mesmo com tudo o que eu tinha feito você veio até a cidade Central e me fez reconhecer minha maior fraqueza, mudou a forma como eu pensava sobre tudo aquilo que aconteceu nos dois anos de guerra. Apoiou-me, me deixou chorar, me entendeu, abriu os meus olhos. Continuou sorrindo para mim. Continuou gostando de mim. Se não fosse você, não seria ninguém. Somente você consegue fazer isso. Obrigado. Mesmo eu tendo sido um imprestável durante muito tempo.

De início, aquilo me surpreendera. Aquelas palavras. Eu sentia vontade de abraçá-lo, mas não o fiz. Apenas sorri, e pus a mão em seu queixo. Fiz ele me olhar.

Nossos olhos se conectaram. O âmbar encarava o azul. Enxergava por dentro. Nós dois, um olhando para o interior dos olhos do outro.

- Eu não fiz nada. – respondi. – O que você mudou, o que você enxergou, o que você fez, foi você quem fez. Apenas tem que agradecer a si mesmo e não a mim. Não se chame de imprestável, porque você está muito longe de ser isso. Você é incrível, Edward. E não é porque você teve que cumprir com ordens realmente absurdas que isso te desvalorizaria. Você fez o mesmo por mim, abriu os meus olhos, me fez entender. Cumpriu as promessas que fez para mim. Protegeu-me, cuidou, se preocupou com motivos de sobra. Obrigada. Eu também tenho que te agradecer, e devo te agradecer por existir? Fica meio vago, mas eu sei que devo.

- Winry... – ele balbuciou. O interrompi, colocando o dedo indicador sobre seus lábios.

- Não precisa dizer nada.

Ficamos ali, nos olhando, todavia, por pouco tempo. As mãos dele foram para minha cintura. Meu coração deu um salto dentro de meu peito. Então, ele me puxou para um beijo.

Apesar do momento, da despedida, era um beijo calmo, suave, carinhoso, eterno. Nada de desespero. Um beijo que falava. E significava que nós não tínhamos tempo nenhum a perder. Uma promessa selada.

Minhas bochechas estavam quentes e vermelhas, meu corpo estava entregue aos braços dele. Apenas aproveitava o momento. Já que, apesar de tudo, eu sabia que teria de esperar até provar daquela sensação maravilhosa novamente, e Ed parecia imaginar o mesmo.

Então, por que haveria de ser desesperado? Cheguei a essa conclusão em minha mente. E os lábios de Edward me diziam que ele pensava a mesma coisa.

O som do trem chegando fez com que nos separássemos. Edward ficou vermelho – Entre, e vá correndo para a janela do trem. – eu estranhei o que ele me mandou fazer, e mais ainda aquela pequena reação. Mas o fiz.

Devo ter sido a primeira a entrar dentro daquele vagão. Corri, aos tropeços, para a cabine mais próxima de Edward. Joguei minha mala ali e debrucei-me na janela. Exatamente à frente dele. Sorri. E ele também, mas com o detalhe de ainda estar corado.

Ele chegou o mais perto que podia – Lembra, daquela manhã em Rizempool em que eu parti para a guerra, que você não me deixou falar o que eu queria? – comecei a ficar cada vez mais estática. E ele cada vez mais corado. – Ainda bem que você não deixou. Seria muito besta te pedir aquilo quando nós dois tínhamos quinze anos. Mas agora, não parece mais tão besta.

Eu não consegui falar. Estava estática. Nunca havia esquecido daquela promessa. Mas também, nunca havia cobrado. E pelo jeito não precisaria.

Ed apenas me deu outro beijo calmo. – Eu vou voltar, o mais rápido que conseguir. – disse, hesitante – Para me casar com você. O que acha?

Então, ele foi para trás, ainda corado, e sorrindo. Eu só consegui ficar... Boquiaberta. O que foi que ele disse? Essa frase gritava em minha mente. Eu não conseguia raciocinar direito... Acho que estava vermelha como um tomate e, por dentro, imensamente feliz.

Acordei dos pensamentos com o solavanco. O trem começava a andar. – Você vai me deixar esperando pela resposta quanto tempo? – Edward gritou enquanto eu via sua silhueta se afastar cada vez mais pelo movimento do trem em que eu estava.

Comecei a rir entre lágrimas de felicidade. A velocidade do trem já fazia meus cabelos se moverem sobre meu rosto – Como se você não soubesse a resposta, baka! – gritei de volta – É claro que sim!

Desculpe a demora. Mesmo. Eu me destoei muito, passei bastante tempo sem entrar nem mesmo no computador. Mas eu entendi a principal coisa que me faz demorar tanto assim. Eu me sentia pressionada pelo tempo, fazia tudo no desespero de terminar os caps no tempo prometido, e eu nunca funcionei bem com algo me pressionando. E o tempo me pressionava. Por isso, a dificuldade de escrever os caps era imensa. Sei disso porque Esse cap praticamente inteiro foi escrito ONTEM À NOITE, MANUSCRITO, depois que eu resolvi deixar de me preocupar tanto assim com certas coisas. Agora, me sinto muito confiante e já comecei o capítulo 18 ao mesmo tempo em que escrevo isso. O 18... É ridiculamente simples, e vai ser muito bom escrevê-lo, então... Veremos quando ele será postado aqui.
As outras fics que vou começar depois dessa, pretendo deixar boa parte delas prontas, tudo na calma. Vai ser muito mais fácil e isso virá mais rápido do que vocês imaginam. Isso quem quiser ler mais coisas que eu escreverei depois disso né ç-ç
Enfim, espero que gostem desse cap, comentem, me digam o que acharam do final. Eu era retardada quando escrevi sentimentos, comecei a rir quando fiz o Edward dizer aquilo pra ela ali no fim ADHSOIADSHOIADSHOIADHS não pensei em outra proposta melhor enquanto escrevia essa fic e ficou por isso mesmo PLOP
Mereço review? :D

Kissus da Ally, e obrigada por lerem desde sempre 3