Capítulo 1: A nova rotina

"Bom dia, Londres! Hoje é terça-feira, vinte e seis de setembro, e..."

Ainda de olhos fechados, Isabelle tateou por debaixo do travesseiro, em busca da varinha. Ao encontrá-la, apontou-a para o rádio, em cima da cômoda, e o aparelho silenciou.

- Ok, Isabelle. – disse para si mesma, após um longo suspiro – Hora de levantar.

Preguiçosamente, a morena saiu de baixo das cobertas, sentando-se na cama, e encarando a janela até despertar por completo. Levantou, indo até a janela e abrindo o vidro, para que o ar da manhã pudesse entrar no quarto, e espreguiçando-se enquanto andava, foi até o banheiro, despiu o pijama e entrou no chuveiro.

No quarto da frente, Lilian escovava os longos cabelos ruivos, prendendo-os em um coque apertado. Após certificar-se de que todos os fios estavam em seus devidos lugares, e guardar a escova novamente na gaveta da cômoda, a ruiva deixou o quarto, dirigindo-se até a cozinha para preparar o café da manhã.

Alguns minutos depois, de banho tomado, e já vestida, Isabelle desceu as escadas para o andar térreo, indo até a cozinha. Como de hábito, Lilian já estava sentada à mesa, diante da xícara vazia, lendo o Profeta Diário.

- Hmm... cheirinho bom de café... – disse a morena, ao entrar na cozinha – Bom dia, Lil.

- Bom dia. – respondeu a ruiva, fechando o jornal e colocando-o dobrado ao meio sobre a mesa.

Depois que deixaram a escola, Lilian e Isabelle foram morar juntas, na casa da morena, em Londres. Com as excelentes notas que obtiveram nos N.I.E.M.'s, Isabelle havia sido aceita na Academia de Aurores do Ministério, onde era colega de Sirius, Tiago e Alice, e Lilian, no Curso de Formação de Medi-Bruxos do St. Mungus.

- Merlin, que preguiça que eu tô! – disse Isabelle, acomodando-se também à mesa. As duas começaram então a se servir.

- Tudo certo pra mais tarde, né, Isa? – perguntou Lilian, servindo-se de suco.

- Aham. – confirmou Isabelle – Nos encontramos ao meio-dia e cinco, naquele café da Regent Street.

- Isso.

- Eu nem acredito que é a sua última semana aqui, Lil! – disse Isabelle, fitando a amiga.

- Nem me fala, Isa. – disse Lilian, enquanto a amiga pegava uma torrada.

- A partir de sábado você vai ser uma mulher casada. – disse a morena – A Sra. Tiago Potter.

- Ai, Isa, eu tô tão nervosa! – disse a ruiva, escondendo o rosto nas mãos.

- Calma, Lily! – disse Isabelle, rindo – Vai ser tudo perfeito!

O casamento de Lilian e Tiago aconteceria no sábado, ao entardecer. Todos os preparativos já haviam sido realizados, e a festa prometia ser realmente linda. Apenas alguns detalhes ainda precisavam ser acertados, e a ruiva contava com a ajuda da amiga para deixar tudo pronto para o grande dia.

- Sirius vai mesmo vir morar aqui? – perguntou Lilian.

- Vai. – respondeu Isabelle – De jeito nenhum eu fico sozinha aqui. – disse ela, e então olhou para Lilian – E não faz essa cara, Lily.

- O problema não sou eu. – disse a ruiva – Mas você sabe o que todo mundo vai falar, não sabe? – perguntou ela.

- E você sabe que eu não ligo nem um pouco, não sabe? – retrucou Isabelle.

Lilian deu de ombros, e as duas continuaram conversando enquanto tomavam café, discutindo sobre as coisas que ainda precisavam fazer, e sobre o encontro na hora do almoço. Depois de terminar o café, organizaram rapidamente tudo na cozinha, e subiram para escovar os dentes e apanhar suas coisas. Voltaram ao andar de baixo, encontrando-se na sala de estar, diante da lareira.

- Incendio! – disse Lilian, apontando a varinha para a lareira, que se acendeu – Até o almoço, então, Isa.

- Até!

A ruiva apanhou um punhado do pó de Flu, em um frasco no console da lareira, e lançou-o nas chamas, que se tornaram mais intensas, e mudaram para um tom de verde vivo. Lilian entrou nelas, anunciando seu destino.

- Hospital St. Mungus! – disse ela, e então desapareceu.

Isabelle suspirou, apanhou a bolsa que estava em cima de uma das poltronas e adiantou-se até a lareira, pegou um punhado do pó de Flu e jogou nas chamas, entrando nelas logo em seguida.

- Ministério da Magia! – disse ela, e então desapareceu.

A morena "desembarcou" em outra lareira, bem maior e de grades douradas, da qual saiu rapidamente, espanando as vestes. Logo, outra pessoa surgia na lareira, saindo também rapidamente e seguindo seu caminho pelo hall do Ministério da Magia. Uma multidão de bruxos e bruxas caminhava pelo suntuoso e gigantesco salão, seus passos soando apressados no chão de madeira escura.

Isabelle seguiu o fluxo de gente, passando reto pela imponente fonte, que era admirada com fascinação pelos visitantes, e encaminhando-se para um portão dourado, à esquerda do hall. Entrou em um novo saguão, um pouco menor, onde ficavam os vários elevadores, dirigindo-se para uma das filas para os elevadores. Quando o elevador chegou ao andar, entrou na cabine, junto com dois bruxos miudinhos que discutiam algo em um espanhol muito rápido. A porta do elevador começava a se fechar quando a jovem ouviu uma voz conhecida gritar do lado de fora.

- Segura!

Isabelle levou a mão à porta, que voltou a se abrir, e Tiago e Sirius entraram no elevador, ofegantes.

- Valeu, Isa. – agradeceu Tiago. Algum tempo após deixarem Hogwarts, Isabelle havia conseguido finalmente com que ele parasse de chamá-la pelo sobrenome.

- De nada. – respondeu a morena, sorrindo – Bom dia.

- Bom dia, amor. – disse Sirius, beijando-a.

O elevador subiu três andares, e os dois bruxos que os acompanhavam saíram do elevador, seguindo a passos rápidos pelo corredor principal do Departamento de Cooperação Internacional em Magia. Alguns aviõezinhos de papel – na verdade relatórios interdepartamentais e memorandos – entraram voando na cabine, e então a porta se fechou. Sirius apertou o botão com o número dois, e o elevador recomeçou a subir.

- É hoje que você e a Lily não vão almoçar com a gente, né? – perguntou Tiago.

- Aham. – confirmou Isabelle, de mãos dadas com Sirius – Temos umas coisinhas do casamento pra resolver. – esclareceu ela.

- Hmm...

- Mas o nosso jantar está de pé, não está? – perguntou Sirius.

- Aham. – fez Isabelle, novamente.

- Hmm... – fez Tiago, esfregando as mãos – Mal posso esperar pela hora do jantar... lasanha...

Isabelle revirou os olhos, rindo, e Sirius voltou a beijá-la, de leve, nos lábios.

O elevador então parou, e a porta se abriu. Os três deixaram a cabine, Sirius e Isabelle soltaram as mãos – não costumavam dar demonstrações de carinho dentro do Departamento – e rumaram direto para o Quartel General, mais especificamente, para o mini-auditório, onde tinham as aulas teóricas do curso. Quase todas as cadeiras já estavam ocupadas, mas em uma das fileiras bem do meio, três lugares vazios os aguardavam. Na cadeira seguinte, Alice, agora Longbotton – o casamento com Frank se realizara cerca de um mês após a formatura em Hogwarts – os observava chegar com um sorriso.

- Bom dia, gente! – cumprimentou ela, ainda sorrindo.

- Bom dia, Lice! – responderam os recém-chegados, quase ao mesmo tempo.

Enquanto os três se acomodavam, o instrutor chegava à sala. Alastor Moody era um Auror experiente, sempre curto e objetivo em suas explicações, e sem muita paciência para meias palavras. Toda a conversa cessou.

- Bom dia a todos. – rosnou ele, correndo um olhar perscrutador pela sala. Perscrutador mesmo. Enquanto um olho, miúdo, escuro e penetrante, encarava os pupilos, um a um, o outro, maior e redondo como uma moeda, de um tom azul-elétrico, movia-se em todas as direções, independentemente do outro, sem nunca piscar, e eventualmente voltava-se para dentro da cabeça do homem, deixando à mostra somente a córnea branca. Sempre que isto acontecia, Alice se arrepiava dos pés à cabeça.

Moody começou então suas explicações sobre técnicas de rastreamento e espionagem, enquanto todos na sala o ouviam, como de costume, no mais absoluto silêncio.

Conforme o combinado, Lilian e Isabelle se encontraram na hora do almoço, em um pequeno café na Regent Street, no centro da cidade. Após um lanche rápido, foram em algumas lojas da região, em busca de alguns artigos que ainda faltavam no enxoval da ruiva.

- Ai, Lily, essa é linda também! – disse Isabelle, espiando para dentro do provador. Lilian experimentava algumas camisolas, para as noites da lua-de-mel. A que vestia agora era longa, de seda branca, com pequenos detalhes em renda no decote.

- É, não é? – perguntou a ruiva, olhando-se no espelho – Acho que vou ficar com essa, e a rosa, e aquela verde-clarinha.

- Eu acho ótimo. – concordou Isabelle.

Lilian vestiu-se, enquanto a vendedora registrava a venda e embrulhava as compras; além das camisolas, as duas haviam comprado também algumas peças de lingerie. Elas passaram no caixa para fazer o pagamento, e então deixaram a loja.

- Ai, tá quase na hora de eu voltar pro hospital. – disse a ruiva.

Lilian tinha as aulas teóricas na parte da manhã, e à tarde, tinha a prática, atuando como auxiliar de uma das medi-bruxas do hospital, algo semelhante a um estagiário. Além disso, em alguns dias, ela auxiliava o setor de produção de poções do St. Mungus.

- É, e eu tenho que voltar pro Ministério. – lembrou Isabelle.

A morena também tinha aulas à tarde. Com todos os problemas causados pelos chamados Comensais da Morte e, principalmente, pelo mestre deles, o bruxo que se auto-intitulava Lorde Voldemort, os novos Aurores estavam tendo o máximo de treinamento no menor tempo, para que estivessem preparados para entrar em ação o mais cedo que fosse possível.

As duas entraram em uma pequena ruela vazia, a alguns quarteirões da loja de onde haviam saído.

- Evanesco! – disse Lilian, apontando a varinha para as sacolas de compras, que desapareceram.

- Bom, eu vou nessa. – disse Isabelle – Moody me mata se eu me atrasar. Com requintes de crueldade.

- Tá bom, vai lá. – disse Lilian, rindo – A gente se vê mais tarde.

- Até mais tarde.

E então, as duas aparataram.

Lilian aparatou no saguão do hospital St. Mungus, que, como sempre, tinha muita gente transitando. Nas cadeiras destinadas aos pacientes que aguardavam atendimento haviam os mais diversos casos, desde um bruxo que trocara – literalmente – os pés pelas mãos, com um feitiço incorreto, até a mãe aflita com o filho de um ano que engolira um lembrol. Ela acenou para a recepcionista, rumando para o salão dos funcionários, onde trocou sua roupa pelo uniforme de estagiária. Devidamente vestida, dirigiu-se à ala Daisy Gwenies, no quarto andar, para encontrar sua instrutora, a medi-bruxa Meredith Dilbreth.

- Meredith? – chamou ela, ao chegar à enfermaria.

- Ah, Lilian, que bom que chegou. – disse a bruxa, fitando-a por cima dos óculos redondos – Temos um...

A medi-bruxa foi interrompida pelo grito agudo e estridente da paciente deitada na cama diante dela, uma garotinha de aproximadamente oito anos. Após um minuto exato, a criança parou de gritar, olhando para a medi-bruxa com uma expressão envergonhada.

- Tudo bem, querida. – disse Meredith, tranqüilizando-a – Daremos um jeito nisto. – ela voltou-se para Lilian – Ela não consegue conter. Grita por um minuto exato, a cada intervalo de três minutos. Estava brincando com a varinha da mãe.

Ela passou mais alguns dados para a ruiva, enquanto examinava a paciente. Ao fim dos três minutos de intervalo, uma nova crise de gritos teve início. Quando a garotinha silenciou novamente, foram feitos alguns questionamentos a ela e à mãe, sentada em uma cadeira perto da cama, e após algum tempo – não antes de terem passado por mais dois longos minutos de gritos – Lilian e a instrutora descobriram o feitiço usado na menina, e lançaram nela o contrafeitiço, liberando-a para ir embora e partindo para atender novos pacientes.

Isabelle aparatou diretamente para o saguão dos elevadores no Ministério. Encontrou Sirius e Tiago, parados perto de um dos elevadores, esperando por ela.

- ... e ela vai me matar se descobrir que eu ainda não escrevi os votos. – dizia Tiago.

- Com certeza vai. – concordou Sirius.

- Quem vai fazer o quê? – perguntou Isabelle, ao alcançá-los. Sirius a recebeu com um beijo leve.

- A Lily. – respondeu Sirius – Ela vai trucidar o Pontas.

- Ué, por quê? – perguntou a morena, sem entender, apertando o botão para chamar o elevador.

- Eu ainda não escrevi meus votos. – confessou Tiago.

- Ah, isso não é motivo pra tanto drama. – disse Isabelle.

- Mas eu não consigo escrever! – disse o rapaz, exasperado – Eu penso, penso, mas não sai nada.

- Hmm...

- Ela já escreveu os dela? – perguntou Tiago.

- Já. – respondeu a morena – Terminou ontem à noite, por isso eu disse que não é motivo pra drama.

- Hmm... você leu?

- Li. Mas não vou contar nada pra você. – disse Isabelle, meio debochada – Bom, vamos subir? – sugeriu ela – Moody tem uma síncope se chegarmos atrasados.

No fim da tarde, depois de serem liberados no Ministério, Sirius e Tiago saíram rumo ao centro da cidade, indo até o ateliê de costura responsável pela confecção de suas vestes para o casamento. Eles, junto com Remo, iriam fazer a última prova dos trajes naquele dia.

- Almofadinhas... comporte-se... – disse Remo a Sirius, que olhava sem parar para o decote da costureira.

Sirius desviou o olhar do decote da mulher, fixando o olhar na janela, e depois em Tiago.

- Só mesmo você e a Lily pra me fazer colocar essa gravata, Pontas! – dizia Sirius, que a toda hora mexia no colarinho, incomodado.

- Ah, vai, Almofadinhas! – disse Remo, enquanto a costureira fazia uma marcação em sua calça, que estava muito comprida – Você só vai ter que ficar com ela durante o casamento, na hora da festa você tira, ué!

- Ah, mas não tenha dúvidas de que é o que eu vou fazer.

- O problema não é só esse, Aluado. – disse Tiago, observando os amigos – O Almofadinhas tá estressado por outra coisa.

- O quê? – perguntou Remo.

- Moody. – resmungou Sirius.

- O que tem ele? – perguntou Lupin, sem entender.

- Mandou o Sirius cortar o cabelo. – disse Tiago, quando Sirius não respondeu – Ou ele mesmo vai cortar.

- Bruxo velho de uma figa. – xingou Sirius, emburrado.

Isabelle foi diretamente para casa, passando antes em um mercado, para comprar os ingredientes da prometida lasanha de Tiago. Depois de comprar tudo o que precisava, discretamente despachou as compras para casa com um feitiço, e, como sabia que Tiago e Sirius ainda iriam demorar um pouco, seguiu, tomando um sorvete enquanto caminhava calmamente para casa.

Ao chegar, foi direto para a cozinha, para guardar as compras que estavam sobre a mesa, e enquanto o fazia, Lilian chegou à casa via Flu, exausta.

- Isa? – chamou a ruiva – Já chegou?

- Na cozinha! – respondeu Isabelle.

Lilian então despachou sua bolsa para o quarto, e foi até a cozinha encontrar com a amiga.

- Oi. – cumprimentou ela, jogando-se em uma cadeira.

- Oi. – respondeu Isabelle – Carinha de cansada...

- O hospital tava uma loucura hoje.

- Eu imagino... – disse Isabelle, observando-a – Sobe, toma um banho, relaxa um pouco. – sugeriu ela – É o que eu vou fazer assim que terminar isso aqui.

- É, eu vou fazer isso.

Lilian seguiu o conselho da amiga, e foi direto para o seu quarto, tomar um demorado banho de banheira. Isabelle terminou de guardar as compras, deixando sobre a mesa apenas os ingredientes e utensílios que seriam necessários para o preparo do jantar, e então, subiu também, indo direto para o chuveiro.

Cerca de vinte minutos depois, as duas estavam de volta à cozinha, para começar a preparar o jantar.

- E então? – perguntou Lilian – Como foram as suas aulas?

- Ah, estavam ótimas! – respondeu Isabelle, animada – Técnicas de rastreamento e espionagem, adoro!

- Eu sei. – disse Lilian, sorrindo – E os meninos?

- Foram fazer a prova das roupas pro casamento. – respondeu a morena – Remo ia com eles, e depois vinham todos juntos pra cá.

- Pedro vem também?

- Não sei. – disse Isabelle – Tiago disse que não tinha conseguido confirmar com ele.

- Hmm...

As duas então começaram a trabalhar. Enquanto Isabelle montava a lasanha, Lilian preparava algumas saladas, e depois, uma calda especial para acompanhar o sorvete que Isabelle havia comprado para a sobremesa. Depois de montada, a lasanha foi para o forno, e enquanto esperavam que assasse e também pela chegada dos rapazes, as duas foram até o quarto de Lilian, para dar uma conferida nas compras feitas na hora do almoço.

- Não acredito que me convenceu a comprar esse, Isa. – disse Lilian, erguendo um bonito conjunto de lingerie preto com detalhes bordados em verde claro.

- Por quê? – perguntou Isabelle – Eu achei tão bonito!

- É bonito, mas... é tão ousado... – comentou a ruiva, meio em dúvida.

- Ah, qual é, Lily, é sua lua-de-mel! – disse Isabelle.

- Eu sei...

- Então!

- Acho que vou ficar com vergonha de ficar vestida só com isso na frente do Tiago... – disse a ruiva, erguendo mais uma vez as peças.

Isabelle revirou os olhos, rindo. Então as duas ouviram um ruído de passos na escada, e logo em seguida, Tiago bateu à porta do quarto.

- Amor, tá aí? – perguntou ele.

- Tô! – respondeu Lilian, começando a guardar as roupas espalhadas pela cama – Não entra!

- Por quê? – perguntou Tiago.

- Isa e eu estamos resolvendo umas coisas.

- O que é que as duas estão aprontando aí dentro, hein? – dessa vez era Sirius quem perguntava.

- Não é nada, Sirius. – respondeu Isabelle – Falamos com vocês num minuto.

- Tá. – concordou o moreno – Estamos na sala.

- Tá, já vamos descer. – disse Lilian.

- Tiago vai cair pra trás quando vir você com essa lingerie, Lil. – disse Isabelle, enquanto colocava outra peça na sacola.

- Isa! – exclamou Lilian – Tá me deixando ainda mais nervosa!

- Tá bom, desculpa! – pediu a morena, com uma expressão falsamente arrependida.

As duas guardaram tudo de volta nas sacolas, e as esconderam dentro do guarda-roupa de Lilian. Depois, desceram para encontrar os rapazes.

- O que é que vocês estavam tramando, trancadas no quarto? – perguntou Tiago, assim que elas entraram na sala.

- Segredo de Estado. – respondeu Isabelle – Coisa de mulher. – acrescentou, antes de dar um beijo em Sirius.

- Hmm...

- Como foi seu dia, meu amor? – perguntou Lilian, indo dar um beijo em Tiago.

- Está muito melhor agora que eu estou com você. – respondeu ele, depois de beijá-la.

- E o Remo? – perguntou Isabelle, ao notar a ausência do amigo.

- Vai se atrasar um pouco. – respondeu Sirius – Mas deve chegar logo.

Os quatro foram então para a cozinha, para que Lilian e Isabelle pudessem dar uma olhada na lasanha que ainda estava no forno. Sirius e Tiago, muito prestativos, colocaram a mesa para o jantar, e enquanto os dois faziam uma bagunça à mesa, colocando garfos e facas a mais e copos a menos, um leve estalido anunciou a chegada de Remo à casa.

- Ei, tem alguém em casa? – perguntou o recém-chegado – Achei que tinha sido convidado pra um jantar!

Lilian e Isabelle foram até a sala de estar, encontrar com o amigo, que sorria ao abraçar as duas, pois não as via já há vários dias. Remo havia obtido excelentes notas nos N.I.E.M.'s que havia prestado, e fora classificado em um dos primeiros lugares para um curso avançado de Defesa Contra as Artes das Trevas, em Dublin, na Irlanda. Ele tinha aulas todos os dias pela manhã, e às vezes à noite, e a carga de trabalho era bastante pesada; entre leituras e pesquisas, ele passava boa parte de seu tempo com a cara enfiada nos livros. Tivera alguns problemas para encontrar trabalho, devido ao problema da licantropia, mas, por fim, com uma ajudinha – da qual ele só tomou conhecimento muitos anos mais tarde – de Dumbledore, ele conseguiu um emprego de meio período no Ministério da Magia irlandês, e por isso seus dias vinham sendo bastante cheios. Mesmo assim, ele encontrava tempo para manter contato freqüente com os amigos, e com Bárbara, com quem continuava namorando, apesar da distância, e vinha visitá-los sempre que possível.

- Desculpem pelo atraso. – pediu ele – Eu fui ver a Bá.

- Ooown, que lindinho! – brincou Isabelle.

Sempre que vinha da Irlanda, uma vez a cada quinze dias, Remo ia até Hogwarts para ver Bárbara. Os dois se falavam quase todos os dias, através da lareira, e quando se encontravam – Remo mandava uma coruja confirmando a vinda à Inglaterra e combinando o horário – na Sala Precisa, os dois aproveitavam cada segundo do tempo que tinham para ficar juntos, conversando, e, é claro, namorando. O espaço de tempo entre uma visita e outra só se alterava nas ocasiões em que a lua cheia caía no fim de semana da vinda à Inglaterra. Nestes casos, Remo permanecia na Irlanda, trancado em casa – Isabelle continuava a preparar a poção Mata-Cão para ele, que então sofria apenas a transformação física, mas apesar de não se ferir, ficava muito cansado e abatido – até que a lua passasse e ele pudesse ir ver a namorada, para quem dava alguma desculpa sobre o trabalho ou o curso.

- É por isso que tá com esse sorrisão aí? – perguntou Lilian, enquanto eles voltavam juntos para a cozinha.

- Também. Mas tem outra coisa. – respondeu Remo – Consegui um emprego, no Ministério de lá.

- Sério? – perguntou Isabelle, animada.

- É. – confirmou o Maroto – E o que é mais irônico, no Departamento de Controle e Regularização das Criaturas Mágicas.

- Nossa, Remo, que ótima notícia!

Os três voltaram à cozinha, e, enquanto Remo cumprimentava os amigos, Isabelle foi verificar se a lasanha já estava pronta. Depois de Lilian arrumar a bagunça que Tiago e Sirius haviam feito na mesa da sala de jantar, os cinco rumaram para lá, e eles então começaram a comer.

- Hmm... Isa, a sua lasanha é a melhor do mundo! – disse Tiago, depois de uma enorme garfada.

- Obrigada, Tiago. – agradeceu Isabelle, sorrindo.

- Ei, e a minha salada? – perguntou Lilian, fingindo estar zangada.

- Também, é a melhor, amor! – disse Tiago, beijando-a em seguida.

- Hmm... bem melhor. – disse a ruiva, sorrindo – Ou eu ia deixar você sem sobremesa.

- Por que não trouxe a Bá, Aluado? – perguntou Tiago.

- Eu até perguntei se ela queria vir. – respondeu Remo – Mas você sabe como ela é toda preocupada em quebrar as regras...

- Aham. – concordou o outro – Pior que a Lily.

- Ei!

- Tô só brincando, amor. – disse Tiago, e então se inclinou na direção de Sirius – Ninguém supera a monitora Lilian Evans.

- Eu ouvi isso, Sr. Potter. – disse a ruiva – E lembre que a sua sobremesa depende já está a perigo, hein?!

- Ih, se ferrou, Pontas! – disse Sirius, rindo.

O jantar foi bastante animado, e eles conversaram muito sobre suas vidas, os cursos que estavam fazendo e, claro, sobre o casamento. Apesar de terem jantado cedo, os cinco ficaram até muito tarde conversando, e já passava da meia-noite quando os rapazes foram embora.

- Até amanhã, amor. – disse Sirius, beijando Isabelle.

- Até amanhã. – disse ela – Tchau, Remo. – despediu-se, dando um abraço no amigo.

- Tchau, Isa. – respondeu Remo – Tchau, Lily. – disse ele, abraçando Lilian também – Até sábado.

- Até sábado. – respondeu a ruiva.

- Até amanhã, meu lírio. – disse Tiago, dando um longo beijo na noiva.

- Até amanhã, meu amor. – respondeu ela.

Depois que os rapazes haviam aparatado para casa, Lilian e Isabelle voltaram à cozinha, para organizar tudo antes de irem dormir. Felizmente, usando magia tudo era bem mais fácil e rápido, e em pouco tempo a cozinha estava perfeitamente organizada e limpa.

- Bom, eu vou pra cama. – disse Isabelle, enquanto elas terminavam de subir as escadas para os quartos.

- É, já tá tarde. – concordou Lilian – Boa noite, Isa.

- Boa noite.

Mas Isabelle não foi realmente para a cama. Ela sentou-se na poltrona em seu quarto, perto da janela e esperou por alguns minutos. Ouviu o barulho de Lilian andando pelo quarto, e mexendo na cômoda. Depois, ouviu a ruiva apagar as luzes com um feitiço. Assim que teve certeza de que a amiga já estava deitada, provavelmente adormecida, a morena voltou ao andar de baixo, mais precisamente à sala de estar.

Ela foi até a lareira, apanhou uma pitada de pó de Flu, no frasco sobre o console, e jogou na grade, fazendo surgirem brandas chamas cor de esmeralda. Depois de dar uma espiada por sobre o ombro, apenas para certificar-se de que Lilian não a havia escutado descer e a seguido, ajoelhou-se no chão, diante da lareira, inclinando-se para frente, e disse:

- Chateau St. Jacques.

Sentiu como se sua cabeça estivesse no centro de um redemoinho, e manteve os olhos bem fechados para protegê-los das cinzas. Quando tudo parou de girar, abriu-os novamente, para encarar uma sala de estar mal iluminada e vazia.

- Rèmy? – chamou ela, em voz baixa.

Houve um pequeno estalido, e a pequena figura de um elfo-doméstico apareceu diante da lareira, fitando-a com ar de adoração.

- Mademoiselle Charmant! – exclamou o elfo, satisfeito.

- Bonne nuit, Rèmy! – respondeu Isabelle – Désolé pour les heures.

- Il n'y a pas de problème, mademoiselle. – disse o elfo – Besoin de quelque chose?

- Oh, non, non. – disse Isabelle – Voulez simplement vous assurer que tout est prêt.
- Oui. – respondeu o elfo – La maison est prête à recevoir le couple Potter.
- Fine, Rèmy. – disse Isabelle, satisfeita – Je vous remercie.

- Rèmy est heureux d'être utile, mademoiselle. – disse Rèmy, fazendo uma reverência.

- Bonne nuit, Rèmy. – despediu-se a jovem.

- Bonne nuit, mademoiselle.

O elfo desapareceu da lareira, e Isabelle voltou para seu quarto, sorrindo para si mesma. Lilian iria adorar a surpresa.

Algumas semanas antes, no Ministério, Tiago comentara que queria fazer algo especial para Lilian na lua-de-mel. Ele queria uma viagem especial, inesquecível, mas não havia decidido ainda para onde iria levar a futura esposa. Enquanto discutiam isto, Isabelle tivera uma idéia. Ela lembrou que possuía uma casa, no centro de Paris, perto do Sena, que Lilian não conhecia. Ela também sabia que a ruiva nunca havia ido à França, e que sonhava em um dia conhecer a "Cidade Luz". Tiago ficou muito empolgado com a idéia, e pediu a ela que emprestasse a casa para que ele e Lilian ficassem, e a morena concordou no mesmo instante. Naquele mesmo dia, Isabelle foi até a casa, na França, tendo uma enorme surpresa ao chegar. A casa estava totalmente limpa e organizada, como se nunca tivesse ficado fechada, e Rèmy, que fora libertado tão logo a mãe de Isabelle falecera, havia permanecido na casa, tomando conta de tudo e mantendo-a pronta para receber a jovem, a quem considerava sua ama, apesar de ser livre. Isabelle voltou à Inglaterra absolutamente satisfeita. Essa descoberta fora perfeita para os planos dela e de Tiago, a quem ela foi imediatamente contar a novidade. Os dois decidiram então que o casal passaria a lua-de-mel na casa, sob os cuidados de Rèmy, e que a ruiva só saberia disto no momento em que ela e Tiago chegassem lá.


N/A: Oiê, gente! Nuss, é bom estar de volta. Demorei, mas finalmente desencantou essa continuação. espero que vocês gostem!!!

Aqui vai a tradução do diálogo Isa/Rèmy:

- Boa noite, Rèmy. Desculpe pela hora.

- Não há problema, senhorita. Precisa de algo?

- Oh, não, não. Apenas queria saber se já está tudo pronto.

- Sim. A casa está pronta para receber o casal Potter.

- Ótimo, Rèmy, obrigada.

- Rèmy fica feliz em ser útil, senhorita.

- Boa noite, Rèmy.

- Boa noite.