Recomeço - capítulo 1

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Jensen / Jared

Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho? ** Padackles / AU**

Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.


Já eram nove horas e Jensen ainda estava preso no trânsito devido a um acidente. Ligou o som do carro e suspirou, pensando que seria mais um dia daqueles.

Percebendo que realmente iria demorar, pegou seu celular e ligou para Katie, sua secretária...

- Quem é o meu primeiro cliente?

- Bom dia Dr. Ackles! – Veio a voz extremamente simpática do outro lado.

- Bom dia Katie! – Respondeu de má vontade.

- Jensen, você já está atrasado, o Sr. Edward já está esperando faz meia hora.

- Edward? Puta que pariu! Eu estou parado no trânsito, por favor, avise a ele que vou demorar pelo menos mais meia hora, e se não quiser aguardar, marque um horário especial para ele...

- Ok chefinho, mas vê se não demore muito, porque a Sra. Susan está marcada para as dez.

Jensen já estava ficando irritado, não que estivesse ansioso para atender o cliente, afinal Edward era um ex-alcoólatra problemático, mas realmente detestava atrasos, e como Edward era um cliente vip, que pagava muito bem, o mínimo que poderia exigir seria pontualidade no atendimento.

Chegou ao consultório ofegante, se recompôs, ajeitou sua gravata e chamou Katie...

- E então?

- Bom, o Sr. Edward foi embora, não muito contente, mas transferi a consulta dele para amanhã.

- A Sra. Susan ainda está dentro do horário, é a sua próxima cliente.

- Ok, só me diz que você não agendou ninguém para hoje a tarde, eu estou um caco, precisando urgente de um descanso...

- Infelizmente querido, você tem trabalho hoje a tarde. Têm um horário marcado as três horas na residência da Sra. Sharon Padalecki.

- O que?

- Ela disse que não pode ser vista entrando em seu consultório, e que paga o que for preciso, mas exige sigilo absoluto.

- Paga o que for preciso, é? Interessante... E o que ela é? Uma viúva mal amada e problemática, por acaso?

- Eu verifiquei. Ela não é viúva, Jensen. E o seu marido Sr. Gerald, é proprietário de uma rede de lojas famosíssima no mundo inteiro.

- Então qual é o problema desta mulher? Não saber onde gastar o dinheiro que tem?

- O problema não é com ela, mas sim com o filho de 26 anos. Está me parecendo ser mais um daqueles filhinhos de papai entediados, com manias suicidas...

- Suicida, é?

- E reincidente... Parece que tentou pela segunda vez.

- Estes são os piores. O dinheiro tem mesmo que valer a pena.

Assim que terminou de atender seu último cliente da manhã, Jensen foi até o seu apartamento. Era espaçoso e confortável, Jensen gostava muito do lugar, mas sentia-se muito só quando estava ali. Pensou se não seria hora de se mudar, afinal de contas, aquele lugar trazia muitas lembranças... Lembranças boas, como as do início de seu casamento, e lembranças ruins, como as brigas, a traição, e o pedido de divórcio...

Verificou seus recados na secretária eletrônica, onde havia dois de sua ex-esposa Daneel, o lembrando que os papéis do divórcio estavam prontos, e que seu advogado o procuraria para assinar.

Que merda de psicólogo eu sou, tentando resolver os problemas de outras pessoas, enquanto não consigo sequer dar um jeito em minha própria vida? Nem um casamento consegui manter! - Jensen pensava, enquanto estava sentado no escuro em sua sala enorme, e vazia...

A tarde se dirigiu para o endereço informado, para falar com a tal senhora Sherri.

Trabalhar lhe fazia muito bem, mantinha sua mente ocupada, sem tempo para pensar em bobagens, e para se sentir só ou depressivo. Desta forma se sentia útil, era um psicólogo muito bem renomado, afinal de contas, a grande maioria de seus pacientes saía de seu consultório curado. Além do que, Jensen gostava realmente do que fazia.

Mas como tudo tinha um preço, sabia que o seu amor e dedicação ao trabalho, havia lhe custado o seu casamento. No início Daneel vivia reclamando da sua falta de tempo, da sua extrema dedicação aos seus pacientes, mas Jensen, na época, não dava muita importância as reclamações.

Com o tempo ela deixara de reclamar, saíam muito pouco, e o distanciamento só foi aumentando. A intimidade foi diminuindo, assim como o sexo e as conversas. Por muitas vezes pareciam dois estranhos dormindo na mesma cama... E o pior é que Jensen só foi perceber tudo isso quando a perdeu... Foi traído e humilhado... mesmo assim voltaria para ela correndo se ela assim quisesse. Não havia lhe dado nenhuma chance de se redimir, de tentar consertar o estrago, simplesmente juntou suas coisas e se foi... Partiu com outro sem sequer olhar para trás...

Chegando ao endereço informado, Jensen foi atendido por uma governanta, que o conduziu até o escritório. A casa era enorme, e fascinante...

Aguardou uns vinte minutos até que a Sra. Sharon o recebesse.

- Dr. Ackles, realmente tive boas referências a seu respeito, dizem que usa de métodos... não muito convencionais...

- E qual seria o problema?

- O meu filho, como eu relatei a sua secretária, tentou suicídio pela segunda vez...

- E a senhora sabe me dizer o motivo?

- Bom, ele é... digamos... homossexual. E há uns quatro meses, ele sofreu um acidente de automóvel, onde ele sobreviveu, mas o seu... digamos... amante, acabou falecendo.

- Que tragédia!

- Um mês após o acidente, ele tentou pela primeira vez... tomou uma grande quantidade de anti depressivos, eu o encontrei estirado no chão da sala, espumando pela boca, inconsciente. E há duas semanas, minha empregada o encontrou na banheira, com os pulsos cortados. Desta vez ele quase obteve sucesso... mais cinco minutos e...

- Onde ele está agora? Eu posso vê-lo?

- Ele está em uma clínica de repouso, eu decidi interná-lo depois da última tentativa, não sabia mais o que fazer.

- E esta clínica... tem seus próprios psicólogos?

- Eu quero que ele seja atendido pelo melhor, apesar dele ser... bom, apesar de tudo, ele é meu único filho, nosso único herdeiro e eu quero que ele tenha o melhor tratamento possível. Ele vai permanecer na clínica, mas é o senhor quem vai comandar todo o tratamento, já está tudo acertado.

- Ok, eu vou precisar do endereço da clínica, e o nome do médico que o atendeu.

- Sr. Ackles, apenas para lembrar, isto precisa ser mantido em sigilo absoluto. Seria uma vergonha para o nome da família se isto tudo vazar... Acho que o senhor me entende, não é?

- Sim senhora, como quiser.

- O senhor será devidamente recompensado por isso.

No dia seguinte, Jensen entrou em seu consultório um pouco mais animado...

- Katie, eu vou precisar de no mínimo duas horas, duas tardes por semana para o novo paciente. Começando por hoje, e por tempo indeterminado, ok?

- Ok, Doutor... seu pedido é uma ordem!

- Engraçadinha...

- E então? Conheceu seu mais novo paciente suicida?

- Ainda não, só a mãe. Ele está internado em uma clínica de repouso, e adivinha o motivo de tanto segredinho?

- O que?

- Ele é fru-ti-nha!

- O que? Eu não acredito Jensen! Você é um psicólogo! Fazendo piada com uma coisa dessas, fala sério!

- Eu só estou brincando Katie, óbvio que eu não tenho nada contra, mas parece que a mãe... Bom, a maior preocupação dela é zelar pelo nome da família, e como ele é o único herdeiro...

- Pobre garoto!

- Você deveria ter visto, Katie... eu pensei que ela fosse ter um infarto só em ter que dizer a palavra "homossexual", dá para acreditar?

- Pois é, não dá pra acreditar que hoje em dia as pessoas ainda tenham tanto preconceito.

- Parece que o amante, namorado, ou sei lá o que for, morreu em um acidente, e depois disso o garoto surtou... Agora eu estou curioso para saber a versão dele da história. Isso está me cheirando a problema, Katie...

- Também acho.

- É um risco pegar este tipo de caso, se o cara tenta novamente e consegue se suicidar, minha reputação vai pra lama.

- É, e se ele já tentou duas vezes, provavelmente vai tentar a terceira.

- Isso é o que nós vamos ver... É para isso que eu sou pago, não é? E nesse caso, muito bem pago Katie, muito bem pago. E, por favor, este assunto morre aqui.

- Ok. Ah, Jen, a sua esposa ligou.

- Ex-esposa.

- Ok, a sua ex-esposa ligou, disse que precisa falar urgente com você.

- Eu já sei o que ela quer, mas eu não vou assinar os papéis, não vou atirar ela nos braços do outro de uma vez...

- Você acha que vale a pena brigar por isso?

- Eu a quero de volta Katie, é tudo o que eu mais quero agora...

- Boa sorte, patrãozinho!

- Obrigado. Agora manda o Sr. Edward entrar, quero que esse dia passe bem rápido.

- Ansioso para ver o novo paciente?

- Eu diria curioso. Não sei por que, mas estou extremamente curioso para conhecê-lo...

Chegando a tarde, Jensen se dirigiu a Clínica, e primeiramente foi conversar com o médico que havia iniciado o tratamento, Dr. Jeffrey.

Se apresentaram, e o Dr. Jeffrey lhe entregou a ficha do paciente, onde continham todas as informações que precisava, sobre a medicação que estava tomando e sobre o estado do paciente.

- Dr. Jeffrey, e como ele está agora?

- Ele está sendo mantido sedado grande parte do tempo. Mas mesmo quando não está sedado, não responde ao tratamento.

- Como assim?

- Ele não tem nenhuma reação. Não falou uma palavra desde que entrou na clínica. Fica o tempo todo só lá sentado, olhando para o nada, come muito pouco, as vezes caminha pelos corredores, ou pelo jardim, mas não interage com ninguém. É como se ele estivesse em um mundo totalmente a parte...

- A medicação não ajudou em nada?

- Não, até agora nada.

- E por que os sedativos?

- Porque ele não dorme, fica agitado a noite inteira, anda de um lado para o outro.

- Então não seria melhor medicá-lo somente a noite?

- Bom, isso são normas da clínica. Eu sou funcionário, então tenho que cumprí-las. Mas como agora ele é seu paciente, fica a seu critério daqui para frente.

- Ok Doutor. Muito obrigado pelas informações.

- Eu pedi para levarem ele até a sala de visitas. Você pode vê-lo lá.

- Obrigado.

Jensen se dirigiu até a sala, ficando realmente surpreso com o que viu.

Sharon havia lhe mostrado uma foto do seu filho, que não se parecia nada com a imagem que via a sua frente...

Na foto era um jovem saudável, sorridente, e até bonito para um homem, Jensen poderia dizer. Mas o que estava sentado a sua frente estava magro, abatido, com o olhar sem foco... Parecia agitado, mexia com as mãos em sinal de nervosismo, e algumas vezes balançava seu corpo, involuntariamente.

Jensen sentou no sofá a sua frente, com apenas uma mesinha de centro os separando.

Pôde perceber que seus dois pulsos estavam enfaixados, e provavelmente por isso seu rosto parecia muito pálido, devido a grande perda de sangue.

- Olá, você deve ser o Jared, não é? - Jensen iniciou a conversa, um tanto apreensivo - Eu sou o Dr. Jensen, Jensen Ackles, e eu serei seu novo psicólogo daqui por diante, é um prazer conhecê-lo.

Jensen estendeu a mão em cumprimento, mas como era de se esperar, não obteve resposta, o garoto não teve nenhuma reação, sequer levantou o olhar.

- Ok. Então Jared, meu primeiro passo será cortar os sedativos. Para eu poder te ajudar, você terá que cooperar comigo, e a forma mais fácil seria se me falasse a seu respeito. Mas tudo há seu tempo... Eu presumo que as coisas não devam estar sendo fáceis pra você, alguns problemas são realmente difíceis de contornar, mas eu estou aqui apenas para te ajudar. Por hoje eu já vou indo embora, só queria mesmo que você se acostumasse comigo, mas quando eu voltar em dois dias, nós iremos conversar a respeito. Então é isso... Até mais, Jared!

Jensen saiu dali completamente frustrado. Nenhuma palavra, nenhum olhar. Mas sabia que o garoto estava consciente dos fatos, então o estaria ouvindo. Alguma hora ele teria que se abrir, e Jensen não desistiria tão cedo.

Chegou em casa quando já estava anoitecendo, comeu um sanduíche, tomou um banho e se jogou na cama, cansado. Seu celular tocou novamente e era Daneel...

- Oi.

- Oi Jen, que história é essa de não querer assinar os papéis? Por que dificultar as coisas desta forma?

- Dan, eu preciso te ver novamente, nós precisamos conversar...

- Jensen, nós não temos mais nada para conversar, tudo já foi dito... Não tem mais volta, Jen! Deixa eu seguir minha vida...

- Você está enganada, por favor, me dê mais uma chance!

- O meu advogado vai até o seu consultório amanhã, por favor assine os papéis, é tudo que eu peço.

- Dan! – Mas Daneel já havia desligado.

Jensen suspirou com tristeza, pensando no que tinha feito com a sua vida...

Não conseguiu dormir, logo seus pensamentos voltaram para seu novo paciente. Aquilo sim era intrigante... Como um garoto de 26 anos resolvera desistir da vida daquela maneira? Por causa da morte do namorado? Será que o amor fazia aquilo com as pessoas? Já tinha visto vários pacientes depressivos por perderem alguém, mas nunca teve um caso como este, e isto com certeza iria lhe tirar o sono...


Continua...

Uma nova Padackles no pedaço!! rsrs

Para quem leu até aqui, muitíssimo obrigada! E por favor, gostaria de saber sua opinião...

Beijinhos!!