DISCLAIMER: Sempre lembrando de que estes apaixonantes personagens não me pertencem (salvo exceções!); não ganho coisa alguma com esta FANFIC, exceto suas tão importantíssimas reviews!

Raphaela Blakely: minha linda, sei q tu ama a fic... (kkkk – modéstia nenhuma neh?) por isso eis o final dela! Beijaao e enjoy!

Luanaa: lovinhaaaaa amada! Poiseeeh, Malone se revelando um "Don Juan" kkkk! Eis o final...Kissus!

Marguerrite: Supeer amadinhaaa, amo tuas reviews sabia? Apesar das chantagens e afins (kkkk)! Soh pq tu insistiu, tah aqui o final! Vê se não chora neeh? Kkk beeeijao beem gostoso!

Lidy: ainda bem que voltastes hein? Aproveita muiiiiiiito a finalera da história! Bejoos ;P

Madge Krux: adoooooro vc linda! Brigadao pelas reviews,e chega de nervosismo, eis o final! Beeejao!

Anne: aiiin, linda a review... :p especialmente pra ti o cap 18! Beeijos!

Morringhan Higurashi: amiga, infelizmente não é dessa vez que vais aparecer na história... =( maaas tah bem lindo o final (eu achei... ), espero que goste mesmo assim! Big-mega-master beijo!

Sophie: minha exagerada favoritaaaa! Espero que tu super-aproveite o final da história, que goste e que surte muuuuuuito (positivamente falando!kkk) tah? Aguardo a review! Meeeega beeejo!

Nina Makea: minha flor mais linda! Sei que demorei, mas finalmente consegui postar o final da fic... Tomara que gostes e, por favor, agora que és escritora de fics tbm, espero uma crítica ok? =) beeeijao!

Rose Eva: minha linda! Tah aqui o capítulo, pode ficar calma... te adooooro! Beijão...

Dani M: Olá! Pronto, a espera acabou, eis o final da fic! Espero que aproveite e deixe review! Beijo!

Minhas lindas, eis o CAPÍTULO FINAL da saga "O Retorno"... Sei que demorou, mas assim sei também que aproveitarão mais!kkkk ;P

Espero que deliciem-se lendo, e aguardo as REVIEWS hein? Muitas-muitas-muitas! Beijão e boa leitura!

Capitulo 18 – Sofrer, Sonhar, Recomeçar

- O que foi Marguerite? Está com uma cara...- comentou Lucy como se elas fossem velhas amigas.

O Universo da herdeira perdera completamente o sentido. Deus devia odiá-la muito mesmo, primeiro lhe tirava os pais, agora levava sua filha. Que tipo de divindade cruel era aquela?

Nunca imaginara que pudesse sentir tanta dor. Era algo físico, como se garras de ferro estivessem espremendo seu coração para tirar-lhe até a última gota de sangue. Não tinha sentido algum continuar, não quando a pessoa por quem seu coração batia, que era a pessoa mais importante do mundo, não estava mais consigo...

Então Johnny chorou nos braços da loura e Marguerite foi trazida à tona de seu oceano de dor. Sim, ainda havia alguém por quem lutar, alguém que era um pedaço seu e por quem ela estava disposta a morrer, se preciso fosse.

Com este pensamento ela rumou na direção de Lucy, que balançava inutilmente a criança. Um telefone tocou ao longe, mas não importava. Estava a muitos mundos de distância. A única coisa importante era o agora, naquele quarto, onde sem saber exatamente como, Marguerite mataria a assassina de sua filha!

- Maldita criança, cale-se!- berrava a histérica.- Seja bonzinho com sua mamãe...

- Eu sou a mãe dele, sua maldita!- bradou a herdeira, dando uma bofetada no rosto da outra.- Largue meu filho, cadela desgraçada! Deixe-nos em paz!

Enfurecida, Lucy jogou o pequeno no berço, onde ele se calou imediatamente, e apontou uma pequena pistola para a cabeça de Marguerite.

- Você é uma idiota, sua rameira de quinta!- disse, aproximando-se com a arma.- Achou mesmo que eu deixaria você ficar com o meu John?

Ela riu, desvairada, encarando os olhos úmidos e raivosos da morena.

- Seja realista: já matei a bastardinha, acha mesmo que pode me impedir de concretizar meus planos?

Marguerite apertou mais fortemente o pequenino corpo frio contra o peito e fechou os olhos, então ouviu o disparo.

Lady Elizabeth Roxton olhava, enojada, para o corpo de Lucy que tombou ao chão. A arma em sua mão ainda fumegava.

- Marguerite!- exclamou ela, entrando no quarto e se aproximando da nora que caía de joelhos.- Você está...

- Tudo bem...- murmurou a herdeira.- Johnnie, como está o Johnnie?

A dama largou a arma e correu até o berço, onde o pequenino olhava para os lados atentamente. Ele não estava machucado.

- Ele está bem, não está ferido.- respondeu Lady Roxton, então Marguerite desmaiou.

Vozes distantes e indefinidas turvavam a periferia do cérebro dela. Não conseguia entender o que diziam, a única certeza que tinha era a de que, se abrisse os olhos, algo terrível aconteceria. Mas não podia se conter mais e, com um esforço supremo, abriu os olhos e encarou o dossel da cama.

Em seguida uma voz exclamou:

- Ela acordou!

Quatro pares de olhos carinhosos a encaravam, ansiosos. Ela piscou e os encarou mais detidamente. A Condessa tinha os olhos vermelhos e inchados, e as lágrimas ainda teimavam em correr; o Conde parecia engasgado, mas não havia sinais de que houvesse chorado; Summerlee aparentava pesar, mas tinha aquela paz e sabedoria que somente aqueles que já viveram muito possuem. Por fim havia Verônica, que tentava parecer forte, para ajudar a amiga, mas que sentia-se absolutamente perdida, sem saber o que fazer.

- Como você se sente querida?- perguntou Summerlee, se aproximando.

- Cadê o Johnnie?

- Ele está bem, Lady Elizabeth está com ele.- respondeu a Condessa.- O importante agora é...

- E a Cathy?- interrompeu-a Marguerite.

- Ela... Ela...- engasgou-se sua mãe.- Eu... Você se lembra...

Verônica a interrompeu:

- Você se lembra do que houve? Da, da Lucy e...

- Eu sei o que houve Verônica.- a morena estava levantando da cama.- Mas isso não me impede de querer saber onde está minha filha!

Surpreendendo a todos, a herdeira levantou-se e saiu do quarto.

- A culpa foi toda minha Malone, toda minha!- rugia Roxton.- Se eu estivesse aqui, se não tivesse deixado Marguerite e as crianças...- ele andava de um lado para outro, enraivecido.- Era minha responsabilidade protegê-los...

- Você não poderia fazer nada para deter a maluca da Lucy, ela estava decidida a matar todos.- retrucou o jornalista.- Talvez, se você estivesse aqui, as coisas tivessem sido piores...

- Piores? Malone, ela-matou-minha-filha!

- Eu sei meu amigo, mas ela poderia ter matado a Marguerite, o Johnnie! Não quero dizer que o que aconteceu não foi terrível, porque foi. Céus, ainda não consigo acreditar que a Cathy se foi, mas precisamos seguir em frente, principalmente você e Marguerite, porque o Johnnie ainda precisa de nós... De vocês...

O Lorde ainda não havia conseguido chorar. Sentia que havia ultrapassado o estágio do conforto das lágrimas, agora tudo o que havia era dor. O mundo tinha se tornado cinza de repente, a constante neblina de Londres se instalara definitivamente em seu espírito. Sentia que nunca mais haveria sol em sua alma.

- Vocês já conversaram? Quero dizer, você e a Madge?

- Não tenho coragem de encará-la.- confessou Roxton.- Eu sinto que sou o culpado, tenho certeza de que ela sente o mesmo...

- Não se culpe meu amigo, nenhum de nós o acha culpado de coisa alguma.- então o jornalista abraçou o amigo.

A porta do quarto estava entreaberta e vozes saíam lá de dentro. Jessie e Challenger falavam com uma terceira pessoa desconhecida, mesmo assim Marguerite entrou.

- Oh, você já acordou minha querida.- comentou o cientista, surpreso.- Mas o que faz aqui? Deveria estar repousando.

- Eu preciso ver minha filha.

- Hum, bem , este é o senhor Stevenson, da... da funerária. Estávamos acertando os detalhes do...

- Não me importam os detalhes, decidam vocês. Eu só quero ficar a sós com minha filha.- ela foi incisiva.

- Mas senhora, - intrometeu-se o agente funerário.- eu preciso preparar o corpo para os cerimoniais e...

- Eu mesma cuidarei disso, agora saiam.

- Mas...

- Saiam!

Sem saber como contrariá-la ou convencê-la do contrário, os três saíram devagar.

Sozinha, Marguerite retirou o lençol de sobre sua pequenina e mirou o corpinho pálido e imóvel. Se não fosse pela alvura da pele, poder-se-ia dizer que ela estava apenas dormindo.

Com delicadeza ela começou a acariciar o rostinho de sua filha, então as lágrimas explodiram de seus olhos e começaram a banhar suas faces e cair sobre Catherine.

- Que espécie de divindade cruel e sádica permite que uma criança morra? Que "Deus" é esse que só causa dor e sofrimento? Ou talvez o problema seja eu, talvez o Senhor me odeie tanto que queira sempre me punir. Primeiro tirou-me meus pais, agora minha filha!- ela levantou-se e começou a gritar.- Isso não é justo! NÃO É JUSTO! Ela não tinha que pagar pelos meus erros!

Num movimento rápido, Marguerite apanhou um bibelô de porcelana e o arremessou contra a parede oposta.

- E Morrighan, e Celtas e toda essa baboseira... De que me servem "poderes mágicos", sacerdotisas e deuses se nada disso me trará Catherine de volta? Ao inferno com tudo isso! Eu venderia minha alma a mil demônios se eles a fizessem acordar novamente!

- Marguerite?- disse uma voz à porta, às costas dela.

Ela voltou-se pronta para expulsar quem quer que fosse, mas então deparou-se com Roxton.

Os dois se olharam em silêncio, vendo refletida no outro toda a dor que transbordava de si mesmo. Nenhuma palavra foi dita, apesar de sentirem-se despedaçados e precisarem desabafar, eles não conseguiam se aproximar um do outro. Era como se um muro houvesse surgido entre os dois, como se todas aquelas palavras não ditas soassem como acusações entre um e outro.

- Você está bem?- perguntou ele, engasgando.

- Sim.- respondeu ela, seca.

Nenhuma palavra mais doce, nenhum gesto de aproximação. Ela temia que ele a estivesse culpando por não ter protegido a filha, e ele, sentia que ela a odiava por não ter estado presente durante o ocorrido.

Nenhum deles sabia o quanto estava enganado.

- É muito triste Ned, triste e injusto.- dizia Verônica, encostada no ombro do noivo.- Ela era tão lindinha, uma princesinha...

- Eu sei meu amor, também sinto que um pedacinho da nossa família foi arrancado brutalmente de nós.

Catherine Elizabeth era a bonequinha do Palacete Lancaster, da Mansão Roxton e da família "Perdida". Linda, com a cabeleira negra e seus olhinhos verdes, sempre alertas e aqueles arrulhos fofinhos, Cathy era imediatamente amada por todos.

Os cerimoniais começaram naquela noite. Toda a alta sociedade de Londres compareceu. A própria família real mandou seus respeitos ao Conde e à Condessa. Foram Lordes, Barões, Condes e Duques, além de todas as famílias mais respeitáveis da cidade.

Marguerite não saía da cabeceira do pequeno caixão, onde ficava afagando os cabelos da pequena. Roxton ficava, como mandava a boa educação, ao lado da esposa e recebia os pêsames, mas um não falava com o outro.

O fato de Lady Elizabeth ter salvado a vida de Marguerite parecia ter destruído, completamente, o muro que afastava a Condessa. As duas estavam sentadas lado a lado, um pouco mais afastadas, conversando sobre o que poderia ser feito, após acabados os funerais, para que tudo pudesse voltar, não ao que era, mas a uma vida normal, para que Johnnie pudesse crescer saudável e cercado de amor.

Mais afastado estavam Sean e Edwin, não se falavam, mas não se afastavam um do outro. Marion precisara ficar em observação, por uma noite, no hospital. A queda da escada não trouxera sérias consequências, mas o médico achara prudente deixá-la repousando onde pudesse ser monitorada.

Challenger e Jessie sentavam-se com Summerlee. Eles conversavam sobre amenidades, era difícil encarar o fato de que sua "netinha" jazia naquele caixão.

Quando a madrugada chegou, somente a família permanecia no salão da Mansão Roxton, que fora transformada em câmara funerária.

- Acho que vocês deviam ir se deitar um pouco, o dia foi cansativo.- sugeriu Malone, se aproximando do casal de amigos.

Roxton passou os braços pelas costas da esposa, ela se retesou.

- Não vou deixar Catherine.- disse ela.

- Nós ficaremos com ela, minha filha.- disse o Conde.- Vá se deitar, sabemos que você está exausta.

Ela hesitou, mas diante da insistência de todos, se deixou conduzir pelo Lorde.

Marguerite sentou-se diante da penteadeira e começou a soltar os cabelos por simples hábito. Roxton deixou-se ficar do outro lado do quarto, observando-a e tentando criar coragem para dizer-lhe qualquer coisa que pudesse romper aquele silêncio maldito.

- Marguerite...- tentou.

- Por favor, não...- ela murmurou em resposta.

- Mas...

- Roxton, eu não consigo falar sobre isso.- ela se voltou para encará-lo.- Por favor, não hoje...

Ele suspirou resignado. Sabia que também não conseguiria se obrigar a falar sobre a perda.

Os dois deitaram-se sem se tocar sequer uma vez…

Estava um dia iluminado quando Marguerite abriu os olhos. A luz do sol era reconfortante depois da noite agitada, parecia mesmo que aquecia um pouco seu interior. Então ela olhou em volta e percebeu que não estava em casa, pelo menos não na sua casa de Londres. Estava de volta ao Platô, no quarto que fora seu na casa da árvore.

Devagar ela se levantou. Então tudo não passava de um sonho? Mas era estranho, como ela podia saber que estava sonhando se estava sonhando?

Aquilo não fazia sentido algum.

Na cozinha da casa da árvore ela se deparou com um Roxton tão estupefato quanto ela própria.

- Esse sonho é meu, sabia?- disse ela, surpreendentemente, gracejando.

- Não senhora, este é o meu sonho!- respondeu ele.

Os dois sentaram-se à mesa.

- Tá, agora eu tô confusa. Como nós dois podemos estar sonhando com a mesma coisa e, o que é mais espantoso, como sabemos que estamos sonhando?

- Não sei.

Os dois ficaram em silêncio novamente.

- Eh, Marguerite, eu preciso pedir perdão à você.

- Ãnh?- ela não entendeu.

- Eu devia ter estado lá. Quando aquela maluca apareceu, eu devia ter protegido vocês... Devia ter protegido a Cathy... A culpa foi minha e entenderei se não puder me perdoar...

- Não, não... Shhh!- ela se apressou em cobrir os lábios dele com os dedos.- Não, meu amor, eu jamais poderia culpá-lo... Eu estava lá, eu não consegui evitar. Se alguém é culpado, essa pessoa sou eu!

Marguerite escondeu o rosto com as mãos e começou a chorar.

- Perdão meu amor, me perdoa... Eu simplesmente não pude... não havia o que fazer... Ela já estava lá, e o Johnnie... o Johnnie estava nos braços dela...e, e...

- Não. Basta Marguerite, basta!- o Lorde deu a volta na mesa e abraçou a esposa.- Você foi muito corajosa, salvou o Johnnie... A culpa não é sua, nunca pensei nisso.

Ela se levantou e escondeu a cabeça na curva do pescoço dele. Os dois permaneceram assim, juntos, se confortando mutuamente.

Então o elevador subiu e uma linda garota apareceu.

- Catherine!- exclamaram ao ver a recém-chegada.

- Sim, fico feliz que me tenham reconhecido.- ela sorriu.- Eu os trouxe aqui apenas para que pudessem conversar, vocês não podem ficar assim, sem se falar. A culpa não foi de nenhum de vocês, tinha de ser assim.

"Ainda não era o momento de eu estar entre vocês por isso precisei partir. Eu vou voltar no momento adequado, podem estar certos. Por enquanto vocês precisam seguir em frente, Johnnie precisa de vocês."

- Isso é muito absurdo. Eu sei, eu sinto que a conheço, no entanto você era apenas um bebê. E agora, agora vejo uma linda moça diante de meus olhos...- murmurou Marguerite, confusa.

- É por que em nossa vida anterior essa era a minha aparência, eu era Morgana, sua filha. Ou filha de Morrighan, como prefira...- ela sorriu.- Mas nada disso importa. O fato é que não se pode culpar ninguém pelo que houve, nem mesmo aquela pobre atormentada da Lucy...

"Por favor, não se prendam à mágoa ou a remorsos inúteis; sigam em frente. Vivam, sejam felizes, dêem todo o amor do mundo ao Johnnie e, quando for a hora certa, me recebam de volta."

- A esperarei o tempo que for preciso.- disse Marguerite, emocionada.

- Eu também, mas, por favor, não demore muito...- pediu John, recuperando a voz.

Catherine sorriu.

- Eu os amo muito.

- Nós também te amamos.

- Então, até breve.

A moça se voltou para a saída e tudo começou a ficar enevoado. Então, com pressa, com medo de que tudo sumisse, Roxton gritou:

- Isso tudo é real, ou somente um sonho?

- Quem disse que os sonhos não podem ser reais?

Então tudo sumiu.

Ela deu um pulo na cama, ao mesmo tempo em que ele abria os olhos.

- Você...-falou Marguerite.

- Cathy...- emendou Roxton, sentando-se também.

Os dois se olharam demoradamente. A claridade precária que iluminava o quarto provinha da janela, onde um amanhecer tímido se insinuava.

Nenhum deles sabia o que dizer, mas quando se abraçaram a necessidade de qualquer palavra evaporou-se. O amor deles era forte para seguir adiante. Sempre haveria a saudade, mas a certeza de que a filha voltaria, além de ainda terem o pequeno Johnnie lhes dava mais vontade de prosseguir.

- Este lugarzinho não condiz com a presença de uma Baronesa.- disse Claire assim que o guarda a jogou na cela.- Eu exijo falar com seu superior!

- Até onde sei a senhora não é mais Baronesa.- retrucou o moço.- Além disso, esse é o lugar perfeito para assassinos! Passar bem!

Ele colocou o ferrolho e o cadeado e a deixou falando sozinha.

Claire, a ex-baronesa de Wilmington foi condenada à prisão perpétua pelo envenenamento do marido e pela cumplicidade no ataque à atual baronesa.

O empregado da família Roxton, que facilitou a entrada de Lucy na propriedade, além de demitido (obviamente!) estava sendo processado como cúmplice indireto no homicídio de Catehrine Elizabeth.

Lady Roxton, com uma ajudinha do Conde de Avebury, se livrara sem maiores incômodos pela morte de Lucy.

TRÊS MESES DEPOIS...

- Ah, pelo amor de Deus, não me diga que você está com medo de voar?- disse Marion.

- Não é isso...- respondeu Sean, desanimado.

- Então por que essa cara?

- Nada mãe.

Ela virou-se para encará-lo.

- Tem a ver com o Edwin?- antes que o rapaz dissesse qualquer coisa, ela emendou:- É claro que tem, vocês não se falaram mais depois de tudo o que aconteceu...

"Sean, o que houve exatamente lá em casa?"

Ele, pego de surpresa, meio que engasgou antes de balbuciar:

- Er... Hum.. Na-nada... A gente só conversou e, e aquelas duas loucas chegaram e...e...

- Ta bom, e sobre o que vocês conversavam tanto?

- Não lembro, já faz tanto tempo...

A Baronesa bufou.

- Eu não nasci ontem Sean, sei muito bem o que estava acontecendo. Eu sempre vi o modo como vocês se olhavam e sorriam quando pensavam que ninguém os observava. As pessoas só se olham daquele jeito quando estão amando..."

O ar saiu dos pulmões do rapaz num único sopro e um tom entre púrpura e verde assomou às suas faces, mas ele sequer tentou desmentir a mãe.

- Diga alguma coisa Sean.

- Dizer o quê? Eu a envergonhei, nada do que eu diga poderá mudar isso... Só lamento por não ter sido eu o assassinado pela maluca, assim não daria este desgosto à você...

- Shh! Jamais repita isso!- ela o abraçou.- Oh, meu querido, Deus me deu um filho melhor do que eu poderia desejar. Eu o amo mais do que qualquer coisa e nunca me envergonharei de você.

"Quero que você seja feliz, não me importam os outros. Se nunca disse nada, foi porque conheço a sociedade e sei como as pessoas podem ser cruéis umas com as outras. O diferente as assusta e por isso ela se protegem atacando-o."

"Sempre irei apoiá-lo porque o amo, além disso, está subentendido no 'pacote' de obrigações de uma mãe."

Ele não cabia em si de tanta alegria. Secando os olhos, ele sorriu, mas logo voltou a ficar sério, quando lembrou que não dependia apenas dele que tudo desse certo.

- Senhores passageiros, por favor, apertem os cintos, pois decolaremos em um minuto!

- Eu ainda não consigo acreditar que amanhã serei, oficialmente, a "senhora Ned Malone"... É completamente irreal...

- Irreal? E dinossauros e homens-macaco são o quê?

- Ah, você me entendeu...

Verônica e o noivo aproveitavam seus últimos momentos juntos e "solteiros" para namorar na sala de estar dos Malone, porque logo Marty viria buscar a noiva e, até que subissem ao altar, eles não poderiam mais se ver. Ordem expressa de mamma Ângela.

- Ah, eu mal posso esperar para vê-la vestida de noiva. Céus, não sei se meu pobre coração de jornalista irá agüentar.- brincou Malone, dando um beijo na amada.- Você certamente será a noiva mais linda do mundo!

A loira sorriu. Será que não era errado alguém ser tão absurdamente feliz?

Então uma preocupação sombreou-lhe o sorriso.

- Será que Roxton e Marguerite estão bem? Queria tanto que eles tivessem podido vir, eles são nossa família também...- disse, triste.- Quem sabe que tivéssemos adiado e...

- Amor, eles sabem o quanto você sente fala do Platô, da sua mãe. Adiar a cerimônia significaria adiar nosso retorno.- ponderou ele.- Tenho certeza de que eles estão bem, mas o Johnnie é muito novo para uma viagem tão longa.

- É, eu sei que estou sendo egoísta... É só que, eles são tão importantes para nós...

- Olhe por outro lado: pelo menos o Conde, a Condessa e o Ed puderam vir representá-los.

- Será que Sean e a mãe chegarão a tempo?

- Eles estarão aqui amanhã pela manhã. Acalme-se, tudo dará certo...

Os dois se beijaram novamente.

- Ham ham...- ouviu-se um pigarro na porta atrás deles.

- Ah, ãnh, oi sra. Malone.- disse Verônica constrangida.- A gente só estava, estava conversando...

- Si, si, io percebo.- disse a matrona.- Ma lo tempo è finito, il due precisam descansar perchè Martina stá aspetando Vèronica.

- Ah mamma, só mais...- resmungou Ned.

- Tazi! Andiamo, dire ciao!

Com olhares compridos e já saudosos, os pombinhos se despediram. O amanhã seria longo e cheio de emoções.

A igreja estava linda, decorada com flores frescas e bem primaveris. O céu, naquele tom entre alaranjado-fim-de-tarde e azul-começo-de-noite, cobria a todos tornando o momento ainda mais inesquecível.

Challenger, nervoso, ajeitava a gravata sem parar. Iria conduzir a noite pela nave da igreja e estava tão emocionado que era difícil conter as lágrimas. Jessie e Summerlee, já ao lado do altar, o aguardavam.

Na primeira fila viam-se sentados o Conde Phillip e a Condessa Catherine, ladeados por Edwin; o Barão de Wilmington e Marion vinham em seguida.

A família Malone ocupava o outro lado.

Quando o padre entrou os murmúrios diminuíram, e cessaram de vez quando, ao som de Ave-Maria, Ned Malone entrou no corredor ladeado pelos pais.

- Ele está lindo!- comentou Jessie.

- Sim, mas para fazer par com Verônica não poderia ser diferente, afinal ela está magnífica!- respondeu Summerlee, emocionado.

O trio alcançou o altar e, depois que o senhor e a senhora Malone ocuparam seus lugares, uma onda de expectativa varreu os convidados, a qualquer momento a noiva entraria.

Enquanto aguardava o momento de ir ao encontro do noivo, Verônica não conseguia parar quieta.

- Minha querida, por favor, fique parada um momento para que eu arrume seu arranjo de cabelo.- implorava Julie, que fazia companhia à ela.

- As damas de honra estão prontas? E o pajem?- questionava a loira.

- Está tudo certo, mas, por favor, pare de se mexer!

Finalmente ela parou, então sentiu mãos ligeiras correndo por seus cabelos.

- Nossa Julie, você realmente sabe fazer isso.

- Eu não! Sou péssima com as mãos.- disse a moça surgindo à sua frente com um bebê adormecido no colo.- Mal consigo pentear meus cabelos pela manhã!

Como ainda continuassem a arrumá-la, Verônica voltou-se para ver quem era a dona de mãos tão habilidosas.

- Se você não parar quieta eu não conseguirei terminar isso! Se quiser se casar hoje ainda, sossegue!

Os olhos da noiva se iluminaram quando viu quem estava diante de si.

- Marguerite! Marguerite, eu não posso acreditar... É, é você mesma?- perguntou, abraçando a amiga.

- Claro que sou eu! Você acha que alguém poderia imitar todo o meu charme?- respondeu a morena, sorrindo, e retribuindo o abraço.

- Eu pensei... Vocês disseram que não viriam...

- E como poderíamos perder este momento tão importante? Você é minha irmã mais nova, garota da selva.

- Você não imagina o quanto estou feliz.

- Imagino sim.- retrucou Marguerite.- Agora fique imóvel para que eu possa terminar!

Enquanto isso, no altar...

- Ora Malone, se você não se acalmar acabará botando um ovo!- disse alguém, colocando a mão sobre o ombro do noivo.

Quando se voltou para responder, o loiro pensou que estivesse tendo uma alucinação.

- Roxton!

- Você está verde Ned.- disse o caçador, rindo.- Fique calmo amigo, logo tudo estará acabado.

- O que você está fazendo aqui? E Marguerite? Como, quando vocês chegaram?- enrolou-se o jornalista.- Eu não... Eu-eu...

Roxton não conseguia parar de rir.

- Controle-se homem! Marguerite está lá atrás com Verônica, nós chegamos há uma hora e ficamos com medo de não estar aqui a tempo.

- E o Johnnie? Vocês o trouxeram?

- É claro, você acha que ele iria perder essa?

Antes que pudessem continuar a conversa, soou a Marcha Nupcial e Verônica surgiu à porta, ao lado de Challenger.

Aquela certamente foi a visão mais inesquecível de toda a vida de Edward Malone. Sua noiva, sua futura esposa, estava deslumbrante naquele vestido branco com aplicações de cristal. O arranjo de flores em sua cabeça apenas acentuava seu ar angélico, mas o brilho naqueles lindos olhos superava tudo. Era aquele brilho que a tornava a mulher mais perfeita do mundo todo!

Verônica Layton andou pela nave da igreja e, a única coisa que a fazia crer que estava acordada era a firmeza do braço de Challenger, que a conduzia. Não podia crer que aquele homem lindo seria seu, completa e definitivamente seu, em apenas alguns momentos. Aquele fraque cinzento, acentuava o rosto do jornalista, tornando-o mais másculo, ao mesmo tempo em que se percebia todo seu ar juvenil em seus olhos. Sim, ela tinha certeza de que ele iria chorar, mas não seria problema, afinal ela mesma já estava chorando.

Discretamente Roxton e Marguerite (que entregou o pequeno Johnnie à Condessa) colocaram-se ao lado do altar. Ele impecável em seu terno preto e sobrecasaca, ela num belíssimo longo púrpura. Estavam emocionados, aqueles dois eram seus irmãozinhos mais novos!

Jessie sorria enquanto Summerlee não conseguia conter as lágrimas que corriam sobre seu sorriso meigo. Challenger tentava disfarçar o choro fungando a todo momento.

Ângela chorava despudoradamente, e Tony, com o rosto extremamente vermelho, sorria satisfeito.

O tempo pareceu voar. Se alguém lhes perguntasse mais tarde, nenhum deles saberia repetir o que o sacerdote dissera, estavam hipnotizados, fascinados demais pela presença um do outro. Ned e Verônica não percebiam nada que estivesse além deles, de seus cheiros, seus rostos.

- (...)eu os declaro marido e mulher. Senhor Malone, pode beijar a noiva.

Então, com o mais apaixonado dos beijos, eles selaram aquela união que nem a presença de dinossauros ou homens-macaco conseguira romper (n.a.: nem aquelas amazonazinhas sacanas que agarraram o Ned...).

Tudo o que se passou depois pareceu correr num flash. A festa, os cumprimentos, o discurso emocionado de Anthony Malone, as conversas e risos; tudo permaneceu num emaranhado de imagens, sons e lembranças enevoadas, mas nem por isso menos significativas.

- Verônica pediu que lhes entregasse isso.- disse Julie, chegando à mesa dos exploradores, e passando um bilhete à Maguerite.

A morena abriu o bilhete:

"Família,

Por favor, nos encontrem em nosso hotel.

Beijos sr e sra Malone."

Sorrindo, os quatro exploradores, acompanhados por Jessie e Johnnie, seguiram para o hotel.

- Achei que vocês quisessem aproveitar sozinhos esta noite.- caçoou Roxton assim que chegaram à suíte do casal.

- Precisávamos agradecer à vocês por tudo.- começou a loira.- Obrigada por estarem conosco nesse dia tão importante. Roxton, Madge, vocês são impossíveis. Não deviam ter nos enganado!

- Não enganamos, foi só uma surpresinha!- respondeu a herdeira, piscando.

- Enfim, digam logo o querem, esta noite é de vocês e não queremos atrapalhar.- ponderou Summerlee.

Os recém casados se olharam, então ela começou:

- Nós voltaremos para o Platô depois de amanhã. Não agüento mais de saudades de minha mãe.

- Exato.- emendou Malone.- E estamos indo de vez. Lá será nosso lar, o lugar onde pretendemos criar nossos filhos, envelhecer e morrer...

- E não sabemos nem mesmo se voltaremos para cá algum dia...

Jessie, que detestava rodeios, atalhou:

- E vocês querem exatamente o quê?

- Queremos saber se vocês irão conosco.- disse Ned.- Voltaremos ao Platô como a família que nos tornamos ou é aqui que nos separamos?

Um silêncio pesado se fez na sala. Não era exatamente uma pergunta inesperada, todos sabiam que Ned e Verônica voltariam, afinal ela era a protetora do Platô, era natural que retornasse. Mas e os demais?

- Bem, acho que os colocamos numa berlinda.- disse Malone, tentando quebrar o clima.- Não queremos que se precipitem, pensem bem.

- Vocês sempre serão bem-vindos, afinal aquela é a sua casa também.- emendou a loira.- Mas gostaríamos que fossem à nossa partida, se possível.

- Isso nós jamais poderíamos negar.- respondeu Marguerite.

O dia estava cinzento, como se refletisse o estado de ânimo dos recém-casados. Eles estavam no cais, acompanhados por Roxton, Marguerite e Johnnie; mas não viam nem sinal dos demais exploradores.

- Quem sabe algum problema os deteve?- imaginava a loira.- Além disso, Summerlee não gosta muito de despedidas…

Passou-se mais algum tempo até que o casal precisou embarcar.

- Sentiremos muita falta de vocês.- disse Roxton.

- Nós também.- Verônica tocou na bochecha do bebê que dormitava no colo da mãe.- Quando ele for maior, levem-no para nos ver...

- Isso mesmo, levem o pequeno para conhecer os dinossauros.- brincou Ned.

Eles trocaram abraços apertados, beijos já cheios de saudade, então, quando se preparavam para embarcar, um carro estacionou e dele desceram Challenger, Jessie e Summerlee apressados.

- Pensamos que não viriam se despedir de nós.- ralhou o jornalista.

- E não viemos.- falou o botânico.- Nós vamos com vocês!

- Ãnh? Co-como assim?

- Ora essa, como assim!- retrucou Jessie.- Entrando naquele navio e atravessando o oceano e depois uma selva, ou o que quer que seja!

- É sério mesmo?- indagou Malone, encarando o único que não falara até então: Challenger.

- Bem, conversamos e chegamos à conclusao de que nao temos mais nada a esperar do mundo "real".- começou a explicar o cientista.- Summerlee já perdeu a esposa, seus filhos e netos estão criados e sua presença não é imprescindível. Já quanto a mim e Jessie, bem, não temos nada de fato que nos prenda aqui. Há muito a ser descoberto no "Mundo Perdido", e nada da sociedade londrina me surpreende mais.

- Além disso, eu estou curiosíssima para conhecer esse paraíso de civilizações perdidas!- arrematou Jessie.

O navio soltou mais um apito, como a avisá-los que deviam embarcar. Com abraços apertados e ligeiros, os demais se despediram do casal de amigos que ficava para tras.

- Sentirei falta deles, das aventuras...- confessou Marguerite ao esposo.

- Eu também.- ele colocou o braço sobre os ombros dela.- Mas é como dizem: uma aventura termina para que outra possa começar; e esse rapazinho nos trará distrações suficientes, posso assegurar.

- É...- disse ela, ainda olhando o navio que começava a se afastar.- Além disso, algo me diz que essa separação é apenas temporária... Veremos nossos perdidos antes mesmo do que imaginamos!

Com um último aceno aos amigos que surgiam na amurada do navio, Marguerite e Roxton se voltaram e saíram andando. De volta à civilização, de volta à sua nova vida como pais, onde não teriam a emoção de enfrentar dinossauros, mas sabiam, seria mais emocionante..._

- Será estranho sem eles.- comentou Malone com a esposa, olhando o cais que se afastava lentamente.

- É, mas isso pode não ser um final definitivo... Nosso Platô é cheio de surpresas.

Eles se abraçaram, ainda olhando para terra firme.

Ao seu lado, Jessie, entre Challenger e Summerlee sorria. Ela não sabia bem porque, mas sabia que coisas maravilhosas estavam por vir.

- As maiores revelações ainda estão por vir...- sentenciou, sem nem se dar conta de que falava em voz alta.

Sim, a família Perdida ganhava uma nova integrante, ao mesmo tempo em que se afastava de dois dos seus membros... Era triste...

... Mas quem disse que era definitivo?

FIM

Poiseeh, sei que foi uma longa jornada... As esperas foram cruéis e o final talvez não tenha sido o que vocês esperavam... Mas posso dizer que foi uma experiência enriquecedora compartilhar com vocês esta fic meio "aleatória"!

Agradeço a todas e a cada uma em especial pela reviews... Sem a força de vocês esta história certamente não teria chegado ao fim... ;P

AMOOOO vcs, nunca é demais dizer... e, mesmo sendo este o fim, isto não as exime de deixar muuuuuuuuuuuuuuitas REVIEWS!

... e talvez isso me inspire a terminar "The Return - O Retorno II"?

RoxBeijos à todas ;P amo-Vos =****