Nota da tradutora: As partes escritas em itálico estão relacionadas a pensamentos.


Epílogo

Amor que não vai te trair,
desanimar ou te escravizar,
ele vai te libertar
Seja mais como o homem
que você foi feito para ser
Há um modelo
Um alinhamento para chorar
No meu coração você vê
A beleza do amor
como ele foi feito para ser

Sigh No More- Mumford & Sons


Setembro

Um homem jovem de cabelos bronze está sentado em um sofá baixo em uma sala banhada pelo crepúsculo. Do seu lado está uma mulher com histórias de amor e perda escritas profundamente em seus olhos castanhos. Em sua mão há um envelope. Ela aperta firmemente as extremidades, como se estivesse com medo que este fosse dissolver ou desfazer. Ela tentou achar a coragem para abri-lo o dia todo. O homem ao seu lado afaga as costas dela tranqüilizando-a, enquanto ela olha seu nome pela centésima vez. Está escrito cuidadosamente com uma letra que ela conhece muito bem. Ela se lembra da última vez que falou com o dono desta.

A resposta do telefone soa com um bip.

"Oi, é a Bella. De novo. Eu sei que já deixei algumas mensagens, mas eu quero mesmo falar com –"

"Alô?"

"Oh! Você está aí. Hey! É a Bella."

"Oi."

O silêncio é sufocante.

"Hm, então... como você tem passado?"

"Ótimo, obrigado."

"Charlie me falou sobre as gêmeas. Duas garotas – isso é maravilhoso. Parabéns."

"Obrigado."

A linha telefônica se enche de apreensão.

"Fiquei sabendo que você fez a Rebecca ser a madrinha. Ela deve estar encantada."

"Não vem com essa merda, Bella."

E assim, a calma cortesia despedaça-se em hostilidade. Isso a atinge como um golpe no coração. Ela esconde o quanto isso machuca. É a reação pela qual ela esperava.

"Não estou mentindo. Estou genuinamente feliz por vocês dois."

"Claro."

E de repente ela se encontra ficando com raiva. Talvez seja porque machucasse ouvi-lo usar essa palavra tão sarcasticamente, ao contrário da forma provocadora e preguiçosa que ele dizia incontáveis vezes antes.

Cheia de mágoa e ressentimento, ela rebate, "Bem, o que você quer que eu diga, Jake? Como você quis que eu reagisse às notícias de que as filhas do meu melhor amigo nasceram e ele nem ao menos me contou? Como eu devo responder quando eu descubro que eu nem sou mais a madrinha delas?"

Não há resposta, então ela tenta de novo.

"É por causa de Edward?"

A risada que saúda a sua pergunta é amarga. "Nem tudo é por causa do Cullen."

"Então por que o silêncio e as ligações ignoradas? Penso que você está zangado por causa de Edward e eu, mas você está sendo ridículo."

"Não se atreva a tentar colocar a culpa em mim!... Eu não posso assistir você com... como você pode?... depois de tudo que nós?..." Frases meio formadas são balbuciadas pelo telefone e depois morrem antes de serem completadas, enquanto ele tenta conter o seu ataque. Então, ele suspira. Quando ele fala de novo, sua voz está calma, um tom morto nela. "Não é sobre nós. É sobre o que é melhor para as minhas filhas. Uma madrinha deve estar lá para as crianças, Bella. Esse é o ponto principal."

"Eu estaria lá por elas."

"Oh, mesmo? Para sempre?"

O estômago dela dá um salto com essa palavra. Algo diz a ela que não foi usada por acidente.

"Parabéns, a propósito."

A mudança repentina de assunto a derruba.

"P-pelo o que?"

"Você sabe pelo o que."

"Como... como você soube?"

"Você não é a única que tem que ouvir coisas de outras pessoas."

"Jake..."

O telefone dá um clique.

Dentro do envelope está uma fotografia. Duas lindas garotinhas olham inocentemente para a câmera. Elas têm os olhos dele. A mulher de cabelos castanhos repousa sua cabeça no ombro de seu parceiro, virando a fotografia para ver a parte de trás.

Enquanto ela faz isso, o anel em sua mão esquerda cintila na luz.

"Você não tem que me dar a resposta agora," ele diz olhando com ansiedade para ela em seus olhos âmbar. "Tudo bem se você precisar de tempo para pensar; eu não quero que você sinta que estamos indo rápido demais. Eu só queria que você soubesse com eu me sinto e que eu estou pronto quando você estiver e..."

Ele está falando sem muita coerência agora, e eles dois sabiam disso; ansiosas frases tagarelas tropeçavam em uma corrida para escapar da boca onde elas tinham hesitado e agitado por tanto tempo, esperando para serem ditas em voz alta. Ela fita com os olhos arregalados, por alguns segundos, o delicado anel de ouro em sua palma e depois o interrompe.

"Sim."

A resposta o pega de surpresa.

"O que?"

"Sim."

"V-você tem certeza?" Sua expressão é uma mistura de choque e alegria.

Ela sorri melancolicamente. Quando ele ficou com tanto medo dela?

"Claro que tenho."

E ambos sabem que ela está concordando com mais do que apenas um anel.

Ela o beija e o seu sorriso aquece os lábios dele.

Havia palavras escritas na parte de trás da fotografia, cuidadosamente gravada com uma tinta preta por uma mão mais acostumada a um rabisco descuidado. Um nó cresce em sua garganta quando ela as vê, e ela imediatamente desvia o seu olhar, inclinando-se ao peito dele em busca de conforto, inspirando o inebriante cheiro dele. A casa ao redor deles está calma, seus outros habitantes dando-lhes espaço.

"De jeito nenhum."

"Oh, qual é."

"Você tem que estar de brincadeira, Bella, essa é a almofada mais feia que eu já vi. Quero dizer, xadrez verde? Você estava CHAPADA quando comprou isso?"

A peça em questão é arremessada em desgosto de seu esconderijo entre a montanha de caixa de papelão.

"Okay, não é todo mundo que tem o seu natural senso de estilo. Design de interiores é difícil!"

"Exatamente, por isso você deixará que eu te ajude a decorar o teu quarto e de Edward na nova casa."

"Tanto faz, Alice."

No sofá, as mãos da mulher estão tremendo. Próximo a ela o homem afaga com uma mão os cabelos dela para trás das orelhas, e com a outra firma o aperto dela na fotografia. Ele está vestido elegantemente com uma camisa branca enrolada e uma fina gravata preta.

A escola tem essa estranha sensação de vazio que vem sempre com todos os verões. Ela senta em seu escritório marcando o trabalho da turma do seu Ed Adulto. Na parede oposta, o relógio faz um alto tique-taque.

Uma tosse anuncia a presença dele. Ela olha para cima e sente a familiar perda de uma batida do coração quando o vê, parado e enquadrado em um escuro resplendor vindo do corredor apagado do lado de fora de sua porta.

"Eu consegui o emprego."

"Oh meu Deus, você conseguiu?" Ela grita agudamente em deleite e pula de sua cadeira, jogando-se nele. Ele a pega com braços fortes e ela envolve suas pernas ao redor da cintura dele. "Estou tão orgulhosa de você."

"É nível principiante."

"Eu sei; é isso que me deixa tão orgulhosa. Que você faria algo como isso por mim..." Ele balança sua cabeça, rebatendo os agradecimentos dela.

"Eu quero te mostrar que eu estou empenhado a isso; estou empenhado a realizar o papel de 'Noivo da Srtª Swan'. Era um pouco arriscado que eu permanecesse na escola enquanto você estivesse lecionando. As pessoas falam." O sorriso dele arde. "De qualquer forma, eu não quero mais ser o seu aluno."

A batida do coração dela aumenta por alguns segundos e depois ela chia sensualmente para ele.

"Graças a Deus, ou isso seria definitivamente ilegal..."

Ela se inclina e o beija. O beijo é lento com uma intenção persistente que os faz gemer. As mãos que apertavam em volta da cintura dela entregam-se ao quase oculto desejo que agora apimenta o abraço deles. Ele anda para frente e a senta gentilmente na mesa dela, nunca deixando os seus lábios. Ela corre uma mão através dos cabelos dele, estremece com o toque dele na sua coxa e suavemente dá um puxão nos lábios dele com seus dentes. O peito dele troa, ele se afasta e sorri para ela.

"Creio que eu preciso te levar para casa."

Eles deixam o escritório dela e saem juntos, com as mãos entrelaçadas, em direção a amena noite de verão.

As mãos deles estão ligadas agora também. Isso dá a ela a força que precisa para se retrair da segurança dos braços dele e olhar de volta para a mensagem na fotografia.

Ela segura sua respiração e lê.

Elas colidem uma com a outra no armazém, entre todos os lugares.

"Então... Fiquei sabendo que você está morando em Oregon agora."

"Sim, eu consegui um emprego. Educação adulta, sabe. É só uma coisa de verão."

A óbvia pergunta é evitada – 'o que você fará assim que o verão acabar?' Essa é uma pergunta que uma está com medo de perguntar e a outra está cautelosa em responder.

"Isso é ótimo."

Ambas olham desajeitadamente ao redor, procurando por algo para dizer.

"E você? Você deve estar exausta, com as gêmeas..."

"Oh, sim. Pode ser muito agitado. Eu não sei como eu faria isso se não fosse por Jacob."

O nome dele paira desconfortavelmente no ar por alguns segundos entre elas.

"Eu sempre soube que ele seria um ótimo pai."

"Ele é mesmo."

E é apenas quando uma está se virando para ir embora que a outra a chama.

"Carole?"

"Sim?"

"Diga a ele que eu peço desculpas. Desculpas por deixá-lo para baixo, mas... diga a ele que eu estou feliz com a minha vida agora. Eu realmente estou."

Elas olham uma para a outra por um bom tempo. E então, calmamente:

"Ele sabe, Bella. Ele já sabe."

E ainda mais calmo ainda:

"Ele se desculpa também."

No topo, escrita com a caligrafia autoconsciente de Jacob, está a data e o tempo que a foto foi tirada. Debaixo há uma mensagem.

Bella-

Aqui está a felicidade, independentemente da forma que isso pode tomar.

Amor,

Jacob.

E abaixo:

Sarah e Marie, um mês.

É só então que ela percebe que tem lágrimas em seus olhos.

Edward olha preocupado para ela.

"Estou bem," ela sorri através de lágrimas, "Estou bem."

Mas, na verdade, ela está melhor do que isso.

"Você está linda."

"Obrigada, Pai." Ela cora sob o olhar de admiração dele, e conscientemente arruma o seu cabelo.

"Você está pronta?" Ele olha como se ainda estive esperando que ela fosse mudar de ideia.

"Sim, estou."

E ela parte um sorriso, apertando a mão dele e ignorando a insistente batida de seu coração.

Eles vão juntos... e depois eles estão lá e a canção de ninar dela começa a tocar e ela, de alguma maneira, encontra a coragem para olhar para o altar onde Edward está esperando por ela...

O pôr-do-sol estava tão baixo agora que as sombras tinham se movido das paredes para o centro da sala. Com as mãos mais firmes do que antes, ela coloca a fotografia na mesinha de centro, dispondo a mesma próximo ao envelope que tinha chegado nesta manhã.

Edward olha para Bella tentando, como sempre, entender o que ela estava pensando.

"Você não tem que fazer isso."

"Cala boca."

"Eu quis dizer isso."

"Eu sei que você quis."

"Isso é tão...decisivo." Ele fala calma e suavemente afastando o cabelo dela de seu rosto, "sem volta, sem escapatória."

"Escapatória do que?"

"De mim, claro."

"Não seja besta."

Isso foi a dias atrás, mas a conversa continuava facilmente de onde parou. Como sempre.

Os olhos dele fitam a fotografia, repousando brevemente nos rostos de Sarah e Marie. Depois ele olha de volta para Bella. "Você poderia ter isso," ele murmura. "Você poderia ter tanto…"

Os dedos dela nos lábios dele o silenciam. Ele olha para ela, seus olhos em algum lugar entre a surpresa e a tristeza.

Ela olha de volta impertubável. "Eu já tenho."

"Eu quero estabelecer uma data."

"Nós já temos uma data para o casamento..."

É uma piada débil e ela sorri complacentemente.

"Você sabe o que eu quero dizer."

"Quando você tem em mente?"

"Depois do meu aniversário."

"Então, Setembro?"

Ele olha para ela. E então deixa escapar uma grande lufada de ar que ele não precisava. Ele se levanta e oferece sua palma.

"Você está pronta?"

Ela assente e pega a mão dele, seguindo-o para fora da sala e em direção a escada...

Lá fora, o sol se põe no horizonte.

Não demorará muito para que ele suba outra vez.

FIM


E aqui vai o tão aguardado epílogo dando por fim esta fic maravilhosa e o meu trabalho como tradutora da mesma.

O que acharam? Foi digno de espera? Foi lindo, né? Bella e Edward em uma relação tão madura e bonita de ver. Creio que era assim que metade dos fãs de 'Twilight' gostaria que o casal tivesse seu rumo, fosse mais maduro e menos dependente um do outro, até porque a vida é assim, não tem como ficar dependendo sempre de alguém, senão "quebramos a cara" em algum pequeno problema que possa aparecer.

Agora, infelizmente, começamos com a parte das despedidas, né? ): Bom, eu gostaria de agradecer imensamente, do fundo do meu coração, a todas as pessoas que tiraram um tempinho para ler cada capítulo da fic, que acompanharam esta tradução desde o início (ou até recentemente, mas acompanharam) e que me deram forças para continuar. Também queria pedir desculpas a todo o tempo que eu demorei para trazer os capítulos - mas vocês sabem como é, nossa vida nos chama pra estudar e só nos resta seguir - e para as vezes que eu não pude responder aos comentários de vocês, mas fiquem tranquilos que eu lia tudinho aqui e ficava super feliz com cada coisinha que vocês falavam.

Para quem gostou do meu trabalho como tradutora (este foi o meu primeiro) e quer continuar a me "seguir", em breve irei postar aqui a minha próxima tradução. Desta vez será uma fic totalmente universo alternativo, sem vampiros e coisa do tipo. É uma fic tão especial quanto 'Seduzindo Srta. Swan' foi para mim. A estória fala sobre Bella, uma adolescente que tem alguns problemas de peso e, por isso, sofre bullying na escola, principalmente do Edward, o cara mais lindo e idiota da escola. Só que há um grande porém: eles vão ter que, de qualquer maneira, viver juntos, pois terão que fazer um projeto de ciências juntos e nesse meio tempo eles começam a se conhecer *-* É linda demais a fic, acredito que vocês vão gostar assim como eu gostei!

Então, como de costume, façam uma tradutora feliz e comentem? Darei pulos de alegria aqui! *-* (e senhores que vivem só na "moita", comentem também, afinal, é o final da fic, é digno, rs).

E para quem quer saber quando eu irei postar a próxima tradução, é só me adicionar como alerta (Você vai em "Add author as author alert") que você ficará sabendo logo quando uma nova fic foi postada por mim no meu perfil. É isso!

Um beijão a todos,

Francine S.