N/A: Não, isso que vocês estão vendo não é uma miragem. Sim, isso que vocês estão vendo é um capítulo novo de LB. *solta firewoks de emoção*

Pois é, eu não tenho nem o quê dizer para tentar me redimir quanto à falta de atualização da fic. Então vou falar a verdade: a falta de inspiração para escrever essa história. Sim, eu andei passando por alguns problemas pessoais ao longo de todo esse tempo longe de LB e acabei perdendo o foco na minha inspiração para fic. Mas aí depois de reler os capítulos anteriores, eu voltei a sentir a vibe de Bee e Ed e voilá, voltei a escrever. A boa noticia disso tudo? Escrevi não só esse capitulo, mas o próximo também *proud of myself*. Por conta disso a próxima atualização não vai demorar a chegar, eu prometo.

Obrigada aquelas que passam diariamente no meu ask e no twitter, pedindo atualização dessa fic. Eu não seria capaz de abandoná-la jamais, pois esses dois malucos aqui significam muita coisa para mim. S2

Vamos deixar de conversa fiada? (eu realmente estou começando a ficar com medo de estar falando sozinha)

Capítulo novinho inteiro para vocês. Não está betado, então todo e qualquer erro é inteiramente meu. Espero que se divirtam como eu me diverti o escrevendo.

Boa leitura. :)


Capítulo 12 – Videotape

Desde o primeiro momento em que decidi mudar para Paris eu sabia que não seria plenamente feliz, pelo simples fato de que a Cidade Luz não era e nunca seria meu lar. Não que não tivesse tido momentos felizes naquele lugar mágico, mas eles eram apenas isso, momentos. Uma mera sensação que chegava e se dissipava no ar como fumaça.

Minha mãe costumava dizer quando eu era criança que a felicidade era nada mais do que um conjunto de aspectos que - ao se unirem - completavam o estranho quebra-cabeça que todo mundo sonha em resolver. Naquela época não entendia o quê Renée tentava me dizer, mas parando para refletir agora eu conseguia finalmente captar seu ponto de vista.

E mais uma vez precisava dar o braço a torcer e confirmar o quê no fundo todos já sabiam: mães sempre têm razão.

Voltar à Nova York foi uma das melhores decisões que já tomara na vida. Qualquer pessoa de fora que desse uma olhadela em minhas escolhas certamente me chamaria de maluca, afinal, quem trocaria um apartamento maravilhoso no coração de Paris e um emprego dos sonhos na capital mais chique do mundo?

Bom, aparentemente eu era essa pessoa.

Para muitos, minha vida em Paris poderia ser considerava como perfeita, mas para mim ela passava longe disso. Bastou que eu pusesse os pés de volta à Nova York para ter certeza disso. Ali era onde eu deveria ficar.

Onde a palavra felicidade realmente encontrava sentido.

Mesmo voltando desempregada e com uma conta bancária beirando o vermelho, eu encontrava razões para sorrir. Afinal não era isso o que chamavam de alegria plena? Achar pontos positivos até no meio do caos?

E por mais clichê que isso pudesse parecer, estava cada dia mais certa de que meu aparente bom humor parecia contribuir para que as coisas acontecessem.

Pieguices a parte, mas é como dizem: positividade sempre atrai positividade.

Mal podia acreditar quando consegui um emprego um mês após voltar à Nova York. Ok, não se comparava ao cargo que ocupava na Publicis e o salário não daria para pagar todas as minhas contas no fim do mês, mas ainda assim era uma conquista. E eu me sentia como se houvesse ganhado não só uma batalha, mas sim uma guerra.

Edward também descolara um emprego como fotógrafo freelancer de uma agência de noticias online e não cabia em si de tanta felicidade. Eu sabia desde sempre que sua verdadeira vocação era a fotografia e não poderia estar mais contente ao vê-lo realizado fazendo algo que amava de verdade.

Embora nossas despesas ainda fossem bem maiores do que aquilo que ambos ganhavam, Edward e eu estávamos vivendo uma das melhores fases de nossas vidas, desde que tive a coragem de confessar meus sentimentos por ele. A cada dia que passava eu o amava e o odiava várias vezes; ele me tirava do sério e me enlouquecia, mas bastava que seus braços me envolvessem pela cintura e sua boca buscasse a minha para que meu coração palpitasse tão forte a ponto de quase explodir.

Ele era o meu melhor amigo e também aquele que me seduzia com um simples olhar. Ele me completava.

O que mais eu poderia pedir da vida?

Todas as sextas a noite nós cumpríamos um velho ritual que fora prontamente retomado após nosso retorno: encontro com os amigos regado a muita cerveja, conversa fiada e quilos de coxas de frango do KFC - a comida favorita de Edward desde sei lá quantos anos.

Nossas reuniões quase sempre aconteciam na casa de Rosalie e Emmett e essa noite não era diferente. Lá estávamos nós, largados no sofá da sala, comentando sobre mais um jogo de basquete da NBA que tinha acabado de ser exibido na TV.

Sim, nós. Não que eu fosse uma fã obcecada por basquete, mas de vez em quando gostava de assistir um bom jogo. O único problema nisso tudo era o modo como eu ficava um pouquinho alterada a cada partida.

Merda, quem eu queria enganar? Ficava completamente surtada quando assistia a um jogo dos Knicks!

"Não acredito que perdemos! E ainda por cima em casa!" esbravejei, os olhos vidrados na tela da TV que agora exibia os melhores lances da partida comentados pelos narradores e seus convidados especialistas.

"Relaxa, Bee, foi só um jogo. Na próxima, nós vencemos." Edward retrucou, dando de ombros, muito mais preocupado em conquistar o último pedaço de coxa de frango do super balde que Rosalie servira antes da metade do quarto final do jogo.

Sério, o que havia na barriga daqueles homens? Um buraco negro e sem fundo?

"Só um jogo, Edward? Como você se atreve a dizer que isso é só um jogo?! Será que você não vê que perder em casa é o erro mais estúpido a essa altura do campeonato? Por acaso o senhor sabe qual nosso próximo adversário? O Bulls! E a partida vai acontecer em Chicago."

"Que merda!" ele respondeu totalmente desinteressado. Meu nariz começou a inflar de irritação e instintivamente Jasper e Emmett, que também estavam acompanhando o jogo, se encolheram em seus lugares no sofá, em provável reação à minha cara transtornada de aborrecimento.

"Você é uma vergonha para todo e qualquer torcedor dos Knicks, Edward Cullen!" bufei e apenas para demonstrar que estava raivosa, puxei a coxa de frango de sua mão, fazendo-o prestar atenção em mim finalmente.

"E quem é você para falar algo sobre basquete, Bee? Mal sabe arremessar uma bola no garrafão." ele redarguiu implicante, tentando me segurar para recuperar sua tão amada coxinha frita. "Esse é o problema de vocês garotas: assistem meia dúzia de jogos e se acham especialistas no assunto. Pff!"

"E você por um acaso se acha expert em basquete, não? Ha, ha, esqueceu a última vez que jogou uma partida e quase foi parar no hospital após Emmett acertar uma joelhada bem no meio das suas bolas? Você não passa de um bebê chorão, Ed!"

"Hey, foi sem querer!" Emmett interrompeu, fitando Edward. "Você sabe que eu não fiz de propósito, não é mesmo, cara?"

"Deixa pra lá, Emm. Não ligo para o que a Bee fala! Ela está de TPM e fica meio louca quando não consegue ganhar uma discussão." meu sangue pareceu atingir duzentos graus em minhas veias, pois eu sentia cada fibra do meu corpo ferver.

"Quem você está chamando de louca, seu idiota? Argh, como você é imbecil, Edward!" levantei de seu colo, cuspindo fogo. Deus, alguém me segura antes que eu pule no pescoço desse mané arrogante!

Antes que cravasse minhas unhas na pele de Edward, decidi bancar a adulta e parar com aquela baboseira de briga antes que as coisas piorassem. Porém, quando estava fazendo meu caminho em direção à cozinha, o ouvi comentar:

"Viu? Completamente maluca. Eu disse, é a tal da TPM." Jasper soltou uma risadinha e essa foi a minha deixa para voar o pedaço de frango que ainda tinha em mãos bem no meio da cabeça de Edward.

"Você é um imbecil, Edward. Aliás, os três não passam de completos imbecis!"

"Ei, o que foi que eu fiz?" Jasper reclamou quando eu dei um tapa certeiro em sua nuca, antes de marchar para longe daquela sala cheia de gente estúpida.

Como homens podem ser tão bobos quando querem? Nunca iria entender isso!

Rosalie estava no andar de cima, provavelmente amamentando Audrey e Alice ainda não havia chegado, então aproveitei que estava sozinha na cozinha para abrir uma garrafa de cerveja, esperando que meu aborrecimento sem sentido cessasse. Sentei em uma cadeira alta e joguei meu corpo sobre a grande bancada de mármore, respirando fundo para tentar me acalmar.

Edward tinha toda razão, eu estava mesmo na TPM, mas quem havia dado o direito a ele de ficar me tratando como uma doente mental bem na frente de nossos amigos? Aquilo não tinha sido nada legal, além de ser completamente infantil de sua parte.

Como se adivinhasse que havia me deixado brava de verdade, ele surgiu cinco minutos depois na cozinha, retraído como um cachorro que havia acabado de roer a meia favorita de seu dono. Até seus olhos eram pidões como os de um animalzinho encrencado. Seu comportamento sonso apenas serviu para aumentar minha ira.

"Hey" ele tentou puxar assunto, acariciando de leve meu ombro, o qual eu recuei de imediato. "É sério que você ficou com raiva do que houve? Qual é, Bee?! Estava só brincando!"

"Claro que você estava brincando, afinal é super divertido chamar a namorada de doida varrida na frente dos amigos!" sibilei sem fitá-lo, me entortando toda sobre a bancada para tentar fugir de seus lábios que queriam me beijar no pescoço. "Para com isso, Edward, que merda!"

"Não paro enquanto você não me perdoar." falou, me prendendo pela cintura e finalmente achando uma maneira de colar sua boca na minha pele. Juro que tentei, mas não consegui evitar os arrepios que começaram a brincar com a linha de minha coluna.

Maldito sedutor!

Mas eu não iria ceder tão fácil assim.

"Você não disse que era apenas brincadeirinha, por que está pedindo perdão? Eu não tenho nada que perdoar, já que você não fez nada. Como sempre." ironizei e o senti bufar um suspiro na curva de meus ombros.

"Ah, por favor, Bee. Você sabe que eu sou um panaca e quase sempre falo merdas sem pensar. Olha para mim," pediu já segurando meu rosto e me forçando a encará-lo. "juro que não quis irritar você. Pode me perdoar?" olhos pidões e beicinho eram suas armas mais letais para derrubar qualquer irritação que eu poderia sentir por ele. Que droga!

"Tá, tá, tudo bem." murmurei não querendo me dar por vencida por completo, porém não consegui manter a carranca aborrecida quando Edward me lançou um sorriso tão largo que chegava a assustar. "Para de me olhar desse jeito, seu bobo! Você parece um maníaco rindo assim, sabia? É assustador!" ri alto ao vê-lo entortar o rosto em uma careta ainda mais esquisita e engraçada.

"Vem cá, Bee." ele sussurrou, me puxando de encontro aos seus braços para que sua boca pudesse capturar a minha em um beijo. Abracei-o e deixei que minha língua sentisse o gosto de cerveja que ele trazia em seu hálito forte.

Era incrível como um gesto simples como um beijo poderia injetar cargas de alívio em meu corpo e me relaxar por completo. Bastou que Edward encostasse seus lábios nos meus para que meus joelhos amolecessem e a raiva que sentia evaporasse de dentro de mim. Eu amava a forma como ele me acalmava, principalmente quando me beijava daquela maneira lenta, quente e intensa.

"Ei, ei, ei, que pouca vergonha é essa na minha cozinha? Essa é uma casa de família, mais respeito por aqui, pessoal!" ouvi a voz de Rosalie ralhar e interrompi o beijo, arrancando um gemido surdo dos lábios de Edward. Sorri, nem um pouco constrangida com o pequeno flagra de minha amiga, e voltei o rosto para deixar um selinho na boca entreaberta dele, que em contrapartida apertou minha cintura com exagerada vontade.

"Por acaso os dois pombinhos sabem onde diabos Alice se meteu? Já são quase nove da noite e aquela baixinha maluca ainda nem deu sinal de vida!" Rose comentou, jogando no lixo os baldes de KFC vazios que os meninos e eu havíamos devorado durante a partida de basquete.

"Será que Jasper não sabe? Ao menos para mim, ela não avisou nada sobre se atrasar para o jantar." eu falei. "Alice ligou para você hoje, amor?" perguntei, me voltando para Edward.

"Graças a Deus, não. Não falo com a pentelha desde ontem quando ela ligou para você às seis da manhã surtando porque você não atendia o celular."

"Ela ligou para você também?" Rose questionou incrédula e eu acenei com a cabeça em concordância. "Dúvidas sobre os tecidos das toalhas de mesa?"

"Quase isso, não consigo lembrar. Era algo sobre os guardanapos, não sei ao certo. Você sabe como eu não funciono bem antes das seis da manhã, não é?"

"Alice está pirando com a aproximação do casamento. Está cada dia mais surtada, como se isso fosse possível."

"Coitado do Jazz que vai ter que aguentar aquela anã pelo resto da vida." Edward ruminou e eu lhe dei um tapa em seu braço que me enlaçava pela cintura. "Ei, o que foi dessa vez?" rolei os olhos e tratei de ignorá-lo.

"Onde será que aquele projeto de gente se enfiou? Ela já deveria ter chegado aqui!" comentei enquanto Rosalie puxava o celular e ligava para Alice.

"Merda, a ligação está caindo direto na caixa postal."

"Jazz, pode vir aqui na cozinha agora, por favor?" gritei quando Edward me libertou de seu abraço de urso e avisou que estaria na sala com Emmett se eu precisasse dele. Dispensei-o rapidamente, voltando minha atenção a Jasper, que surgiu à minha frente com um semblante preocupado.

"O que houve, Bella?"

"Jazz, Alice não falou nada a você sobre onde ela iria após o trabalho? Já passa das nove e ela não atende o telefone. Rose e eu estamos preocupadas."

"Alie me disse algo sobre passar no The Plaza para conversar sobre a decoração, mas estaria por aqui por volta das 8." Jasper murmurou e voltou seus imensos olhos azuis para me fitar. "Que horas são?"

"Quase nove e quinze." bufei voltando a sentar em minha cadeira. "Bom, vai ver que ela está presa no trânsito. As ruas a essa hora estão um caos."

"Vou tentar ligar para ela." Jasper disse, porém seu esforço não foi necessário. No instante seguinte, Alice surgiu na soleira da cozinha, trajando um semblante cansado e olhos vermelhos.

Ela esteve chorando, isso eu tive certeza assim que a encarei.

"Alice, merda, pode me dizer onde você se meteu esse tempo todo? Por acaso está tentando me matar?" Rose sibilou irritada, entretanto Alice não deu ouvidos à amiga. Para minha surpresa, eu a senti correr em minha direção e desabar em meus braços, por pouco não me fazendo tombar para trás e cair estatelada no chão.

"Alie, amor, o que houve?" Jasper perguntou se aproximando, o rosto transtornado pela preocupação com o estado da noiva.

"Jazz, eu... preciso ficar sozinha com Rose e Bella, ok? Pode me deixar a sós com elas, por favor?" Alice pediu, sem encarar Jasper.

"Mas, Alie, eu-"

"Por favor, Jazz..." sua súplica escapou em meio a um soluço de choro e eu senti meu coração apertar ao notar a expressão arrasada de Jasper. Ele deixou a cozinha sem maiores insistências, recebendo um afago gentil de Rose nos braços.

"Vai ficar tudo bem." ela assegurou, observando o amigo seguir em direção à sala.

"Ok, Alie, somos nós três agora. Que tal nos explicar o que aconteceu para deixar você nesse estado?" Rosalie pediu sem rodeios, sentando em uma cadeira ao meu lado. Encarei-a desesperada quando Alice reiniciou um choro penoso em meus ombros, molhando minha camisa com suas lágrimas incessantes.

"Está tudo arruinado!" Alice finalmente balbuciou, sem nos encarar. "Meu casamento está acabado!"

"O quê?! Do que você está falando?" perguntei, tentando forçar minha amiga a me fitar. "Alie, pode nos contar o que houve?"

Meu pedido pareceu amolecê-la e enfim se afastou para nos encarar. Seus enormes olhos verdes traziam um brilho dolorido e os lábios estavam entortados em uma linha fina que dava pena. Não havia dúvidas de que Alice estava arrasada.

"Eu... bom, fui ao The Plaza hoje para verificar os últimos detalhes sobre a decoração do espaço e descobri a pior coisa que poderia acontecer a essa altura!"

"E o que seria, meu Deus? O salão que você escolheu entrou em reforma? Há goteiras no teto? O papel de parede está descascado?" Rosalie começou a listar e recebeu um olhar ferino de uma ainda chorosa Alice.

"Isso é sério, Rose, que droga!" ela falou, enxugando o rosto banhado em lágrimas. "Descobri que metade dos casamentos de pessoas que eu conheço que aconteceram no The Plaza fracassaram nos dois primeiros anos. Vocês têm noção do que isso? Nos últimos cinco anos, 15 casamentos terminaram em divórcio!" enquanto Alice discorria seu raciocínio, Rose e eu a encarávamos como se estivéssemos frente a um E.T.

Aquilo realmente era... sério?

"Nick Hills casou no The Plaza no ano passado e está divorciada há um mês; Melinda Barnes casou no The Plaza há dois anos e também está separada há um mês; e a pior de todas: Lauren Mallory se casou com Tyler Crowley lá e hoje não passa de uma divorciada com dois filhos para criar."

"Quem diabos é Lauren Mallory?" Rose interrompeu monólogo de Alice, parecendo totalmente perdida.

"Ela era a melhor amiga de Alie na faculdade." eu expliquei.

"Até o dia em que a peguei transando com o meu namorado no dormitório que eu dividia com ela." Alice completou.

"Ouch, que vadia! Bom, pelo menos ela não se deu bem no casamento, não é?" Rose comentou.

"Você está maluca? Isso foi a PIOR coisa que aconteceu. Não vê que há uma espécie de maldição naquele hotel que acaba com todo e qualquer casamento? E olha só, adivinhem onde o meu casamento vai acontecer?" Alice gritou, um pouquinho histérica. "Oh, meu Deus. Eu não quero terminar divorciada com dois filhos para criar!"

E a parte dois da sessão de choro incontrolável começou.

Ok, aquilo estava indo longe demais. Eu sabia que Alice piraria a qualquer momento com aquela história de preparativos para o casamento, mas confesso que não imaginaria que ela chegaria tão longe assim. Era hora de agir e tentar acalmá-la, embora eu tivesse quase certeza de que seria uma tentativa frustrada.

Encarei Rosalie desesperada e ela deu de ombros sem saber o que fazer; Alice voltou a me estrangular e derramar suas lágrimas em minha camisa. Precisava fazer alguma coisa para reverter aquela fossa sem sentido onde minha amiga havia se enterrado.

"Eu não posso me casar naquele lugar maldito, Bella. Não posso!" Alice sibilou erguendo o rosto para me encarar. "Você tem noção de quanto tempo esperei para que esse momento da minha vida acontecesse? Não quero que nada dê errado, não posso deixar que meu casamento termine antes mesmo de começar!"

"Ok, Alie, me escuta." pedi acariciando seu rosto e limpando os olhos manchados de rímel. "Sim, eu sei exatamente há quanto tempo você sonha em casar naquele lugar. Basicamente desde que parou de comer terra dos vasos de plantas do jardim da sua mãe, quando tinha uns, sei lá, seis? Sete anos?" falei com um suspiro, fitando-a com ternura. "Agora me responda uma coisa: tem certeza de que quer abdicar desse sonho por causa de uma estatística estúpida?"

"Não é só uma estatística estúpida, Bella. São quinze casamentos fracassados. QUINZE!"

"Oh claro, e o quê faz você pensar que o seu será o décimo sexto?" ela me fitou por alguns segundos, abrindo e fechando a boca à procura de qualquer argumento que a fizesse retrucar minha pergunta. Soltou um suspiro aborrecido quando não encontrou palavras para me contradizer.

"Amiga, um casamento bem sucedido independe de onde e como a cerimônia acontece. Ele depende apenas do amor e do companheirismo das duas pessoas que estão se unindo em matrimônio. E todo mundo sabe que você e o Jasper têm essas duas coisas de sobra no relacionamento de vocês."

"Alie, Jasper ama você mais do que tudo nessa vida. E você o ama também. É claro que o seu casamento será perfeito, minha querida." Rosalie reforçou, acarinhando o braço de Alice de forma afetuosa.

"Vocês acham isso mesmo?" ela questionou, mais calma e muito menos surtada.

"Temos certeza." garanti, abraçando-a. "Vai dar tudo certo, amiga. Seu casamento vai ser o mais lindo do ano e você e Jasper serão felizes pelo resto das suas vidas."

"E terão filhos perfeitos para fazer companhia para minha Audrey." Rosalie adicionou fazendo Alice e eu rir. Ela não perdeu tempo e se juntou ao abraço, esmagando Alice que estava no meio.

"Eu amo vocês."

"A gente também ama você, Alie." Rose sibilou, deixando um beijo estalado no rosto de Alice. "Só promete que não vai mais pirar até depois do casamento?"

"Hum... eu prometo." Alice sorriu e eu apertei meus braços ao redor de minhas duas melhores amigas, rindo ao notá-las resmungarem sobre como estavam sendo sufocadas por mim.

Entretanto nenhuma delas fez questão de desmanchar o abraço, que durou por horas em um silêncio que só era quebrado pelo som das nossas risadas cúmplices.

[...]

Naquela noite eu voltei para casa bastante preocupada com Alice.

Será que todas as noivas simplesmente piravam com a aproximação do casamento? Isso era tipo um pré-requisito no manual de experiência de uma mulher que estava prestes a se casar?

Não, aquilo não acontecia com qualquer uma; Rosalie, por exemplo, foi uma noiva completamente normal durante todo o período em que organizou seu matrimônio com Emmett. Na verdade, Rose se mantivera calma além das expectativas. Emm fora aquele quem surtara e sumira por um dia inteiro, nos colocando em uma caçada ao noivo que quase nos deixara insanos.

"Então, o que deu na minha irmã para sumir sem deixar rastros?" Edward perguntou enquanto caminhávamos pela rua de nosso prédio. A noite não poderia estar mais fria e eu estava praticamente me transformando em um tatu bola dentro de meu casaco.

"Ah, hum, você sabe como essas coisas são. Alice só está meio estressada com a proximidade do casamento."

"Jasper disse que ela mal quis olhar na cara dele. Aconteceu algo entre os dois?"

"Não, está tudo bem entre eles." sibilei recebendo um olhar duvidoso de Edward. "Estou falando sério, eles estão bem. Só acho que Alice precisa de uma ajudinha básica nessas últimas semanas antes do casamento."

"Que tipo de ajuda?" Edward perguntou, procurando as chaves no bolso para abrir o portão de entrada do prédio onde morávamos.

"Eu não sei, Ed. Alice está cuidando de cada detalhe da cerimônia. Absolutamente tudo. Claro que ela tem ajuda de profissionais, mas acho que sua irmã está precisando de assistência das amigas, sabe? Rose não pode estar lá quando Alie precisa, porque agora ela tem a Audrey. Mas e eu?"

"Você tem que cuidar de mim, ora. Eu preciso de você, Bee." ele brincou rindo e eu girei os olhos, ignorando-o por dois segundos para acenar para o porteiro de plantão.

"Isso é sério, droga! Desde que chegamos eu sinto que não tenho sido o tipo de amiga que Alice merece. Quer dizer, eu não ando sendo a melhor amiga da noiva ultimamente."

Entramos no elevador e eu encostei as costas no vidro, fitando o teto. Estava me sentindo a pior amiga do mundo naquele momento.

"E o que você pretende fazer, Bee?"

"Eu não sei, Ed." suspirei cansada. "Talvez sair mais com a Alie? Ajudá-la com os preparativos finais da festa? Sei lá, apoiar minha amiga nesse momento. Você sabe o quanto sua irmã sonha com esse casamento."

"Se sei. Lembra quando ela se vestia de branco e corria pela casa com um lençol na cabeça brincando de noiva? E fazia você de madrinha e eu de pajem?" concordei com um aceno, rindo daquela memória de nossa infância juntos.

"Só quero que esse momento seja perfeito para Alie, Ed. Eu quero merecer o título de madrinha que é meu há tanto tempo que nem sei definir."

"Hum... há mais ou menos uns vinte anos?" Edward respondeu e eu franzi o nariz desgostosa, saindo do elevador.

"Não precisa definir o tempo com exatidão, ok? Basta dizer há muito tempo atrás e as pessoas entenderão que aconteceu há muitos anos." ele riu e me deu um beliscão na cintura assim que bateu a porta do nosso apartamento em suas costas.

"E desde quando você se preocupa com esse tipo de coisa? Bee, por acaso você tem medo de parecer velha?"

"Não seja ridículo, é claro que não!" pontuei me sentindo meio ofendida. "Por que eu teria medo de algo que eu não sou? Definitivamente não sou uma velha e nem pareço com uma!"

"Bom, estamos quase chegando aos trinta, então..." Edward deu de ombros, desinteressado.

"Hey, eu tenho apenas vinte e poucos anos, ok?" sibilei apontando o dedo em riste à sua frente. "Espera um pouco. Quando alguém pergunta a você quantos anos tem, qual é a sua resposta?"

"Hum... A verdade?" ele respondeu sem compreender onde eu queria chegar e isso me fez morder os nós de meus dedos para abafar um gemido. "O quê? Como? P-por quê? O que isso tem de mais?"

"Ótimo, agora todo mundo sabe que eu não tenho vinte e poucos anos. Que na verdade estou muito mais próxima dos trinta do que quero admitir. Fantástico!" falei me jogando no sofá. "Oh, meu Deus, estou me sentindo como uma velha, porque na verdade eu sou uma velha!" choraminguei, cobrindo meu rosto com um dos braços.

"Bee, você tem só vinte e sete." Edward disse de um modo que soou como se estivesse falando com um bebê recém-nascido.

"Argh, como queria ter vinte novamente! Não, dezoito é a melhor idade." continuei, ignorando totalmente seu último comentário. "E você?" questionei ao senti-lo deslizar pelo sofá e puxar minhas pernas para seu colo, tocando a curva de meus joelhos de leve.

"Gosto de ter vinte e sete." falou sem me encarar e eu o fitei descrente.

"O quê? Por quê?" minha voz saiu histérica e eu escutei sua risada escapar de um jeito divertido.

"Porque se eu tivesse dezoito novamente seria um babaca que só pensaria com a cabeça de baixo, transaria com todas as garotas que encontrasse pela frente e nunca perceberia que a minha melhor amiga era na verdade a mulher da minha vida." ele suspirou e eu senti meu queixo – que estava entreaberto – começar a doer por causa do choro que queria muito desabar. "E, bem, eu certamente não estaria namorando-a como estou agora, aos vinte e sete. Então..."

"Você é tão babaca." murmurei, dobrando meu corpo para abraçá-lo. Edward gargalhou e afastou meus cabelos para beijar a curva do meu pescoço desapressadamente.

"Posso saber o motivo de tanta agressividade?" inquiriu e me permiti soltar um soluço emocionado, escondendo as lágrimas que caíram no tecido de sua camisa impregnada com o cheiro dele que eu tanto amava.

"Eu também gosto de ter vinte e sete. E isso faz de mim uma velha." balbuciei abafado e isso o fez soltar mais uma risada alta.

"Se serve de consolo, você parece bem gostosa para alguém que se acha tão velha assim." foi a minha vez de sorrir e eu ergui o rosto para encará-lo. Seus olhos eram divertidos e o verde intenso tinha um brilho quente que deixava a atmosfera ao nosso redor muito confortável. "Olha só, peitinhos eretos e uma bunda bem firme. Não, não parece nada velha para mim."

"Você é um idiota." disse, dando um tapa em suas mãos para que ele parasse de apertar meus seios.

"Eu te amo, Bee." de repente todos os traços brincalhões haviam desaparecido de sua voz e eu soube que ele estava falando sério. Suas mãos subiram em direção ao meu rosto e senti seu polegar riscar meus lábios de um jeito que me causou arrepios.

"Também te amo, Ed." devolvi, curvando minha cabeça para beijá-lo. "Muito. Muito. Muito." acrescentei salpicando selinhos em sua boca macia. Ele me puxou pela cintura com vontade e me deitou no sofá, ao mesmo tempo em que deslizava a língua em busca da minha.

Exalei forte e afundei as mãos em seus cabelos, até encontrar meu ponto favorito em seu corpo: a curva de sua nuca. Bastava que eu tocasse o topo com meus dedos para que o sentisse tremer sobre mim. E assim aconteceu. Edward sorriu contra meus lábios e passou a me beijar com mais fome ainda, acendendo um fogo tão alto que só seria apagado quando eu o tivesse dentro de mim.

"Bee?" ele chamou, ainda com a boca colada à minha.

"Hum?"

"Posso voltar a pegar nos peitinhos agora?" interrompi o beijo para rir e o soquei no ombro, fazendo-o sorrir em resposta.

"Idiota."

"Também te amo." Edward murmurou e antes que eu pudesse responder algo, voltou a colar os lábios nos meus, me pegando tão desprevenida que só me dei conta da realidade, quando senti meu corpo flutuar e cair inerte sobre ele, exausta e satisfeita.

Nos braços dele eu sempre me sentiria completa.

[...]

Sábado era sem dúvida o meu dia favorito da semana, pois não precisava acordar cedo para ir ao trabalho. Podia passar a manhã inteira na cama, mesmo que não sentisse sono, apenas curtindo a moleza de um belo espreguiçar se acomodando em meu corpo sem me preocupar com horários e prazos.

Era aquele tipo de dia que poderia durar a semana toda.

O sol frio do lado de fora entrava pelas frestas das persianas que impediam que o quarto fosse banhado pelos raios brilhantes; afundei o rosto de volta em meu travesseiro, inalando alto o cheiro de sono impregnado no ar, sem a mínima vontade de levantar e deixar que a alegria matinal me atingisse. A vontade de não fazer nada era tanta que eu estava com preguiça até de piscar.

Eu nunca fui uma pessoa muito adepta do dia e odiava ter que acordar nas primeiras horas da manhã, que para mim eram aquelas que proporcionavam o melhor do sono.

Minha mente passou a vagar em um estado de letargia pura e eu acabei adormecendo novamente. Acordei com um miado baixo arranhando meus ouvidos e assim que abri os olhos encontrei minha bolinha peluda favorita tentando fazer de tudo para chamar a atenção.

Às vezes eu achava que Polainas sairia falando como uma matraca a qualquer momento, tamanho a expressividade de suas íris da cor do céu lá fora.

"Hey, amorzinho! Resolveu acordar a mamãe?" sussurrei deitando de barriga para cima para que ele pulasse em meu colo e se aninhasse, como sempre fazia desde que ainda era um filhote.

Meu gato – folgado como sempre – não perdeu tempo e como o bom felino que era, pulou na cama e caminhou sinuosamente sobre meu estômago, fechando os olhinhos quando eu cocei suas orelhas em um carinho que ele adorava.

"Bom dia, meu príncipe."

Sua resposta ao meu cumprimento foi um abanar de seu rabo felpudo e um ronronar lânguido.

"Eu sei, mamãe também está com fome. Que tal se a gente fosse pegar nosso café da manhã para tomá-lo aqui na cama?" perguntei retoricamente, pegando Polainas no colo e calçando minhas pantufas macias.

Voltei meus olhos em direção ao ser humano completamente inerte no canto direito do colchão e resolvi deixá-lo aproveitar mais algumas horas de um sono merecido. Edward estava trabalhando tanto quanto eu e durante a semana dormia tarde e acordava muito cedo no outro dia.

Ele merecia descansar em seus dias de folga.

Sai do quarto na ponta do pé e segui em direção à cozinha; Polainas deixou escapar um miado alto assim que eu o coloquei de volta no chão para abrir a geladeira em busca de algo que pudesse acalmar o monstro que habitava as profundezas de meu estômago. E que também morava na barriga de meu gato – a julgar pela maneira como ele resmungava.

"Ok, eu já entendi. Você primeiro." sibilei, me concentrando na tarefa de alimentar Polainas.

Ele passou a se enroscar na calça de meu pijama enquanto eu abria a latinha de sua comida favorita e a despejava em sua vasilha azul coral.

Assim que lhe dei o que comer, ele me ignorou completamente, encontrando no alimento a sua maior paixão. Céus, Polainas às vezes parecia tanto com Edward que chegava a assustar!

Quando a cozinha recaiu em um silêncio, eu puxei um dos bancos altos da bancada e sentei com uma enorme tigela cheia de meu cereal favorito regado com uma boa quantidade de leite gelado. Comi sem pressa, observando o céu do lado de fora pela janela pequena do cômodo. O dia parecia lindo, nada nublado e com um sol que já irradiava alto seu brilho, embora eu soubesse que o clima permanecia gelado, como era esperado para aquela época do ano.

Não demorou muito até que eu ouvisse o ruído de passos pesados vindo em direção à cozinha; Edward surgiu à soleira da porta no instante em que eu colocava minha última colherada de cereal na boca, carregando uma expressão de puro sono e olhos ainda adormecidos. Seus cabelos estavam um completo desastre, amassados daquele jeito que o deixava com cara de louco, e ele coçava o meio das pernas de forma preguiçosa. Tão sexy.

"Caralho, acho que comi frango demais ontem à noite. Estou com uma puta dor no estômago." e tão educado.

"Bom dia para você também." foi a minha resposta e ele me devolveu ao se aproximar de mim para depositar um beijo em minha bochecha. Observei-o quando puxou um banco e sentou ao meu lado, desabando o corpo sobre o tampo de mármore da mesa.

"Quer que eu prepare um chá para você?" afaguei suas costas sobre o tecido frio da camisa que ele vestia.

"Detesto chá, você sabe disso."

"E você sabe que não pode comer muita porcaria, mas sempre esquece disso. Seu olho é bem maior do que a barriga e veja só no que isso dá."

"Já tomei remédio, vou ficar bem." Edward murmurou, ainda de cabeça baixa. "Quais os planos para hoje?" ele finalmente me encarou, batendo os cílios muito longos preguiçosamente.

"Hum... pensei em ligar para Alie e me oferecer para ajudá-la com algum preparativo do casamento."

"Tédio." Edward respondeu, voltando a deitar a testa em seus braços dobrados sobre a bancada. "Bee, hoje é sábado, Alice provavelmente vai passar o dia com o Jasper e não deve nem estar ligando para o casamento." soltei uma risada ao ouvi-lo falar.

"Incrível como vocês nasceram da mesma mãe e foram criados juntos a vida inteira e ainda assim você não conhece nada de Alice. Ed, é claro que sua irmã vai dispensar Jazz hoje para passar o dia cuidando da organização da cerimônia."

"Você tem razão, Alice é suficiente maluca para fazer isso."

"Uhum." saltei de meu próprio banco e segui até a pia para lavar a louça suja. "E é por isso que eu vou ligar para ela e ajudá-la com o que precisar. Será bom passar um pouco de tempo com minha melhor amiga."

"Boa sorte. E prepare-se para enlouquecer." foi a resposta de Edward. Wow, quanto apoio moral e incentivo, nós temos aqui, pessoal!

"Por que não deixa de conversa fiada e trata de tomar café?" questionei, fazendo menção de sair da cozinha, porém fui impedida por uma mão forte segurando meu pulso.

Sem dizer uma palavra, Edward me empurrou contra a bancada de mármore e capturou meus lábios em um beijo morno e delicioso; aguçou meus sentidos e deixou arrepios por todos os cantos de minha pele. Apertei seus ombros com vontade e retribui aquilo que ele me dava, provocando um gemido de ambos.

Deus, como ele beijava bem!

"Bom dia, Bee." Edward sibilou, os lábios parcialmente colados aos meus, pontuando selinhos em meu lábio inferior inchado.

Eu sorri como uma maníaca e ataquei novamente sua boca, obstinada a deixá-lo sem fôlego.

No fim das contas ele não era assim tão mal educado.

[...]

Era começo da tarde quando finalmente consegui manter contato com Alice. Foram necessárias dez ligações e 5 SMS informando que eu estava disponível para ajudá-la, caso precisasse de mim, para que ela me respondesse via IM um simples "passo no seu apartamento às 5."

Sério, Alice precisava desacelerar ou chegaria no dia de seu casamento com uma séria crise de estafa.

"A pentelha virá aqui? Por quê isso, Bee?" foram as perguntas de Edward quando eu o informei sobre visita de sua irmã.

"Às vezes acho que você não cresceu, sabia?" ralhei, sentando ao seu lado no sofá e roubando um pouco de pipoca do balde gigantesco que ele tinha no colo. "Alie precisa de minha ajuda, pode parar de encrencar com sua irmã uma vez que seja?"

"Sem chances."

"Ah, Edward, por favor..." minha voz rolou de tédio e ele riu.

"Você tem toda razão, eu não cresci. Pelo menos, não nesse aspecto." murmurou antes de encher a boca com pipoca e abrir um sorriso traquina.

"Peste."

"Que horas o toco de gente vai chegar?" ignorou-me e voltou os olhos para a tela da TV que reproduzia o filme que ele estava assistindo quando o interrompi.

"Às 5. E quer parar de apelidar sua irmã? Ela tem nome!"

"Para mim ela é só pentelha." ele provocou e eu girei os olhos, desistindo de tentar fazê-lo mudar. Edward era do tipo moleque birrento: fazia de tudo para contrariar o quê quer que você dissesse a ele.

"Emmett e Rose ligaram avisando que talvez passem aqui mais tarde. Eles foram almoçar na casa dos pais do Emm e aproveitaram para levar Audrey para que os avós a vissem." Edward informou abrindo os braços para que eu pudesse me aninhar nele e roubar melhor as pipocas do balde.

"Oh, isso é ótimo, assim aproveito para entregar o restante dos presentes que trouxemos para Audrey. Eu sempre esqueço de levá-los quando vamos à casa de Emm e Rose." sibilei prestando atenção no filme que Edward estava assistindo.

Acabei me distraindo com o enredo e o cafuné que ele começou a fazer em minha cabeça assim que terminamos de comer toda a pipoca. Escorreguei o corpo pelo sofá e puxei a manta que sempre deixava sobre o encosto, suspirando alto de prazer. Amava passar o dia daquele jeito, com Edward enroscando os dedos em meus cabelos enquanto eu aproveitava para tirar um cochilo de leve.

"Você é tão preguiçosa." escutei-o comentar e abri os olhos, só me dando conta de que havia adormecido quando avistei os créditos rolando pela tela da TV. "Você perdeu o final do filme."

Ergui-me e lhe lancei um sorriso molenga, bocejando em seguida.

"Não tem problema, você me conta sobre ele mais tarde." Edward riu e me puxou de volta para o conforto de seus braços, distribuindo beijos em minhas bochechas até o momento em que eu desviei o rosto e ele acertou em cheio minha boca.

Seus dedos não pararam um segundo de acarinhar a curva de meu maxilar e eu suspirei contra sua língua quente, inalando o cheiro e o gosto dele que eu tanto adorava.

"Argh, por que não podemos ficar assim para sempre?" resmunguei quando ele enfim libertou meus lábios, só para morder a ponta do meu nariz.

"Nós poderíamos, mas infelizmente minha irmã pé no saco está quase para chegar."

"Que horas são?" perguntei, sentando de volta no sofá.

"10 minutos para às 5." Edward informou com um suspiro. "Vou aproveitar que Alice vai infernizar sua vida pelo resto da noite para trabalhar um pouco no quarto, ok?"

"Edward Cullen, desde quando você se tornou tão antissocial desse jeito?"

"Desde que aquele pigmeu que você chama de melhor amiga nasceu." dessa vez eu não fiz questão de parecer aborrecida pelos apelidos que ele colocara em Alice. Afinal eles eram assim desde que eu me entendia por gente e não seria justamente agora que mudariam.

Nunca entenderia aquela relação fraternal deles, para mim sempre soaria como se ambos fossem loucos, mas bem, eu não tinha muita experiência naquele assunto para opinar.

"Pode fazer o favor de apenas cumprimentar sua irmã quando ela chegar aqui?" pedi, dedilhando a curva de seu queixo que começava a espetar por causa da barba crescia. Eu amava quando ele tinha preguiça de se barbear e deixava os pelos crescerem.

"Sim, senhora."

"Obrigada." beijei-o no rosto. Ele voltou os olhos para os meus e ficou me encarando por intermináveis segundos no mais completo silêncio.

"O que foi?" perguntei começando a achar que estava com algum pedaço de milho entre os dentes.

"Não é nada, é só que... porra, Bee, como você é linda." Edward soltou em uma voz baixa e rouca me fazendo sentir calafrios por toda a base da minha coluna. Fitei-o calada e ele me lançou um meio sorriso torto, antes de se debruçar sobre mim e me beijar novamente daquele jeito lento e louco que me deixava prestes a entrar em combustão espontânea.

Fomos interrompidos pelo som alto da campainha e por pouco eu não caí sentada de bunda no chão. Edward gargalhou do meu jeito sempre estabanado, me segurando pela cintura e me colocando de volta no sofá, antes de levantar para atender à porta.

"Pentelha!" ele saudou com animação exagerada e logo em seguida escutei-o resmungar do tapa que Alice tinha lhe dado no ombro. Irmãos que não são seus, como aguentá-los?

"Hey, Alie." cumprimentei assim que avistei minha amiga, que agora travava uma espécie de batalha de socos e puxões de cabelo típicas de irmãos. Sério, até quando aqueles dois agiriam daquele jeito?

"Ai, porra, essa doeu! Hey, Bella!" ela falou sem fôlego, tentando desviar dos tapas que Edward aplicava em sua bunda. "Ok, ok, trégua!"

"Sua fracote." Edward a soltou e se afastou, avisando que estaria no quarto trabalhando em algumas fotografias. Concordei e o deixei ir, sorrindo para Alice assim que ficamos sós na sala.

"Amiga, é sério mesmo? Você quer me ajudar com a organização do casamento?" ela disparou, me olhando de forma exultante.

"Claro que sim, Alie. Afinal, que sou a madrinha dessa união, não? Ou não sou?" arregalei os olhos em fingida surpresa e ela riu.

"Óbvio que você é, sua boba. Ah, Bella, estou tão feliz! Tenho certeza de que vamos nos divertir muito até o meu grande dia chegar."

"Tenho certeza que sim."

E como sempre acontecia, eu não poderia estar mais enganada.

[...]

Conhecendo Alice como eu já a conhecia, deveria saber que ela tinha um rigoroso esquema de regras e rotinas para seguir com os preparativos de seu casamento com Jasper. Eu só não sabia que eram tantas!

Passamos mais de duas horas discutindo o que já havia sido feito e o que ainda estava pendente tanto na cerimônia religiosa quanto na recepção. Minha cabeça doía diante de tantos detalhes mínimos que para Alice pareciam vitais.

Para quê diabos ela precisava saber quantos fios as toalhas de mesa continham? Que diferença aquilo fazia?

Meus olhos estavam cansados de tanto ler páginas e páginas sobre os tipos de guardanapos para cada cerimônia de casamento, talheres, flores, velas, arranjos para mesa e etc. Isso não era um trabalho para a organização do evento?

"Alie, você não tem uma profissional para cuidar disso tudo? Noivas não precisam se preocupar com esses tipos de detalhes." comentei e ela me lançou um olhar entediado.

"Bella, estamos falando do meu casamento. É claro que eu preciso me preocupar com esses tipos de detalhes."

É, eu era mesmo uma estúpida. Estávamos falando de Alice Cullen, a garota mais milimetricamente exigente que eu já conheci na vida.

A campainha tocou e eu quase me ajoelhei no chão e agradeci aos Céus por aquela interrupção mais que bem vinda. Sai correndo pela sala, por pouco não tropeçando em meus próprios pés, e abri um sorriso capaz de rasgar meu rosto ao meio ao me deparar com Emmett, Rosalie e a pequena Audrey adormecida em seu bebê conforto.

"Que bom que vieram." murmurei aliviada, beijando Rose no rosto e tocando a face angelical do bebê que dormia um sono profundo. "Alice está na sala e Edward no quarto. Vou chamá-lo."

"Na verdade, não vamos ficar muito tempo, o dia foi cansativo e a Audrey pegou no sono então é melhor levá-la para casa antes que o clima da noite esfrie ainda mais." Emmett explicou e Rose adicionou.

"Emmett recebeu uma ligação de emergência do trabalho e precisa responder alguns emails urgentes, só que a bateria do celular acabou e com o trânsito da cidade demoraríamos para chegar em casa pelo menos uma hora. Será que você emprestar seu computador por alguns minutos, Bella?"

"É claro, Rose. Emm, pode usar o computador da sala ou o Ipad do Edward que está ali na cozinha." informei.

"Valeu, Bells, eu realmente preciso responder esses emails com urgência."

"Fique a vontade, Emm." falei ao vê-lo ligar a tela enorme do Mac que ficava na sala. Corri para o sofá e sentei ao lado de Alice e Rosalie, que àquela altura haviam engatado um papo sobre a fofura de Audrey, que ressonava como um anjo na cadeirinha.

"Ela é tão perfeita. Olhe só para essas perninhas gorduchas e para esses dedinhos de bolinhas? Deus, que vontade de mordê-los!" Alice sussurrou, dedilhando os pés de Audrey, fazendo Rose e eu sorrir.

Levei um susto quando me voltei para Emmett e o notei pálido, nos fitando como se tivesse acabado de ver um fantasma.

"Emm, o que houve, querido?" Rose questionou e ele apenas apontou para atrás de si, na direção da tela do computador. Franzi o cenho e ergui-me, sendo seguida por Alice e Rosalie.

"O que aconte- oh meu Deus!" Rose exclamou, estancando no meio do caminho. "Bella, isso é... é o pau do Edward na tela?"

"O quê? Como?" perguntei ingênua, sem entender o que estava havendo. Apenas quando meus olhos se voltaram para a tela eu pude constatar o motivo de tamanho susto.

Meu rosto ficou subitamente branco, para então passar para um vermelho intenso até parar em um roxo. Branco de espanto, vermelho de vergonha e roxo de raiva.

"Wow, eu não sabia que vocês gostavam desses recursos visuais para apimentar a relação." Alice comentou casualmente e eu fechei os olhos com força diante da minha imagem ajoelhada aos pés de Edward, chupando -o enlouquecidamente, reproduzida no monitor gigante do computador.

Oh, meu Deus e os gemidos? Como ignorar os ruídos constrangedores que escapavam das caixinhas acústicas?

"Levei um susto ao ver o pau do Edward literalmente saltando na tela, mas.. wow, Bella, wow." Emmett brincou e eu avancei no teclado do computador, tentando de todas as forças tirar aquela cena tão íntima dali.

"Calma, Bells!" Emmett pediu quando eu praticamente me joguei sobre ele para tentar alcançar as teclas certas para apagar o vídeo. Porém, meus dedos pareciam fora do controle, pois eu não conseguia encontrar o atalho certo para fazer sumir a porcaria do arquivo.

"Desliga essa merda agora, Emmett! Desliga AGORA!" estava descontrolada e parecia que meu corpo tremia da cabeça aos pés.

"Ok, ok, estou desligando-"

"AGORA, Emmett!"

"Bella, se acalma, não é nada demais." Rose tentou garantir e eu cerrei os punhos, lívida por conta da vergonha e da aparente tranquilidade com a qual eles pareciam lidar com o fato, a despeito do choque inicial.

"Calma? Como você quer que eu tenha calma diante de uma situação dessas?! É a minha boca no pau do meu namorado que está sendo exposta na porra da tela do computador!"

"Bells, é sério, não precisa ficar assim-"

"Eu vou matar Edward." sibilei, ignorando meus amigos.

E de repente nada mais me importava a não ser uma decisão: acabar com o meu namorado.

[...]


Tsc, tsc, menino Edward, como você filma Bellinha desse jeito e ainda deixa o video na área de trabalho do computador para todo e qualquer ser humano curioso ter a chance de bisbilhotá-lo? Ai, gente, já tenho até pena do que a Bee vai fazer com o Ed, do jeito que ela está atacada. hahahaha

E então, o que acharam? Gostaram, odiaram, acharam uma porcaria e não querem nunca mais ler nada do que eu escrevo?

Sejam boazinhas comigo, por favor, se precisar mintam dizendo que gostaram, vai fazer meu coração se sentir melhor. hahahaha

Brincadeiras a parte eu me sinto extremamente feliz em poder vir aqui e upar capítulo novo de LB pra vocês. Dá um calorzinho bom no lado esquerdo do peito hahaha

Agora façam a pessoa aqui feliz e comentem suas impressões sobre o capítulo. E diante dessa última cena do capítulo eu solto a questão: qual situação mais constrangedora que vocês já passaram na vida?

Espero as respostas de vocês, bem como as reviews.

É isso,

beijo, beijo,

Cella.