Disclaimer: RG Veda não me pertence. Faço este fic sem fins lucrativos, apenas por diversão.

Olhares Perdidos

Por: Mitzrael Girl

Kisshouten levantou-se cedo, e como era de costume, já havia três criadas ali para lhe ajudarem a tomar banho, trocar de roupa, pentear os cabelos, levá-la para o seu café da manhã, escoltá-la o resto do dia pelo palácio e qualquer lugar onde ela quisesse colocar os pés, até voltar ao quarto, se preparar para dormir e fechar os olhos, fingindo que tivera mais um dia feliz. Teria, se ao menos aquela pessoa estivesse ao seu lado quando ela acordasse. Ele nunca estava lá para ela, estava sempre tão distante… mesmo que fosse seu marido, nem mesmo ser o general de Taishakuten deveria mantê-lo tão longe por tanto tempo… eles sequer compartilhavam o mesmo quarto.

Desde o dia que descobrira que seria prometida em casamento ao general Bishamonten, achava que seria ainda mais feliz, afinal, era com ele que desejava estar o resto da vida. Não era isso que sentia desde aquele dia… todo dia que acordava e só o encontrava quando conversava com o imperador, era ainda pior porque ele sempre parecia tão distante. Nunca conseguia apenas uma chance de conversar a sós com ele. Mas era fácil imaginar que ele não a queria, e que só tinha se casado por obrigação com o imperador.

Ela queria ser feliz apenas por tê-lo ao seu lado, mas nem isso conseguia. Seu peito apenas sentia dor o tempo todo, sofria de cabeça baixa, sequer conseguia encará-lo nos olhos, com medo de descobrir que ele realmente não a queria.

– Kisshouten-sama? – já devia ser a terceira vez que a criada a chamava. – Não está com fome?

– Não. – Kisshouten se levantou.

Imediatamente, as três mulheres seguiram o passo dela, Kisshouten parou no mesmo lugar, e virou-se para as mulheres.

– Quero ir para os meus aposentos. Não me sigam. – disse, e as três se curvaram e começaram a dar passos para trás.

Kisshouten andou na direção da saída da sala. Não queria mais ninguém ao seu redor. Se não conseguia que ele ficasse perto de si, não queria mais ninguém. Andou a passos mais rápidos e saiu da sala, pegando o corredor para voltar ao seu quarto. Precisou parar de súbito ao ver aquela armadura vermelha bem diante de si. Precisou levantar os olhos para encará-lo… ele tinha a mesma expressão rígida de sempre, e os olhos frios e distantes.

– Kisshouten-sama. Não devia estar com suas criadas? – foi a única coisa que ele falou.

– Bishamonten… General. Estou indo para meus aposentos. – ela respondeu, e precisou desviar os olhos dele, com a forte dor em seu peito. – Perdão por entrar em seu caminho.

Ele não falou mais nada, ela apenas ouviu os passos dele se distanciando no corredor. Levou a mão ao rosto para conter os soluços e continuou seu caminho ainda mais rápido até seu quarto. Não adiantava, por mais que tentasse, ele jamais olharia para ela como uma real esposa, nunca a amaria. A única coisa que restava era viver com aquele sentimento de dor em seu peito. Não podia mudar aquilo, jamais.