Summary: Eles já se conheciam há muito tempo, passaram por muitas coisas juntos. Era a vez de seus filhos viverem suas próprias aventuras.


I don't wanna be your friend (Eu não quero ser seu amigo)

Nina estava no quarto, terminando de ajeitar o cabelo. Cantarolava algo baixinho e parecia realmente feliz. Depois de seis meses, ia rever seus amigos. Ayu e Tetsushi tinham se mudado para a Itália por causa do trabalho, mas não era nada permanente. E naquele dia, eles estavam voltando para o Japão. Nina e Hiroki tinham se oferecido para buscá-los no aeroporto, mas o casal recusou, dizendo que queria fazer uma surpresa aos amigos quando voltasse.

Tirando Nina de seu transe, alguém bateu na porta. Ela rapidamente desviou o olhar para ver quem era, encontrando Hiroki apoiado no batente com uma expressão serena. Ele sorria e seus olhos pareciam ter um brilho diferente. Nina sabia que ele também estava animado, apesar de não demonstrar.

- Ansiosa? – ele caminhou calmamente até onde Nina estava e a abraçou pela cintura.

Em resposta, ela alargou o sorriso e o abraçou de volta. Os dois estavam ansiosos com a volta dos amigos e era difícil esconder. Ficaram daquele jeito por pouco tempo, pois uma garotinha de quase dez anos apareceu correndo, chamando pela mãe. Nina se soltou de Hiroki e pegou a criança no colo.

- Mamãe…! – a garota parecia a ponto de chorar.

- O que foi, Mei? – Nina tentava acalmar a criança em seu colo.

Mei era a filha de Nina e Hiroki, casados há quase treze anos. A garota tinha o cabelo comprido e liso, tão escuro quanto o do pai. Já os olhos pareciam-se com os da mãe, assim como a personalidade animada e sensível da garota. Era a perfeita mistura dos dois.

- O Leo foi mau comigo de novo…! – e então a garota passou os braços em torno do pescoço da mãe e escondeu o rosto, começando a chorar.

Hiroki suspirou.

- Eu vou lá falar com ele, tente acalmar a Mei. – e com um sorriso preocupado no rosto, o moreno saiu do quarto.

Nina sentou na cama, ainda com a filha no colo, e começou a passar delicadamente a mão pelo cabelo escuro da garota, tentando acalmá-la. Aquilo geralmente funcionava, mas em algumas raras vezes, deixava Mei com mais vontade de chorar. Ao longe, era possível escutar a conversa de Hiroki com Leo.

- O que você fez com a Mei, Leo? – Hiroki tinha um tom preocupado e severo.

- Eu não fiz nada, ta? Ela que veio mexer nas minhas coisas. – o gato parecia não ligar para a situação.

- Ela é só uma criança. Tem curiosidade por tudo e você sabe. – era perceptível que Hiroki se controlava para não elevar muito a voz.

- Mas eu cansei dela mexendo em tudo, especialmente no que é meu…! – Leo parecia uma criança falando.

- Leo, se continuar a deixá-la naquele estado, vamos ter que te manter fora de casa. Você tem que se esforçar para se dar bem com ela. – o tom de Hiroki era severo.

Leo apenas miou em resposta.

Nina estava com o olhar distante. Era sempre a mesma coisa, mas ainda assim Leo insistia em não se dar bem com Mei. Talvez fosse apenas ciúme, mas aquilo estava passando dos limites. Por mais que não gostasse da ideia, Nina o deixaria vivendo no quintal se a situação continuasse daquele jeito.

- Mamãe… – a voz de Mei fez com que Nina se virasse para a garota – Por que o Leo não gosta de mim…? Eu gosto dele, mas ele não gosta da Mei… Por que…?

- Ele deve estar com ciúme, mas isso passa… Ele gosta de você, tenho certeza. – Nina sorriu de canto. Realmente achava que era o que acontecia.

- Ciúme…? – Mei tinha um tom triste, mas parecia melhor.

- É. Ele era o único que recebia atenção antes de você nascer, então deve ter começado a achar que eu e seu pai não gostamos mais dele e preferimos ficar com a nossa filhinha linda. – Nina ajeitou o cabelo da filha e tinha um tom mais alegre, tentando animar a criança.

- Ah… Então se Mei der mais atenção para o Leo, ele vai deixar de ter ciúme…? – Mei afastou o rosto da mãe, permitindo-se olhá-la nos olhos.

- Eu acho que sim. – Nina deu um sorriso alegre. Mei realmente queria se entender com o gato.

Hiroki tinha apenas observado a conversa das duas depois de falar com Leo. Gostava de ver a filha se esforçando para se dar bem com os outros, assim como Nina fazia quando se desentendia com alguém Aquela semelhança entre mãe e filha deixava Hiroki mais alegre e calmo. Se fossem muito diferentes, poderiam brigar muitas vezes quando Mei crescesse.


Aeroporto, 15h00

- Vamos logo, Tetsushi! – Ayu estava pondo as malas no táxi, parecendo animada. Tinham acabado de chegar ao Japão e ela queria reencontrar os amigos.

- Quanta animação, Ayu! Isso que você estava toda deprimida no avião. – Tetsushi parecia achar graça.

Então Ayu pareceu notar algo.

- Cadê o Kyo? – ela olhava ao redor, parecendo preocupada.

- O Kyosuke estava logo atrás de mim. Aliás, foi ele que fez com que eu ficasse para trás… Onde será que ele se meteu…? – Tetsushi não parecia tranqüilo também.

De repente, um garotinho de doze anos apareceu ao lado de Ayu, assustando-a. Ele tinha os olhos iguais aos de Ayu, o cabelo meio comprido de um tom entre o de Tetsushi e Ayu. Parecia bastante animado e sorria divertidamente com a reação da mãe.

- Não faça isso, Kyo… Você sabe como sua mãe é instável às vezes. – Tetsushi se esforçava para não rir, enquanto também tentava parecer sério.

- Kyosuke…! – quando se recuperou, Ayu ficou com um ar sombrio.

- Estão prontos? – o taxista apareceu perto do trio, estranhando a demora da morena para pôr as malas no carro.

- Ah, sim. Estamos. – Ayu, tão repentinamente quanto tinha ficado com a aura assassina, havia voltado a seu estado de animação anterior.

- Então entrem logo para eu poder levá-los. – o taxista deu meia-volta e entrou no carro.

Ayu e Tetsushi estavam casados há quase catorze anos e muitas vezes tinham que viajar a trabalho. Por conta disso, Kyosuke acabou se tornando uma criança travessa. Com os pais lhe dando pouca atenção por conta do trabalho, ele sempre fazia de tudo para que pudessem passar algum tempo juntos, independentemente de como. Não só isso, como Kyosuke também sabia falar um pouco de várias línguas diferentes, já que freqüentava uma escola nova para cada país ao qual a família ia.

Era por isso que não conseguia chamar o Japão de "lar", como os pais. Para Kyosuke, era apenas mais um dos países que visitaria em sua vida.

- Está tudo bem, Kyosuke? – Ayu tinha reparado no ar distante do filho.

- Eu não quero ir para lá. – o garoto parecia emburrado com alguma coisa.

- Não quer ir para onde? Para a casa da Nina? – Tetsushi pareceu estranhar. Ele não costumava se recusar a fazer essa visita sempre que voltavam ao Japão.

- É. Eu já cansei. – Kyosuke parecia cada vez mais distante.

- Aconteceu alguma coisa para você estar assim…? – Ayu parecia bastante preocupada.

- Aquela garota… Ela me irrita. – Kyosuke não tinha um tom de desgosto na voz, mas sua expressão delatava o que estava sentindo.

Ayu e Tetsushi se entreolharam.

- Está falando da Mei? – o garoto concordou de leve com a cabeça, então Tetsushi continuou – Por que não gosta dela, filho? Vocês pareciam se dar tão bem.

- Ela é muito mimada. Tudo que ela quer, os pais fazem. Ela acha que vive um conto de fadas e isso me irrita. – Kyosuke franzia a sobrancelhas cada vez mais conforme falava.

Ayu sorriu de canto, parecendo entender. "Ele está com ciúme porque Nina e Hiroki não são tão ocupados com o trabalho…"

- Não fale assim dela, Kyo… São vidas diferentes que vocês levam e eu entendo que isso acabe te deixando meio irritado, mas ela é uma garota muito legal e tenho certeza de que vocês podem se dar bem. A mamãe também vai se esforçar para que você não fique tão sozinho daqui para frente, mas prometa que vai tentar ser amigo da Mei-chan, ok?

Kyosuke pareceu se animar um pouco, mas tentava não mostrar.

- Ok.


N/A: Eu fiquei meio triste por ter acabado Ultramaniac e por isso decidi fazer uma fic. Vocês já devem ter notado, mas ela se passa vários anos depois de Nina ter voltado da Escola Etruria. Vão aparecer uns personagens novos por causa disso, mas também vão aparecer os do mangá, então não se preocupem! Qualquer coisa, podem mandar reviews, mesmo algo como "Quem raios é o fulano?!", eu respondo em uma N/A no começo do capítulo que for postar. Espero que gostem!