Capítulo 4.

Dois meses depois.

O Princeton-Plainsboro Teaching Hospital teria uma festa de arrecadação de fundos, a qual Lisa organizou impecavelmente. Foi uma semana corrida para ela e House ajudou-a como podia, mesmo tendo seus dias de plantões por causa de seu paciente; sempre que possível, ele ficava com Rachel e evitava dar trabalho, apesar de seu interior clamar por atenção.

O grandioso dia finalmente chegou, mas ainda era cedo e Cuddy espreguiçava-se em sua cama completamente exausta das noites mal dormidas revisando listas, documentos e derivados da festa. O humor do médico encontrava-se limitado por ser proibido de cobrar qualquer coisa dela durante esse período, no entanto ao despertar recordou das exatas palavras dela: "Por favor, Greg... Nesse dia, realizo até dois pedidos seus; e não pense relacionar com nossos empregos!". Com esse pensamento, o homem deslizou pelos lençóis e repousou sua mão na cintura da médica, aproximando seus corpos.

"Já conheci muita gente

Gostei de alguns garotos"

- Hum... Bom dia... – House sussurrou escorregando sua mão para as costas dela, subindo e depois descendo até as nádegas onde decidiu dar mais atenção; realizou quase uma massagem pela forma que afagou a região demoradamente.

- Bom dia... – A camisola lilás de seda da diretora pareceu subir cada vez mais com aqueles carinhos. – Não ouse! – Ela soltou um leve gemido quando sentiu os toques ficarem mais quentes e direcionarem-se das nádegas para sua virilha. – Greg...

- Ah, Lisa. Mais alguns dias assim e eu viro um padre!

Em instantes a médica deixou apenas um vazio preenchido por tecidos ao reparar as horas marcadas no despertador.

- Desculpe-me, querido. Estou atrasada; vou só tomar banho, sozinha, e me arrumar para sair. Talvez com um pouco de sorte, eu tome café da manhã com vocês. – Seu tom de voz foi diminuindo ao entrar no banheiro.

- Eu estou tão carente nessa cama gigante e macia... – Ele precisou gritar, disputando com o som do chuveiro ligado. – Se bem que água é mais refrescante. – Falou tão baixo, quase inaudível, e levantou-se seguindo o mesmo trajeto dela.

As tentações provocadas por ele eram constantes durante toda a semana de preparativos, qualquer mulher jamais resistiria tanto, mas ela era Lisa Cuddy. Apesar de House ser insistente e saber como despertá-la apenas com um olhar, sua palavra continuaria sempre valendo.

House foi expulso do cômodo apenas com um alerta visual dela, por sorte ela não reparou a ausência do alarme do despertador que foi desligado por ele e também não pudera sequer reclamar, estava na hora exata de se levantarem e não havia preocupação com Rachel que fora passar o final de semana com a avó.

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"Mas depois de você

Os outros são os outros"

A endocrinologista fez seu ritual rotineiro ao chegar ao hospital, checou os recados e foi para a sua sala. Tudo parecia normal. Ela adentrou no escritório e removeu o casaco, mas foi surpreendida por braços circundando sua cintura por trás e beijos no pescoço.

- Você não desiste mesmo. – O contato foi agradável para ambos e um sorriso brotou em seus lábios. O corpo dela também pediu aquele contato permitindo por um tempo essa aproximação.

- Nunca! – E ela foi completamente tomada pela situação inclinando a cabeça para trás permitindo mordiscadas na região. – Eu sei que você quer. – Ele a virou para si e tomou seus lábios com voracidade. – Eu... Só... Preciso... Disso! Hum... Agora! – Greg falou enquanto girava-a para trancar a porta e dirigia-a para o sofá no outro lado da sala.

- House! – A médica empurrou-o no sofá e foi à sua mesa dando a volta nela. – Se comporte hoje, só mais esse dia... – Forjou um aspecto de cansaço que não o convenceu enquanto ajeitava sua roupa.

- Se me lembro bem, Doutora, seu pedido teve validade vencida ontem. "Quando esse dia chegar..." Suas palavras foram claras! – Discursou rodeando a mesa e indo ao seu encontro.

"Ninguém pode acreditar

Na gente separado"

- Interpretação barata, essa! Eu falei isso pensando no momento depois do evento... Em casa... No nosso quarto... Agora estragou minha surpresa! – Ela fingiu um desapontamento abraçando o pescoço dele e diante de seus braços, com uma distância perigosa entre suas bocas.

- Você preparou algo para a noite? – Gregory levantou uma sobrancelha e Cuddy sentiu uma leve excitação nele pressionando seu corpo e deixando-a constrangida por ser a responsável dessa situação.

- Sim e não. – Sua mão desceu e deslizou sobre o volume em evidência provocando ondas de prazer no infectologista. – Eu lembro muito bem o que falei, doutor. A noite ficará por sua conta. Dois pedidos... – Sussurrou em seu ouvido as últimas palavras. – Agora, trate de voltar ao serviço! Eu tenho muito trabalho para a festa.

Algumas horas se passaram sem que ela se desse conta; estava muito ocupada lendo e assinando mais e mais papeladas. Porém, um incômodo afligiu-a repentinamente como se tivesse esquecido um compromisso, mas absorveu essa idéia quando ouviu batidas na porta; era sua secretária.

- O Dr. House pede consulta na sala de RMN.

"Estava demorando... Sabia que tinha algo errado." Com esse pensamento assentiu com a cabeça e partiu para o local.

Lisa encontrou House sozinho dentro da sala de observação, sem paciente ou alguém da equipe dele. Aquilo era só mais uma brincadeira. Às vezes Cuddy pensava como ele abusava tanto da sorte ou da paciência dela, no entanto, isso tudo fazia parte de um jogo, o jogo deles.

- Olha só quem veio visitar a sala de RMN. – O médico estava confortavelmente apoiado sobre a cadeira. – Saudades? Eu sei que sou irresistível, charmoso... – Ao proferir tais palavras, Gregory levantou-se e aproximou-se de Cuddy.

- Não é hora para piadinhas, House. O que você quer... – As palavras foram abafadas quando suas bocas encontraram-se travando uma batalha.

"Eu tenho mil amigos mas você foi

O meu melhor namorado"

- Eu não terminei de falar! Gostoso, delicioso... – Com um dedo sobre seus lábios Lisa o calou.

– Desse jeito vou demitir você! – Ela soou extremamente sexy, deixando-se completamente absorto de qualquer atitude. – Volte para a clínica se ainda não conseguiu um novo caso.

- Não esqueça! O assedio vem de você, chefa! – E assim ele mancou em direção à porta.

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House estava em pé no meio do hall de entrada do hospital segurando a ficha de mais um dos pacientes da clínica; não queria estar ali, porém por mais que odiasse cuidar de doenças fúteis, precisava de algum passatempo para se distrair até que anoitecesse e pudesse ter então a sua preciosa recompensa pela torturante semana a qual Cuddy havia proporcionado-lhe.

Seu estômago avisou que era hora do almoço, no entanto sua atenção foi dissipada da pasta azul escuro a qual estava em suas mãos para um magnífico e conhecido corpo o qual passava pelo saguão. Sem se importar com mais nada, jogou a ficha do paciente sobre as outras amontoadas nas mãos de uma enfermeira quem atravessava sua frente e seguiu apressadamente a administradora do PPTH em direção ao elevador, pondo sua bengala de modo que o impedisse fechar-se. House aproveitou o elevador praticamente cheio para posicionar-se atrás da diretora, que pôde sentir o corpo do infectologista colado ao dela e a respiração quente do mesmo sobre o seu pescoço.

A endocrinologista suspirou e tentou manter o controle perante o provocante ato do médico de aproximar seus lábios macios da orelha dela, deixando o resto do seu corpo fervendo por estar em contato com aquele tórax bem definido apesar de estar coberto pela camisa. Quando o médico finalmente tocou o ouvido da mulher com seus lábios, ela se sentiu estremecer; pesou em afastar-se antes de cometer uma loucura diante de tantas pessoas, mesmo não havendo espaço suficiente para tal ato. Então, Lisa respirou fundo e tentou, inutilmente, pensar em qualquer outra coisa, menos no corpo daquele homem empresando-a na parede do elevador e em seus lábios sedentos roçando ferozmente contra os dela. Os pensamentos foram interrompidos por uma sutil mordida e o toque de uma língua quente a fez esquecer-se de como respirar.

- Onde minha chefa predileta está indo? – House indagou aproveitando a distração dela com todos aqueles contatos físicos que a deixavam desnorteada.

- Na sala do Wilson, me acompanhe! – Conseguiu juntar apenas essas poucas sílabas perante seu notável descontrole respiratório.

- Isso foi um pedido ou uma ordem? – Falou alto sendo docemente irritante. - Oh, não diga que é um fetiche seu... – Terminou sua frase revirando os olhos.

"Procuro evitar comparações

Entre flores e declarações

Eu tento te esquecer"

Felizmente sua resposta foi impedida pelo alerta da chegada ao andar correspondente, abrindo em seguidas as portas. Eles saíram tomando rumo ao escritório do oncologista. Sem perder o hábito, Gregory faz sua entrada inusitada esboçando para ela uma mancha de cavalheirismo e surpreendendo o amigo.

- Espero não estarmos atrapalhando uma de suas ligações conjugais. Ou seria ex-conjugais?

- Algum problema, Lisa? – Ignorou o comentário de Greg por mais inofensivo que tenha soado.

- Sim. Quero saber de qual dos dois partiu a idéia de chamar um grupo de dançarinas para a festa de arrecadação. – Colocou uma mão na cintura enquanto a outra atirava uma pasta com uma nota cobrando um serviço desconhecido.

- Ah, ela está falando de suas amigas, Wilson. – Debochou apoiando-se na poltrona de frente à mesa e repousando seus pés no braço da mesma, ficando deitado.

- House! – Pegou a nota no meio dos outros documentos. – Resolva isso logo e não quero mais ouvir falar nisso.

- Mas mãe, é só uma apresentação rápida e o grupo é profissional. – Pensou estar sendo realmente convincente com a sua expressão carente.

- Nem pensar! Eu sou a diretora e não vou permitir tal insanidade. – Tratou-o como criança, abaixando-se para ficar na mesma altura e diminuindo o tom de voz. - Se insistir, duplico suas horas na clínica por um mês. – Levantou direcionando-se a saída.

- Posso começar a pagá-las aqui mesmo... – Mudou sua entonação para soar sensual em provocação vendo-a sair do seu campo de visão.

- Meu Deus! Arrumem um quarto! – O amigo que assistia a cena esboçou uma careta em aversão.

- Cala a boca, Wilson. Vamos, já sei onde você vai me pagar o almoço de hoje. - Sem discutir, o médico recolocou o paletó em si e pegou seus pertences seguindo o infectologista.

Até o anoitecer, o jogo entre o casal de médicos não mudou; Greg importunou-a por mais algumas vezes. Lisa parecia reclamar em todas, no entanto, ele a conhecia e sabia muito bem quando seu corpo pedia o contrário.

Desde os dias turbulentos que tivera com a passagem do investigador em sua vida, as coisas pareciam piorar; Gregory sempre foi uma pessoa difícil de lidar, especialmente quando o assunto envolvia emoções, e junto com essa inconstância havia também suas dúvidas sobre esse relacionamento dar certo. Demorou mais de semanas para assumir a si mesma estar perdidamente presa a esse sentimento adormecido por anos e algumas mais para os dois conseguirem manter uma estabilidade juntos.

Esse evento estava sendo preparado com tanta dedicação e no fundo ele simbolizava mais que alguns milhões ao patrimônio de Princeton; significava um momento para comemorar a sua felicidade.

"A minha vida continua

Mas é certo que eu seria sempre sua

Quem pode me entender

Depois de você, os outros são os outros e só"

- Megan, separe os documentos mais urgentes e leve-os a minha sala. Em alguns minutos estarei saindo. – Lisa dirigia-se a sua secretária; ela não agüentava mais a parte burocrática e precisava sair mais cedo para pôr seu plano em prática.

– Não há mais documentos com tanta urgência, Doutora. Ah, já remarquei suas reuniões de amanhã para outra semana. Tenha um ótimo final de semana Dra. Cuddy! – Por mais automática que ela soasse, a médica sabia perfeitamente da eficiência e gentileza dela.

- Oh, obrigada. – Um sorriso brotou na lateral de seus lábios; ela havia esquecido este pedido. A diretora seguiu o rumo de seu escritório, mas retornou como se lembrasse de algo. – Se o Dr. House aparecer a minha procura, diga-o para não se preocupar, chegarei na hora certa para irmos juntos.

Seria realmente interessante o "amanhã", afinal teriam um sábado e um domingo com ambos livres de responsabilidades. Cuddy havia pensado em uma viagem, chegou a planejá-la, mas conhecendo House achou melhor deixar com ele a programação... Haviam ainda os dois pedidos. A administradora arrumou seus pertences e partiu do hospital para preparar-se, mas sua residência estava fora de cogitação, então seguiu à casa de sua irmã a quem confiou a tarefa de preparar todo o seu figurino.

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O infectologista, ao saber de sua misteriosa saída, sentiu ainda mais vontade de encontrá-la; procurou-a em casa e nos telefones imagináveis... Nada.

"O que deu nessa mulher?" Foi a última coisa a pensar quando se deu conta de estar em cima da hora; precisava arrumar-se e, apenas neste momento, lembrou de um detalhe: sua roupa.

Gregory tomou o celular em suas mãos para mais uma ligação; iria resolver isso ou sua noite estaria estragada. Ao discar os primeiros números, rolou seus olhos pelo lugar – o quarto de Cuddy – e notou um 'black tie' a sua espera; largou o aparelho sobre a cama.

"Sempre pensa em tudo..." Observou antes de ir ao encontro da vestimenta; casaco curto com lapelas em cetim e as calças com laterais no mesmo material da lapela, faixa, camisa branca, meias e laço pretos de seda e sapato clássico preto, de verniz.

"Ding, Ding" – A campainha tocava insistentemente.

- Já vou! Já vou! – O grito dele demonstrava impaciência pelo atrapalho com os últimos retoques e por não saber o paradeiro da endocrinologista. – Mas que inferno! Será que a Lisa não conhece pessoas educadas? – Resmungou indo em direção a porta e parou ainda nas escadas quando a mesma abriu-se.

- Está pronto? – Ela pausou para verificá-lo. – É, acertei no tamanho! Agora vamos, está na hora.

"São tantas noites em restaurantes

Amores sem ciúmes

Eu sei bem mais do que antes"

House não conseguia mover um músculo; a administradora estava deslumbrante e paralisou-o com sua chegada inesperada. O som característico da gargalhada dela ecoou pela casa.

O seu vestido era longo de coloração azul marinho, justo ao seu corpo e preso ao pescoço por finas alças; possuía duas pequenas fendas centralizadas a partir do busto em direção a sua barriga e outra abertura maior com detalhes à altura da coxa indo até a ponta inferior do traje - possibilitando uma melhor visualização de suas belas pernas torneadas - todas circundadas por pedras brilhantes discretas iluminando-a juntamente com as constadas no par de brincos e na pulseira. A mulher portava jóias delicadas. A maquiagem causava uma suavidade para quem a mirasse; um pouco de vida foi dada as suas maças rosadas e uma cor de pele empregada aos lábios, no entanto, uma de suas características foi bem destacada, o delineador aplicado realçou bem o seu olhar que focava a pessoa no recinto. E de forma elegante continuou sua passagem com seu salto alto segurando uma bolsa de mão de tonalidade escura indecifrável pela entrada até o seu destino: House.

- Eu agora não penso em sair tão cedo. – Ele a enlaçou pela cintura podendo se perder em seu perfume ao fazer menção de beijá-la nos lábios, mas seguir a aproximação ao seu ouvido. – Podemos pular para a parte mais interessante.

- Muito engraçadinho. – Ela ajeitou seu laço para depois passar seus braços pelo ombro dele no qual uma mão repousou na nuca enquanto a outra acariciava seu rosto. – Estava com saudade.

- Diga isso para o Little Greg, se um dia ele perdoar você, claro. – Revirou os olhos.

- Não acredito nessa mágoa e, ainda que tenha, posso fazer as pazes com os 'dois pedidos'. – Fez uma pausa alisando seu tórax e lançando uma expressão perigosa pela curta distância até o quarto. – Mas, por hora, nós só temos uma linda festa para desfrutar. Pronto?

- Posso dizer não? – E sua resposta foi omissa ao ser praticamente arrastado ao automóvel dela.

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A festa deu início; o palco, bem como o salão inteiro, estava admiravelmente organizado e a iluminação realçava ainda mais a decoração que retocava o local com um pouco de formalidade acrescentando um aspecto agradável. Os investidores começavam a estabelecer seus lugares e a música ambiente descontraia o momento.

No entanto não demorou muito para começarem a chegar: Wilson devidamente acompanhado por uma mulher morena e de bela afeição, Treze com Foreman e Chase e Taub ao lado de sua esposa. Todos muito bem vestidos para a elegante festa que havia sido minuciosamente preparada pela competente diretora do hospital.

O brilho da beleza deles pareceu ofuscar diante do belo casal que agora adentrava no salão - com os braços entrelaçados - repleto de gente.

- Essa é a parte em que as garotas se jogam aos meus pés e imploram para ficar com o galã aqui. – Esboçava um sorriso vitorioso ao estar acompanhado pela dama mais bela e em destaque.

"Sobre mãos, bocas e perfumes

Eu não consigo achar normal

Meninas do seu lado"

- Não, nessa parte você me acompanha à alguns investidores importantes e se comporta como um cavalheiro durante o resto do evento para poder ter sua recompensa mais tarde. – Falou enquanto acenava para alguns convidados.

- Ah mãe, por favor, me deixa brincar com as outras crianças, pelo menos enquanto os gêmeos não estiverem disponíveis.

- Ou você os espera ou não os terá nunca mais. – Sua falsa irritação transpareceu com um aperto dado no braço dele sem perder o sorriso no rosto.

- Eu fui um bom menino, me comportei direitinho, agora quero o meu presente.

Lisa sorriu maliciosamente e deu um passo a frente do homem, ficando de frente para ele.

- Sim, você foi um bom menino. - Enlaçou o pescoço dele com seus braços. - Mas para ganhar o presente, precisa se comportar um pouquinho mais! E... - Olhou rapidamente para os lados como se analisasse o olhas das pessoas a volta deles. - Caso você me obedeça, receberá um enorme presente! - Sorriu ao colar seus corpos e roçar seus sexos; imediatamente a excitação nasceu no membro de House, tornando-se perceptível não só a Lisa, como a todos.

- Jogo sujo!

- Vai me obedecer? - Riu pressionando mais seus quadris.

"Eu sei que não merecem mais que um cinema

Com meu melhor namorado"

- Unhum... - Respondeu em um gemido baixo.

- Então comece controlando o garotão para que possamos executar nosso papel de anfitriões na festa! - Piscou e afastou-se, seguindo em direção a alguns investidores.

Após sua notável chegada, a administradora realizou os devidos cumprimentos seguiu ao palco.

- Senhores e senhoras, Boa noite. - Lisa começou o já rotineiro discurso em agradecimento aos presentes e sorrateiramente lançava olhares para House que a admirava discursar eloqüentemente.

O foco do homem estava em nada mais além de Lisa Cuddy; estava deslumbrante sobre o palco. Um sentimento o tomou por completo, era uma espécie de conforto ao vê-la com ele, chegava a soar como um ato de vulnerabilidade, House jamais foi de tanto sentimentalismo. Foram muitos anos distantes ou brigando e em apenas meses tudo mudou, ela tinha se tornado a pessoa mais importante do mundo. E o mais engraçado era o fato disso tudo não o assustar, muito pelo contrário, o deixava extremamente feliz.

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- Nem acredito que tudo foi tão perfeito! - Suspirou Lisa ao jogar-se na cama, exausta da cansativa semana, porém deslumbrada pelo resultado da festa ter superado suas expectativas.

- Aham... - House sorriu deitando-se ao lado dela e cheirando seu pescoço, provocando-lhe arrepios. - Agora que finalmente acabou...

- Eu sei, eu sei! Seus dois pedidos! - Interrompeu-o com um sorriso deslizando sua mão pelas costas. - Prefere que eu comece pelo strip ou pelo "banho" de leite condensado. – Riu se divertindo com a situação.

Gregory sorriu e sentou-se na cama, guiando-a a fazer o mesmo. Com movimentos lentos, o homem retirou uma caixa de veludo de baixo do travesseiro e abriu-a rapidamente enquanto fitava a mulher. Os olhos de Lisa brilharam ao contemplar o lindo colar de diamantes sobre o veludo avermelhado. Depois de alguns segundos, a médica conseguiu sussurrar:

- É lindo... Mas... Greg, o que isso tem haver com os dois pedidos? – Arqueou a sobrancelha confusa.

- Lisa, eu nunca fui bom com palavras e o romantismo parece sempre passar longe de mim. – Riu e correu as mãos pelos seus curtos cabelos. – No entanto, desde que te conheci e finalmente te tive, como minha amada, eu comecei a acreditar no poder desse sentimento. Nosso amor foi capaz de me fazer mudar, Lisa!

Cuddy abriu a boca para falar algo, mas ele a interrompeu.

- Eu nunca acreditei na eternidade de um relacionamento e, para mim, o casamento é uma forma irracional de dizer que a pessoa é obrigada a ser sua nem que seja apenas aos olhos de uma sociedade superficial. Tentei experimentar essa "tortura" – Riu se ajeitando na cama para voltar a fitá-la. – E tenho as piores lembranças possíveis dessa época e da pessoa com quem vivi: Stacy.

"Procuro evitar comparações

Entre flores e declarações"

Ouvir o nome da ex-mulher dele incomodou-a sendo refletido para ele pela expressão demonstrada na face da mulher.

- No entanto, Lisa, como eu disse, com a Stacy uma experiência, ela é passado agora, mas com você eu realmente vejo uma eternidade; não é nítida, porém é visível. – A diretora sorriu. – Você me mudou, mas essa mudança é lenta e difícil... Por isso, Lisa Cuddy, como meu primeiro desejo, não te peço em casamento; peço mais que isso: Você gostaria de ser minha, eternamente minha e independente de obrigações ou status social para mostrar felicidade?

- É claro que sim! - Lisa sorriu enquanto suas lágrimas escorriam pelo rosto radiante de felicidade e abraçou-o. - Eu aceito! - Puxou-o para um beijo cheio de desejos.

Carinhosamente, House afastou seus corpos quebrando o beijo e colocou o colar no pescoço dela. Deu um selinho nos lábios da amada.

- É estranho falar isso, mas... Eu te amo, Lisa!

Cuddy podia sentir o salobre de suas lágrimas em sua boca aberta em um lindo sorriso.

- Eu te amo. - beijou-o na bochecha. - Te amo. - depositou outro beijo no nariz - E Te amo! - fitou-o antes de puxá-lo para selar seus lábios.

Quando o ar fez-se necessário, ambos separaram-se em sincronia.

- Mas... Eu falei dois pedidos. – Riu se levantando da cama. - Posso então começar o strip? - Piscou enquanto levava as mãos ao zíper do vestido.

- Não! Não quero isso como meu segundo desejo! - Exclamou em uma falsa indignação.

- Mas... Então... O que...? - Indagou confusa, fazendo-o rir com sua expressão de incredulidade sentando novamente no colchão.

- Como meu segundo desejo... - Sorriu ao retirar um envelope do bolso. - Peço que aceite e realize-o.

Cuddy pegou o envelope com a confusão explicita em sua face e, ao abrí-lo, deixou tudo cair sobre a cama de tamanha surpresa. Quatro tickets para uma viagem ao Caribe para dalí a uma semana.

- Greg... – Bradou recolocando uma mecha do cabelo que caiu sobre os olhos para trás.

"Eu tento te esquecer

A minha vida continua"

- Viaja comigo, por favor. Eu, você, nossa pequena e uma babá para cuidar dela. – Sorriu e iluminou-a com seus olhos brilhando.

Lisa apenas fitava os papeis incrédula; seria aquilo um sonho? Não.. A mulher tivera sonhos com House, e não chegavam perto daquele conto de fadas.

- Greg... É claro que eu aceito! É meu sonho viajar para o Caribe! - Bradou abraçando-o, fazendo ambos caírem deitados. Um doce beijo iniciou logo interrompido com uma risada dela.

- O que houve? - Indagou o médico confuso.

- Estou surpresa! Só isso... – Repousou uma mão sob o queixo dele o fitando encantada.

- Não imaginou que eu pudesse te convidar para viajar? – Alisou o cabelo dela enquanto a outra mão ficava no quadril.

- Não imaginava nada disso! - Disse sincera, encarando-o. - Jurava que seus desejos seriam pervertidos. – House revirou os olhos. - No entanto... - Deixou a frase no ar sem conseguir descrever a forma que foi surpreendida.

- Lisa, gastar meus desejos com sexo seria burrice! – Lançou um aperto na cintura dela no local em conjunto com um sorriso provocante.

- Como? - Indagou surpresa, mas rindo diante a frase presunçosa do homem.

- Se eu te pedir um strip, você faz sem negar! Já esses dois desejos eram inegáveis, por isso deveria pedir algo arriscado. – Fez uma careta refletido o quão obvio aquela afirmação parecia arrancando em seguida uma gargalhada dela.

- Quer dizer que eu faço o que você quer no sexo? – Falou acariciando seu braço e levando a mão em direção ao seu tórax para remover o casaco do homem.

- Claro! - Respondeu reafirmando sua lógica. - Por falar nisso... STRIP AGORA! – E atirou a peça para longe deles.

Cuddy deu uma leve tapa no homem apoiando agora as duas mãos enlaçadas no pescoço dele e por alguns segundos se perdeu em seus pensamentos. Por um momento ficaram olhando fixamente um ao outro dispensando qualquer palavra; ela subiu a carícia à face dele.

"Mas é certo que eu seria sempre sua

Quem pode me entender

Depois de você, os outros são os outros e só"

- Se quer tanto, retire você mes... – Sua frase foi abafada com uma falta de ar ocasionada pela aproximação da boca dele no zíper do vestido descendo-o em seguida.

É, será um final de semana especial entre tantos outros que virão nessa nova vida para os dois, agora construída a três. Ele jamais mudará e ela não precisava disso; e se dependesse deles, o jogo sempre terá continuação.

Fim.