Disclaimer: Miguel... é meu. Aceitem isso.


Respirou fundo, mesmo que não precisasse. Não precisava respirar porque não vivia. Então aquilo não era um sacrifício, tecnicamente. Era apenas um acontecimento, algo que não poderia ser evitado (ele sabia que poderia evitar se quisesse, mas preferia achar que não). E então, ele pensou em Paris. Miguel pensou em Paris porque há muitos e muitos anos, quando ainda havia sangue (vida) correndo em suas veias, ele era um pescador pobre que gostava de ler – era um pescador pobre que gostava de ler e falava francês e espanhol, além do português.

E ele gostava quando Dom Afonso vinha da Espanha para visitar o senhor Guilherme e então ia até o porto e o jogava um pacote, rindo e perguntando como estavam as leituras. E Miguel lembrou-se de que o último livro que ele havia lhe trazido era um livro francês – não havia sido sua última leitura, quando se existe eternamente pode-se ler o quanto quiser, mas havia sido sua última leitura em vida.

E ele pensou nas palavras em francês e em como todos falavam de Paris, a capital da França. E isso não mudara – quantas vezes tinha ouvido "Paris" nas conversas dos brasileiros? Referiam-se a ela como "Cidade Luz". E assim ele quis conhecer ainda mais Paris – imaginou todas as luzes de lá. Como aquela cidade deveria brilhar!

O barquinho a morto chegou até a grande embarcação e Miguel respirou fundo mais uma vez, imaginando como seria Paris à noite – deveria ser clara feito o dia. Um dia dentro de uma noite. Uma luz em meio à escuridão.

Segue, ele murmurou. E a explosão foi tão forte que a luz quase o cegou – mas daquela luz ele não gostava. Preferia imaginar as luzes de Paris.

(ele merecia tê-las visto e Tiago sabia disso)



N/A: — Sabe do que mais gostei, brasileiro?

Vamos lá, Miguel, deixa de suspense e fala logo.

Gostei mais das luzes, ó pá. As luzes elétricas são lindas!

Ele merecia essa fic.

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Set Outono
Tema 04. Paris