- Katekyo Hitman Reborn® e seus personagens pertencem à Amano Akira.
- Essa é uma fanfic yaoi-lemon, ou seja, contém relacionamento homossexual entre os personagens. Se você não gosta ou sente-se ofendido com esse tipo de conteúdo sugiro que vá ler shoujo.

* Pontos importantes:

- A história se passa três anos no futuro. Não existe nenhum ponto de partida, apenas imaginem que três anos se passaram;

- Beethoven Piano Sonata No. 31 in A-flat major, Op. 110 - minha inspiração para essa fanfic. Ela serviu/servirá de fundo musical, recomendo. xD


"O movimento expressa traição, problemas e desapontamento. Expressa todos os empecilhos que as pessoas encontram.
No final, a exaustão domina... e você não consegue nem pensar.
Entretanto, em determinado ponto você consegue a confiança após o desespero, terminando com notas alegres e felizes."

Distanza

Capitolo Uno

"Eu lembro quando recebi a mensagem de Reborn. Ela veio em um simples envelope contendo um papel com algumas linhas e um outro envelope menor, esse com algumas fotos.
A mensagem pedia que eu fosse ao Japão, encarregado de treinar o futuro Guardião da Nuvem. Não havia informação alguma sobre a pessoa, exceto seu nome: Hibari Kyouya.
Entreguei o envelope para Romário e apenas reescrevi o nome em um outro pedaço de papel, mantendo-o no bolso. Não vi as fotos que estavam no envelope menor.
Três dias após ter recebido a mensagem eu deixei a Itália.
Eu estava realmente curioso pelo motivo que aquele nome fez todo meu corpo tremer..."

A chave do quarto número 134 de um dos mais caros Hotéis de Namimori ficava pendurada em um local reservado, separada das demais. Não somente a chave, mas no sistema do Hotel, o quarto sempre aparecia em destaque. Nos raros momentos em que ele não estava ocupado, sua reserva era impossível. De todos os quartos daquele Hotel, o número 134 havia sido reservado exclusivamente por um hóspede em especial. O mesmo quarto não importasse quantas vezes ele visitasse a cidade, nos últimos três anos.
O quarto número 134 naquela noite em especial estava ocupado. As luzes estavam parcialmente apagadas, exceto pelo abajur de um dos lados da enorme cama de casal. A luz projetada do objeto criava estranhas sombras na parede, mas nenhuma das duas pessoas presentes parecia se importar ou notar. Vozes misturavam-se com gemidos e sussurros. Havia peças de roupas espalhadas por todo o quarto, começando da porta de entrada até a beirada da cama.

- Q-Quer que eu vá mais devagar?

A pergunta feita por uma voz rouca e falha não obteve resposta assim como as perguntas anteriores.
Dino segurou ainda mais firme a cintura dourada pela luz do abajur, penetrando com mais força. Seus olhos se apertaram ao ouvir um gemido contido, continuando com o ritmo. Ele não estava gostando daquilo. Seu corpo movimentava-se por instinto. Cada movimento, cada suspiro e gemido eram apenas uma reação natural.
Uma das mãos de Dino saiu da cintura que ele segurava para então tocar o membro do garoto embaixo dele. Novamente o gemido contido.
O Chefe da família Cavallone queria acabar com aquilo o quanto antes. Ele detestava aquela posição que o incapacitava de ver o rosto que ele tanto amava. Daquele ângulo, a única coisa que ele sentia satisfazer era seu corpo, e quanto mais satisfeito seu corpo estava mais vazio ficava seu coração.
Mais alguns minutos foram suficientes para que o garoto embaixo dele chegasse ao orgasmo na mão de Dino. O louro o acompanhou, deixando-se cair em cima da pessoa que estava embaixo.

- Saia de cima.

A voz que vinha da pessoa embaixo não surpreendeu Dino.
Ele permaneceu onde estava por alguns segundos, sentando-se na cama em seguida. O garoto ao seu lado permaneceu deitado por algum tempo até levantar-se e seguir em direção ao banheiro.
Dino sabia que ele tomaria um longo banho e quando retornasse iria querer comer alguma coisa. Pegando sua calça que estava não muito longe da cama, o chefe da família Cavallone retirou um pacote de batata frita da mochila e uma lata de coca-cola do frigobar. Em seguida começou a pegar as peças de roupa espalhadas pelo quarto, deixando-as dobradas no sofá, dando atenção à cama. Os lençóis teriam de ser trocados.
A janela havia sido aberta, fazendo o ar frio da noite adentrar ao quarto. O cheiro de ambos estava em toda parte o que fez o louro ficar ainda mais sério.
Quando a pessoa deixou o banheiro secando os cabelos negros, Dino passou por ela sem dizer nada, fechando a porta.

A água quente caiu sobre seus ombros enquanto o louro apoiava as mãos na parede. Havia uma expressão séria em seu rosto, e sua mente tentava pensar em qualquer coisa menos o terrível sexo que ele acabava de ter.
Sexo... terrível.
Dino riu para si mesmo, cobrindo o rosto com as mãos.
O que ele estava fazendo?

O banho havia demorado mais do que ele pretendia. A temperatura da água estava deliciosa, mas o que realmente pretendeu o Chefe da família Cavallone por quase meia hora não foram as comodidades do enorme banheiro. Dino não queria sair. Não queria abrir a porta do banheiro e ter de encarar a outra pessoa em seu quarto.
Enquanto se vestia, seus ombros começavam a ficar rígidos, levemente curvados. Ao vestir a camisa, seu rosto refletiu no espelho, escondido pelo cabelo louro e bagunçado. Dino aproximou-se, segurando a franja para poder se olhar melhor.
Apesar de não aparentar seus 25 anos, o chefe da família Cavallone não possuía mais os traços adolescentes que confundiram tanta gente no passado. O cabelo continuava louro, seus olhos cor de mel estavam lá, mas seus traços mesmo belos, agora estavam mais firmes e masculinos. Tudo isso ele sabia. O que chamou mesmo a atenção de Dino foram as finas olheiras embaixo de seus olhos. Elas estavam aparecendo frequentemente no rosto no italiano e ele sabia o motivo.
E novamente, ele não queria deixar o banheiro.

Mesmo enrolando o máximo possível, a ponto de se encostar-se a pia e lixar todas as unhas três vezes, Dino não teve alternativa a não ser abrir a porta. A figura que ele procurava estava na sua linha de visão, na sacada do quarto.
A lata de coca-cola estava aberta em cima da mesa e o pacote de batata frita vazio ao lado. Ao chegar ao limite entre o quarto e a sacada, Dino passou a mão no ombro, sentindo frio. O céu naquela noite não estava estrelado, e ele suspeitava que o dia seguinte seria frio e nublado.

- Você está quente - Dino abraçou por trás o homem encostado na sacada, afundando o rosto no cabelo escuro. O cheiro do próprio shampoo foi facilmente reconhecido pelo louro - Aqueça-me, Kyouya!

Hibari moveu o ombro automaticamente, tentando se desvencilhar do abraço de Dino, que se tornou ainda mais apertado.

- Oi, afaste-se.

O moreno mal moveu os lábios para falar.

- Só por um momento... - a voz de Dino estava diferente - Eu vou soltá-lo em um minuto.

O Guardião da Nuvem estava vestindo terno e gravata. O tecido fino da camisa possibilitava que as mãos de Dino tocassem a fina cintura de Hibari com facilidade. O moreno também havia mudado fisicamente nesses três anos. Ele tornou-se mais alto e esbelto. Dino não perdeu nenhum detalhe nessa mudança, e não podia dizer que não gostou. Quando ele e Hibari começaram a dormir juntos, o Chefe da Família Cavallone sempre precisou se policiar para não machucá-lo. Obviamente Hibari nunca soube disso ou percebeu, já que Dino não precisava mais tomar cuidado com o não-delicado corpo do moreno. O resultado da mudança foi que o sexo entre eles havia se tornado mais intenso, menos rígido e também mais solitário.
Os lábios de Dino tocaram o pescoço vulnerável a sua frente, subindo devagar para a orelha direita de Hibari. Aqueles pensamentos estavam novamente surgindo, mesmo ele estando ali, tendo em seus braços a pessoa em questão. Uma de suas mãos subiu pela cintura fina, tocando de leve em um dos mamilos, fazendo com que o moreno se mexesse. Dino conhecia o corpo de Hibari como um mapa, e nesse conceito, ele era um excelente navegador.

- Se você continuar me tocando eu vou mordê-lo até a morte, Cavallone.

A voz de Hibari estava totalmente séria e contida.
Seus olhos não saiam da paisagem, seu corpo reagia aos estímulos que sentia mas seu rosto permanecia indiferente.

- Eu amo você, Kyouya.

Dino assoprou as palavras no ouvido de Hibari, correndo a ponta da língua por toda a sua extensão. Seu corpo aproximou-se ainda mais, encostando nas costas do moreno uma parte de seu corpo que havia se animado com aquela situação.

- Nee, vamos voltar para o quarto, Kyouya~

- Não.

- Mas está frio aqui fora - Dino não estava mentindo. Eles estavam no meio do inverno praticamente.

- Eu já vou embora.

- Você pode dormir aqui e sabe disso - as mãos do louro haviam desabotoado uma parte da camisade Hibari, o suficiente para que sua mão começasse a estimular o mesmo mamilo.

- Por que eu faria isso?

- Porque eu poderia ter o prazer de acordar ao seu lado e a primeira coisa que veria seria seu rosto~

O silêncio que sucedeu aquele comentário não fez o chefe da família Cavallone parar com suas caricias. Dino estava excitado e concentrado demais para parar, e algo dentro dele simplesmente não queria que Hibari fosse embora.
As mãos de Hibari apertaram o apoio de ferro da sacada e isso não passou despercebido pelos olhos semi-cerrados de Dino. O Guardião da Nuvem estava sentindo, ele tinha certeza disso.

- Vamos entrar, Kyouya... - a voz do louro começava a ficar mais rouca conforme sua excitação aumentava. Encostando o corpo ainda mais no de Hibari, Dino deixou a outra mão descer, abrindo o cinto do moreno.

- Não.

A voz continuava séria, direta e parecia ainda não se afetar.
Quando a mão de Dino encontrou o que procurava, um pouco abaixo do cinto entreaberto, o moreno virou o rosto para o lado contrário, mordendo o lábio inferior. O Chefe da família Cavallone não estava surpreso com aquela reação.

- Vamos entrar... - o louro começou a subir e a descer a mão pelo membro de Hibari, enquanto beijava seu pescoço.

Dessa vez não houve resposta.
A teimosia de Hibari conseguia ser muda, e Dino percebeu que não conseguiria nada se ele mesmo não fosse atrás.
Com um movimento rápido, o louro virou o Guardião da Nuvem e ajoelhou-se em seguida. Ele sabia que teria segundos até sentir os delgados dedos em seu cabelo. Dito e feito.
Assim que sentiu que seu corpo virava, Hibari apertou os olhos com o resto de força que ainda tinha, mas conseguiu somente o ar. Ao ver que Dino havia se ajoelhado, suas mãos seguraram firme no fino cabelo louro, mas a força desapareceu. Seu corpo encostou-se ainda mais no apoio da sacada, curvando-se lentamente.
Dino corria lentamente a língua pelo membro que estava em sua mão, dando atenção aos lugares que ele sabia que causariam algum tipo de reação. Ele podia sentir a ereção aumentando conforme continuava com suas carícias, sabendo que seria uma questão de minutos até que Hibari atingisse o clímax.
O Guardião da Nuvem não emitia som algum, exceto a respiração descompassada e o barulho que seus dentes faziam quando se trincavam. A maneira como o moreno omitia seu prazer fazia Dino se dedicar ainda mais ao que fazia. O resultado de tal esforço chegou antes do que ele imaginava.
Hibari fez um grande esforço para manter-se de pé enquanto Dino passava a ponta dos dedos pelo canto de sua boca.

Não houve conversa ou nenhum tipo de despedida.
O Guardião da Nuvem deixou o quarto de Hotel alguns minutos depois, sob o olhar sério do Chefe da Família Cavallone que o fitava de sua sacada. Dino só entrou e fechou a porta de vidro quando Hibari não era mais visível, jogando-se na cama.
Naquela noite, assim como nas anteriores, Dino não havia dormido, porém, ele não percebeu a continuidade das horas.
Elas passaram como se ele estivesse em um profundo sono. A escuridão do quarto aos poucos deu lugar a claridade do dia que entrava furtivamente por uma fresta na grossa cortina.
Como ele previu, o dia não seria ensolarado, mas a luz natural o fez perceber que o ontem já havia ido embora. Ele tinha o hoje nas mãos.

O tempo não foi a única coisa que o Chefe da família Cavallone havia acertado. Ele sabia que havia chegado o dia.
Por anos ele tentou evitar, adiar e até esquecer. Em alguns momentos ele realmente achou que aquilo não passava de um pressentimento ruim, que as coisas acabariam melhorando eventualmente. Tão ingênuo...
Nada havia mudado, absolutamente nada. Não, espere, uma coisa havia se mofidicado, se intensificado, tornado-se maior do que qualquer coisa: o que ele sentia por Kyouya. Ele sabia que se o que ele sentia não fosse tão intenso, as horas que ele passara acordado na última semana seriam desnecessárias.

O banho quente. A escolha da roupa. O rápido café da manhã. Nenhuma dessas coisas parecia real naquela manhã. O relógio marcava oito horas em ponto quando ele retornou ao quarto.
As cortinas haviam sido abertas, havia uma pilha de papéis em cima da mesa e um bolinho doce com um simpático bilhete de "Esforce-se, Chefe". Os lábios do louro esticaram-se um pouco, formando um meio sorriso. Seus olhos então correram para o quarto e ele caminhou com passos curtos até o limite entre a pequena sala e o cômodo propriamente dito. Lentamente ele fechou os olhos cor de mel e sua memória foi diretamente para três anos atrás, no dia em que ele finalmente revelou seus sentimentos para Hibari.
Era um ensolarado dia de primavera. Ele podia sentir o calor daquele dia através de suas mãos que estavam ao lado do corpo, imóveis, mas levemente trêmulas. O cheiro das flores que conseguia chegar até a cobertura do Colégio misturava-se com o shampoo que Hibari usava na época. O treino havia terminado, Dino estava cheio de arranhões, os cabelos louros bagunçados e selvagens.

- E-Eu amo você, Kyouya!

Seus sentimentos correram por seus lábios como um cavalo por um amplo campo verde. Direto, firme e decidido.
A resposta de Hibari foi um soco certeiro no rosto de Dino já que seu par de tonfas havia caído do outro lado do terraço.
Os olhos cor de mel do Chefe da Família Cavallone se entreabriram ao mesmo tempo em que alguém adentrava ao quarto.
Ao encarar a cama, seus lábios se moveram e uma voz triste e cansada saiu por seus lábios:

- "Eu não preciso desse tipo de sentimento" - a resposta que Hibari havia lhe dado há três anos deixaram um gosto amargo ao serem ditas pelos lábios de Dino.

O Guardião da Nuvem adentrou ao quarto, mas parou diante da pequena mesa, depositando um pequeno envelope. Seus olhos então encararam as costas de Dino e ele recomeçou a andar, aproximando-se.

- Hibari.

O moreno parou. Estava há pouco mais de cinco passos do louro.

- Diga ao Sawada que eu não sou o garoto dos recados.

- Ele enviou algo através de você?

- Haverá uma reunião daqui duas semanas, eu não li a mensagem.

- Hm...

Os olhos de Hibari se estreitaram.
As respostas de Dino estavam monossilábicas e sua voz parecia aborrecida. A paciência do Guardião da Nuvem não durou muito, e quando o silêncio superou os cinco minutos, Hibari virou-se para ir embora.

- Antes de sair, deixe a chave em cima da mesa.

Os passos de Hibari pararam novamente mas ele não se virou.
Sem questionar, o moreno voltou a andar, deixando a chave dourada em cima do envelope que havia trazido.
Dino virou-se e encarou a figura do Guardião da Nuvem depositando o objeto na mesa. Seus olhos estavam sem brilho, sua voz parecia sem tom e sua expressão era algo que não poderia ser descrito em palavras. Não havia raiva ou ressentimento, apenas uma profunda tristeza que parecia dar ao Chefe da Família Cavallone muito mais anos do que ele realmente tinha. Dino sentiu-se naquele momento muito velho.
Ele sabia que as próximas palavras eram inevitáveis, mas ao menos tempo sabia que como sua declaração anos atrás, assim que as palavras ganhassem vida ao saírem de seus lábios elas seriam uma realidade.

- Eu não acho que devemos nos ver mais, Hibari. Se você precisar de algo, como o Guardião da Nuvem e amigo do Décimo Chefe da Família Vongola eu estarei sempre disponível, como Chefe da Família Cavallone. Fora isso, eu não quero ter nenhum tipo de relação com você. Desculpe, mas eu estou terminando o que temos.

Os lábios de Dino se fecharam em uma linha fina e inexpressiva.
Seu coração não batia mais rápido, suas mãos não suavam e não havia sinal de que ele começaria a tremer. A única coisa que ele sentia era a dificuldade para respirar, como se sua garganta estivesse se fechando pouco a pouco. Ele sabia que era ansiedade em saber como o homem a sua frente reagiria àquelas palavras.

Hibari ainda tinha a ponta dos dedos na chave enquanto ouvia as palavras de Dino.
Seus olhos encararam o objeto para depois mirarem à porta. Suas pernas caminharam até ela e o Guardião da Nuvem deixou o quarto sem dizer nada.
Dino permaneceu no mesmo local por um tempo, até que o perfume de Hibari se dissipasse do quarto.
Seus ombros então se arquearam e ele caminhou até a cama. Todo o cansaço dos dias sem dormir parecia atingi-lo de uma vez. Seus ombros, suas costa e suas pernas pareciam levemente adormecidos, implorando um descanso.
Quando a cabeça de Dino encostou no travesseiro macio, seus olhos se fecharam lentamente. Ele podia ver o céu nublado da sua cama, que foi tornando-se escuro pouco a pouco conforme sua consciência se esvaia.

O Chefe da Família Cavallone não viu quando Romário entrou no quarto, curioso por ter visto Hibari deixar o Hotel assim que chegou. Ao entrar, encontrou o Chefe dormindo no meio da enorme cama, e sua expressão ficou séria após ter fechado as grossas cortinas.
Enquanto cobria Dino, Romário tentou ignorar as lágrimas que escorriam pelo rosto de seu Chefe e que haviam molhado o travesseiro.

Continua...