MUTE

Disclaimer: Twilight não me pertence, apenas a história da fanfic.

Sinopse: A voz está ausente da vida de Bella. Muda desde que nasceu, ela encontrou em Edward um alicerce para se manter firme, em um mundo onde as pessoas não respeitam as condições do próximo.


Seras fantasia, o seras realidad
seras mi agonia o mi felicidad
seras mi preciosa o mi peor mal
seras mi desvelo o mi angel guardian
tu eres simplemente, tu mi otra mitad
eres mi ideal en mi manera de amar.

Preciosa – Eduardo Antonio


Capítulo 1 - Mi Preciosa

Em uma manhã de dezembro, Bella esperava Edward em um café para irem juntos fazerem compras de Natal. Ele insistiu para ir buscá-la em casa, mesmo chegando da cidade vizinha naquele momento, pois foi atender um animal lá na madrugada. Mas ela bateu o pé e fez cara feia. Ela só iria andar 5 minutos do seu apartamento para o local, ele e sua mania de superproteção, a impedia de ir até na esquina sem ele estar junto. Não que ela reclamasse da companhia de Edward, mas ela já era uma mulher e não mais a garotinha de 11 anos.

Mas nas compras ela não conseguiu fugir do seu melhor-amigo-guarda-costas, ele jamais a deixava ir às compras sozinha, nem todos conseguiam entender, e ela não poderia andar para cima e para baixo com algo para ficar se comunicando com as pessoas. Edward odiava quando as pessoas olhavam para ela com impaciência, enquanto ela escrevia.

Bella olhou para a neve suave que cobria as ruas de Nova York. Ocupando uma mesa ao lado da janela, ela observava os finos flocos caírem do céu. O local estava cheio, todos queriam uma boa xícara de café para esquentar o organismo.

Ela tamborilou os dedos na mesa, procurando algum sinal de Edward, ou de seu Volvo incrível, que brilhava a distância. Ele só não amava mais o Volvo do que amava Bella, ele disse a ela uma vez.

— O que a senhorita deseja? – uma garçonete de cabelos ruivos parou ao lado da mesa de Bella, e com um sorriso forçado em seu rosto estava tentando dizer "ou compra, ou caia fora."

Sem seu bloquinho, celular ou qualquer coisa para se comunicar, Bella fez um gesto para a garçonete esperar. Essa rolou os olhos e saiu para atender outro cliente.

Dez minutos depois voltou, e Bella olhava pela janela, tentando ver se o cara de cabelos cor de bronze aparecia de algum canto, mas a neve deixava a janela embaçada, então era difícil.

— Senhorita, o local está cheio, por favor, faça seu pedido – a garçonete voltou a pedir e Bella repetiu seu gesto.

A garçonete contou até dez mentalmente antes de respirar fundo e sair.

Cinco minutos voltou fumegando. E sua paciência com a moça da mesa solitária que não pediu nem um copo de água estava se esgotando.

Bella olhava para suas mãos, suspirando. Edward teria esquecido dela? Estaria preso na neve? Estaria preso por (argh) Tãnya? Ela sacudiu a cabeça, Tânya, impossível eles terminaram à dois meses.

— Olha senhorita eu fui educada o suficiente será que dá para falar o que quer? Será que é difícil abrir a boca e falar de uma vez – o tom da voz da garçonete fez Bella esconder mais seus olhos por trás de seus cílios. Mas ela não esperava o que estava por vir.

— Claro que é difícil ela abrir a boca e dizer algo. Ela é muda – Bella levantou os olhos da mesa, e encontrou Edward lindo, deslumbrante, só faltava um brilho em volta dele, parado ao lado da garçonete estressada, que não se decidia se babava pelo Deus grego ou morria de vergonha pelo o que fez.

— Des-desculpe-me eu não sabia e...

— Não se preocup – Edward estendeu a mão para Bella que a segurou, entendendo que ele queria que ela saísse desse local. – Vamos Bella, temos muito para fazer hoje.

— Desculpe novamente – a garçonete voltou a dizer.

— Olha senhorita, não vou falar isso somente por Bella, mas pelos seres-humanos, ninguém gosta de ser tratado como cachorro, você gosta?

— N-não – ela respondeu.

— Então comece a tratar as pessoas por aqui melhor. Tenha um bom dia – ele disse enquanto tirava Bella do local levando-a pela cintura.

Bella notou que todos lá dentro tinham olhado para eles e assistido o pequeno espetáculo. Suas bochechas ardiam, ela sabia como Edward ficava quando aconteciam essas coisas, mas não devia ser sempre assim tão… agressivo.

O Volvo estava na esquina, Edward destravou as portas e abriu para Bella entrar, dando a volta e indo para o seu assento. Quando ele ia ligar o carro, ela puxou seu casaco.

Você tem que se controlar Edward.*

* todas as vezes que for usado linguagem de sinal, ou alguma forma de comunicação de Bella, será usado o itálico.

— Bella ninguém tem o direito de te tratar daquela forma – ele tentou amenizar o nervoso dela, puxando uma das cordinhas do seu casaco, deixando-a mais agasalhada. – Vamos para outro local, e é por isso que não gosto que você saia sozinha.

Bella bufou e rolou os olhos. Edward riu aquela era uma das cenas mais fofas que Bella fazia. Suas bochechas vermelhas pelo nervoso, ele não podia reprimir seu impulso de tocar sua pele quente pelo rubor. O fez lembrando-se de quando a conheceu.

~*Flashback*~

Edward estudava em um bom instituto de Forks, na adolescência ele era um garoto popular. As garotas suspiravam por ele pelos cantos, não que ele gostasse disso, mas era somente a conseqüência do seu dinheiro mais sua beleza.

Bella precisava de uma escola com professores que pudessem educá-la da forma correta, e também entendê-la, ela encontrou o lugar perfeito, onde seu próprio pai havia investido dinheiro para que pudesse atender outros alunos na mesma situação que ela.

Uma das coisas que Bella mais gostava de fazer era pintar, pensava que assim poderia se expressar. Ela descobriu que existiam inúmeras formas de fazer isso, sem ser com a fala, e ela explorou todas as opções que pode, e optou pela pintura.

Em uma aula de artes, Edward tentava montar alguma coisa naquela tela branca que era como o bicho papão para ele. De soslaio, observou uma menina no canto, com os cabelos lisos e soltos como uma manta, de costas para ele, pintando como se aquilo fosse à coisa mais natural no mundo.

De longe parecia uma mulher com cabelos longos e cacheados em uma linda vestimenta verde. Ele aproveitando que a professora tinha saído da sala foi atrás dela, sendo guiado impulso.

Quando se aproximou ele viu que a mulher tinha grandes olhos de cor de chocolate e uma pele branca como leite. Era uma grande pintura.

— Olá – ele disse timidamente. A garota virou-se sorrindo e ele perdeu o ar.

Ela era muito parecida com a pintura, só que a mulher já era adulta, e tinha alguns traços diferentes em seu rosto, mas definitivamente eram parecidas. Os olhos, sim os olhos cor de chocolate que cintilavam e transbordavam bondade.

Bella pegou seu bloquinho e escreveu: Olá! =)

— Por que você escreveu no papel? - Edward franziu a testa.

A menina mordeu o lábio e suas bochechas ficaram rosadas. Ela escreveu no bloco e mostrou para ele: É que eu sou muda.

— Oh, desculpe-me, eu não queria te ofender. – agora ele sentiu suas próprias bochechas arderem. – É… eu sou Edward Cullen e você?

Ela voltou para seu bloco: Isabella Swan, mas me chame de Bella, eu prefiro assim.

— Bella. Combina com você.

As bochechas dela devem ter atingido 10 tonalidades diferentes de vermelho, enquanto ela escrevia: Obrigada!

Muitos alunos não gastavam seu tempo com ela, pois perdiam a paciência dois minutos depois, pelo fato dela ter que sempre escrever.

Edward estava ao lado dela há dois minutos e meio, era um novo recorde.

— Quem é na pintura?

— Minha mãe. Ela morreu quando eu nasci – ele dessa vez olhou enquanto ela escrevia. Ela levantou os olhos, e contemplou aqueles lindos olhos verdes cristalinos.

— Sinto muito. É uma belíssima pintura, tem alguns traços do seu rosto, o nariz, o formato da boca, a cor dos seus cabelos, e principalmente os olhos – Bella sorriu para a observação dele.

O sinal indicava o fim da aula, e a professora entrou dizendo que na próxima aula eles continuariam a pintura. Todos se organizaram para sair.

— Você vai para casa agora? – ele perguntou quando sentaram em um banco em frente à escola.

Sim, meu irmão vem me buscar, ele não gosta que eu ande sozinha.

— Ele está certo, as pessoas não devem respeitar você como merece – o carro do irmão de Bella parou e ela sorriu timidamente.

Meu irmão – ela escreveu. – Foi um prazer te conhecer Edward, até a próxima aula.

— Também gostei de conversar com você Bella.

Ele deu um beijo na bochecha dela, que agora já estava roxa. Ele escondeu um sorriso, começou a achar aquela reação dela adorável. Acompanhou-a com os olhos até ela entrar no carro e sumir na esquina.

~*Fim do Flashback*~

Doze anos depois eles estavam crescidos, compartilhavam segredos e uma xícara dupla de cappuccino.

Edward você deveria ter pedido algo individual – Bella disse com suas mãozinhas delicadas e geladas pela neve.

— Relaxa Bella, você não esta gostando de dividir comigo?

Claro que estou, mas Edward queria falar sobre o que aconteceu na cafeteria, eu sei que é chato, mas eu tenho 23 anos, sei me cuidar.

Edward riu baixinho e pousou sua mão quente na pele fria e branca de Bella.

— Bella você sabe se cuidar, mas eles não te respeitam mi preciosa – ele escovou aquela pele delicada com seus dedos. – Não gosto que te tratem mal. Você é especial, não no sentido da sua deficiência, mas você é especial por ser quem é. Tem um coração bom e puro, seu olhar é tão inocente cariño. As pessoas nunca vão entender que um simples detalhe não nos torna diferentes ou inferiores – ela suspirou e inclinou sua cabeça levemente sobre a mão de Edward.

Tudo bem, mas tente se controlar. Nem sempre as coisas saem como queremos, e nem todos tem uma paciência para aguentar alguém falar como deve ou não tratar uma pessoa. Eu não vou quebrar Edward, algumas coisas me ferem, mas depois passa porque eu vejo que não tem importância. – Ele acompanhava bem os movimentos das mãos dela, ele estudou língua de sinais para poder se comunicar com ela, sem precisar de um bloco de notas.

Alguns movimentos, gestos e códigos foram criados por eles. Era ótimo quando estavam com a família. Bella criou vários códigos para poder conversar com todos os próximos, sem que eles precisassem fazer curso de língua de sinais.

— Não, mi preciosa. Desculpe, mas não vou deixar de te defender.

Ela suspirou, e abriu um meio sorriso em seu rosto.

Eu tentei, mas sei que nunca vai deixar de cuidar de mim.

Ela fechou os olhos e se permitiu desfrutar dos toques de Edward. Sua pele quente aquecendo a sua que estava fria.

Era impossível ficar com raiva dele, mesmo se ela quisesse. Sua voz sedosa e rouca a fazia esquecer até do porque ela deveria estar com raiva dele. Era o efeito de deslumbre de Edward Cullen, desde seu cheiro até seu olhar, ele sabia como usar a seu favor. Mas ele sabia que conseguia amolecer seu coraçãozinho de marshmallow, falando espanhol.

Edward às vezes tinha vontade de colocá-la em seu colo, envolve-la em seus braços e proteger seu delicado coração de qualquer maldade do mundo. Ela era uma bonequinha de cristal, que a qualquer golpe poderia ser quebrada, mesmo que ela insistisse que não era assim, ele a conhecia melhor do que ela mesma.

Bella era tudo para Edward, e pela qual ele seria capaz de passar por cima de tudo e todos, só para deixá-la completamente bem.


[N/A]: E ai o que acharam? Eu estava com a idéia dessa fic a muito tempo, espero que estejam desfrutando. Hoje (quinta) mais tarde postarei o capítulo 3 de Why Dont' You Kiss Her, fiquem ligados.

Mandem reviews sim?

Beijos :)