MUTE

Disclaimer: Twilight não me pertence, apenas a história da fanfic.

Sinopse: A voz está ausente da vida de Bella. Muda desde que nasceu, ela encontrou em Edward um alicerce para se manter firme, em um mundo onde as pessoas não respeitam as condições do próximo.


Cena Extra 3 – Ciúme

Edward PDV

Eu, Edward, sou um garoto de 15 anos que olhava para a sua melhor amiga sentada pelo terceiro dia seguido, na mesa do refeitório com um garoto que não era você. O garoto era o novato, Riley Banks.

Não era como se eu fosse o namorado dela que podia dar um ataque de ciúmes, mas eu era seu melhor amigo, e nunca a tinha divido com ninguém. Aquilo machucava. Ver como ele sorria para ela e como ela retornava isso me deixava doente.

Aquele lindo sorriso que deixava o meu mundo fora do eixo, que ela só direcionava para mim, estava sendo oferecido para esse grande idiota. Eu não conseguia mais ficar olhando isso, então como nos últimos dois dias eu girei em meus calcanhares e sai do refeitório caminhando pela escola que estava praticamente deserta.

Minha fome tinha ido embora, então não me preocupei em comprar nada para almoçar. Sentei em um banco perto do ginásio e fiquei olhando o céu nublado de Forks. Iria chover mais tarde, as nuvens estavam ficando em um tom cinza escuro ao longe.

Nos últimos três dias eu não tinha falado com Bella, só a encontrei na aula de cálculo e artes, mas não tivemos tempo para conversar. Quando chego na escola, o Riley está com ela, ao seu lado no armário, no almoço é eles sentados juntos e ontem quando saímos ela estava com ele. Sorrindo e falando lentamente com seus lábios rosados. Ele olhava para os lábios dela, e não era um olhar amigável.

Eu estava começando a me sentir trocado e isso doía de uma maneira tão forte, como se o meu coração fosse partir em mil pedaços. Esfreguei minha mão em cima do meu peito, como se isso fosse acalmar o calor que estava ali.

Era tão forte, apertava como se eu tivesse 1000 toneladas em cima do meu corpo, toda a pressão concentrada naquela parte.

Engoli o nó que começava a se formar na minha garganta. Aqui não era hora de chorar então respirei fundo sentindo o frio inundar o meu interior. Mas o frio do vento não era suficiente para acalmar o calor da tristeza misturado com raiva que me inundava.

O sinal que indicava o fim do almoço tocou, e levantei indo para o meu armário pegar minha mochila e meu livro de espanhol. Para a minha tristeza Riley tinha essa aula comigo. Ele sentou algumas mesas a frente, e eu acho que estava perfurando sua nuca com o olhar. Meu amigo Tyler me cutucou e eu desviei o meu olhar.

- O que foi? – perguntei meio rispidamente.

- Qual o seu problema com o novato? Você parece que vai abrir um buraco na cabeça dele com esse olhar assassino.

Encolhi os ombros sem responder nada, e fui salvo pela professora que entrou nesse exato momento.

Depois da aula de espanhol, tive aula de Educação Física, e o treinador chamou a minha atenção, pois estava jogando a bola de basquete com muita força, me fez sentar nas arquibancadas até o final da aula. Eu estava realmente nervoso e frustrado.

Decidi não tomar banho no vestiário e fui direto para casa, o vento estava mais forte e a chuva mais perto. Apertei meus passos para chegar em casa antes da chuva cair. Quando cheguei fui direto para o meu quarto tomar um banho, desci minutos depois encontrando um bilhete da minha mãe na geladeira dizendo que foi para a casa de uma amiga falar sobre jardinagem e coisas de mulheres, que tinha torta de pêssego na geladeira, e ingredientes para um sanduíche separado caso eu quisesse.

A fome que não senti na escola fez meu estomago tremer, decidi separar um pedaço de torta e fiz um sanduíche, completei o lanche com um copo de leite. Fui para o meu quarto, e a chuva já batia na minha janela fechada. Sentei na cama ligando a televisão, e comi tentando não pensar em Bella, Riley e uma amizade que eu estava sentindo que em pouco tempo iria desaparecer.

Depois de comer, deixei o prato e o copo em cima da escrivaninha e me joguei na cama exausto de tudo. Das aulas, do meu estado emocional, tudo. Tentei dormir, mas minha mente voltou a vagar em Bella e seu novo amigo.

Será que ela iria me esquecer? Se apaixonar por ele? Eu iria ser o ex-amigo que daqui alguns anos ela nem iria mais se lembrar?

Deixei as lágrimas que reprimi mais cedo rolarem agora, talvez isso ajudasse meu coração a doer menos. Chorei em silêncio, com os olhos na janela e nas gotas de chuva que batiam nela. Logo adormeci.

Acordei horas depois com a minha mãe me chamando para jantar, olhei no relógio e já era quase 7 da noite, e eu ainda estava com sono. Desci as escadas sem dizer nada e jantei no mesmo silêncio. Minha mãe me olhava estranhamente, igual ao meu pai. Encolhi os ombros, e terminei meu jantar pedindo licença e dando boa noite, antes de ir para o meu quarto novamente.

Me preparei para ficar logo deitado, escovando os dentes e colocando uma calça de flanela e uma camisa comprida, estava um pouco frio. Liguei a tv e fiquei deitado no escuro com o som ta tv ao fundo. Minha mãe veio uns minutos depois perguntar se estava tudo bem, eu assenti dizendo que era apenas uma leve dor de cabeça e o cansaço.

Ela me beijou na testa e me desejou boa noite, antes de sair do quarto. Fiquei assistindo TV, não realmente prestando atenção no que passava, por mais uma hora. Desisti e desliguei, me cobrindo e olhando a minha foto com Bella no criado mudo. Peguei o porta-retrato, observando seu sorriso e olhos lindos, tracei sua feição com a ponta do meu dedo, e a saudade do seu cheiro tomou conta de mim.

Logo a raiva pelo Riley começou a encher o meu peito. Raiva por ele ter entrado na vida da Bella e tirado a sua atenção de mim. Raiva por ele conseguir ganhar o seu sorriso nos últimos três dias. Raiva simplesmente por ele existir e ter feito amizade com a minha melhor amiga.

Amanhã iria ser diferente, eu não iria recuar, não ia deixar os dois sozinhos no almoço. Vou mostrar a esse Riley que Bella não esta sozinha e que tem um melhor amigo.

A Bella é a minha menina, minha preciosa, e o Riley não vai tirar ela de mim.


Eu acordei com um ótimo humor, além de ser sexta hoje eu iria colocar aquele novato no seu lugar. Assisti às primeiras aulas pensando no que eu poderia fazer na hora do almoço.

Quando entrei no refeitório vi Bella na fila com o idiota. Aproximei deles com o meu melhor sorriso no rosto. Riley estava falando algo sobre Chicago, mas não me importei, apenas passei meu braço pela cintura de Bella e dei um beijo no topo da sua cabeça.

Ela sobressaltou, e olhou para mim com as bochechas vermelhas.

- Oi mi preciosa – sussurrei não deixando de tocá-la.

- Oi – suas bochechas estava ainda mais vermelhas, e ela mordeu os lábios olhando pra mim e depois para Riley.

- Oh desculpe, sou Edward Cullen, o melhor amigo da Bella. E você é? – eu disse a ele, oferecendo um pequeno aceno de cabeça. Voltei a beijar os cabelos da Bella, sem deixar de olhar para esse idiota.

- Riley Banks – ele acenou também. Ficamos em silêncio até a nossa vez no caixa chegar.

Mantive minha mão em Bella, enquanto pedi um pedaço de pizza, refrigerante de laranja e um pote de pudim de chocolate. Bella pegou um suco de maçã, sanduíche de frango e batata frita. Sinceramente, não observei o que o Riley pegou.

Fomos para o caixa e o engraçadinho se ofereceu para pagar o almoço dela, mas eu me adiantei pagando junto com o meu. Bella não olhou para nenhum de nós, e pegou sua bandeja seguindo para a mesa de sempre.

Riley quis se adiantar e sentar na cadeira que ficava ao lado do de Bella, mas eu sem querer o empurrei, sentando ali. Me desculpei com meu sorriso irônico, e ele respondeu que não tinha problema.

Bella me cutucou, e eu olhei para ela encolhendo os ombros. Ela rolou os olhos, e começamos nosso almoço apenas com o ruído das outras mesas. Sempre que Riley tentava chamar a atenção dela, eu perguntava algo para ele, ou para ela. Quando o sinal tocou, ele murmurou um tchau e saiu do refeitório.

Dei o meu sorriso satisfeito, que caiu segundos depois quando Bella me lançou um olhar feio e se afastou da mesa sem nem me olhar, indo jogar algumas coisas na lixeira e colocar a bandeja no local indicado.

Segui seus passos firmes, até o corredor dos armários. Não teria como eu falar com ela agora, porque tinha que ir para a aula de inglês. Peguei meu livro e mochila no armário e ela passou por mim para sua aula de história sem olhar para mim.

Meu humor até a aula de artes estava um lixo, quando entrei na sala sentando ao lado de Bella, ela se escondeu atrás da cortina de cabelo que ela criou, hoje não havia necessidade de conversarmos, já que a professora estava falando sobre um pintor não sei de quando. Não prestei a mínima atenção, olhava para o meu caderno e lançava olhares pelo canto do olho para a Bella, que não moveu o seu cabelo entre nós.

No final da aula tentei falar com ela, mas apenas virou o rosto e saiu da sala sem nem olhar pra mim.

Eu estava muito ferrado.


Minha noite ontem foi um lixo, mandei dezenas de mensagens de texto para Bella, e não recebi resposta. Não tive nenhuma fome e minha mãe começou a pensar que eu estava doente. Hoje, sábado, antes dela sair para o mercado, eu estava jogado na sala comendo cereal e ela me avisou que Bella iria passar o dia e dormir aqui hoje, pois Charlie teria que fazer plantão.

Não muito tempo depois dela ter saído a campainha tocou. Eu corri para abrir, encontrando Bella na porta com uma mochila nas costas e o olhar no chão.

- Entre – dei espaço para ela entrar, e o fez logo subindo as escadas sem falar nada comigo de novo.

Esfreguei minha mão em meu peito sentindo uma dor ali. A dor da rejeição, a culpa e de não ter um sorriso da minha Bella.

Fui para a cozinha levar meu pote com cereal e olhei pela janela vendo o sol lá fora. Era um daqueles poucos dias de sol que nós tínhamos, e sempre quando o clima ficava assim, eu e Bella íamos para a clareira que não ficava muito longe daqui.

Olhei para a escada, e decidi ir atrás dela. A porta do quarto que ela utilizava (que era em frente ao meu) estava aberta, e encontrei-a sentada no meio da cama desenhando algo em seu caderno. Fiquei ali parado e ela não moveu o seu olhar, apesar de já ter me percebido ali.

- Bella, você quer ir na clareira de tarde? Podemos fazer um picnic – ela nem levantou o olhar, apenas negou com a cabeça.

Eu não ia insistir, então dei um ultimo olhar para ela antes de ir para a sala. Minha mãe chegou e se estranhou não nos ver juntos não disse nada, chamou Bella para ajudá-la preparar o almoço. Eu fiquei assistindo um filme e depois almocei com elas em silêncio. Sinceramente não comi muita coisa, não estava conseguindo engolir por causa do nó na minha garganta.

Depois do almoço eu neguei a sobremesa e fui para o meu quarto. Fiquei deitado por meia-hora antes de descer e ir até onde minha mãe estava fazendo um bordado.

- Mãe, eu vou na clareira um pouco – ela colocou a toalhinha de lado e me olhou sob seus óculos.

- E Bella? Não vai com você?

- Não. Ela não quis – suspirei. – Acho que estamos brigados.

- Você acha? – ela levantou uma sobrancelha. – O que aconteceu Edward? Você está estranho à semana inteira.

- Não é nada – me remexi inquieto – Vou sair, preciso sentir o sol e ficar sozinho.

Ela me olhou por um minuto antes de assentir.

- Não espere escurecer para voltar.

Sai rapidamente e fiz o caminho conhecido até a clareira. Era estranho fazer isso sem Bella, e o nó na minha garganta só aumentava, o sol não estava tão forte, mas aquecia um pouco a minha pele. Ao chegar na clareira o vazio aumentou em meu peito, isso estava errado, a minha vida era totalmente errada sem ela.

Sentei embaixo de uma árvore e comecei a mexer com um galho no meio da relva. Fiquei assim por alguns segundos, segurando o choro em minha garganta e as lágrimas nos olhos, até que eu ouvi passos nas folhas e galhos secos.

Não precisei olhar para saber quem era, eu conhecia seus passos em qualquer lugar. Bella logo surgiu entre as árvores com uma bolsa de lado, e uma pequena cesta na mão que tinha uma toalha quadriculada em cima. Ela inclinou a cabeça para o meio da relva da clareira, onde o sol estava brilhante.

Levantei enquanto ela caminhou até o centro, colocando a cesta para baixo e estendendo a toalha. Tirou sua bolsa, deixando de lado e sentou-se fechando os olhos e inclinando o rosto para o sol. Sentei timidamente do outro lado da toalha e fiz o mesmo que ela, sentindo o sol na minha pele e o brilho por trás das pálpebras.

Sua pequena mão tocou a minha, abri os olhos e olhei para a minha pessoa favorita, que me olhava curiosa, com os olhos um pouco fechadinhos, as bochechas coradinhas e os lábios em linha reta. Ela se aproximou mais de mim, e colocou sua outra mão no meu rosto, me fazendo continuar a olhar para ela. Seus lábios se moveram, mudos, mas com a sua duvida.

- Por que Edward? – foi tudo o que ela perguntou, e isso rompeu o nó da minha garganta. As duas lágrimas caíram dos meus olhos, enquanto eu continuava olhar para ela, que apenas afagou minha bochecha e limpando-as.

- Porque eu estava com ciúmes, na verdade estou ainda. Porque eu tenho medo de que você encontre um amigo melhor do que eu. Porque tenho medo que você me esqueça. Porque eu sou muito egoísta para compartilhar sua amizade, seu sorriso, seu carinho. Porque eu tive tudo isso só pra mim durante anos e dói aqui – levei a mão ao meu peito, onde estava o meu coração – sempre que a vejo com ele. Porque cada vez que entrei naquele refeitório e os vi sentados juntos, sorrindo um fogo queimou em meu coração. Porque cada vez que dei meia volta e sentei perto do ginásio, senti um pedaço da minha vida escapar. Porque você é a minha melhor amiga, eu amo ter você, eu amo você e não quero perder isso.

No final do meu discurso eu já tinha chorado mais. Perfeito. Com vergonha de toda essa choradeira, fechei os olhos, mas não me afastei da sua mão em meu rosto, sentindo o toque dos seus dedos. Antes que eu percebesse, seus braços estavam ao redor do meu pescoço e seu pequeno corpo pressionado no meu em um abraço. A envolvi pela cintura, e afundei meu rosto em seus cabelos cheirosos, aspirando o máximo que eu podia.

Ficamos assim por um tempo, até ela se afastar e eu ver que ela tinha suas próprias lagrimas.

- Shh, não chore – limpei seu rosto – a culpa é minha, eu sou tão idiota, mi preciosa. Não chore. Por favor – pedi baixinho e ela respirou fundo.

- Edward, não existe melhor amigo no mundo do que você. Não seja bobo, eu jamais iria trocar você por ninguém. Você tem um espaço no meu coração que ninguém mais possui – seus lábios se movimentavam lentamente, para que eu entendesse bem cada palavra. Não que realmente fosse necessário, eu já entendia bem de leitura labial com Bella – Riley apenas estava solitário, perdeu a mãe tem menos de um mês e está morando com provisoriamente com a tia aqui em Forks, porque a casa onde ele morava em Chicago pegou fogo, onde a mãe dele morreu, e o pai dele está internado com graves ferimentos. Ele não tinha como ficar sozinho então veio para Forks – eu comecei a me sentir ainda pior, como se fosse possível, ela acariciou minha bochecha lentamente – Eu não gostei da forma que você o tratou hoje, você nem se esforçou para falar com ele, eu tinha certeza que vocês poderiam ser bons amigos. Ele gosta dos mesmos jogos que você, é divertido e legal. Mas preste atenção, ele não é você, e ninguém vai ser você na minha vida. Jamais Edward. Eu amo você, e melhor amigo só temos um para a vida inteira.

Minutos se passaram, enquanto ficamos apenas olhando um para o outro. Meu impulso era querer beijá-la. Ela parecia um anjo com os raios de sol no rosto, cabelo, iluminando seus olhos, as bochechas vermelhas e os lábios rosados. Mas eu sabia que não poderia fazer isso, então a puxei para mim e beijei suas bochechas, testa e a pontinha do nariz.

- Desculpe, eu sou tão idiota – ela sorriu levemente e assentiu dando um beijo na minha bochecha.

- Acho que devemos comer você não almoçou bem – seus dedinhos trilharam meu rosto, e suspirei feliz. – Esme e eu fizemos sanduíche de pasta de amendoim, suco de uva e peguei um pedaço de bolo.

Sorri para a minha menina, beijando novamente na sua bochecha antes de começarmos nosso picnic. Depois de comer pegamos tudo e colocamos a toalha entre algumas arvores. Deitamos lado a lado olhando alguns pássaros que cantavam nos galhos, o sol que entrava pelas folhas e com as nossas mãos dadas, os dedos brincando juntos.

Suspirei e me virei para ela, beijando seus cabelos e sentindo seu cheirinho delicioso.

Não importava mais nada nesse mundo, Bella sempre seria mi preciosa.


Me deu vontade de escrever sobre eles, meus planos de cena extra aqui era de outra coisa, mas a outra coisa não saiu, e esses dias estava vendo umas fotos no weheartit e tive essa idéia, de mostrar como o Edward enfrentou o primeiro ataque de ciúmes por causa da sua preciosa.

O que vocês acharam? Espero que tenham gostado.

Não sei se farei outra cena extra para cá, depende se me der vontade.

Comentem por favor.

Beijos

xx