Era domingo de manhã, e eu nem podia acreditar no que havia acontecido.

Entrava a luz inocente da manhã pela janela entreaberta do meu quarto.

Meu quarto estava uma bagunça e todas suas roupas estavam jogadas pelo chão. Eu ri ao me lembrar disso.

Ela estava usando meu braço como travesseiro a noite toda, e eu a abraçava com o meu outro braço. Era incrível como a luz do sol completava a sua pele. Era como se tivessem sido feitos um para o outro.

Fiquei admirando-a por algum tempo até ela virar seu pequeno corpo, separando-se de meus braços e se abraçando no travesseiro que estava jogado no lado frio da cama. Ela tremeu um pouco, levantei-me da cama e abri o baú em frente a cama para pegar um cobertor.

Fui para o lado da cama em que ela estava deitada e dormia como uma criança. Sorri ao ver sua expressão e coloquei o cobertor sob ela.

Caminhei até a estante que havia na sala, nas pontas de meus pés para não acordá-la, peguei a minha câmera fotográfica 'polaroid' e me certifiquei se havia filme. Fazia tanto tempo que eu não a usava... Ela merecia uns cliques dessa manhã inesquecível.

Voltei para o quarto, lentamente. Ela estava na mesma posição em que a deixei. Cliquei algumas vezes, e na última, o flash disparou. Não sei por quê! Merda!

Seus olhos abriram lentamente e eu conseguia ver um sorriso bobo estampando seu rosto branco como mármore.

"O que você está fazendo?" ela riu ao ver a polaroid em minha mão direita e, na esquerda, algumas fotos recém tiradas.

"Nada, ué" eu respondi tentando fazer com que ela voltasse a dormir e esquecesse do flash que a faz acordar do sonho dela.

"Eu vi, Nate. Que que você tava fazendo?" ela riu de novo.

"Tá bom" me rendi, a risada dela me fazia esquecer de tudo, e perder todos os meus medos. "uma vez me falaram que uma foto dura pra sempre".

"Eu queria que essa manhã também durasse pra sempre, como as fotos que eu tirei" continuei.

[continua]