Resumo: Eu tinha sete anos quando o conheci. E nem eu nem ele sabíamos como nossas vidas iam mudar a partir daquele momento. AU, B/B.

Disclaimer: Não me pertence!

N/a: Olá! Essa é a primeira vez que eu escrevo uma história com Bones. A idéia me surgiu a partir da música Mary's song (oh my my my) da Taylor Swift. Há um vídeo no youtube dessa música com Bones, e alguém comentou que daria um ótimo fanfic, e minha mente começou a viajar pelas possibilidades... quando sentei para escrever, meus dedos tomaram o poder e eis o resultado. Tenho uma ou outra idéia para o segundo capítulo, mas gostaria de receber opiniões.


1. Primeira impressão

She said, I was seven and you were nine
I looked at you like the stars that shined
In the sky, the pretty lights

Minha primeira impressão dele não foi algo glorificante. As pessoas costumam dizer que a primeira impressão é a que fica, mas eu discordo. Como eu poderia ter uma boa impressão do colega do meu irmão, quando ele viera justamente me importunar?

Eu tinha sete anos. Estava envolvida em uma das minhas brincadeiras favoritas à época. Desenterrar ossos no jardim.

-Isso não são ossos, são gravetos pintados! – disse ele para mim. Tão esperto.

-Não, são ossos de dinossauro. Eu acabei de descobrir, e vou ficar famosa.

Então ele olhou para mim com aquela expressão de descrença, a testa franzida.

- Você não bate bem, né?

E eu olhei pra ele, também franzindo a minha testa.

-Não sei o que isso quer dizer.

Ele soltou um murmúrio de cansaço, como se dissesse que não valia a pena explicar, e então voltou para dentro para encher meu irmão em vez de me encher.

Russ nunca havia trazido aquele menino em casa antes. E Russ sempre trazia muitos amigos para casa. Mas eu não poderia dizer que ele era amigo do menino. Pelo que tinha ouvido de Russ mais cedo, ele havia entrado em nossa escola há pouco mais de uma semana, transferido. Sendo novo, ele havia sido encaixado em um trabalho em dupla com Russ. Assim, os dois teriam que se encontrar depois da aula para terminar um trabalho escrito e um cartaz sobre os peregrinos.

Russ já havia reclamado dele para mim, dizendo que era um idiota e só estava fazendo o trabalho com ele por que o professor o obrigara. E a primeira vez que ele apareceu na minha frente, desdenhando da minha brincadeira que já havia virado uma obsessão, não o levei muito a sério. Mas as coisas mudariam muito, e logo.

Perto do final da tarde eu estava no meu quarto, procurando por um livro que estivera lendo mas não conseguia encontrar. Então me lembrei que havia deixado ele na casa da árvore.

A casa da árvore era meu refúgio. Eu, papai e Russ havíamos construído um tempo atrás em uma árvore frondosa do quintal. Chamávamos ela de lab, por que era um lugar para onde eu e Russ podíamos levar coisas que nunca levávamos para dentro de casa, como insetos e coisas sujas de terra. No lab podíamos cortar, pintar, espalhar terra e explodir coisas pequenas sem a mamãe reclamar da sujeira. Eu também gostava de ir até lá para ler ou simplesmente me debruçar no que servia como uma janela e olhar tudo dali. Dava para ver parte do meu quarto, de um lado e parte do de Russ, do outro, uma vez que a janela dos dois dava para o quintal.

Eu estava subindo a escadinha de corda quando ouvi um ruído abafado. Parei no mesmo lugar, olhando o quintal quase escuro à minha volta. Nós não tínhamos um cachorro, mesmo com Russ repetindo que queria um sempre que tinha uma oportunidade. O quintal era cercado, e eu sabia que minha mãe estava na cozinha, preparando o jantar, e meu pai e Russ estavam no andar de cima da casa, eu podia ver a luz do quarto do meu irmão acesa. Então eu notei que o barulho parecia vir de dentro do lab.

Me munindo de um galho forte que achei no chão, voltei a subir a escadinha. Eu não era o tipo de garota de fugir de algo, mesmo àquela época. Alcancei o final da escada e olhei a semi-escuridão do lab. Bem no canto, perto da janela, vi uma massa escura, mas ela não se mexia. Não até eu ouvir outro ruído abafado, e reconhecer como sendo um soluço.

Me aproximei, devagar, baixando o galho. Me sentei perto da escadinha, mas o garoto fechado em uma bola perto da janela não se mexeu. Encostei minha mão no ombro dele, desajeitadamente.

Ele levou um tremendo susto, se afastando de mim como seu eu mordesse. Se aproximou da parede oposta, se encostando à ela quando não havia mais para onde fugir. Pela pouca luz do começo de noite que se infiltrava pela janela, pude ver o brilho pérola das lágrimas em sua face.

Eu sempre fui desajeitada pra esse tipo de coisa, e não sabia bem como agir. Não tinha tios ou primos, e não era uma pessoa popular na escola. A maior parte da experiência que tinha com pessoas era com a minha família, e com pessoas da minha idade era meu irmão. Se meu irmão chorasse, minha mãe estava por perto. Eu não sabia como agir.

-O que você ta olhando, garota estranha? – disse ele depois de um tempo, com raiva.

-Eu.. eu.. – eu queria ajudar. – Eu não sabia que você tava aqui, desculpa.

Comecei a descer a escadinha.

-Espera.

Parei no lugar, olhando para ele.

-A casa na árvore é sua... eu que devia ir embora.

Me sentei novamente.

-A gente chama de lab. E se você quiser ficar, não faz mal.

Ele pareceu pesar a decisão por alguns segundos, então enxugou as lágrimas. Olhou à volta.

-O que costuma fazer aqui?

Eu me estiquei pra pegar o livro que estivera procurando, a um canto junto de um carrinho com controle remoto do Russ.

-As aventuras de Tom Sawyer. É legal?

-Eu to gostando. Você gosta de ler?

Ele olhou pro outro lado, desconfortável.

-Leio os livros da escola.

De repente ficou mais escuro, e eu me virei para a janela. A luz do quarto de Russ havia se apagado.

-Você e Russ terminaram o trabalho?

Ele deu de ombros.

-A gente discutiu sobre quem ia escrever no cartaz. Ele acabou rasgando a cartolina e não fizemos nada.

-Você não devia voltar para casa? Seus pais vão ficar preocupados.

Ele deu de ombros, sem responder. Algo passou por seus olhos, e se eu fosse mais velha talvez tivesse entendido. Mirava a casa, os quartos escuros. Então eu percebi algo.

-Russ não sabe que você está aqui! Por isso se escondeu!

Ele ficou quieto, sem me olhar.

-Por isso que você tava chorando? Por que vocês brigaram?

-Não seja boba!

Os olhos dele, antes tão gentis, ficaram escuros de raiva e eu segurei a língua. Mesmo ele sendo maior que eu, eu não tinha medo dele, mas ainda assim era melhor não irritá-lo. Olhei para as estrelas no céu, querendo mudar de assunto, e logo ele olhava também.

-Elas são lindas, não são? – disse a voz dele, baixinho.

-Você sabia que algumas delas já estão mortas, mas a gente ainda consegue ver o brilho?

-Como assim?

-É que elas estão tão longe, e a luz demora tanto pra chegar aqui, que o que a gente vê já aconteceu há muito tempo.

Ele baixou os olhos, das estrelas para mim.

-Sério?

-Sério.

-Como você sabe?

-Vi num livro na biblioteca. Perguntei pro meu pai, e ele disse que é verdade.

-Você é esperta. – disse ele depois de um tempo, me olhando como se algo tivesse mudado.

-Eu sei.

Ele riu, não sei por que. Então estendeu a mão para mim, como se fosse vários anos mais velho.

-Seeley Booth.

Eu estendi a mão também, apertando a dele firme.

-Temperance Brennan.

E voltamos a olhar as estrelas juntos.