BSW, sei do que você está falando, também gosto quando as histórias tem aquela pontinha de realidade, de cotidiano. E às vezes eu me surpreendo ao reler e perceber que aqui e ali, sem querer eu inseri alguma coisinha de minha experiência pessoal. Mikaelly, e o mesmo vale para o Booth. Por isso que eles são a melhor equipe possível. ^_^ JosyZiane, Hank é duro na queda, mas criando três adolescentes tem que ser! Camolesii, olá e bem vinda! Obrigada pelas palavras de incentivo e que bom que minhas reviravoltas te surpreenderam. Renata C, que bom que gostou! Amo aqueles três garotos! *.*

N/a: Eu estou alcançando um momento em que vou ter que tomar algumas decisões... mudanças vão vir, mas antes gostaria de trabalhar uma pequena ideia. Vamos ver como sai. Alguma expectativa para o último ano de escola da Bren?
O próximo capítulo será o 70, acho que vocês merecem algo especial! E em troca vocês podiam me dar de presente o review número 500. *.*


Brennan's Song

69. Velhos laços

Eu tentava não pensar no fato que Booth estava em algum lugar no meio da Bolívia, arriscando sua vida em uma missão, mas falhava miseravelmente todos os dias. O assunto não era mencionado à mesa de jantar, ou às quietas conversas com Hank enquanto estivéssemos no carro, ou realizando tarefas pela casa. Mas isso não queria dizer que Hank não sabia o que se passava por minha cabeça.

Em uma ou outra noite eu estaria esticada no sofá da sala com um livro, pouco antes de ir para a cama. Hank estaria sentado no sofá oposto a mim, assistindo ao noticiário. Ele daria algumas palmadinhas no lugar ao seu lado e eu, já habituada à ação, deixaria o livro de lado e me sentaria ali. Logo que eu me aproximasse ele abriria os braços e eu me aconchegaria em seu peito, o suave cheiro de cachimbo e água-de-colônia fazendo com que eu me sentisse em casa. Nós não falaríamos nada. Ficaríamos em silêncio e, ocasionalmente, eu daria um beijo em sua bochecha à guisa de boa noite, e seguiria para meu quarto. E aquelas pequenas demonstrações de afeto, os silenciosos abraços na serenidade da noite eram mais necessários ao meu balanço emocional do que eu seria capaz de admitir em voz alta.

Meu aniversário estava chegando e, estranhamente, eu iria deixar os dezesseis anos para trás. Dezessete soava diferente. Soava quase que... maduro.

Como no ano anterior, Russ havia tentado me ligar. Quando Hank veio até meu quarto, com uma expressão séria, dizer que Russ estava ao telefone, minha primeira reação foi dizer para Hank desligar. Mas então algo mais inundou meus pensamentos – Booth falando sobre famílias, a saudade que eu sentia dele, o quão Jared me lembrava Russ – um idiota com ideias estúpidas a maior parte do tempo, mas um garoto protetor e talvez um pouco perdido, que era apenas jovem e não sabia o que estava fazendo.

Resolvi aceitar a ligação.

-Tempe. É tão bom falar com você. - disse ele, e sua voz soou tão dolorasamente familiar - como se ele estivesse em um acampamento do grupo de escoteiros e tivesse ligado para casa para falar com papai e mamãe, mas eu tivesse atendido o telefone. Não como alguém que havia se tornado um estranho para mim no último ano.

-O que você quer, Russ?

-Lhe desejar toda a felicidade possível? Você não achou que eu iria esquecer seu aniversário, certo?

-Não me impressionaria, quando você se esqueceu de mim.

-Tempe, isso não é verdade. Eu penso em você cada maldito dia que acordo. E você não sabe o imenso alívio que senti quando soube que você estava morando com os Booth.

-Eles são minha única família agora. - eu disse, em um fio de voz. Eu esperava que o resto de meu pensamento estivesse implícito na frase.

Russ suspirou.

-Ouça, maninha. Há tantas coisas que você não entende, tanta coisa que, se você soubesse...

-O quê? Me conte, Russ.

A linha ficou muda por alguns segundos, e eu fiquei na dúvida se ele iria desligar naquele momento. Mas logo ouvi a voz dele novamente.

-O que aconteceu, tudo que aconteceu... provavelmente foi o melhor. Eu só peço para que você não me odeie, não odeie a mamãe e o papai. Não se feche. Isso não lhe levaria por bons caminhos.

Eu senti as lágrimas encherem meus olhos, mas não permiti que caíssem. Não iria deixar Russ ouvir minha voz embargada.

-Desde quando você me dá conselhos sobre como viver a minha vida?

-É a minha missão. Por mais que eu não haja como um irmão mais velho o tempo todo, eu ainda sou um.

A voz dele tinha uma ponta de algo que não conseguia compreender. Tristeza? Por um momento pensei em perguntar como ele estava, onde estava vivendo. Mas então me refreei. Não era do meu interesse, não mais.

-Obrigada por ter ligado, Russ. - disse, dando um tom final à conversa.

-Obrigado por ter atendido, Tempe. Espero que você tenha um feliz aniversário.

-Certo. - disse eu, a ponto de desligar. Mas então ele começou a dizer algo, se interrompeu, e começou de novo.

-Alegria, Tempe. Alegria é importante. É o que meu amigo Kyle sempre diz.

Eu franzi o cenho, sem entender por que, de repente, Russ resolvera dizer aquilo. Mas antes que pudesse perguntar algo, a linha foi cortada. Desliguei o telefone, mas fiquei parada no mesmo lugar, pensando a respeito da conversa que acabara de ter.

Se Booth estivesse ali, ele diria: Não doeu nada, não é?

~X~

-Hey, é Brennan , certo? - me virei com certa dificuldade, no corredor cheio da escola. Vi um garoto alto me seguindo.

-Sim, Sebastian.

-Você lembra meu nome!

-Ora, você se apresentou na festa.

Ele sorriu e deixou o assunto de lado.

-Então, ouvi que hoje é seu aniversário. Vim te dar um abraço e lhe desejar felicidades.

-Obrigada.

Ele abriu os braços, sorrindo.

-O abraço?

Eu ergui uma sobrancelha, sem entender bem de onde aquilo havia vindo. Eu mal conhecia o menino, não éramos amigo.

-Qual é, é só um cumprimento de felicidades no dia comemorativo em que você nasceu.

Eu finalmente aceitei o contato, achando que se não o fizesse ele não me deixaria em paz. Sem que pudesse me segurar, comecei a fazer uma tabela comparativa em minha mente. Cerca de cinco centímetros mais alto. Braços mais magros, circunferência do abdômen menor.

Obviamente, o parâmetro era Booth.

-Então, como foi o seu dia até então? - perguntou ele, depois de me soltar e começar a caminhar ao meu lado.

-Fora do comum. - disse, pensando na ligação de Russ e de quase estranhos me abraçando no corredor.

-Fora do comum é bom. O ruim é tudo sempre igual. - disse Sebastian, me lançando um sorriso antes de pegar um corredor diferente do que eu pegaria – A gente se fala!

Aquele não seria o último cumprimento que receberia no dia. Angela fez questão de fazer com que o parabéns dela fosse um espetáculo à parte, entrando na sala com um sorriso de orelha a orelha, um embrulho vermelho em mãos, falando mais alto do que seria necessário para qualquer ser humano sem deficiência auditiva ouvir. A professora ainda não havia chegado à classe por isso, depois do anúncio de Angela, impossível de perder, grande parte de meus colegas de classe se levantou para me abraçar, me dar uma palmada no ombro, me desejar felicidades.

Eu não entendi que o sorriso de Angela tinha outros motivos para existir, não até começar a abrir o pacote.

Algumas das garotas que haviam vindo me parabenizar ainda estavam à nossa volta, observando e, assim que eu percebi o que exatamente era o presente de Angela, enfiei de novo no pacote, minha pele com certeza adquirindo trinta tons diferentes de vermelho.

Mas assim que as meninas começaram a me inquirir e tentar ver o que era o presente, a professora entrou na sala, apressada, mandando todos se aquietarem e se sentarem.

Salva pelo gongo.

Eu fiz questão de mandar um olhar feroz e matador na direção de Angela, mas ela apenas continuou com seu sorriso estampado no rosto e, antes de virar para a frente, murmurou:

-Para quando o seu grandão voltar. Tenho certeza que ele também vai adorar seu presente de aniversário.

Eu virei para a frente, muito consciente da lingerie rendada e provocativa que estava dentro da minha mochila. Algo não muito apropriado para uma estudante do Ensino Médio carregar pela escola.

~X~

Durante todo o dia, caminhei autoconsciente do que carregava na minha mochila, como se alguém fosse abri-la e me incriminar.

-O que você vai fazer para comemorar o seu aniversário? - perguntou uma Angela feliz, caminhando ao meu lado ao final das aulas.

-O que quer que seja, eu não deveria convidar você. - respondi, entredentes.

Aquilo fez minha amiga rir.

-Dentro de algum tempo você irá estar me agradecendo. Então, aniversário? Se você não for fazer nada, eu passo na sua casa e vamos a algum lugar. Você não vai ficar em casa no dia do seu aniversário.

-O Hank disse que ia fazer um bolo. Se você quiser, pode jantar lá em casa. - disse, dando de ombros.

-Vocês não vão sair para jantar este ano?

-Hank me perguntou se eu queria, mas disse que preferia jantar em casa.

Havíamos alcançado a porta, de onde seguiríamos diferentes direções. Angela me encarou por dois segundos antes de me dar um abraço apertado.

-Amiga, se anime. Logo seu namorado vai estar de volta e vocês vão matar a saudade e recuperar o tempo perdido.

Eu pisquei, confusa. Não havia dito nada a respeito. Eu nem mesmo estava pensando a respeito do assunto àquele momento.

Ela se afastou o suficiente para me olhar nos olhos, ainda segurando meus ombros.

-Não negue, eu sei o que estou falando.

Eu não negaria, não é? Não era uma mentira o que ela dissera.

Angela sorriu e começou a se afastar. Quando já estava a alguns metros, gritou:

-Apareço na sua casa às cinco!