Remexeu mais uma vez a caixinha. Os tesouros faziam clept, clept quando ele balançava de um lado para o outro. O som o fazia se sentir seguro. Encostava-a no seu coração e era tum, clept, tum, clept, tum, clept.

Imaginava sua mãe ali, admirando-o. Com aquele olhar-sorriso. Tom abriu a caixa pela duocentésima sétima vez naquele ano. Retirou cada objeto com o mesmo brilho nos olhos de sempre — nunca parava de se surpreender com os presentes de sua mãe.

E então ela punha a mão em seu ombro (e ele podia até mesmo sentir a pressão), perguntando gostou do presente, Tom? e você sempre sorria, mostrando os dentes brancos geralmente guardados detrás dos lábios. Sim. Dê-me mais, mamãe.

Ela sempre dava. Ele sempre conseguia mais um, e ele ficava mais e mais seguro.

Guardou todos cuidadosamente, fechando o seu armário de um jeito que só ele conseguia abrir, nem a diretora com seus abra, seu mal-criado conseguia. Era impressionante.

Você é impressionante, Tom ouvia sua mãe dizer com orgulho. Impressionante.

O som fazia seu corpo esquentar, como se apertado por um abraço. Reconforto. Aquela voz estendia os braços e o envolvia inteiro. Sua mãe dizia vai ficar tudo bem (mas nunca ficava).

Tom encostou-se no armário, um longo fio molhado estendendo-se pelo rosto pálido. Ficou ali, chorando silenciosa e bravamente por muitos segundos.

-x-

Quando ele olhava através da janela encardida para o cenário cinzento da cidade a seu redor e percebia que era tudo mentira, os presentes eram seu único ponto seguro.

X

O título da fic supostamente significa "o crucial do lado de fora". Quem souber francês aí grita =)

Aliás, essa é a suposta etimologia de Horcrux. Enfim.

Fic para o XXXXV Challenge Relâmpago, com o tema mãe e item reconforto, aqui no sentido de incutir novo ânimo, restaurar a força moral de.

Bgs.

Mr. Montagh's