Capítulo XIII

Saíram do restaurante, mas decidiram passear mais um pouco pela cidade antes de terminarem oficialmente o encontro.

- Eu estou me sentindo um pouco culpada. Você cancelou todos os seus compromissos para vir até aqui – ela comentou, enquanto andavam de mãos dadas por um parque.

O resultado dos ambientes controlados era incrível, ninguém suspeitaria que aquele lugar fosse parte de uma gélida lua de Júpiter sem estar ali para comprovar.

- Não sinta. Eu tinha acabado de sair das filmagens de um roteiro extenso e terminado uma ponta de dublagem num longa-metragem animado. Eu merecia um descanso também.

- Sim, mas foi tão de repente...

- Eu só precisei avisar meu agente. Do resto ele mesmo cuidou, apesar de que não gostou muito. Mas remarcar entrevistas e coisas assim é responsabilidade dele.

- Isso parece crise de estrela de cinema – ela riu.

- Ei, ei... Não zombe. Era um caso sério para ser resolvido! Eu tinha que tirar esse tempo.

- Até parece! – riu mais. – E... – adquiriu um tom mais sério – Quando volta ao trabalho?

- Eu não sei... Mas acho que não posso demorar muito. Como você disse, foi tudo de repente. Só posso tirar férias longas quando as marco com antecedência.

- Sei bem como é... – respondeu cabisbaixa.

- Mas isso não quer dizer que eu tenha que ir embora amanhã e te deixar sozinha – remendou, olhando para um ponto bem longe à frente, com a face enrubescida.

Ela mirou-o, um pouco surpresa. Como podia ser tão escandaloso e irritante... E doce ao mesmo tempo? Chegou mais perto dele, sem soltar suas mãos, e apoiou a cabeça em seu ombro.

- Obrigada. Fico feliz de ter sua companhia – respondeu à gentileza dele.

- Ah... Por nada... Não faz bem ficar sozinha mesmo...

- Não se trata de ter companhia apenas... Trata-se de ter a sua companhia por mais tempo – corou.

- Sempre que precisar, estou às ordens...

- Talvez eu... Daqui pra frente... Talvez... – parecia avaliar o que ia dizer. – Talvez você não possa estar sempre que eu precisar, porque talvez eu sempre vá precisar – acabou por dizer. O tom era amável.

Por um minuto, ficou estático. Ela tinha insinuado algo, não tinha? Não era mesmo coisa de sua imaginação. Ele realmente a ouvira dizer que talvez fosse precisar sempre dele, e com jeito de quem tinha muito mais a dizer por baixo daquelas palavras. E ele sabia o que era "muito mais" nesse caso.

Mas, espere, como assim ela tinha insinuado algo? Não era sempre o homem que fazia isso? As garotas se declaram, mas os garotos é que dão os passos à diante. Todo romance que interpretara seguia aquele roteiro. Não sabia como agir diante da cena oposta, sequer sabia que ela poderia existir.

- Desculpe – ela disse, após um tempo sem resposta dele. – Eu não quis te assustar com isso. Pode esquecer que eu disse, tudo bem? – desencostou-se dele e o olhou. Mas não havia nada para se ler em seu rosto, era inexpressivo.

- Não! – apressou-se em apertá-la junto de si outra vez. – Eu não disse que não preciso de você todos os dias. Eu só não soube responder, porque eu nunca me vi numa situação dessas – sorriu-lhe ternamente, mas atrapalhado.

- Então...

- Eu preciso de você... Para melhorar minha atuação.

- Como disse? – o semblante era duro. Uma máscara de ferro.

- Você me ajuda a melhorar a minha atuação... e eu ajudo você na sua.

- O que quer dizer? – ainda impenetrável.

- Nós dois somos péssimos atores.

- Eu ainda não... – sua manifestação foi cortada por ele.

- Eu não sei como atuar na vida real. E nem você. Eu não sei como devo agir nas situações de verdade, como você dizer que pode precisar sempre da minha companhia. Eu não soube o que dizer. Você, por outro lado, sempre sabe o que dizer, mas esqueceu mais uma vez como se expressar de verdade, como deixar seus gestos e expressões falarem tanto por você quanto as suas palavras. Como está fazendo agora. Você ficou triste, surpresa, chocada e confusa e não demonstrou nada disso. Quando se desgosta de algo, faz essa cara de nada.

- Não sei aonde isso nos leva – mais uma vez a reservada Menori.

- Simples: quando estamos juntos, a nossa atuação é perfeita – aproximou seus rostos – eu descubro melhor como agir e você reaprende a se expressar – um dos braços que a prendia pela cintura se soltou e se entreteve brincando com uma ou outra mecha do cabelo da moça.

- E então?

- E então eu quero atuar na sua vida e quero que você atue na minha. Quero a minha e a sua melhor interpretação todos os dias que pudermos compartilhar – beijou-a intensamente, correspondido de igual maneira.

Enquanto compartilhavam aquela cena, algo que eles não esperavam aconteceu: uma quantidade incontável de flashes se fez presente.

Separaram-se assustados, notando finalmente que toda a sua privacidade não passou de ilusão. Diferente deles, aparentemente, repórteres sensacionalistas e paparazzi não descansavam.

- E agora? – ela perguntou, corada, ainda olhando todas as pessoas xeretas que surgiram, roubando-lhe o momento único.

- Agora... – fez uma pausa e desviou a atenção dos curiosos e suas câmeras para ela, que o fitou também. – Agora nós continuamos o que estávamos fazendo e deixamos que eles cuidem de contar pra todos que estamos namorando – sem nenhum constrangimento quanto aos presentes, voltou, ou melhor, voltaram logo ao beijo profundo, que lhe interessava muito mais do que qualquer intromissão impertinente.

No dia seguinte, a manchete da maioria dos tablóides era o romance de certo ator universalmente reconhecido e de uma política influente, mas isso pouco importava aos protagonistas daquela história.

Pois, na verdade, o mais relevante era que sua atuação havia sido, e seria assim por todo o tempo que dividissem, perfeita...


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FIM! E no meio de vários capítulos que não me deixaram feliz, aqui está o último, do qual eu gosto bastante! VIVA! Acho que eu gosto do tom de justificativa que ele tem, a razão pela qual o Howard e a Menori dão certo juntos apesar de serem tão diferentes. E outra coisa que eu gosto é a hora em que todo o romance é atingido em cheio pela curiosidade de fotógrafos e curiosos. O momento deles não foi totalmente quebrado, mas acho que tira um pouco todo o mel da cena (apesar de ser sobre o que eu escrevo, não é realmente meu gênero favorito).

Tem mais uma coisa que eu gosto aqui e tem a ver com o fato de eu não ter escrito "E viveram felizes para sempre" no final. Essa tranqueira de "felizes para sempre" não existe. Todos vamos enfretar problemas pelo resto de nossas vidas (não constantemente, mas enfim) e essa frasezinha parece querer excluir este estado tão natural de nossas vidas. Quando eu digo que a atuação deles vai ser perfeita, eu não tenho a menor intenção de sequer idealizar que eles não vão ter dificuldades, brigas, conflitos etc, etc, etc. O que eu quis dizer com isso é que, mesmo quando as dificuldades surgirem, eles vão "atuar" da melhor maneira possível para buscar a melhor solução possível.

Bom, um detalhe sobre a trama: repararam que eu fiz o Howard já ter namorado com a Sharla? É que no final do anime parece que rola um clima entre eles... MAS EU ACHO MUITO NADA A VER! Sabe, a Sharla é muito princesa e delicada. Eu diria que ela é do tipo que precisa de alguém emocionalmente mais forte do que ela para manter-se e, bom, o Howard é praticamente uma versão masculina dela (não que ele seja príncipe e delicado, mas ele também não é forte emocionalmente, acho que ele está mais para sensível). Esses fatos me levam à conclusão de eles não dariam certo juntos, porque na primeira crise os dois fraquejariam.
Aliás, devo acrescentar que isso torna mais plausível que a Menori e o Howard sejam um bom casal. Ela tem uma personalidade muito forte...

Agora, para Loupgarrou, não importa que não tenha podido seguir religiosamente a fic, eu ainda lembro como é a escola (faculdade e cursinho não são muito melhores xP). Melhor se concentrar mesmo no que é prioridade e deixar os passatempos no segundo plano, que é o lugar deles. Muito obrigada por acompanhar a fic no seu próprio tempo, obrigada pelas reviews mandadas, obrigadas pelos elogios e críticas. Espero que goste do "final" que eu criei pra esse casal.

Bom, como este é o fim da fic, o nosso "até a próxima" vai demorar bem mais, até eu finalmente terminar alguma outra história, o que com certeza não será ainda este ano xD... Espero que tenha sido uma leitura agradável e que seja o bastante para que me esperem até a próxima ;).

ByeBye&Bjos
Nahimana C.