Pequeno Prólogo/Resumo:

A Guerra entre Lord Voldemort e o Ministério da Magia começou violenta e sangrenta. Mas apesar das muitas baixas do Ministério, o Lorde das Trevas está perdendo muito mais. Quando todos estão dando glórias com a iminente derrota de seu maior inimigo, Lord Voldemort adquiri um novo e estranho comensal que muda o placar radicalmente. No entanto, ele é um completo mistério, até para os próprios comensais.

Após um ano, ele consegue dominar Hogwarts e ali prende seu maior inimigo, Harry Potter. Para o azar, ou sorte, de Harry seu cárcerer é esse estranho comensal que perambula igual uma sombra.

Mas quem ou o que será esse novo trunfo que Voldemort retirara simplesmente do nada? Será que Harry descobrirá os segredos por debaixo da capa?

"Desde tempos antigos, o dragão era a única besta que poderia se igualar com um tigre.

Agora eu me tornarei um dragão, para ficar ao seu lado." - Trecho retirado do anime Toradora.


Tigres e Dragões – Capítulo 01

Sob a luz de uma Lua Vermelha, uma silhueta negra parecia olhar as margens plácidas de um lago. Um vento cortante fez as árvores e arbustos agitarem-se freneticamente, agitando inclusive a capa da pessoa ali parada a observar a paisagem. Uma capa negra lhe encobria todo o corpo. Ela abaixara levemente a cabeça e algo caiu de dentro do buraco negro produzido pelo capuz que encobria seu rosto. Algo que brilhou momentaneamente contra a luz do luar e sumiu ao impactar-se com o chão.

Um dos mais novos e misteriosos comensais de Lord Voldemort finalmente virou-se em direção ao castelo, analisando-o por alguns momentos. Finalmente, começara a caminhar em sua direção. Seus passos eram normais, enquanto se dirigia a uma majestosa porta, um pouco surrada pela recente batalha que havia tido. Havia quatro comensais ali, mas estes não usavam capuzes sobre as cabeças, deixando seu rosto à mostra, sem medo, apesar de estarem atentos, pro caso de mandarem reforços. De algumas janelas do castelo se via outros rostos.

Assim que foi se aproximando, os comensais ficaram levemente perturbados, mas tentando disfarçar. Subiu os degraus e prostrou-se em frente à porta, pois, dali para dentro, se tornaria sua mais nova prisão. Logo atrás, pôde ouvir os sussurros dos comensais comentando.

- Como o Lacbel conseguiu sair?

- Não sei... Mas não é à toa que é um dos melhores comensais do Lorde das Trevas...

- Mas dá medo... Parece uma criatura maligna que ele conjurou.

Os comensais não sabiam quem era, nem como era. Aparecera entre o exército de comensais fazia um ano, através do Lorde das Trevas. Não falava, nunca se revelava... Nem mesmo sabiam se era jovem ou velho, mulher ou homem. A única coisa que sabiam era que seu nome provavelmente era Lacbel, como o Lorde chamava aquela silhueta enigmática. E as outras duas únicas coisas que sabiam era que era muito forte e de extrema confiança dele. Era assim que o Lorde queria que fosse. Uma incógnita ambulante.

Abriu a porta, não querendo ouvir mais sobre as possíveis cogitações acerca de onde surgira. Pensava em dar uma volta pelo castelo, a fim de achar algum lugar onde pudesse esconder-se, mesmo que em síntese fosse inútil. Não enquanto estivesse com...

Mas seus pensamentos foram interrompidos.

Notou, assim que chegara aos pés da escada, na qual tinha a intenção de colocar o pé no primeiro degrau, que três comensais o observavam lá de cima. Reconhecia o do meio... Era o comensal de quem mais queria correr, toda vez que aparecia. Não por causa dele, mas pelo que sempre vinha fazer. Sempre era ladeado por outros dois, não sabia exatamente o porque... E não queria ter certeza se queria descobrir.

- Lacbel. - ele chamara, mas sua voz tinha um leve tom irritado. Provavelmente era o único comensal que tinha coragem de falar com ele. Ou era obrigado a isso, não poderia garantir, só se lesse os seus pensamentos. A vontade que tivera em subir a escada, antes de saber que eles estavam ali, fora extinguida - Não fico admirado por não ter te encontrado em parte alguma do castelo.

"Imagino." foi o que pensara Lacbel, ainda parado como uma estátua no pé da escada.

- Vamos, o Lorde das Trevas pediu sua presença imediatamente. Há quase uma hora. - ele falara com os olhos sobre ele. Havia um quê perverso e era como se estivesse subentendido na frase que "Você está extremamente encrencado".

Era justamente por causa desse comunicado que ele gostava de evitá-lo. Mas fugir dele estava fora de cogitação. A única coisa que fez foi simplesmente um sinal afirmativo rápido, começando a subir as escadas até os três comensais e, assim que chegou à eles, o que havia falado saiu na frente e os outros dois ladearam-no. Sentia-se um pouco encurralado, provavelmente era essa a sensação que o Lorde queria impor a ele todas as vezes que era levado até sua presença.

Caminharam minutos e minutos em silêncio pelos corredores. Os corredores, antes iluminados, alegres... Agora eram silenciosos, escuros e até mesmo tristes. Dirigiam-se ao escritório do antigo diretor de Hogwarts... O escritório de Dumbledore, que o Lorde das Trevas tomara agora para si.

Finalmente, após alguns minutos de caminhada, pararam os quatro à frente de uma gárgula em particular. O comensal que liderava foi quem falou, provavelmente, a nova senha para seguirem em frente.

- Ilirea.

A gárgula deslizara para o lado e a parede logo atrás também, revelando uma escada que subia em espiral, provavelmente para alguma das torres. Era onde antes o diretor da escola se encontrava. Subiram, tendo o líder do grupo na frente, a silhueta negra logo atrás e os outros dois comensais mais atrás. Após alguns minutos de subida, chegaram a um hall que dava numa porta de carvalho sólido. O líder bateu levemente na porta três vezes. Passos rapidamente pareciam atravessar a sala e a pessoa abrira a porta com rudeza. Através dela, havia um Lorde extremamente furioso.

- Encontraram-no? - foi a pergunta imediata, fazendo todos se encolherem... Apenas Lacbel havia simplesmente estremecido levemente, quase imperceptivelmente, mas seu coração estava aceleradíssimo.

- Si... Sim, Milorde! - dissera o líder, dando um passo para trás e indo para o lado, para mostrar Lacbel, que se encontrava logo à frente da porta.

- Ótimo, podem ir. Lacbel, entre. Já. - ele dissera rispidamente, agora com a ira um pouco mais aplacada por ver a figura negra à sua frente. Mas ainda demonstrava seu rancor por seu desaparecimento.

- Sim! - disseram os três comensais, saindo dali o mais rápido possível.

Lacbel andara com calma para dentro do escritório, mesmo que não estivesse exatamente calmo. Preparava-se para um castigo iminente. Provavelmente, pela fúria com que ele atendera os comensais, ele devia tê-lo convocado há muito tempo. O comensal não parecia ter mentido. Se voltassem sem ele, o Lorde iria procurá-lo e receberia outro dos piores castigos por tentativa de fuga. Ele jamais conseguiria fugir dele... Jamais. Assim que havia adentrado, ele fechara a porta logo atrás de si, sem nenhuma delicadeza, caminhando vagarosamente até ficar à sua frente.

- Onde estava, Lacbel? - veio a pergunta ríspida.

- Nos jardins, Milorde. - a voz saíra rouca e baixa. Não podia mentir, se ele já ia ser castigado por não obedecer a uma das ordens dele, seria pior se mentisse.

- Eu te proibi de sair das paredes desse castelo após a vitória da batalha. - os olhos dele se estreitaram ameaçadoramente, sua voz perigosamente baixa - Talvez eu não tenha sido claro quando ordenei isso. - a voz calma só fazia-o ficar mais apreensivo. Parecia que seus ouvidos percebiam seu coração bater mais rápido.

- Suas ordens foram muito claras. - a única pessoa que ele falava era com o Lorde. Mas nunca dizia grandes frases. Sua garganta não aguentava, tão desacostumado estava a manter-se em silêncio absoluto por longos períodos de tempo.

- Não o punirei dessa vez, Lacbel, mas a próxima em que me desobedecer valerá por duas. - ele dissera de modo ameaçador, apesar de ter um tom completamente calmo em sua voz.

- Não o desobedecerei mais. - não saíra nem um milímetro do lugar enquanto conversavam.

- Assim espero, Lacbel. - nesse momento, ele se virou para o fundo do escritório, antes de movimentar a cabeça para o lado e olhá-lo de soslaio - A propósito. Sua proibição continua.

- Como desejar, Milorde. - ele dissera, abaixando um pouco mais a cabeça com ar submisso.

Parecendo finalmente satisfeito, deu-lhe as costas, indo um pouco mais para o fundo do escritório. Sabia que havia um motivo para o Lorde estar sendo tão gentil daquele jeito com ele. Jamais perdia uma chance de puni-lo, para lembrá-lo sempre de quem estava no comando. Gentileza gratuita não existia no vocabulário dele.

Um pouco mais ao fundo do escritório, observou três pessoas. Duas delas eram comensais e a outra... Um jovem. Devia ter em torno de 20 e poucos anos e devia ser um prisioneiro pelas cordas que prendiam seus braços, ladeando o corpo magro. Os comensais o seguravam pelos ombros, mantendo-o ajoelhado. Estava em um estado lastimável. Roupas rasgadas, semi-chamuscadas. Usava um óculos com o aro bem surrado, o que indicava que era bem antigo. Reconhecia-o de algum lugar... Mas a pergunta era: por que ele estava ali, ao invés de nas masmorras, onde todos os professores e adultos estavam sendo mantidos prisioneiros?

Ele encarava diretamente o Lorde das Trevas com os olhos de um verde vivo e intenso. Eram inteligentes, mas ousados e desafiadores. O sorriso em seu rosto enfatizava a falta de medo que ele tinha na presença do Lorde das Trevas, irritando-o, obviamente.

Por um breve momento, sentiu aquele sorriso aquecendo-o por dentro, incentivando-o a sorrir também, e uma crescente onda de sufocamento. Mas isso fora logo apagado quando a voz do Lorde ecoou pela sala, apagando aquela pequena chama que se iniciara e a sensação indo embora junto com ela.

- Lacbel, você deverá vigiar esse prisioneiro. Reservei uma cela especial para ele. Desejo que ele mantenha-se isolado de todos os outros prisioneiros até quando eu desejar. E você deverá mantê-lo lá dentro até esse dia. Quero que suas chances de fuga sejam... Nulas. - ele dissera e do olhar dos dois pareciam sair faíscas enquanto se encaravam.

Logo após isso, os comensais o levantaram com rudeza.

- Acompanhe-os até a cela dele. - ele encarou Lacbel enfaticamente, mas recebeu apenas um sinal afirmativo de cabeça enquanto começava a seguir os três, que já saíam.

Os passos eram os únicos sons que ouviam. Já estavam adentrando as masmorras naquele momento. Os dois comensais, cada um de um lado, e Lacbel logo atrás do prisioneiro.

- Vocês não se incomodam? - o jovem falou, recebendo apenas uma tapa na cabeça.

- Silêncio, insolente. - dissera o que havia batido.

- Que mal humor... - ele resmungara, com ar debochado, irritando-os.

- Só vai piorar sua situação se continuar a nos irritar. - ameaçara um dos comensais, os dois continuando simplesmente a seguir caminho.

- Mais do que já está? - ele perguntara com ar debochado. - Duvido.

Nesse momento, o comensal ao lado direito virou-se e ficou bem na frente dele, com ar bem aborrecido, com um dedo apontado bem na sua cara com a mão que não segurava a varinha...

- Sem... Mais... Gracinhas! - ele falara de modo muito aborrecido.

Foi quando aconteceu. O comensal paralisou quando as cordas que o prendiam simplesmente sumiram, e fora esse tempo que o prisioneiro utilizara para tomar a varinha dele à força e desacordá-lo, fazendo o mesmo com o outro, que não tivera tempo de reagir. Mas, antes de se virar para o terceiro, sua varinha fora retirada de sua mão. Seus olhos eram destemidos, o que Lacbel sabia o que significava. Mesmo desarmado, iria tentar lutar. Sabia por experiência própria.

Quando o comensal ficara de frente com ele, vira que ele tocara levemente a varinha do comensal distraído, e provavelmente produzira um feitiço para as cordas sumirem. Ele vira, mas não fizera nada, até o prisioneiro acabar com os dois comensais. Só depois disso reagira, desarmando-o. Depois, com a varinha do comensal em mãos, levitou-o, enquanto com a própria varinha acordou os comensais.

Ele o amarrou, como antes, apenas adicionando cordas em seus pés, para que ele não pudesse fugir. Pousou-o no chão e então escreveu uma frase no ar, com sua varinha, enquanto jogava a que fora roubada pelo prisioneiro para o legítimo dono.

"Não irei responder pela incompetência de vocês. Digam onde fica essa cela e eu levarei o prisioneiro." as letras eram amareladas, como se escritas em fogo. O prisioneiro observava, estranhando a maneira com que se fizera "ouvir", pois os comensais estavam morrendo de medo.

- No... No fim do corredor, sr Lacbel. Do corredor à esquerda. - respondera um com ar temeroso.

Lacbel fizera um movimento de cabeça indicando concordância, enquanto levitava o prisioneiro e começava a caminhar. Mas parara, simplesmente indicando, com ar rude, a saída das masmorras com o dedo indicador. Usava luvas negras, não deixando que vissem nada, nem um milímetro de seu corpo. Os comensais saíram correndo.

Assim que recomeçaram a caminhada, o prisioneiro, agora completamente imobilizado, retornara a falar.

- Lacbel... Ah, você é o comensal que desequilibrou a guerra. Que fez o lado de Voldemort voltar a ganhar. - ele falara suspirando. - Decepcionante.

- Silêncio. - sua voz saiu rouca e baixa, mas com um tom óbvio de ordem.

- Ué, achei que fosse mudo. Por que falou com os comensais através de frases escritas no ar? - ele perguntou, parecendo ter ignorado o que falara.

- Silencio. - ele dissera, mas dessa vez era um feitiço, que o fizera perder a voz. - Não é da sua conta.

E, com aquilo, finalmente o resto da caminhada se prosseguiu no seu mais completo silêncio. Colocara-o na tal cela especial. Não fora rude, apesar de ser considerado um comensal. Deitara-o delicadamente no chão, fechando a porta da cela e, depois disso, tirando as cordas e o feitiço de silêncio. Logo ele se levantou, encarando a cela onde fora colocado. Havia um buraco que parecia ser onde se fazia as necessidades e uma madeira que era pregada em um dos lados na parede. Noutro tinha correntes que se prendiam a mesma, para mantê-la paralela ao chão. Aquele banheiro parecia ter bem pouca privacidade. E aquela "cama" parecia pouco confortável. Mas, talvez, mais confortável que nada.

- Que privacidade... - ele observou, ao verificar o buraco e depois as grades que davam uma visão completa da parte externa... Obviamente podiam fazer a mesma coisa de quem estava fora para a parte de dentro.

Observou-o explorar a cela, completamente em silêncio. Depois que o prisioneiro terminou suas observações, foi sentar-se na tábua, onde parecia verificar alguma coisa.

- Levemente confortável. Achei que fosse pior. - ele parecia nem notar que continuava ali, mas uma hora virou-se em sua direção, focando-se no buraco negro que seu capuz deixava.

E o silêncio prolongou-se por longos períodos. Ele não se importava, se acostumara com o silêncio, mesmo estando com outra pessoa. Não se incomodava em nada. Mas finalmente aquilo fora quebrado pelo prisioneiro, que já estava perto das grades, ainda olhando fixamente para o buraco negro do seu capuz.

- Então, seu sobrenome é Lacbel... Não me é estranho. De qualquer forma, você deve ter se unido à Voldemort não faz muito tempo, já que o placar dessa guerra mudou não faz muito tempo, não é mesmo, sr Lacbel? - ele perguntou, sorrindo, aquele sorriso acalorado e genuíno.

Durante alguns segundos, houve silêncio. Deixava-o falar sozinho ou respondia? Mas, como um pouco antes, quando o trazia, falou. Não precisava erguer muito a voz ali, naquele lugar desolado, para que ele o ouvisse.

- Talvez. - fora o que falara, sua voz sem um pingo de emoção. Saíra grossa... Só notara agora como sua voz era grossa, nas raras vezes que falava. Por causa de sua garganta. Parecia até um velho.

- Hum, que humildade. Estranho. - ele dissera, se escorando nas grades, encarando-o levemente intrigado, mas após um tempo formou um ar despreocupado. Passou-se alguns segundos enquanto olhava as próprias mãos e, então, voltou a encarar bem o capuz com ar sério - Parece que não tem problemas por mencionar o nome de Voldemort... Não se irrita, não estremece... Mas, no entanto... Você o teme.

Parecia que não era só ele que observava as pessoas.

- Esse nome não me diz nada para temer... - porque o estava respondendo? Poderia ser rude, poderia deixá-lo falando sozinho ou até mesmo retirar-lhe a voz novamente... Mas ele respondia. - Sua presença, sim. - ele tossiu, pois sua garganta ficara irritada com a quantidade de palavras proferidas em tão pouco tempo.

- Está doente? - ele perguntara, erguendo uma sobrancelha.

- Não. - ele respondera, assim que parara de tossir.

- Droga. Mas esperança é a última que morre, não é mesmo? - ele dissera com aquele sorriso malicioso.

- Mas morre. - ele dissera ríspido. Não gostava daquela frase... Tinha repulsa dela.

- Hum... - observava-o intensamente, parecendo mais sério, mas repentinamente mudara de assunto - Será que você escreve frases porque não aguenta falar muitas coisas? Ou porque não gosta que outros o ouçam?

- Deduza por si mesmo. - Lacbel já estava recostado na parede. Isso não significava que estava relaxado.

- Você não é muito de papo... - ele comentou, com certo sorriso. Ele suspirou, olhando para o teto e finalmente voltou-se, recostando a cabeça na grade de frente com o seu cárcere. - Porque não tira esse capuz? Todos já tiraram.

- Eu não sou todo mundo. - sua voz saíra insensível, mas dava para notar uma mínima conotação irritadiça.

- Tem vergonha do seu "grande" feito? - o riso debochado ecoou pelo corredor desolado.

- Talvez. - sua voz retornara a indiferença anterior. Pelas feições dele, ele ficara levemente frustrado.

- Hum... Você é um comensal estranho... Seus companheiros não te estranham? - não falava, andava igual uma sombra pra cima e pra baixo... Qualquer um na Ordem da Fênix notaria algo assim. Bom, mas ali não era a Ordem da Fênix.

- Talvez. - ele voltou a dizer, parecendo-o deixar ainda mais frustrado. Provavelmente, porque não estava dando as respostas desejadas.

- Preciso admitir... Dessa vez, Voldemort se superou. Nunca imaginei que conseguisse finalmente um comensal como você. Sente medo de Voldemort, mas seu nome não significa nada, não tem orgulho e arrogância. É forte e não se ofende facilmente. Além de ser bastante inteligente e fiel... O que é mais raro ainda. Afinal, quem é você? Qual seu nome?

- Já sabe meu nome. É tudo de que precisa saber. - falara simplesmente, tossindo, sua garganta ainda mais ruim. Do jeito que ele falava, parecia que era o comensal estrela, que todo grande vilão sonha em ter. Mas, precisava admitir, do jeito que o qualificou seria o sonho de qualquer um, mesmo, um servo assim.

- Sei seu sobrenome. - ele o corrigira.

- E só precisa saber isso! - dissera mais alto, forçando sua garganta, sua rouquidão piorando, começando a tossir ainda mais. Obviamente, parecia ter se irritado. Porque ele insistia em querer saber sobre ele!

- Será que toquei em um assunto proibido? - o prisioneiro falava, enquanto ouvia-o tossindo, sorrindo maliciosamente - Sim... Claro que sim! Nosso jovem e perfeito comensal, afinal, tem medo de se revelar. Será que Voldemort sabe sua identidade?

Lacbel só conseguiu responder após alguns segundos, quando parou de tossir. Depois de respirar, respondera, de modo bem seco e ríspido.

- É o único.

- Realmente... Não há muitas coisas ultimamente que ele não saiba. Será que ele usou o seu medo de se identificar para chantageá-lo e apoiá-lo nessa guerra? - seu tom não era debochado, era algo como se estivesse pensando e deduzindo com as poucas informações recebidas.

- Talvez. - a resposta normal que sempre dava quando ele fazia perguntas sobre si. Novamente, ele ficou perdido com aquela resposta que lhe deixava em um beco sem saída. Nunca dava respostas certas, apenas uma resposta incerta, não deixando-o saber se aquilo era a verdade ou era mentira. E, pelo pouco conhecimento do prisioneiro sobre ele, ficava ainda pior para ter noção de quando falava talvez querendo dizer sim, e o talvez querendo dizer não.

- Consegui descobrir alguma coisa. Você não gosta ou tem medo de se revelar. É duro arrancar algo de você, sabe? Isso me deixa entusiasmado... Nos últimos momentos de minha vida, consigo achar algo interessante em que me concentrar. Primeiro comensal do qual eu tenho interesse em conhecer!

- Isso não me parece um elogio. - Lacbel falou e, como sua garganta estava inflamada, isso saiu bem baixinho, mas naquele silêncio dera para ouvir bem.

- Pois é um elogio! - ele dissera, sorrindo genuinamente de uma felicidade esquisita. Que felicidade se tinha em estar preso, falando ser os últimos momentos de sua vida, sendo vigiado por um alguém desconhecido e, quase que obviamente, inimigo?

- Isso NÃO É um elogio... - dissera enfaticamente as palavras mais importantes, para não arrebentar mais com sua garganta. Precisava beber alguma coisa, mas não poderia sair dali. Que insistência da parte dele...

- Percebo que isso produziu finalmente certa irritação. Interessante... - ele dissera enquanto o encarava, parecendo pensativo - Mas vou te deixar em paz, provavelmente eu tenho muito no que pensar sobre os seus "talvez" e você precisa descansar essa garganta inflamada. - ele sorrira de um modo bem significativo. Como se estivesse ganhando alguma coisa ou tivesse algum trunfo.

- Como queira. - Lacbel simplesmente respondera, continuando no mesmo lugar.

Ele foi deitar-se na tábua, encarando agora o símbolo dourado em seu pescoço. Parecendo um medalhão com o símbolo do Dragão. Nunca vira aquele broche antes em loja alguma, o que poderia ajudá-lo a identificar o ser misterioso que o vigiava.

Ambos permaneceram em silêncio durante um bom tempo, algumas vezes parecendo "se encarar" outras vezes olhando um para cada lado.

Finalmente, passos foram ouvidos até ali. O prisioneiro, do qual Lacbel tentava se lembrar ainda de onde reconhecia, levantou-se da tábua, indo ver quem era, através das grades.

Um comensal vinha com uma bandeja com dois sanduíches e dois copos de suco, se aproximando. Ele parecia diminuir os passos conforme se aproximava, fixando cada vez mais seu olhar na silhueta negra, que parecia estar encarando-o.

- Algum problema com o prisioneiro? - foi o que ele disse, enquanto entregava a bandeja para Lacbel.

Houve um sinal negativo por parte dele. O comensal só fez outro sinal, indicando que entendia, deu as costas e saiu dali com ar apressado.

- Os comensais não parecem gostar de você. - ele comentou, enquanto o via se abaixar com a bandeja. Fez isso logo depois.

- Têm medo. - dissera simplesmente, enquanto empurrava aos pés dele um copo de suco e pegava um dos sanduíches e entregava a ele.

- Você usa luvas... - ele comentara, enquanto pegava o sanduíche, ainda observando o outro pegar o outro lanche com o suco. - Erm... Vai comer o mesmo que eu? - pela voz que ele denotara, aquilo era completamente estranho.

- Vou. - nunca dava muitos rodeios. Suas respostas eram sempre diretas. Sendo elas incertas ou certas.

- É, parece que não fazem muita diferença entre você e eu. - debochara com um sorrisinho, enquanto dava uma mordida em seu lanche.

- Notou? - ele disse de um modo irônico, enquanto começava a comer. Droga, não devia ter dito isso...

Aquilo provavelmente o pegou de surpresa, fazendo-o olhá-lo de um modo esquisito. Como se estivesse assimilando sua ironia ainda.

- Não acha... Humilhante? Está comendo igual a um prisioneiro! - ele dissera, meio incrédulo. Aquele comentário tinha sido atirado com a intenção de irritá-lo, não de adquirir informações.

Lacbel simplesmente começou a comer, como se tivesse ignorado a última coisa que ele falara.

- Eles sempre te tratam assim? Ou é só porque estou aqui? - ele perguntou, ainda inconformado. Só podia ser brincadeira.

- Porque está aqui. Muitas vezes é pior. - dissera com ar natural, dando de ombros. Não tinha mais nem como esconder aquilo e, provavelmente, não era grande coisa. Ele acabaria por ver sua "dieta diária" mesmo, então ele ia ter de se acostumar que comia igual à ele, ou, como ele dissera, à um prisioneiro. Como não estava forçando sua garganta, ela não estava se inflamando tão rápido. E com o suco ela melhorou bastante, como se fosse hidratada.

- É assim que tratam os melhores comensais? Achei que o egocentrismo de Voldemort fosse mais sensato. - ele comentara, enquanto o encarava e comia, como se agora ele fosse algo muito, muito mais interessante que antes.

Simplesmente suspirou, parando de comer por alguns segundos, enquanto olhava o lanche. Fazia um bom tempo que não comia algo bom daquele jeito. Terminou sua refeição rapidamente e se levantou, dando-lhe as costas. Sentia os olhos do prisioneiro sobre ele... Agora sentia que havia uma troca de papéis, onde o cárcere virava o prisioneiro vigiado e o prisioneiro se transformava no cárcere. Não precisava manter vigília, já que agora ele estava preso pela curiosidade de descobrir os segredos por debaixo da capa do mais fiel comensal de Voldemort. Que até mesmo retirara Belatrix do posto de braço-direito.

Segredos que ele não podia descobrir...

- É, parece que estamos fadados a ter de nos aturar até quando seu Mestre decidir que eu deva morrer. - ele comentara, enquanto suspirava alto e se jogava na tábua, fazendo certo barulho.

- Não vai tentar fugir? - Lacbel perguntou só por perguntar, achando estranho como ele se conformara tão rápido. Sua curiosidade era tão grande assim que se conformara tão rápido a manter-se preso ali?

- Verdade, não é mesmo? Mas acho que, se Voldemort colocou seu braço-direito para me vigiar, quer dizer que isso vai ser bem complicado. Provavelmente foi pelas dificuldades... Ele sabe que todos os outros comensais são burros o suficiente para cair em minhas armadilhas... Mas você parece ser mais inteligente. O que eu não entendo é porque te trata tão mal, sendo a melhor arma que tem. - ele falara, observando-o atentamente.

- Ele tem seus próprios motivos. - simplesmente respondera. Não devia ter dito aquilo... Precisava começar a deixar de respondê-lo, ou acabaria alguma hora falando a coisa errada. Bom, de que ia adiantar? Ele só acharia que era uma brincadeira, ou que estava brincando com a cara dele.

- Sei... - ele falou, olhando-o pensativamente. Próprios motivos... - Mas, me diga, que dia é hoje? - ele queria ver quanto tempo ia durar naquela prisão.

- Não sei com exatidão. - falara simplesmente, enquanto voltava a ficar de costas para a grade, olhando o corredor vazio.

- O que exatamente você sabe? - ele perguntou curioso. Não pretendia adquirir uma resposta. - Sabe, do dia, tempo, semana, sei lá...

- Que hoje deve ser... A primeira terça-feira do mês... - dissera lentamente, abaixando a cabeça. Não gostava de alguns dias da semana e de um dos dias do mês. Ele foi até a parede, se recostando e começando a deslizar por ela lentamente, até sentar-se no chão.

Lacbel parecia ter desanimado estranhamente, foi o que observou o prisioneiro. O que poderia ter naquelas palavras para desanimar alguém daquele jeito?

- Achei que você não guardasse dias da semana, nem em que semana está. Método incomum este de guardar dias da semana, mas não os dias em si. - ele falara, olhando-o atentamente. Pelo que conseguia ver, usava calças negras, com meias e sapatos também. Não dava para ver praticamente nada de seu corpo, mesmo com a capa e as vestes que vestia logo abaixo para o lado. Provavelmente, a única parte visível seria sua cabeça se não houvesse o capuz!

- Gostaria de não guardá-los. - dissera rispidamente, enquanto colocava os braços retos sobre as pernas, deixando as duas mãos pegando a varinha e os cotovelos, que se apoiavam aos joelhos.

- Então, porque os guarda? - ele perguntou - É fácil se perder no tempo... Já se perdeu até no calendário, porque não se perdeu nos dias da semana? E na semana que estamos... - realmente era bem esquisito alguém guardar o dia da semana, mas não guardar realmente o dia em que estava.

- Ele não deixa. - por baixo do capuz, ele fechou os olhos, sentindo o coração apertado. Provavelmente, não era porque estava vigiando o prisioneiro mais importante dele que o Lorde iria esquecê-lo. Não iria retirá-lo da rotina que o tinha submetido.

- Voldemort? - ele perguntou, com ar estranho - Pra alguém tão fiel, você não parece nada satisfeito em servi-lo. Ah, é... A chantagem. - ele falou, voltando a olhar para o teto - Ter medo de ser revelado... Que tipo de chantagem estranha. - ele comentara, provavelmente pro vento, porque para Lacbel que não era.

- Você fala demais para um prisioneiro. - dissera calmamente. Ele era muito paciente... Ou carente, talvez. Fazia muito tempo que não conversava com alguém daquele jeito... Talvez por isso ainda não houvesse dado o gelo nele.

- E você fala de menos para um cárcere. - ele comentara, sorridente - Você nunca ficou de vigia a um prisioneiro, não é verdade? - ele perguntara, virando-se na tábua, apoiando a cabeça na mão e o cotovelo fazendo apoio sobre a tábua.

- Eu... - ele parou, olhando para o corredor, percebendo que ia falar uma idiotice. Se falasse aquilo, ia dar praticamente uma revelação - Nunca vigiei um prisioneiro. - foi o que ele finalizara, após um segundo, como se processasse alguma coisa. Depois pensou que, mesmo que tivesse dito, ele não acreditaria e qualquer outra resposta o satisfaria.

- Você ia dizer outra coisa. - ele dissera, com ar concentrado.

- Não te importa. - dissera simplesmente, aborrecido com a própria burrice. Devia ter dito aquilo, antes de parar para pensar.

- Era algo sobre você. Vamos, porque não quer se revelar para um prisioneiro condenado como eu? - ele perguntou, olhando com um ar reprovativo.

- Só acredito nas coisas que acontecem, e não nas que deduzem que irá acontecer. - Lacbel dissera simplesmente, continuando a olhar os braços esticados sobre os joelhos, novamente com a voz levemente irritadiça.

- Bem radical... - ele comentou, olhando bem para seu cárcere - Bem, sr Lacbel... - ele dissera, enquanto se virava para a parede - Vou dormir e te deixar em paz... Boa vigília. - ele dissera silenciando-se, finalmente.

Após algumas horas, um comensal aparecera, novamente carregando uma bandeja com os lanches e os sucos característicos. Do mesmo jeito que antes.

- Problemas com o prisioneiro? - ele perguntou, olhando para as grades, vendo-o deitado na tábua.

Fez um sinal negativo, enquanto pegava a bandeja e entregava a que servira de almoço. Então, o comensal olhara novamente para a tábua, como se verificasse realmente se ele estava adormecido.

- O Lorde das Trevas mandou-me avisá-lo que hoje é a primeira terça-feira. - ele dissera de um modo nervoso, enquanto saía de lá o mais apressadamente possível.

Ele engoliu em seco e estremeceu levemente, após o comensal ter sumido. Infelizmente, o suco era sensível a qualquer estremecimento e logo a água se agitou levemente. Quando se virou para a cela, o prisioneiro estava levantado, próximo às grades, de braços cruzados, com ar meio acusador e intimidador.

- Não devia ter ouvido o que o comensal falou. - Lacbel avisara, enquanto se sentava e colocava a bandeja no chão.

Ele tinha seguido, também sentando e observando a comida.

- É assim que você nunca perde o tempo durante a semana... Os dias da semana são ameaças. Mas porque ele fala em qual semana do mês essa terça-feira está? - ele dissera para si mesmo, sua testa franzida, como se aquilo o deixasse furioso. Mas confuso, ao mesmo tempo.

- Aconselho a não descobrir mais nada sobre mim. - dissera simplesmente, mas com um leve tom de aviso, enquanto dava o lanche e empurrava o copo através das grades.

- O que pode acontecer comigo? Ser torturado? Morto? - ele riu a essa última palavra - Não sei nem como estou ainda vivo... Eu deveria ter morrido assim que Voldemort colocou as garras em mim. - mas ele ficou levemente intrigado sobre a preocupação do cárcere em "aconselhá-lo".

- O comensal que conseguiu desapareceu repentinamente... - Lacbel dissera, como um aviso. O Lorde não queria nem que seus próprios comensais soubessem, muito menos um prisioneiro que devia ser seu pior inimigo. Sentia que sua garganta estava bem melhor, sua rouquidão não estava inflamando sua garganta. Agora simplesmente fazia sua voz ficar volátil.

- Deve ter sido morto. - ele dissera dando de ombros – Agora, me diz, por que usa todas essas roupas? Não sente calor?

- Isso não importa. - respondera, sentindo-se estranho. Nunca ninguém tinha perguntado isso a ele. - Preciso usá-las, só isso.

- Para se esconder melhor? - ele perguntou, enquanto começava a comer, como se estivessem conversando algo fútil.

- Por favor, não pergunte mais. - Lacbel falou, ficando apreensivo. Se o Lorde das Trevas descobrisse que estava conversando com ele, ficaria furioso. E ainda que estava descobrindo cada vez mais coisas por causa das perguntas que insistia em fazer.

- Você poderia me silenciar, poderia me ignorar, ou simplesmente me desacordar, para não ficar te irritando com perguntas. Sou um prisioneiro, alguém inferior, um capacho... Mas, ainda assim, você me atura. Mesmo podendo fazer tudo isso. - ele olhou o teto, enquanto tinha as mãos sobre o suco, seu lanche terminado.

Lacbel sentiu cada vez mais medo, conforme ele falava. Realmente, poderia fazer tudo aquilo, mas não o fizera... Não conseguia, ou simplesmente não queria. Precisava, mas, ao mesmo tempo, não podia. Seus conflitos eternos. Rezava para o Lorde simplesmente perguntar se não houve alguma tentativa de fuga ou simplesmente nem se ligar a esse fato.

Após aquele último pensamento alto dele, o silêncio tomou conta novamente. Os dois simplesmente ficaram calados, um em cada canto, com seus próprios pensamentos. Ele parecia ter voltado a dormir na sua tábua, após duas ou três horas. Era uma questão de espera até aparecerem...

Como havia pensado, após algumas horas, o comensal portador oficial dos comunicados do Lorde para ele chegou, com mais 7 outros comensais. Provavelmente, 2 eram para ficar ao lado dele e os outros 5 no posto de vigília enquanto... Precisava continuar sua rotina.

- Vamos, Lacbel. O Lorde das Trevas o espera. - dissera o comensal, já virando as costas, sem nem esperá-lo.

Foi caminhando, sendo ladeado pelos dois comensais, deixando a cela do prisioneiro e os outros 5 comensais para trás. Estava de cabeça abaixada, enquanto andava com ar conformado ao seu destino. Ao encontro... Dele.

Caminhou sem olhar para onde o levavam. Preferia ignorar o caminho, afinal, sempre existiria os guias e não precisava ficar relembrando o ocorrido toda vez que passasse por ali em dias normais. Finalmente pararam, depois do que pareceu uma eternidade de caminhada.

- É aqui, Lacbel. - falara o comensal, então ele dera um sinal para os outros para irem embora e ele foi junto.

Assim, foi deixado sozinho, em frente à uma porta. Tomou coragem, respirando bem fundo. Terça... Feira. Sentiu vontade imensa de chorar. Um choro silencioso, desesperado, pedindo por socorro... Protestando com o que estava por vir, sabendo que não podia mudar o que sofreria.