Prólogo - Um amor que machuca

"Hoje a tristeza é claramente percebida em meus olhos ...

Olhos rasos d'água, maltratados pela dor e pelos tormentos de um amor imperfeito, cheio de remendos e arranhões.

E há quem diga que esse mesmo amor é capaz de vencer os maiores desafios e derrotar qualquer efeito do mal! E o que será de um mal causado pelo próprio amor? Sendo o amor eterno, serei eternamente castigada por todo esse mal?

E por maior que seja esse amor, maior será também a dor que se alastra rapidamente por todo o corpo e sufoca o peito, pisoteando-o e enchendo de mágoas, de rancores...

O amor que vira ódio...

E destrói todo e qualquer sentimento bom que ainda resista a toda essa guerra.

A pessoa a qual foi capaz de amar um dia como ninguém mais amou nessa vida e que cresceu e construiu seu mundo interior inspirada nesse sentimento tão puro, hoje possui um coração rude, rancoroso, enxerga a vida como um castigo e não uma dádiva de Deus...

Amor, sentimento cruel... Invade nossas vidas e sem pedir permissão se hóspeda em nossos corações, nos cativa, floresce e depois vai embora, deixando seus frutos, para que não possamos nos esquecer jamais dele e que sejamos para sempre seus escravos...

Sim, não existe pior castigo do que ser escravo de um amor cruel, que machuca, que maltrata, que entristece...

Um dia desejei ser escrava do amor, mas não desse amor que conheci. De um outro amor, sonhado e desejado por todos. Um amor que não produz lágrimas nem sofrimentos, um amor que faça sorrir e nos sentirmos melhores do que somos, um amor que se faça presente em todos os momentos de nossas vidas, que seja sincero, que não mate, nem morra.

Um amor, talvez, impossível... "