Os Feitiços

Capítulo 1 - A Feiticeira do Pântano

Mary Payne pigarreou. Ela passava pela cabana escura, escondida no Pântano, localizada no sul de Cobalt. O Sol tentava penetrar na casa da Incrível Feiticeira, mas até ele parecia não ser convidado naquele momento. Ela se sentou na mesinha de centro, segurando uma carta cor creme e suja. (Mas esses tipos de carta davam nojo a Mary) Ela mal sentia vontade de lê-la, mas sabia que era algo importante e nada nesse mundo a faria perder algo importante. Ela segurou a carta, certa de que seria algo bom. Abriu o envelope, retirou a carta, segurou-a com firmeza, então a abriu.

Na verdade, poucas coisas davam medo em Mary Payne. Eram poucas as coisas que a faziam se apavorar. (Se é que houve um dia em que Mary se apavorou ou sentiu um medo sequer na vida) Ela gostava de aventuras. Gostava de enfrentar o mundo e até ajudar as pessoas com o que lhe pedissem. Desde que ela se submetesse a tal caso para poder fazê-lo. Sempre vivera a vida a seu modo, sem seguir muitas regras e escutar tanto as pessoas. Desde certo ponto de sua vida, tem seguido sua vida a custa de seus poderes dominadores a na opinião da própria, Excepcionais! Ela sempre dominou a feitiçaria desde que decidira viver dela para ajudar tanto a si mesma, quanto as pessoas. Voodoo, seus próprios Feitiços e transformações são o que a fazem viver e completam a sua vida de forma divertida. Podia se transformar em Dragão ou Cobra, sempre que quisesse, mas em tempos de paz, nem é tão preciso pra ela. Extrovertida como sempre foi, fazia certas piadas até com as pessoas que a vinham consultar, pedir pelos seus serviços que sempre vinham muito a calhar, e tornavam-na poderosa Feiticeira muito satisfeita consigo mesma. Ela adorava pensar nela elevando-se a qualquer modo, se pondo como boa ou até ótima para todos os moradores de Cobalt. As tardes ela gostava de tomar um de seus chás de erva do campo, enquanto se sentava em sua cadeira de madeira velha, pintada de azul, enquanto pensava no vazio. Ou as vezes, pensava em grandes momentos do passado, em que vivera grandes aventuras e elas nunca a deixavam de lado. Bem, isso é apenas um pouco sobre Mary Payne. Ela sempre tem algo novo a mostrar e sempre pensamentos ocultos a espalhar.

Voltando ao presente daquele momento, em que a Feiticeira olhava a carta, ela estremeceu. Talvez a carta fosse algum tipo de ameaça feito por um Rei, algum policial da região querendo acabar com essas Feiticeiras da cidade inteira. Ela tentou afastar tais pensamentos e começar a ler a carta antes que começasse a enlouquecer e correr pelas paredes a procura de algum descanso. Então ela começou a ler a mesma:

"Querida Mary Payne (Feiticeira Mary Payne), Comunico a senhorita que estou sendo mandada a casa da senhorita para que possa ser instruída pela senhorita. Como a senhorita sabe, meus tios que eram feiticeiros da cidade de Braian, foram mortos por caçadores de uma cidade vizinha, e antes de morrer, meu tio pediu que eu fosse até você, a fim de que não perdesse meus costumes e seguisse com uma nova geração da família Browne, que eu mesma devo criar. É lamentável que eu tenha perdido meu tio, mas breve, bem breve, estarei aí, junto da senhorita, para ser a sua primeira (Se é que não houveram outras) aprendiz de Feiticeira. Creio que até a tarde de terça, estarei com a senhorita. Um grande abraço.

Maddie Browne

A feiticeira soltou um suspiro, aliviando-se pela notícia que recebera. Ouvira muito falar dessa tal Maddie e seu próprio tio, já a havia visitado muitas vezes para consultá-la sobre Feitiços; variações de Feitiços e experiências parecidas. Na época ele lhe contara sobre essa sobrinha dele. De como a menina era descuidada e cheia de poderes em suas mãos.

— O ruim, é que a menina costuma matar alguns de meus animais apenas com um olhar às vezes — Disse ele em uma de suas visitas a Mary, há muito tempo atrás. Mary sabia que um dia, de um jeito ou de outro, essa menina iria parar na casa dela para que ela a ensinasse como usar tais poderes. E agora, a menina estava vindo (Sabe-se como), brevemente para a cabana do Pântano, em plena Terça-feira e Mary não tinha nada preparado.

— Mas afinal, que dia é hoje? — Perguntou-se ela. Ela tentou consultar a memória de pedra que nunca falhava, e se deu conta... ERA TERÇA-FEIRA! A Feiticeira remexeu-se, pulou da cadeira e deu uma olhada no local. Aquilo tudo estava uma sujeira. A casa inteira estava uma sujeira! Como ia limpar tudo até a menina desajeitada chegar? O que faria ela? Ela correu para os armários, vasculhou as estantes, á procura de uma vassoura ou algo do tipo que limpasse. Tinha de aprontar tudo, e seu instinto de águia, lhe dizia para ser cuidadosa. Sabia que, com a chegada da moça, certas coisas poderiam acontecer e sua vida nunca mais seria a mesma; Ela estremeceu só de pensar na idéia de mudanças. Estava feliz vendendo seus feitiços em pequenas praças, dando conselhos a aprendizes e pessoas que se atraíam por tais coisas.

Ela encontrou uma vassoura nos fundos do armário escondida, e começou a varrer rapidamente o chão poeirento de barro. Agitado como a própria Feiticeira, o pó se elevava do chão, provocando uma terrível tosse, seguida de vários espirros por um longo tempo. Mas ela não se importou e continuou a limpar o chão até deixá-lo a seu gosto.

Terminado o trabalho ela viu que tudo estava bom o bastante; e que se a menina não gostasse, ela que caísse fora, pois esse não era lugar de enjoadas ou metidas da realeza. E sim, alguém de caráter, como ela mesma. Então, em uns instantes, alguém batera na porta. A Feiticeira, que olhava o rótulo de um de seus Feitiços, estremeceu, e depois ficando paralisada. Seria ela? Seria a menina vindo de sei lá onde? Seus instintos de águia diziam que sim. Então ela ajeitou a sua longa capa, ajeitou sua postura e seguiu para a porta. Nada podia atravessá-la e nada podia detê-la. Mas estava tudo sob controle dela. Então ela girou a maçaneta feita de madeira seca, e dando visão ao que batera, era a tal menina. — ELA REALMENTE TEM CARA DE BOBA —pensou a Feiticeira. A menina engasgou um pouco antes de falar e então se apresentava à Feiticeira.

— Olá, eu sou...

— Você é Maddie Browne. — Completou a Feiticeira. A menina assentiu com muito interesse e então já recomeçava timidamente a falar sua voz de sino maldosa e maltratada:

— Fui mandada pelo meu tio antes de morrer, senhori-

— Mary! — Interrompeu ela— Me chame de Mary. Apenas Mary. — A menina assentiu novamente então preparando para dizer alegremente, recomeçou:

— Então essa é sua casa? — Sua voz era confusa, como se não soubesse se o que via era mesmo uma casa, ou uma loja de perfumes.

— Sim, sim. Esta é minha casa. — Respondeu a Feiticeira, duvidando se aquilo parecia mesmo uma casa perdida no Pântano, ou outra coisa parecida. Elas se entreolharam por um instante, e Mary disse, um pouco sem jeito:

— Queira entrar, Maddie. A casa também é sua, aliás, você é minha hóspede agora e minha aluna, a partir de amanhã. — Ela sorriu para a menina, que sorriu para a mesma, um pouco segura de si, confiando nas palavras da grande Feiticeira. Então, ela entrou na casa. Tudo para ela era muito interessante, a pilha de livros surrados, as estantes cercadas de frascos de Feitiços e bebedeiras capazes de adormecer um Dragão se quisesse. Ela rodeou o lugar, observando cada lugar, cada canto da casa, dizendo a si mesma: "É aqui mesmo que vou morar." E então, passou a se sentir em casa novamente. Coisa que não acontecia desde a morte do tio em Braian. Ela se sentou na cadeira de madeira de azul, colocando suas mãos delicadas sobre os joelhos. Então esperou que a Feiticeira falasse.

— Espero que saiba dominar alguns de seus poderes, Maddie. — Dizia a grande Feiticeira, enquanto andava de lá pra cá, arrastando sua longa capa pelo chão de barro. — E espero que saiba como escutar, porque é algo que eu prezo muito em meus alunos e conhecidos.

— Com toda certeza senhorita, serei uma ótima ouvinte e ótima aluna.

Então, virando o rosto para a menina, ela deu um sorriso perverso e desafiador á menina.

— Pois teremos longos trabalhos daqui em frente, querida Maddie.