Posse
- Estado de quem possui uma coisa, de quem a detém como sua ou tem gozo dela.

Resumo: Hong Wang foi vendido pelo seu irmão mais velho, Yao Wang, para um homem como "escravo amarelo", para assim serem saudadas as dívidas que a família possuia. Deixando para trás sua amada irmã gêmea e seu insensível irmão Yao, Hong parte para Inglaterra rumo ao encontro de seu novo proprietário.
Espere!
Há muitos segredos sendo escondidos! Como Yao pode ser ingênuo ao ponto de fazer dívidas tão altas sendo um rapaz inteligente? Por que mesmo com a difícil situação financeira, Hong teve tutores que o ensinaram um idioma falado do outro lado do mundo? Por que Arthur o trata com tanta gentileza? Para que ele adquiriu um jovem asiático afinal?

Advertências: Hetalia não me pertence e cedo generosamente todos os direitos dessa história (Minha criação original feita em cima de Hetalia) a Coréia do Sul (Ou do Norte, estou ainda considerando).
Essa Fanfic possui yaoi (Relacionamentos homossexuais entre homens), com foco nos casais: Inglaterra x Japão e Estados Unidos x Japão.
Ela não foi betada (Erros ortográficos corrigidos).
Foram utilizados os nomes humanos nessa história (Ex: Inglaterra chama-se Arthur Kirkland).
A história se passa na era vitoriana (Compreende-se apenas que devem visualizar as cenas utilizando iluminação a gás [Sim, isso foi uma piada]).
Apesar de ter sido utilizada inspiração baseada em fatos históricos, no decorrer notaram que nada aqui representam países ou situações reais.

Prólogo - Devaneios em alto-mar.

Meu coração está partido, partiu-se no momento que vi a única pessoa que me forneceu alguma proteção em toda minha vida vender-me para esse grupo tão cruel e estranho. Sei porém que minha partida foi necessária, deixe para trás a minha jovem amada, ciente que agora graças ao meu sacrifício, ela encontra-se em segurança.

As dívidas foram pagas.

Ninguém de nossa casa derramou lágrimas por minha partida, sei que nunca fui o favorito entre eles, mas esperava ao menos ver um pouco de tristeza em seus rostos. O pouco que eu vi foi preocupação, porém não por como eu ficaria, mas sim por como ficaria nossa casa, pois a última moeda de troca, minha vida, já tinha sido utilizada.

Eu nunca fui ingênuo a ponto de acreditar que seria amado e protegido pelo meu irmão mais velho, mas também não pensei que ele fosse me abandonar a minha própria sorte quando eu possuisse meros dez anos. De consolo ouvi apenas um agradecimento e um beijo rápido na testa, desejei perguntar-lhe porque fazia aquilo comigo, mas eu sabia a resposta.

Ele nunca me amou, ao menos não como eu mereci ser amado. Minha mocidade não me impediu de ser o único sensato em minha família, protegendo a todos e evitando os conflitos, mas ela impediu que eu contrariasse Yao quando ele nos fez cair nesse sombrio poço da pobreza.

Yao, meu único protetor, vendeu-me por uma porção de moedas de ouro. Se ele estava disposto a me sacrificar de tal modo, que tivesse o feito antes de se afundar nas dívidas, pois dessa forma eu valeria ao menos o triplo do valor que lhe foi pago. Se há três anos tivessemos vendido nossos bens de valor e aceitado viver em condições mais modestas, isso não aconteceria.

Eu quero ir para casa.

Sei que não sou bem vindo, sei que aquele não é o meu lugar, mas desejo retornar, porque lá ainda existe uma única pessoa que eu posso amar. Será que um dia conseguirei esquecer seu sorriso doce e seus lábios rosados pronunciando o meu nome com sua voz feminina?

Não sei o que devo temer, guardar sua lembrança, permitindo que me corroa por dentro ou a idéia de que posso me acomodar a tal vida tão distante para qual estou sendo levado e me esquecer completamente dela. Meu maior conforto nesse momento é olhar através da pequena janela desse navio, no quarto onde fui deixado, e pensar que do outro lado do enorme oceano que nos separa, ela encontra-se longe de toda a dor e problemas do mundo.

Capítulo 1 - Chegada a Londres

Fui acordado hoje mais cedo que o de costume, já se passaram trinta e oito dias que me encontro nessa embarcação, quando fui despertado o marinheiro responsável por me trazer as refeições trouxe consigo uma mensagem, nós desembarcariamos dentro de três horas.

Voltei o meu olhar para a janela, vendo que a terra estava próxima, abri parte do vidro, sentindo o forte vento e a temperatura baixa, pensei que congelaria se fosse obrigado a descer de tal local, mas antes que isso ocorresse, após o desjejum, trouxeram-me um enorme casaco de lã.

Senti-me desconfortável com a lã desgastada do casaco, imaginando quantos homens já teriam utilizados do mesmo, mas sabia que minha atual situação não me permitia que questionasse ordens, era agora apenas um escravo. Ouvi os sons altos do lado de fora, tendo certeza que ancoravamos no porto, juntei meus poucos pertences e esperei pacientemente que aparecessem para me levar.

Meus medos se concretizaram quando sai de meus aposentos, o vento estava gelado e constante, fazendo-me tremer contra a vontade. Não desejava demonstrar fraqueza, sabia que encontraria-me com o meu proprietário, mas com minha habitual indiferença, meu corpo tremendo e meu olhar baixo, soube que meu estado era lastimável.

Assim que desembarquei, fui levado para junto de um homem, levando meus olhos contra os seus. Não me impressionei muito com seu aspecto, apesar das roupas finas, feitas com excelente material e corte da moda ocidental, não vi força e sagacidade nele, fazendo-me imaginar quem seria aquele diante de mim.

O homem, porém, estranhou-me do mesmo modo, falando algo com um de seus acompanhantes, como se estivesse incerto de minha presença. Sua insegurança relatava sua infantilidade, deveria ter quantos anos? Vinte um? Vinte dois? Dúvido que fosse muito mais do que isso, seus brilhantes olhos verde claros mostravam sua pouca experiência de vida.

- Olá, você é o Hong, correto? - Falou, finalmente direcionado a palavra contra mim, abaixando-se um pouco como se desejasse olhar-me frente a frente. Avaliei-o, encolhendo o meu corpo por culpa do frio, e vi seu nervosismo converter-se em preocupação. - Perdoe-me, deve estar com frio, queira me acompanhar, por favor! - Pediu, com sua excelente educação, eu apenas fiz um leve sinal afirmativo, permitindo-o me guiar.

Fomos levados a uma fina carruagem de madeira, com bancos de couro e carpete de camurça. Nunca em minha vida tinha visto artefato tão nobre quanto aquele, mas não deixei meu espanto transparecer, acomodando-me em um dos bancos e vendo-o entrar junto com um rapaz, sentando-se em minha frente.

Ouvi-o iniciar um diálogo com seu acompanhante, mas pouco dei atenção ao que dizia, mantendo meus olhos voltados para a pequena janela. Aquela era Londres, conhecia-a por livros, mas nunca tive chance de contemplar tamanha beleza do mundo moderno. Prédios, carruagens, roupas excentricas e o constante burburinho das pessoas indo e vindo.

- Hong.. - O chamado pelo meu nome me despertou, fazendo-me voltar os olhos ao homem a minha frente, esperando que ele prosseguisse. - Consegue entender o que eu digo, não consegue? Falaram-me que você conhecia o meu idioma.. - Disse, provavelmente supondo que o meu silêncio era causado por minha ignorância, ledo engano, pois acreditava que silêncio e discrição eram exemplos da boa educação.

- Sim senhor, fui instruido e consigo compreendê-lo com perfeição. - Respondi com minha voz calma, perguntando-me se naquele diferente país iria sempre ser julgado como um selvagem dada as minhas origens no leste asiático.

- Perfeito! - Ele não escondeu a animação ao me ver respondê-lo, abrindo um largo sorriso como se fosse possível me cativar. - Chamo-me Arthur Kirkland, irei cuidar de você agora.. - Falou, revelando-se o meu proprietário, para minha tranquilidade, consegui ocultar minha surpresa com tal informação.

- Sim, mestre. - Respondi, supondo que ele dizia aquilo para que eu o tratasse com o devido respeito, pois não se tratava apenas de um mero guardião temporário, mas o homem que pagou certa quantia para obter minha posse.

- Chamo-me Arthur.. - Repetiu, como se eu não tivesse compreendido a primeira vez que ele disse, mantive-me indiferente, soube que mais uma vez ele subestimava minha capacidade intelectual.

- Temo, mestre, que a forma como o senhor se denomina não seja de minha importância. - Respondi, esperançoso que não iria ofendê-lo apenas por expor um fato óbvio. A forma como ele optava chamar a si mesmo pouco iria mudar nosso relacionamento de proprietário e posse.

Entretanto, ele apenas riu, deixando aquela casual risada escapar-lhe dos lábios e invadir todo o interior da carruagem, voltei o meu olhar para a janela, presumindo que ele já estava satisfeito com as apresentações. Enganei-me, pois quando ele se recuperou, iniciou mais uma vez o diálogo, insistindo no mesmo assunto.

- Disse o meu nome para caso se sinta mais à-vontade, que me chamasse por ele, pois eu mesmo tomei a liberdade de chamá-lo de Hong. - Explicou o que desejava dizer, eu sequer me dei ao trabalho de olhá-lo.

- Agradeço a proposta, mas declino, sinto-me menos à-vontade com essa intimidade. - Respondi, ele apenas riu mais uma vez e voltou-se a conversar com seu acompanhante, deixando-me de lado.

Quanto mais andavamos, mais calmas as ruas ficavam, os trabalhadores iam desaparecendo, dando lugar a moças bem vestidas e jovens de excelente postura. As construções deixavam de lado a aparência urbana que tanto me intrigava para dar um ar mais clássico, com grandes mansões, que já tinha tido o prazer de ver réplicas em minha terra natal.

Foi então, naquela área de classe superior, que paramos, entrando por um gigante portão de grade de ferro, rumo a uma imensa mansão, possivelmente a maior do bloco. Paramos próximos a entrada, quando um empregado abriu a porta da carruagem e deu espaço para que passassemos, desci, sentindo o ar frio me atingir novamente e rapidamente, sendo guiado pelo homem chamado Arthur, fui levado para o interior da mansão.

Sinto que se tentassem estabelecer um diálogo comigo naquele momento, eu teria sido incapaz de responder diretamente, admirando o salão de entrada. O piso era de mármore branco e negro, divindo em vários quadrados, no centro existia uma suntuosa escada que levava ao andar superior, repleta de detalhes feitos na madeira escura e as paredes com quadros, aos meus olhos, verdadeiras obras de arte.

Em toda aquela longa e exaustiva viagem que tinha enfrentado, pela primeira vez compreendi o motivo de tantos homens antes de mim a enfrentá-la não por obrigação, mas apenas por desejo de conhecer o mundo. Nunca, em nenhum livro que pudesse ter colocado as mãos, encontrei narração digna de exemplificar aquele local.

- Hong, elas vão levá-lo para o banho e depois nos reencontramos no salão de chá, está bem? - Disse-me Arthur, eu apenas fiz um breve aceno positivo com minha cabeça, permitindo que três jovens criadas de uma única vez pegassem-me pela mão e puxassem-me por aqueles gigantescos corredores.

Fui despido, sentindo certo alivio ao ter o casaco de lã retirado de meu corpo, e depois colocado em uma imensa bacia com água morna, que eles apelidavam gentilmente de "banheira". Para o banho tal posição facilitava, sendo possível mergulhar dentro dela para remover os resquícios da sujeira da longa viagem, mas duvidava da praticidade de enchê-la e conseguir manter a água naquela agradável temperatura, não deixando margens de dúvida que se tratava de um luxo de poucos.

Se não estivesse tendo a pele esfregada com macias esponjas que traziam consigo aquela forte e agradável essência, teria adormecido naquele local e possivelmente afogado-me. Ao ser retirado e secado, vestiram-me com roupas de qualidade, um pouco grandes para o meu tamanho, mas muito melhor com as vestes sujas que tive de usar durante toda a viagem. Que no principio eram adequadas, mas com o passar dos dias converteram-se em farrapos.

Em seguida fui encaminhado para o local designado, o salão de chá. Gostaria de compreender a real necessidade de um homem possuir residência tão ampla e com salões para cada uma de suas atividades, vista que apenas uma delas suportaria todas as outras, mas talvez isso enquadre-se apenas em uma diferença cultural.

Nesse salão estava servido em uma larga mesa de centro, chá e doces, o meu novo proprietário fez sinal para que eu me sentasse, apenas obedeci e deixei que me fosse servido uma xicará de chá, imitando o gesto que ele fazia e provando um gole. Apesar da louça delicada, superior a que eu conhecia, o sabor era inconfundível, o mesmo chá de minha terra natal.

- Vejo que suas roupas ficaram grandes, esperava alguém um pouco maior. - Confidenciou-me Arthur, eu apenas observei-o, indisposto a exercer um comentário desnecessário, vendo-o perceber e logo continuar. - Vou chamar um alfaiate para ajustá-las, não se preocupe. De todo modo, gostaria de saber se você possui algum interesse em continuar sua instrução, posso contratar bons tutores.

A oferta era sem dúvida tentadora, mas não compreendia o porque dele permitir-me possuir tal prazer supérfluo, visto que eu não passava de um mero estrangeiro, ele ganharia mais fazendo essa boa ação com alguém da própria casa, um criado talvez. do que por mim. Avaliei por poucos segundos suas palavras, fazendo um aceno positivo com minha cabeça.

- Caso esteja dentro de suas possibilidades, aceitaria de bom grado sua proposta, mestre. - Respondi, sem sorrir ou mostrar-me empolgado, há muito havia aprendido que quanto mais felizes demonstramos estar, maior torna-se a chance de alguém vir roubar nosso motivo de felicidade.

- Certo, então providenciarei tudo! E peço-me que não me chame de mestre, sei que isso pode te causar estranheza, mas você é meu convidado e não meu criado! - Rebateu com convicção, abrindo um largo sorriso, empolgado por eu estar de acordo com sua sugestão.

- Chamarei-o de senhor Kirkland, mas espero que compreenda que não estou na posição de um convidado. - Retruquei com meu semblante apático, não possuia qualquer intenção de me deixar levar por suas doces palavras, conhecia o meu lugar melhor que qualquer um.

- Ainda assim, sinta-se na liberdade de pedir o que desejar e dar ordens a criadagem. Para todos nessa casa, você é o meu convidado e é essa impressão que devemos passar. - Ele levou a xicará de chá aos lábios, notei um leve sorriso se formar quando concluiu sua frase, deixando-me com uma única certeza.

Eu era seu novo objeto de diversão.

Fim do Capítulo 1.
Breve: Capítulo 2 - O segredo do quarto azul.

Terminei! Alguém leu? Deixem um review (Elogios ou críticas) se eu não receber nenhum perco a motivação de postar na internet! Essa foi a segunda vez que tive a chance de narrar as ações do Hong Kong, mas a primeira vez que o faço em primeira pessoa. Eu adoro o personagem, sempre tão apático! Caso não tenha sido um trabalho satisfatório, não hesitem em dizer! E revelando alguns segredos do próximo capítulo.. O Kiku provavelmente fará sua primeira aparição, mostrando o seu relacionamento com o Arthur, mas é claro, tudo no ponto de vista do Hong!

Espero que tenham gostado, até o próximo capítulo!