Advertências:
Hetalia não me pertence.
Essa fanfic não foi betada (Erros ortográficos corrigidos).
Ela está dividida por cenas.
Foi inspirada em músicas do software "Vocaloid".

Cena 1. Convivência.

Era uma tarde de outono, os dois jovens caminhavam lado a lado pelas calmas ruas da cidade. Tinham acabado de voltar do cinema onde assistiram uma comêdia de humor exagerado, que não fazia muito o gosto de um dos rapazes, mas ele nada falou, pois amou cada segundo do filme enquanto observava a doce risada tímida do outro.

- Foi muito engraçado, não achou? E gostei especialmente daquela parte onde a menina tropeça.. - Confidenciou um dos rapazes, o menor deles, um japonês chamado por Kiku Honda.

- Sim, foi sim. - Concordou o outro, um inglês conhecido por Arthur Kirkland, considerando que para evitar constrangimentos e discussões, bastava concordar com as afirmações de seu acompanhante.

- Nós.. Deviamos fazer isso mais vezes. - Kiku levou uma mão contra a outra, empurrando seus dedos um contra os outros em uma brincadeira tímida, dando um sorriso contido enquanto observava a rua por qual caminhavam.

Por um breve momento Arthur sentiu o próprio coração falhar, nunca em sua vida sentiu-se desse modo perto de outra pessoa, mas agora tornava-se constante essas sensações quando perto do japonês. Kiku era sem dúvida a pessoa mais adorável que já tinha conhecido, como controlar os seus próprios sentimentos ao lado dele?

- Arthur.. - Kiku parou de andar, estava a cinco passos na frente do inglês, olhou-o interrogativo. Por que o outro tinha parado de andar tão repentinamente? E a face dele estava em um tom rosado, o frio seria muito intenso e isso o fazia se sentir indisposto?

- Desculpe-me! - Falou Arthur as pressas, levando uma das mãos a nuca e rindo nervosamente, querendo disfaçar aquela situação constrangedora. Ficou tão atento a observar o outro que suas pernas esqueceram de andar! Deveria estar muito doente mesmo para agir como um completo idiota e preocupar o menor.

- Uhm.. - Kiku esperou que Arthur chegasse até ele, vendo-o sorrir de forma boba para reagir. Estava utilizando um pesado kimono que o aquecia relativamente bem, mas não hesitou em tirar o cachecol azul que tinha sobre o pescoço e levá-lo até o de Arthur, enrolando-o no outro com um ar de preocupação, deixando seus dedos deslizarem pelo pescoço dele acidentalmente e sentindo a pele quente.

Arthur não soube como reagir, sentiu um leve calafrio quando os dedos tão gelados de Kiku tocaram em seu pescoço, mas o jovem não devia perceber o contraste gritante entre as temperaturas dos dois. Levou as mãos até o próprio pescoço, tocando no suave tecido do cachecol, sentindo o odor suave do outro impregnado nele. Deveria devolvê-lo, correto? Afinal, não sentia frio a ponto de precisar dele.

- Não tire. - Pediu Kiku, sorrindo com suavidade e caminhando alguns passos, Arthur passou a segui-lo, aguardando uma explicação. - Vou emprestá-lo até chegarmos em casa! - Seu sorriso aumentou, batendo uma mão contra a outra como se estivesse feliz por fazê-lo.

- Eu.. - Arthur não devia aceitar, Kiku estava com as mãos geladas, se aceitasse um cachecol que era desnecessário seria muito egoismo de sua parte. Mas.. Tocou no cachecol novamente, levando-o para perto do rosto e fechando por alguns segundos os olhos, sentindo mais uma vez aquele cheiro.

Durante esse pequeno ato, Kiku manteve os olhos fixados em Arthur, mordiscando o seu lábio inferior ao vê-lo aconchegar-se daquela forma naquela peça. Quando chegassem em casa, iria querer abraçar aquele cachecol por alguns segundos e imaginar-se dividindo-o com Arthur, fingindo que por um momento em vez do tecido estar roçando contra a pele alva do inglês, estariam suas mãos, em uma caricia gentil.

- Obrigado. - Disse Arthur, abrindo os olhos e sorrindo para Kiku, mesmo ciente que não era o certo, queria ficar mais um pouco com o cachecol do japonês. Porque ao menos um pouquinho conseguia ver-se mais próximo do outro do que se atreveria a aproximar.

Cena 2. Despedida.

O inverno tinha por fim chegado a cidade, agora Kiku tinha deixado suas tradicionais roupas japonesas de lado para vestir-se como um ocidental e desfrutar dos quentes casacos de lã e camurça. Em suas mãos havia um pacote de papel pardo enrolado com um barbante. Para muitos seria um item qualquer, mas para ele era a última barreira que precisava enfrentar antes de permitir que o outro partisse.

Era a hora da despedida, Kiku estava diante de Arthur na estação de trem, as pessoas iam e vinham, mas Arthur e Kiku ficavam apenas parados olhando um para o outro, esperando a terrível hora que o trem chegaria e eles seriam separados. Kiku apertou o pacote que carregava contra o próprio corpo com força, precisava dizer as palavras que guardava dentro de si a tanto tempo.

- É.. Arthur.. - Respirou fundo, olhando para os olhos do inglês, sentindo suas bochechas corarem apenas pela expectativa. Arthur apenas sorriu, amava tanto quando Kiku dizia o seu nome, não sabia como sobreviveria longe dele.

- Vou sentir a sua falta. - Relatou Arthur, antecipando-se nas prováveis palavras do japonês, desviando então o olhar por um momento para vislumbrar os trilhos. Poderia não ver ainda o trem chegando, mas sabia que a cada segundo que se passava ele estava mais próximo.

- Também vou sentir a sua falta.. - Sorriu, um sorriso meigo e tímido que não conseguiu controlar. Apesar de ser uma despedida, estava feliz por ouvi-lo dizer essas coisas. Trouxe o pacote para próximo do rosto, só precisava esticar os seus braços e dizer "É para você" e todos os seus sentimentos seriam explicados.

Os olhos verdes de Arthur voltaram-se para Kiku novamente, vislumbrando aquela bela face e aquele doce sorriso. Se pudesse, fotografaria todas as expressões que ele fazia e passaria os seus dias tentando adivinhar o impossível: Qual delas era a mais fofa. O trem pode ser visto a distância, Arthur fechou os punhos e voltou a sua atenção a sua mala, que estava no chão. Era a hora de ir.

- Ahm.. - Kiku arregalou os olhos ao ver o trem vindo e Arthur pronto para pegar a própria mala, esticou o pacote de forma quase rude contra o outro, mas não teve tempo de reagir, sentindo o pacote escorregar por suas mãos e cairem no chão.

As mãos de Kiku se fecharam contra o tecido do casaco de Arthur, a surpresa era tamanha que não sabia o que fazer, apenas sentia o corpo do inglês contra o seu, abraçando-o. Arthur tinha agido por impulso, abraçado-o com todas as forças que tinha, prendendo os braços do japonês de tal modo que o impediria de se afastar ou correspondê-lo.

- Kiku.. - Chamou o nome do outro com a voz baixa, deixando os lábios próximos do ouvido dele. A respiração de Kiku congelou, atento a todas as palavras que seriam ditas pelo outro, não querendo deixar escapar nenhuma. - Eu estou muito feliz por termos nos conhecido. - Disse com suavidade, soltando o menor do abraço e sorrindo, o som alto do trem se fez no local e o vento balançou o cabelo de ambos.

As mãos de Kiku soltaram a blusa de Arthur, levando-as rápido aos cabelos e empurrando-o para trás, querendo olhá-lo e ter certeza daquelas palavras. Uma dor intensa se fez no coração do japonês, elevou as mãos ao pulso de Arthur assim que ele pegou a mala, querendo impedi-lo de ir, de deixá-lo justo agora que amava-o mais do que nunca.

- Eu gostei muito de ter estado com você. - Foi a única resposta que Kiku conseguiu dizer, estava com medo, medo de dizer o que sentia e não ver mais o outro. Soltou o pulso do outro e olhou-o apreensivo, esperando que ele dissesse ou fizesse algo que encorajasse falar seus sentimentos.

- Muito obrigado por tudo! - Arthur sorriu de modo terno, recuando um passo rumo a porta do trem que já abria, entrando nele e ficando apenas um passo de sair e voltar para estação, de dizer o quanto o amava. Tinha abraçado-o com todo o carinho que possuia e mesmo que seu coração esperasse ouvir um "Não vá", nada além de agradecimentos foram ouvidos. - Adeus. - Disse, esticando a mão para fora do trem, desejando cumprimentá-lo antes de partir.

Kiku viu-o se afastar com uma dor tão forte que não se atreveu a dar um único passo para frente, temendo seus pés cambalearem. Era mesmo um adeus, Arthur iria embora e sequer teve chance de considerar os sentimentos do asiático. Esticou a mão, segurando a do inglês e apertando-a com força, sorrindo para mascarar os próprios sentimentos. Estava decidido a nada dizer e estava tudo bem desse modo.. Sorria enquanto carregava consigo os registros da sua última lembrança daquela visita.

- Adeus, Arthur. - Falou enquanto segurava a mão do outro, o som do trem se fez e ambos romperam o toque. Não desviaram os olhos um do outro por nenhum segundo sequer até que a porta se fechou e o trem começou a se movimentar. - Eu.. - Sua voz saiu falha e o trem passou rápido, desaparecendo de sua frente e correndo contra o horizonte.

Kiku virou-se para trás, vendo o pacote que tinha preparado no chão, ao dar o primeiro passo, seus pés vacilaram e caiu de joelhos no chão, puxando o pacote para si e abraçando-o com força. As pessoas que passaram próximo o olharam, pensando em ajudar, mas ao verem as lágrimas escorrerem da face de Kiku com tamanha intensidade, ninguém se atreveu a fazê-lo.

Ao menos por um momento queria chorar, porque sabia que ao se levantar, daria o seu último adeus ao seu primeiro amor. Suas lágrimas cairam contra o pacote, sentia-se tão estúpido, tão medroso! Virou as noites em claro para terminá-lo, mas não teve forças de entregar aquele presente. Rasgou o pacote, retirando o cachecol branco de dentro dele, levando-o até a face e secando as lágrimas com ele, queria gritar com toda a sua voz "Eu te amo", mas mesmo agora, ciente que Arthur já estava longe, não era capaz.

Arthur manteve os olhos fixados na pequena janela da porta, vendo o japonês desaparecer junto com a estação e o seu caminho ser seguido. Sorriu com angustia, levando a mão ao vidro da janela e vendo os flocos de neve cairem do lado de fora, a primeira neve a cair no inverno. Não iria chorar, iria embora sem olhar para trás, dando adeus ao seu doce amor não correspondido.

- Adeus, Kiku..