No coração da Tempestade (parte 2)

Declaração: Todas as personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions. Por outras palavras, não me pertencem e como tal não farei uso comercial delas.


A luz invadia a casa da árvore e se espalhava, primeiramente pelo planalto e progressivamente pelo resto do planeta. Enquanto isso, a alma de Verónica seguia o mesmo esquecimento que resto das coisas. Se ela pudesse raciocinar sobre o que se estava a passar, iriam lhe surgir mais dúvidas do que as que sentiu quando viu Finn desaparecer-lhe em frente dos olhos. Não que ela estivesse alheia ao que estava a ocorrer ao seu redor, só que a sua percepção naquele momento era limitada. Que pensaria ela ao certo? Não há como saber. No entanto, é provável que julgasse que o Mundo estaria perto do seu FIM.


Enquanto Verónica segurava o Trion, tudo se tornava energia. A matéria não havia deixado de existir mas confundia-se, reagrupava-se e moldava-se, criando assim uma transformação na Terra e na Vida.

Por fim, o tempo e o espaço voltou à sua ordem natural. Não sem que, para isso, fossem necessárias alterações nessa mesma ordem. E a vida voltou ao seu ritmo, quase indiferente ao que havia acontecido ainda há instantes.

-Verónica, minha querida, você está bem? – falou Challenger com ar preocupado

- Challenger? Bem, eu…bom, dói-me um pouco a cabeça mas estou bem – Verónica respondeu, de forma pouco convincente. Na verdade, a menina sentia-se como se um T-Rex lhe tivesse passado por cima. No entanto, pior do que a dor e fraqueza do corpo, era a confusão que reinava na sua cabeça. Ela sabia que coisas haviam acontecido, mudanças que por mais que tentasse não conseguia recordar.

- Não se preocupe, minha jovem, estou aqui para cuidar de si. Não tarda, ficará completamente restabelecida. Acredite! – Challenger transparecia, ao falar, uma calma e confiança que não correspondiam ao que sentia.

As horas foram passando enquanto Challenger se revezava entre a preparação de uma infusão de ervas, cozinhar uma sopa e colocar panos húmidos na testa da ainda semi-consciente Verónica. O velho cientista já havia realizado todos os exames e neste momento sabia que o único problema dela era exaustão. Ainda assim, incomodava-o não saber porque estaria tão cansada a sua amiga.

Enquanto cuidava de Verónica, o nosso querido cientista tentava em vão que o seu pensamento não fosse de encontro do desaparecimento dos amigos.

~ As ondas devem tê-los afastado de casa, mais do que estávamos à espera, mas já devem estar a voltar. – pensava o
velho senhor tentando recuperar alguma calma de espírito – E se estiver enganado, posso fazer algo? Não! A resposta magoava, por reflectir uma triste verdade. Ele não podia sair para auxiliar os companheiros, quando isso significava deixar Verónica para trás.

Cansada, como estava, a menina da selva não conseguia despertar-se totalmente embora a preocupação com os seus amigos a levasse a um estado de alerta por entre o seu sono.

-Challenger?

-Sim, minha querida, precisa que lhe traga algo?

-Bom, talvez um copo de água –
falou Verónica ao perceber a sua boca seca

Ao perceber que o senhor se
levantava para atender o seu pedido, interrompeu-o – Não, por favor, isso tem tempo. Agora, diga-me, os outros já voltaram? Sabe alguma coisa deles? – o seu tom transmitia urgência

- Não, minha menina, mas não se preocupe. Vai ver, não tarda estarão de volta e prontos a contar-nos as suas aventuras. - tentava que o seu sorriso trouxesse tranquilidade, não só a Verónica mas também a ele mesmo.


Roxton encontrava-se encostado a trás de uma arvore, esperando o melhor momento para atacar novamente. Após ter-se encontrado sem balas, tinha-se atirado à luta, num ataque quase desesperado. No entanto a racionalidade e uma enorme vontade de sobreviver tinham-no levado a recuar. Não morreria sem dar luta, é claro, mas sabia que não tinha hipóteses de vencer esta batalha se não calculasse bem todos os passos.

-Por favor DEUS, se realmente existes, não permita que nada de mal aconteça com a minha Marguerite.- o pensamento da morena dava-lhe coragem para avançar

-É o momento. – pensava Roxton ao ver os conquistadores a aproximarem-se da armadilha improvisada.

-O que terá corrido mal? – o caçador aproximou-se da armadilha, só para a encontrar intacta – Raios! Onde estarão esses idiotas?


Ao redor de uma área à qual poucos tinham coragem suficiente para se aproximarem, gritos podiam ser claramente ouvidos. Gritos esses que nem as pétreas paredes da gruta podiam abafar, apesar de serem fortes o suficiente para susterem a sua dona.

Magg sentia-se como se estivesse a viver um sonho, ou seria um pesadelo? A verdade é que sentada no altar, onde momentos antes estivera prestes a ser sacrificada, sentia o corpo ainda a tremer de ansiedade.

Tudo tinha sido tão rápido. Ainda não tinha tido tempo de processar a informação, necessária para entender o que havia acontecido. Na verdade, era possível que nunca chegasse a entender por completo os acontecimentos daquele dia.

A gruta em que se encontrava agora, sentada no altar de pedra, era a mesma para a qual os Druidas a haviam levado? Sim, era a mesma mas numa outra época. Esta era a gruta que tinha conhecido com Roxton, esse pensamento deixava-a aliviada. Significava, não só, que estava de volta à sua época mas que estava próxima do único capaz de a acalmar.

Passada a estupefacção, a morena encaminhou-se até ao buraco causado pela explosão que agora era a única saída.

De repente estacou. E tão rapidamente como parou, o seu passo mudou de direcção.

-Não pode ser! – o tumulo onde deveria estar o corpo da mulher, encontrava-se vazio.

-Seria EU aquela mulher? Teremos nós mudado o rumo dos acontecimentos? – Marguerite sentia-se confusa e dessa confusão nasceu uma ânsia, crescente, de sair dali. Não, não era por sair dali que estava ansiosa, era por encontrar o único homem que tinha o dom de a acalmar.

-Onde estará? Estará ele…? Não, ele está vivo e bem. Não pode ser de outra forma. – teve de fazer um esforço para se acalmar, pois a simples ideia de ter perdido Roxton a transtornava.

~Quando fiquei eu assim, tão dependente deste homem? Logo eu! Eu que sempre fui independente, que sempre soube que estes sentimentos deviam ser evitados! –dizia isto como forma de se convencer mas não estava a surtir qualquer efeito.

-Porque me parece que, da primeira vez, foi mais fácil sair daqui? – a resposta era simples mas não a expressou em voz alta, não queria ter de enfrentar o facto de que o caçador lhe fazia tanta falta.

-Raios! – estava a ficar cansada e frustrada, já era a quarta vez que escorregava. Não tinha força para içar-se pelo que estava a tentar trepar mas o resultado tinha, até aí, sido desastroso.

Encostada à parede, as imagens do dia em que tinham ficado presos naquela gruta sucediam-se. O risco de o pânico a tomar por completo tornava-se eminente pelo que ela tentava, em vão, afasta-lo.

De repente, a lembrança de Roxton deu-lhe forças renovadas. Trepou até à saída, com um vigor e uma destreza que não imaginava ter. Ao fim de uns minutos estava livre mas o cansaço era tanto que se viu obrigada a deitar-se no chão.


~Tenho de a encontrar! – repetia isto como se de um mantra se tratasse.

Já estava a procurar há horas, ao longo da floresta, e não tinha encontrado uma única pista. Sabia que as descontinuidades a podiam ter levado para qualquer local, nem sequer sabia se ela ainda estaria no planalto.

~Ela tem que estar aqui, tudo parece ter voltado à normalidade. E ainda tenho de encontrar a Verónica e o Challenger. – de certa forma sentia-se culpado porque, no fundo, sabia que a Magg era a sua prioridade.
~Tenho de voltar à casa da árvore! – a ideia era tão lógica, que não sabia porque ainda não o tinha feito. A verdade é que, por algum motivo, sentia que ela não estava lá.


~Por quanto tempo vou aguentar? As minhas pernas vão fraquejar, eu sinto que sim. Não podem, tenho de continuar.– a urgência da sua fuga era marcada pelos rugidos dos Raptors que a seguiam e a qualquer momento, a poderiam encurralar.

~De todos os seres, deste maldito local, tinham de ser estas bestas inteligentes a me perseguir? – este pensamento queria sair em forma de grito mas a sua garganta não emitiu qualquer som, não poderia. Magg tinha recuperado a sua arma mas as balas que tinha não eram suficientes, na verdade, nem sequer seriam úteis naquele momento.

-Não! – as suas pernas tinham fraquejado, por fim.

Aninhada a uns metros daqueles dinossauros, começou a disparar. Não, isso não iria evitar a sua morte mas o desespero levava-a a agir. A verdade é que nunca se daria por vencida, a cobardia não era uma característica sua.
-Raios! Não posso morrer assim. – tinha ficado sem balas e, no momento, fez a única coisa que podia. Fechou os olhos com toda a força que podia. O barulho dos guinchos, misturado com o de tiros, levou a uma súbita subida da adrenalina que levou a morena a se levantar de um salto.
A alegria por se ver viva foi substituída por um sentimento de alerta, ao perceber que a mesma pessoa que matara os dinossauros podia faze-la seguir o mesmo destino desses répteis.

A morena estava completamente rígida, com o olhar atento e o peito descompassado. Tentava pensar numa forma de se defender. Se havia algo que tinha aprendido, ao longo da vida, era que nada era mais perigoso do que um humano.

Parecia que o peito lhe ia sair pela boca a qualquer momento, ao ver aquele homem a se aproximar.

No local onde estava, com a pouco luz que o entardecer deixava passar entre as árvores, ela não conseguia distinguir as feições do seu salvador. A única coisa da qual tinha a certeza era de que aquele vulto poderia se tornar numa ameaça muito pior que a dos dinossauros.


Nota:

Antes de mais, gostaria de dizer que sendo a minha primeira fic não estará perfeita mas que conto com todos para melhorar. Não vou pedir que sejam tolerantes, nem que dêem desconto algum, prefiro reviews sinceras mesmo que sem mal. Critiquem muito, ok?

Outra coisa, sei que a maioria dos escritores aqui são brasileiros e, sendo eu portuguesa, é possível que haja palavras que não vos soem bem…qualquer duvida, perguntem.

PS: Espero que tenham gostado e que o demonstrem com muitas reviwes, isso se quiserem continuação hehehe