Meu pai estava ouvindo rádio e eu estava perto... Acabei escutando que é a primeira vez que os EUA mandam um representante para homenagear as vítimas. Não consegui refrear meu desejo de escrever – até porque, já estava querendo uma USAxJPN.

Me inspirei na música Holding you, and Swiging – Garnet Crow.As partes em itálico e entre aspas indicam trechos dela. Além disso, também li trechos na Wikipédia sobre o bombardeio... e uma notícia de 2005 no Terra.

Acho que é isso... Boa leitura.

Holding You

Hiroshima – 1945

Uma chuva de ruína nunca antes vista.

Assim que os Estados Unidos da América anunciaram. Por não terem aceitado os termos que impunham, era isso que o Japão sofreria. E dia seis de agosto o castigo veio dos céus, se abatendo sobre o Império do Sol.

Nunca Kiku poderia esquecer o que presenciou. Uma explosão, um clarão, escuridão. A dor começou a consumi-lo à medida que via sua terra destruída. O chão queimava, pessoas gritavam em busca de socorro; as almas chorando, sem ter como fazê-lo. O ar faltava, não conseguia enxergar; só doía quando respirava – simples assim. E essa sensação se repetia todo ano, não importava a ajuda que Alfred havia prestado. Seu descaso era o que mais machucava.

Para o americano, aquele era um assunto difícil. Não pelas vítimas que causaram, mas por ser ele quem apertara o gatilho e destruíra com o que sobrara do japonês – porque, àquela altura da guerra e com a queda da Alemanha, eles não resistiriam por muito mais tempo – o orgulho era a única coisa que o impedia - por mais que tentasse justificar com o contrário. Afinal, ele precisava se convencer que fizera a escolha certa. Escolha feita por capricho, por desejo de mostrar seu poder. E, assim, se convencia que foi um ato justificado.

"Se rimos juntos repletos de alegria sem motivo
Isto é felicidade
Então, mesmo no escuro
Eu posso sonhar com um milagre sozinha"

O japonês rezava. Pedia por aqueles que não conseguira proteger.

E, secretamente, esperava pelo dia que o estadunidense viria visitá-lo naquela época. Sempre se sentia só, recordando-se daqueles momentos indescritíveis. Por mais que todos se compadecessem consigo, não podia evitar aqueles pensamentos. Normalmente ocorria tudo tão bem, por mais que fosse frustrante ficar sempre à sombra do americano... Mas provavelmente custava muito para Alfred dizer uma palavra, realizar um gesto.

"Te abraçando, e balançando
Eu quero ir
Ah ~ Para onde você está, tão terno
Amei você demais, meu John Doe
Onde você está indo ...
Você desapareceu, como já era esperado"

E realmente custava. Kiku era um dos únicos amigos do estadunidense, apesar de tudo que fizera para ele. Queria, sim, ir visitá-lo e abraçá-lo, poder dizer que sentia muito. Mas não podia sentir. E o orgulho americano, como ficava? Dar um passo para fora de casa custava muito, por mais que ignorasse aquela data. Imagine viajar até a casa do nipônico? Tarefa impossível, até mesmo para um herói – mesmo que o herói em questão, todo ano, dissesse para si mesmo que tomaria coragem e iria ao encontro do japonês.

"Além da luz que parece ser tão simples
'Se pudermos confiar um no outro seremos mais fortes'
Há dias em que tudo o que posso fazer para me proteger
É duvidoso"

Naqueles dias, se sentia tão frágil... tão desprotegido. Não conseguira fazer nada e isto sempre faria Kiku se remoer. Tantas vidas... simplesmente perdidas! Não que se arrependesse de algo que fizera: eram seus sonhos, seus desejos em jogo. Mas não tinha a intenção de brincar com a vida de inocentes. Assim, se perguntava... poderia realmente, realmente perdoar Alfred? Caso ele mostrasse um único gesto de carinho ou remorso, sim. Mas as lágrimas – já não mais derramadas pelos olhos – ardiam e salgavam a boca. As feridas – não cicatrizadas – ardiam, queimavam; todas as suas barreiras, impostas com tanta dificuldade, caíam. Sabia que nunca, nunca poderia esquecer sobre aquilo... mas precisava viver com tanta dor?

"Tudo o que você deixou foi tristeza
Mas percebi que eu estou parada em um lugar diferente
Ao invés de me ensinar como esquecer, eu prefiro que você me ensine como amar"

Naquele ano, as pernas que pareciam feitas de chumbo conseguiram levar o estadunidense até o Japão. Prendeu a respiração, o ar estava abafado, difícil respirar. Era sempre tão pesado assim ou acontecia por que estava ali? Nunca ia saber. Mas sabia aonde encontrar quem queria. De longe, Alfred observou o japonês em frente ao rio que corria em frente ao memorial. Várias pessoas transitaram pelo local, colocando velas que a correnteza levava, mas Kiku continuava ali. Nem mesmo ao cair da noite o japonês se retirou do local, permanecendo sentado na escadaria. Sem ter noção do tempo que passou, Alfred finalmente tomou coragem para se aproximar. Lenta e silenciosamente, parou de pé ao lado do nipônico.

Não tinha o que falar. Não tinha como apagar o que fizera, apenas garantir que o erro não se repetiria para trazer um pouco de paz tanto a si mesmo, quando para Kiku – que nem reparara em sua presença, tão alheio estava do mundo ao seu redor.

Só tinha uma coisa que o estadunidense conseguiria fazer. Pegou uma vela e acendeu, colocando nas águas, deixando que elas levassem o passado e o futuro incerto. Sem se pronunciar, deu as costas, resolvendo rumar para casa. Só então Kiku reparou em um bilhete preso à última vela posta.

I'll be your hero.

Eu serei seu herói.

Voltou-se, surpreso, para trás, podendo ver a silhueta de Alfred se afastando.

E, sem perceber, uma lágrima escorreu e um sorriso triste se formou.

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Acho que não tenho nada para falar... Só que é triste demais o que aconteceu, apesar de tudo que o Japão fez... Triste. Muito triste – e não dá para retratar isso exatamente. Se agradou a alguém, peço reviews ~

Beijos.