Título: Anatomy of a Human

Autora: Amethyst Jackson

Tradutora: Irene Maceió

Betas: Thaís Macedo e D!

Classificação: M

Sinopse: Acompanhamento de Only Human (link do original em inglês e da tradução nos meus favoritos). A vida do jovem Edward é irreversivelmente alterada quando uma misteriosa garota com roupas estranhas tropeça em seu mundo.

Aviso: Twilight e seus personagens pertencem a um monte de gente, ou seja, a Stephenie Meyer e a quem ela escolher para partilhar seus direitos, mas eu não sou uma dessas pessoas. Eu queria ser, porque eu poderia usar o dinheiro, mas eu não estou ganhando dinheiro com essa história ou qualquer trabalho derivado, então não há nada para me processar.


Capítulo Um

18 de junho de 1918

Pegar o trem da Filadélfia para Chicago sempre foi um alívio, era como se eu já pudesse sentir o ar se tornar puro enquanto ele flutuava pela janela aberta do vagão. Coloquei minha mala de viagem na prateleira de cima com dificuldade e me estabeleci em minha cadeira para repousar durante a longa viagem.

Por quatro anos agora, eu cumpri a mesma rotina. Em agosto, entrava no trem para a Filadélfia, fazia a longa viagem da cidade para a minha escola do outro lado do país, regressando para casa para as férias de inverno, retornando à escola, voltando para casa novamente em junho.

Meu pai insistiu em uma escola particular para a minha educação secundária, embora a minha instrução primária tenha sido em escolas públicas, com a adição de minha mãe como tutora. Um colégio interno, preferencialmente, no leste, era o único caminho aceitável para uma universidade de prestígio, que por sua vez era o único caminho aceitável para as melhores faculdades de Direito.

Meu pai tinha um plano detalhado para mim. Desde meu nascimento.

A perspectiva de me tornar um advogado não me emocionava - na verdade, eu temia passar meus dias debruçado sobre uma pilha de papéis - mas eu tinha muito tempo para encontrar outra coisa para fazer de minha vida e convencer ao meu pai sobre a dignidade da profissão. Se a sorte estivesse ao meu lado, a guerra poderia durar até que eu tivesse dezoito anos, e então eu poderia conseguir. Meus pais ficariam descontentes, mas eu tenho certeza que eles aprovariam assim que percebessem como eu estava servindo ao nosso país.

O que eu odeio, detesto e desprezo é a escola. O lugar, as pessoas, meus estudos... todas as coisas pomposas e terrivelmente maçantes. Meu companheiro de quarto pelos últimos quatro anos, Norman – nomeado como meu companheiro porque viemos de uma mesma cidade - era o pior de todos eles. Auto-importante e com um senso de direito de um quilômetro de largura, Norman planejava e manipulava e tinha tudo o que podia. Um pirata de classe alta. Ele não era uma anomalia, ou seja - a escola estava cheia de cobras como ele: charmosos, egoístas e letais.

Toda a atmosfera era completamente diferente do que a que eu tinha crescido em Chicago. Fora do Centro-Oeste, mesmo na cidade, tudo parecia bem aberto, de forma gratuita. Ir para o leste me fez sentir quase claustrofóbico. Não era apenas uma questão de geografia, quer dizer, a posição era diferente. Em Chicago, eu jogava baseball na rua com outros meninos da vizinhança. Na escola, eles realmente nos faziam jogar críquete. De todas as punições cruéis e incomuns...

Poucos minutos antes que o trem estivesse prestes a partir, três empresários se empilharam em meu vagão. Fiquei perto da janela, tentando manter a respiração do ar fresco pelo maior tempo possível e puxei um livro da minha mala para passar o tempo, e desencorajar a conversa. Eu não queria ouvir sobre esses homens e os seus lucros e suas ações e títulos, e eu definitivamente não queria que eles me perguntassem sobre o meu "futuro". Eu tinha o suficiente disso a partir de pessoas que realmente me conheciam.

Várias horas depois, o trem parou na estação. Eu esperei para que o outro homem se arrastasse na minha frente, empurrando-o fora do comboio. Minha mãe esperava na plataforma, toda sorridente. Ela nunca gostou de eu estar afastado de casa por tantos meses do ano, mas ela sempre tinha aderido à sabedoria e à praticidade dos planos do meu pai para mim. Agora, ela tinha o maior prazer em continuar me enviando para a escola para me manter fora da guerra.

"Olá, mamãe", eu a cumprimentei, a deixando arrastar a minha mala pelo chão, atrás de mim.

"Edward, querido" ela suspirou, envolvendo-me em um abraço apertado. Corei, percebendo alguns olhares em nossa direção. Ela afastou-se, batendo no meu rosto. "Você parece magro, querido. Não estão te tratando bem nessa escola?"

Ela fazia a mesma pergunta toda vez que eu chegava em casa, sempre antes de qualquer outra coisa. "Você sabe que eles servem comidas horríveis naquela escola. Você pode me engordar enquanto eu estiver em casa."

"Eu certamente irei", ela reclamou, alisando meu cabelo. "Venha, querido. Seu pai está esperando no carro, e eu sei que ele está ansioso para ouvir sobre o seu período escolar."

"Ansioso para ouvir minhas notas, quer dizer," eu resmunguei, me arrastando atrás dela.

"Seja paciente com seu pai," mãe suspirou. "Ele está fazendo o que ele pensa que é melhor."

"É o que você acha que é melhor?" Eu me perguntei em voz alta enquanto driblava os viajantes apressados para os trens.

Nós paramos em frente da porta principal no exterior. "Você sabe que eu queria poder tê-lo em casa, mas sim, eu acho que é melhor você ir para a escola. Há coisas sobre o mundo que você simplesmente não pode aprender em casa. Às vezes você tem que sair para a imensidão do mundo ".

"Imensidão", eu suspirei. "Eu não acho que jardins não se qualificam como imensidão."

"Foi uma metáfora, querido", disse mamãe pacientemente antes de se empurrar para fora da porta. Eu a segui depois, balançando a cabeça. Eu deveria saber que a minha mãe ficaria ao lado do meu pai. Ficar entre os dois exigiria um pé de cabra.

Encontramos o carro estacionado lá fora. Meu pai saiu para ajudar minha mãe antes de vir ao redor para me ajudar a carregar a minha mala para a parte de trás.

"Olá, meu filho," ele me cumprimentou com um tapinha nas costas. "Boa viagem?"

"Nada incomum," eu respondi, encolhendo os ombros. O meu pai suspirou e não disse mais nada, a minha falta de entusiasmo era uma constante tensão entre nós. Ele subiu no carro sem dizer uma palavra, ao lado de minha mãe na frente, e eu escorreguei pelo banco de trás, me sentindo como uma criança. Eu teria dezessete anos em dois dias, e lá estava eu, sentado atrás de meus pais como um bom menino. Suspirei pela janela aberta.

"Edward, você já pensou no que você gostaria no seu jantar de aniversário?" minha mãe perguntou abruptamente, esperançosamente, girando em seu assento para olhar para mim.

Eu sorri. "Você sabe que quero sua galinha e bolinhos, mãezinha".

Os lábios do meu pai se contraíram. Nós dois sabíamos que a mamãe se agradava sempre que eu a chamava de "mãezinha", e até mesmo mais do que isso, ela adorava cozinhar. Minha mãe não era uma típica mulher de classe alta, seu pai tinha sido um fazendeiro bem sucedido, e ela tinha crescido no interior. Embora ela tenha recebido o tipo de educação típica de mulheres da sociedade, ela nunca desistiu de seu amor pela culinária e atividades ao ar livre. Ela foi constantemente reclamando sobre nossos porcos hábitos alimentares, literal e figurativamente.

"Esse é o meu garoto", disse com aprovação. "Existe alguém que você gostaria que eu convidasse?"

"Não, mãe." Ela estava sempre esperando que eu "saísse da minha concha" e "fizesse amigos", mas eu nunca tive muito talento a esse respeito. Talvez fosse uma falha pessoal - Eu achava muito fácil me distrair com as falhas dos outros, o suficiente para que eu muitas vezes lutasse para ver suas características positivas. Eu não gosto de ser assim, mas eu não sei como mudar a mim mesmo tampouco.

"Você deve convidar alguns de seus colegas do bairro, filho". Papai reclamou. "As conexões certas são essenciais. Você não vai querer se indispor com estes jovens, um deles poderá contratá-lo algum dia."

"Eu certamente espero que não", eu murmurei sob a minha respiração.

"Eu ouvi isso. Basta pensar nisso, você vai?"

"Eu vou pensar", eu concordei, mentindo por entre meus dentes. "Mas eu vejo essas pessoas pela maior parte do ano. Seria bom se eu não tivesse que vê-los no meu aniversário também."

"Você não precisa convidar ninguém que você não queira", mamãe disse, olhando de forma acentuada para meu pai. "É o seu dia, afinal de contas".

O carro parou em frente à nossa casa, e desci depois de meus pais. Nós não tínhamos funcionários do sexo masculino, por isso tive que arrastar minha mala para dentro e até a escada. Evidentemente, eu estava sendo estragado na escola. O montante de funcionários que tínhamos para nos servir era ridículo.

Abri a porta do meu quarto, que foi mantido fechado enquanto eu estava na escola. Agora, as janelas estavam abertas para deixar entrar um ar fresco e o mobiliário foi descoberto, livre de poeira. Eu afundei na minha cama convidativa, gostando de estar de volta ao meu próprio luva de baseball ainda descansava na minha estante ao lado do grosso Dicionário Webster, que eu evidentemente não me preocupei em abrir pelos últimos anos. Olhei para a minha gaveta do criado mudo e sorri quando eu vi o meu coberto da minha infância ainda escondido ali; eu não suportava essa fase sem ele.

A brisa morna corria para o quarto, e eu encontrei-me preguiçosamente fechando os olhos, pronto para cochilar até o jantar.


O verão foi como o verão geralmente era. Enquanto meu pai corria para o trabalho todos os dias, eu dormia até tarde. Ajudava minha mãe com a tarefa ocasional, mas na maior parte, colocava a minha leitura em dias - histórias em quadrinhos e romances de aventuras, nada remotamente educacional - tocava piano, e me espreguiçava ao sol.

Minha mãe tolerou meu comportamento, até meados de julho.

"Edward, eu acho que é hora de você sair um pouco de casa. Venha, você pode acompanhar-me ao mercado no lugar de Maria. Ela tem bastante coisa para fazer."

"Sim, mãe", eu concordei relutantemente, arrastando-me para fora da minha cama. "Dê-me um momento para me tornar apresentável".

"Dez minutos," Mamãe respondeu, fechando a minha porta do quarto atrás dela. Procurei por algo que não estivesse amassado – uma calça, uma camisa branca, um colete, um casaco. Eu odiava sair de casa durante o verão. Eu preferia muito mais ficar sem casaco com tal calor opressivo.

Lavei o rosto rapidamente e fiz uma tímida tentativa de domar o meu cabelo antes de encontrar a minha mãe no salão.

"Gracioso, Edward," Mamãe suspirou, achatando a palma da mão contra o meu couro cabeludo e radicalmente o empurrando. "Seu cabelo..."

"Ele é sempre assim, você sabe disso," eu resmunguei. "O que você espera que eu faça?"

"Um pouco de pomada pode ajudar, querido", minha mãe disse, deixando cair a mão em derrota."Venha agora. Eu quero chegar ao mercado antes de todos os nabos dignos terem acabado."

"Nabos. Certo", eu murmurei, andando atrás dela para fora da porta e para a rua. Como o bom cavalheiro que era para eu ser, eu ofereci meu braço a minha mãe para 'escoltá-la' para o seu mercado. Como se a minha mãe precisasse de ajuda... ela era dura como um prego.

O mercado estava cheio de homens e mulheres de vários estados. Havia aqueles que, como minha mãe e eu, navegavam pelas mercadorias. Havia os agricultores vendendo suas colheitas com vigor e os agricultores menos entusiasmados esperando que os clientes chegassem a eles. Artesãos tentavam afogar a comida - selecionando, ansiosos para atrair novos negócios, e os mendigos se escondiam entre as barracas, prontos para atacar qualquer pessoa que apresentasse a menor fraqueza.

"Aha!" Mamãe chorou, identificando os tão- importantes nabos. Eu esperei, procurando por algo para me distrair, enquanto ela escolhia seu produto. Nossa excursão não terminou com os nabos, infelizmente. Em seguida fomos a livraria, onde minha mãe comprou vários títulos estranhos e, em seguida fomos para o sapateiro, onde minha mãe deixou um par de botas do tempo frio para ser reparado enquanto ela não estava o usando. Eu esperei enquanto ela tratava com o sapateiro, a livraria estava insuportavelmente quente, e optei por ficar de fora, onde, pelo menos, havia uma brisa neste momento.

Eu estava vendo as pessoas descendo a rua em velocidades diferentes - algumas em uma corrida, algumas em um passeio agradável - quando um flash de cor chamou minha atenção. Eu girei minha cabeça para ver uma jovem mulher de pé no meio da rua, como se ela tivesse surgido do nada.

No início, eu me encontrei olhando bastante descortês para seu vestuário. Como eu poderia evitar? A cor azul da sua blusa teria sido suficiente para chamar a atenção de qualquer um entre as cores conservadoras que estavam atualmente na moda, mas tudo que ela usava era um pouco... escandaloso. A blusa deixava seus braços nus, o que poderia ser tolerado em casa, mas certamente não em público. E ela usava calças – não só calças, mas calças feitas de jeans, como se trabalhasse em uma mina! Obviamente, ela não estava com uma calça masculina, tanto, que estava adaptada para abraçar seu corpo, mostrando a curva dos seus quadris e a forma de suas coxas.

Eu tive que virar meus pensamentos rapidamente para conjugação francesa e mover meus olhos para seu rosto. Sua pele delicada e pálida estava em desacordo com suas roupas. Se ela fosse o tipo de mulher que habitualmente usava calças, ela não teria certamente uma tez bem mantida. Só senhoras finas poderiam evitar o sol. Ela tinha um lindo rosto, também – com um doce formato de coração, uma boca suave e largos olhos de corça.

Uma corça, de fato. Ela se segurava fortemente como um cervo deixado exposto, com medo da bala do caçador. Me movi para ela, instintivamente, curioso e fascinado. Quem era essa mulher estranha, e por que ela parecia estar tão perdida? Tão assustada?

Eu me arrisquei mais, com medo de dar um passo muito ousado, como se ela fosse fugir como um animal assustado se me movesse muito rapidamente.

"Com licença, senhorita?"

Seus olhos brilharam para os meus, amplos e luminosos e chocados, e eu fiquei estupidamente deslumbrado.


Nota da Tradutora: Meninas, essa fic é linda. Quem ainda não leu o POV Bella dela (Only Human) corre pra ler, eu a li toda em uma manhã. Espero que gostem. Ainda não tenho um cronograma de postagem, mas se vocês deixarem bastante recadinhos... quem sabe eu não me animo para traduzir mais rápido?

Outra coisa: Essa fic é da mesma autora de Bonne Foi (tbm no link de favoritos, ela está sendo traduzida pela Bruna), e a autora também me autorizou a traduzir o POV Bella de Bonne Foi, que é Existence and Essence. Então em breve a teremos tbm por aqui. Espero que gostem. Estou amando traduzir essa fic.

Perva's Place