Dogie house

Senti um cheiro esquisito de morango assim que abri a porta . Andei até a cozinha e encontrei um homem de frente para minha bancada. Ele usava o avental ridículo que minha mãe me dera na esperança de que eu me interessasse por qualquer atividade doméstica. Foi seu ato mais desesperado.

Mamãe, você imaginaria que um dia ele estaria enlaçado por cima da camisa de um homem?

-Ei!- gritei, colocando a mão na bolsa à procura do meu spray de pimenta-Saia agora da minha cozinha.

-Ah! Marlene, você chegou cedo- disse enquanto se virava me permitiu olhar uma grande torta de morango com chantilly. Eu poderia reconhece-lo mesmo com o avental ridículo e as mangas arregaçadas. Era Sirius Black, o vagabundo das Belas Artes.

-Você. Está. Na. Minha. Casa.

-Pois é, né?- seu sorriso brilhante e relaxado comprimia seus olhos cinzas- Você deveria arrumar sua cozinha. Demorei umas duas horas para encontrar as panelas.

Ele suspirou como se estivesse cansado e apoiou suas mãos na bancada sem panelas sujas empilhadas e talheres espalhados. Ah...ele arrumou minha cozinha.

-Como você conseguiu a chave da casa?- eu precisava ser racional e estava curiosa, apesar daquilo não fazer nenhum sentido principalmente, o avental- Por que você está aqui?

-Fiz uma cópia. Tive que sair de casa- seu tom foi o mais normal que já ouvi. Como se tivesse perguntado se ele gostava mais de macarrão ou de bife.

Sirius virou-se e começou a ajeitar morangos na cobertura de chantilly.

-E você apareceu na minha casa...que idéia brilhante- meu comentário saiu um pouco pedante, mas não havia problema, eu podia ser pedante na minha casa. Além disso foi sumariamente ignorado.

-Sirius, estamos no subúrbio de Londres. Meus vizinhos vão comentar, não há muitos bondes aqui e é longe da sua faculdade. Por que você não vai morar com James?

-Aqui é menos barulhento e eu não me importo com o trânsito- disse pondo ereto um morango que caíra- Lene, pelos tempos de escola.

Ele me olhou com aqueles olhos de cachorro pidão...mas eu não podia me entregar tão facilmente.

-Sirius, por que você não vai morar com James?- coloquei as mãos na cintura, repetindo a pergunta de forma mais incisiva.

Eu estava desconfiada de que Sirius fizera algo com James. Desde o primeiro ano tornaram-se inseparáveis, quase irmãos. Seria natural que Sirius fosse para casa de James, o melhor amigo/irmão! Então, o que ele fazia na minha casa?

-Sirius, você matou James?

- Não, Marlene- ele parecia indignado- Por que você sempre pensa no pior? Olha, nenhum homem trocaria uma ruiva linda por um amigo sem teto- ele segurou a vasilha com o doce com as duas mãos seu sorriso orgulhoso por ter terminado sua "obra prima"-Quer um pedaço?

Coitado...foi abandonado pela família, se achando esquecido pelo amigo. Deve ter andado por três dias para chegar aqui vindo da parte alta. Deitado no chão frio, deixado na rua escura... essa pobre alma veio até minha casa e só me pede para ficar. Ainda me faz uma torta- que parecia muito gostosa.

Eu precisava ajudá-lo.

-Você pode ficar aqui, mas na condição de animal de estimação- apontei para ele, meu dedo o acusava- sem fazer bagunça, fiel e obediente.

Sirius me olhou incrédulo, procurando algum traço de sanidade em meu rosto. Mas só encontrou um sorriso triunfante e largo. Afinal, eu era pura confiança. Já que de maneira genial resolvi seu problema.

E mais importante consegui um cachorrinho!

N/A: essa fic é dedicada à Souhait. Uma tentativa de escrever sobre a Lene e o sirius.

Eu tomei bastante cuidado, mas se a Marlene pareceu um pouco idiota me desculpem

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