Eu já tinha problemas o suficiente com Alice e suas fofocas antes de Regulus, mas depois dele tudo piorou. Por algum motivo Sirius andava deprimido e via me ver com mais freqüência - e, lógico, ficava mais feliz quando me via como todo animal quando vê o amado dono...o alimento perfeito para esse tipo de fofoca, que ignorava relações de afeto entre animais de estimação e humanos.

Quando chegava em sala tinha aquela sensação horrível de que metade dos estudantes me observava e a outra estava ocupada demais para me olhar, pois falava sobre mim. Quanto mesmo que duram minhas aulas?

Tanto a universidade quanto minha casa passaram a ser locais incômodos, eu e Sirius brigávamos pelo menos uma vez por noite - fosse porque ele não guardara bolinhos para mim ou porque gravei o filme do Elmo em cima de um filme pornô dele.

Abri a porta de casa preparada para enfrentar meu cão rebelde, mas não o encontrei; nem um sinal dele, sem olhos brilhantes, sem a voz macia me chamando, sem corpo espalhado pelo sofá.

"Sirius..."

Ninguém respondia. o único sinal de Sirius era seu smart em cima da cabeceira da sala de estar. Seu smart. Particular. Onde poderia estar a resposta para sua recente depressão e crise de nervos, acentuada por comentários maldosos- que, de qualquer jeito ele não se importava. Então era mais um problema só meu...

Era minha chance de ouro, minha mãezinha me mataria se eu perdesse a chance de descobrir a solução para todos os meus problemas. Então, eu peguei o celular e o liguei.

Logo que o fiz fiquei com raiva, porque aquele aparelho tinha vídeo conferência e uma câmera fotográfica de uns quinze mega pixels...

Além de todas as chamadas perdidas, as mensagens de texto eram de Regulus - a maioria dizia: "ligue para nossa mãe ou ela vai me matar" ou "Você está envergonhando os Black". Enfim, não eram nada boas de se ler. Era pior do que o final de caverna do dragão.

O.K.

Assimilando a situação: Regulus era o stalker pessoal do Sirius? Isso era tão injusto! Eu nunca tive um stalker! Não que eu quisesse um ,mas Personal-stalker é uma palavra tão legal! Então pensei em Sirius lendo as mensagens de Regulus, que o insultava tão de um modo tão veemente...por minha causa. E , de forma muito estranha, eu não pensei em nada senão aqueles dois menininhos sorridentes que costumavam bater na minha porta - bem na hora de My Little Pony, mas tudo bem.

Ah, mãezinha! Eu não podia sentar e não fazer nada; não podia simplesmente assistir o desenrolar lento daquela história de conflitos entre irmãos que eu amava! Eu precisava ajudar meu cãozinho com problemas de comunicação!

Então, no meio da minha sala de estar, com o smart de Sirius em mãos, eu decidi: Marlene Mckinnon vai interferir!

Pensando bem, eu não deveria fazer nada por Sirius, pois a melhor coisa que ele já fez por mim foi um belo monte de porra nenhuma. Mas mesmo assim, como eu poderia almejar o prêmio nobel da paz se eu sequer ajudar uma alma necessitada que precisa de mim?

Mandei uma mensagem para Regulus.

" Precisamos conversar. Onde você está? "

Eu conseguia imaginar Sirius falando uma coisa dessas com seu tom abaixo e toque de arrogância.

A resposta chegou em menos de dois minutos.

" No centro, bebendo com uns amigos. Passa aqui, que tal? O nome do bar é Hail Mary. Vem logo. :) "

Que bonitinho! Ele me mandou um sorrisinho! Tão diferente de Sirius e seu sarcasmo inerente. Regulus era realmente uma criança doce.

Troquei rapidamente de roupa, colocando minha calça jeans e camisa azul mais decotada e fui ao encontro de Regulus em um bar chamado Hail Mary- um nome imbecil ,mas minha mão me ensinou a nunca julgar antes de realmente conhecer do que estou falando...

Era realmente no centro da cidade. E era conhecido também, só precisei pedir informação pra um único senhor barrigudo com cara de bêbado, que me indicou perfeitamente as coordenadas do bar. Regulus estava na parte de dentro, eu podia vê-lo mesmo pela camada fina de fumaça dos londrinos fumantes.

Era tão parecido com Sirius! O mesmo jeito displicente com as mangas da camisa dobradas no cotovelo, que permanecia apoiado na bancada do bar; o mesmo jeito disperso que parecia não notar os olhares femininos. Só parecia. Os olhos cinzas eram os mesmos, o cabelo escuro também, só que um pouco mais curto.

"Regulus" eu o chamei, pois ele não me notara quando cheguei com dificuldade, depois de ter passado por uns quinze grupinhos amontoados de garotas que rezavam para ele dar um mísero olhar de canto.

Ele piscou os olhos cinzentos, tentando retirar meu rosto de sua memória. "Lene?" a voz era idêntica, talvez só um pouco mais rouca, mas ainda assim parecia que eu estava falando com Sirius dois anos mais novo - ele também se encaixava perfeitamente no cenário que continha uma árvore, um Sirius fumante apoiada na mesma e um dia quente de verão.

"Sou eu " sorri um pouco antes dele também fazê-lo e me abraçar, quase me matando.

"Vamos, eu te pago uma bebida." Nos sentamos nos bancos altos do bar, que eram realmente confortáveis - será que eram de couro mesmo?

Conversamos sobre tudo, enquanto bebíamos todo o estoque de vodka do estabelecimento. Regulus me contou sobre a reação dos Black quando ele falou que faria letras, pois que ria ser escritor. Ambos os irmãos sempre foram extremamente criativos e talentosos, e eu não duvidava que ambos fariam grande sucesso em qualquer coisa que realmente quisessem fazer.

Relembramos vários momentos da nossa inocente infância, como quando os dois resolveram colocar chiclete no bumbum dos meus ursinhos de pelúcia. Regulus me contou que as crises de raiva da mãe foram ficando cada vez piores, por conta do número absurdo de namoradas - amantes? Ficantes?- de Sirius; e que ela sempre foi muito rígida com ele, com medo de que alguma das vadias roubasse a fortuna dos Black engravidando. Porém toda a rigidez foi por água abaixo, afinal Regulus também era um garoto Black e lindo.

Assim como Sirius seu irmão possuía aquela aura atrativa, magnética, que o resto do mundo não tinha e nunca teria. Assim como Sirius, Regulus tinha o sorriso Black, que estreitava na medida certa os orbes brilhantes, que sussurravam que queriam alguma coisa...

Da última vez que eu saíra com Regulus para beber eu tinha uns quinze anos e ele treze, foi uma desgraça! Depois de meio copo de cerveja ele já estava bêbado e quase caindo. Eu deveria esperar que as coisas mudassem depois de oito anos, mas mesmo assim eu esperava ter de ajudá-lo a andar até sua casa, que não ficava muito longe daqui. Assim como todas as vezes que estava com Regulus, eu não notei o tempo passar e me esqueci de mandar minha indireta sobre Stalkers...

Regulus me envolveu completamente na sua conversa sobre as maiores e melhores trivialidades possíveis até às três da manhã.

"É, hoje eu levei um bolo."ele riu, pegando a vigésima caipivodka que o barman entregava em suas mãos - agora- vacilantes.

"É?" respondi, minha boca estava muito pesada para eu ser mais do que monossilábica. Eu não havia bebido tanto quanto Regulus, devia estar na minha décima quinta ainda.

" Sirius ia passar aqui." ele fez uma carranca emburrada de bêbado." Por isso que me surpreendi tanto quando ao invés dele eu vi você, Lene."

"Minha culpa."eu confessei, pegando meu copo com os dedos completamente dormentes. " Eu peguei o celular dele e mandei a mensagem, depois que vi as suas ligações."falei um pouco enrolado, eram muitas palavras para minha língua enrolada.

Ele não respondeu de imediato, mas envolveu-me em um abraço e levantou seu copo. " Um brinde ao meu irmão idiota." disse ele animado e assenti seguindo sua ordem.

"Eu não quero que vocês briguem!" eu disse ainda o abraçando, satisfeita apesar de não saber absolutamente nada sobre o motivo da discórdia entre eles.

Decidimos ir embora porque não conseguíamos mais nos manter equilibrados nos banquinhos altos demais para levar um tombo.

Ele não tinha a menor condição de voltar para casa sozinho.

Como se eu estivesse melhor.

A casa de Sirius era exatamente como eu me lembrava, grande. Apesar de antiga, era muito bem cuidada; reformas a cargo de Walburga Black, a mãezinha dele.

"É, Lene, você ainda lembra aonde fica a casa velha dos Black"Regulus falou, em uma forma de agradecimento estranha, ainda se apoiando nos meus ombros. Na realidade, ambos precisávamos de apoio. Eu estava quase caindo no meio da rua com ele, ainda bem que eu estava usando um All star e não uma sandália que provavelmente ia estragar ou simplesmente me fazer beijar a calçada.

"Claro!" disse excessivamente animada e com os olhos um pouquinho mais pesados do que o normal."Eu queria que Sirius estivesse aqui...queria que vocês não brigassem"

"Nós não estamos exatamente brigados" ele saiu do apoio e me encarou de frente, seus olhos cinzentos brilhavam tanto que eu pensei que estivesse conversando com um certo cachorro." Bem, seria mais fácil se ele não fugisse dos problemas dele."

"Qual é o problema dele?"

Lógico, eu estava curiosa, pois provavelmente o tal problema tinha uma relação estreita com o motivo dele estar morando na minha casa. Ou talvez fosse o próprio motivo. Eu nunca fiz questão de perguntar a Sirius, mas não me importava se outra pessoa me contaria. Eu respeitava o espaço e a privacidade do meu animal, mas nunca iria reclamar se o irmão dele me contasse alguma coisa que eu definitivamente não sabia.

"Você deveria dizer quem." ele sorriu com arrogância, e revirou os olhos.

"Quem é, então?"

"A noiva" Regulus respondeu e eu senti que tudo o que eu tinha bebido estava rolando no meu estômago, fazendo voltas e mais voltas, cheias de curvas.

Por um momento eu me senti fora do planeta, fora de órbita. Eu simplesmente sai pela tangente do mundo que girava por conta do excesso de álcool no meu organismo.

Noiva.

Regulus me trouxe de volta à realidade, quando ele tentou andar sozinho e quase tropeçou nos próprios pés.

"Vem cá, eu te seguro" nos apoiamos novamente um no outro, enquanto Regulus procurava as chaves no bolso.

"Daqui eu consigo sozinho, Lene" ele sorriu e colocou a mão no meu rosto puxando-o.

E Regulus me beijou de leve. Nos lábios.

Eu poderia esperar qualquer coisa; até um convite para, sei lá, relembrar a infância e brincar de rolar na lama. Mas não um beijo, e um beijo tão espontâneo, quase inocente.

"Boa noite, Lene" ele sorriu largo, abrindo a porta. "Vê se pega um táxi, viu?"

"Boa..." murmurei, estava surpresa e bêbada demais para ser mais do que monossilábica.

Regulus havia me beijado? Tudo bem eu poderia conviver com isso, eu até mesmo poderia esquecer pela manhã ou pelo resto da noite.

Na realidade eu poderia até esmo esperar um beijo, o que eu não podia esperar era ficar imaginado que com Sirius fosse melhor.

N/A: Então, eu demorei , mas aqui está! Espero que gostem desse capítulo feito de coração!

Bom eu amo o Sirius, mas algumas vezes para saber a verdade nós precisamos de um Regulus na nossa vida!

Sobre aquele botãozinho azul na parte inferior da tela: ele não morde! E eu juro que deixar Reviews emagrece!

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