Nome: Thoughts of a dying atheyst
Autora:
Ryeko_dono
Casal:
Sephiroth x Genesis
Fandon:
Final Fantasy VII
Resumo:
O ferimento corroia, matava aos poucos. Ainda assim ele reconhecia o toque, mas isso sempre impediria Genesis de abrir a porta.

"I know the moment's near
And there's nothing we can do
Look through a faithless eye
Are you afraid to die?"

Acordado. Genesis abriu os olhos e convenceu a si mesmo de que estava acordado. Convenceu as olheiras e o suor em sua testa. Convenceu os pesadelos de que estava acordado.

"Outro sonho...?"

O braço doía, latejava. Havia um formigamento naquela ferida, um tremor patético no braço esquerdo. Genesis apertou o braço machucado e olhou desanimado às roupas espalhadas pelo chão.

O quarto tinha cheiro de remédios, pílulas inúteis. O ferimento não estava melhorando, estava corroendo. Genesis sentia a degradação piorar a cada dia, seguida de uma já anunciada enxaqueca.

-3 gramas de Mebendazol. - Dissera Hollander, oferecendo-lhe um sorriso junto às drogas. - Para conter as dores de cabeça...

Genesis queria aceitar o vidro apenas para quebrá-lo na frente do cientista. O Soldier havia prendido a gola roliça na parede e debochado de seus brinquedos químicos.

Agora Genesis queria os 3 miligramas de Mebendazol.

O Soldier deixou a água correr na torneira e lavou o ferimento, o rosto e as olheiras. Aquela degradação lhe matava aos poucos, consumia aos poucos. Genesis encarou inexpressivo aos cacos de vidro.

Mil olhos lhe fitaram em respostas, mil detalhes de si mesmo. Os fragmentos lhe pareciam mais apropriados.

Voltou para o quarto. Havia som e vida nos corredores; soldados, funcionários e acionistas. Genesis odiava cada um deles, tanta raiva que ele não sabia o que fazer com ela.

Ouviu passos firmes em meio aos sons, - familiares. Quando uma batida se deu na porta, - três batidas curtas, - o soldado reconheceu o toque.

-...Genesis?

"Você de novo...?"

O soldier cerrou os dentes, sensações contrárias. Pouco levianas, apesar do pensamento. A voz de Sephiroth sempre lhe inspirava aquelas duas vontades distintas.

-Genesis, você está aí?

O ruivo não respondeu, aproximou-se sem se deixar ouvir. Ele conhecia o toque. Há uma semana o soldado estava trancado naquele quarto, mas ele ainda lembrava. Seus dedos tocaram na porta que ele trancava por dentro. Da mesma forma que ele tocaria na pele do general. Genesis fechava os olhos e o via. Os olhos de Mako, a beleza andrógina e imponente de Sephiroth. Quase podia sentir o toque em suas costas, pelo seu tronco...

Então via diferente. Via o herói. Via as manchetes. Via o mundo por trás das drogas de Hollander e odiava o herói prateado. Odiava a superioridade daquele olhar inexpressivo.

A raiva o fazia apertar os dentes, comprimir os músculos do corpo. Genesis arranhava a porta como gostaria de arranhar a pele de Sephiroth, afundando as unhas na madeira que os separava.

"Oh, você pode me ouvir?"

Uma hesitação por parte do general. O terceiro chamado não existiu e o ruivo soube que sua presença foi percebida. Sua respiração podia ser ouvida, assim como a pressão de suas unhas na madeira. Sabia que Sephiroth encarava a porta como ele, evocando a imagem do ruivo como este evocava a sua.

Sabia que o general era orgulhoso demais para dizer algo.

E ele também.

And it scares the hell out of me

And the end is all I can see

And it scares the hell out of me

And the end is all I can see

Thoughts of a dying atheist – Muse