Os Sete® André Vianco. Miguel® Mello Evans


As mãos trêmulas afastaram a porta pesada e antiga, os passos ecoaram no salão vazio e escuro, os olhos – ora claros de sua cor natural ora rubros de tanto ódio – observavam fixamente aquela imagem.

Sim, ele tinha ódio, mesmo ele sendo Miguel, mesmo ele sendo o Gentil.

Aquele, Aquele que o encarava de braços abertos, pregado na cruz, com uma coroa de espinhos era o maldito culpado. Aquele com olhos piedosos que não teve – um segundo sequer – pena dele e de seus irmãos. Culpado.

O que ele queria afinal?

Fé?

Como se pode ter algo tão frágil quantos os humanos em que ele era obrigado a se alimentar?

Miguel jamais gostou daquela sua condição miseravelmente irrevogável, mas acreditar em algo nessa proporção era absurdo.

Como ele conseguiria perdoar?

Se Ele podia tanto, porque não livrou seus entes queridos, seu irmão e até mesmo ele daquilo? Porque jogou aquela maldição sobre todo aquele lugar? Como Ele pode simplesmente virar as costas e não lembrar de suas preces, de suas orações noturnas para proteger a todos, de seus agradecimentos por mais um dia vivo, pela saúde, dos pedidos por seu querido e rebelde irmão?

Deus não existia ou simplesmente fazia pouco caso de Miguel.

O pobre vampiro gentil e doce que vencia seu mais novo temor de igrejas e cruzes para olhar aquela imagem e lembrar.

Lembrar de quem ele realmente era.

Miguel agora era apenas uma casca vazia e sedenta de sangue.

Que o Diabo tivesse misericórdia de sua alma, pois Deus não teria.

Fim.


Feita no trabalho na hora em que deveria estar fazendo cofins, por isso ela está meio que paia... Mas Reviews?

P.S: Não me venham falando de religião, certo? Se forem... vão logo tomar no cu. ¬¬'