Estranhos perfeitos

Capitulo 1: Como tudo começou.

Uma bela manhã de outono, Madge estava entediada de não fazer nada.

M: Que saco... não tem nada pra fazer neste fim de mundo! Não aguento mais ficar atoa...

V: Não seja por isso... a casa esta mesmo pedindo uma geral...

M: Não estou tão desesperada assim...

R: Eu to sentindo falta de alguma aventura... to cheio de caçar...

N: É... pelo menos se caçasse alguma coisa interessante... - deu um longo suspiro.

R: O que você quer dizer com isso?

C: Não vamos brigar...

M: Pelo menos seria uma coisa diferente...

Finn: Pessoal? Olhem o que achei...

Finn chegou quase tropeçando nos próprios pés.

C: Calma... você precisa respirar!

M: Fala logo... o que achou?

Uma pedra toda azulada, não parecia com nada que já tivessem visto algum dia. Quem primeiro pegou a pedra foi Madge. Enquanto os outros brigavam para vê-la. Os olhos de Madge perderam o brilho logo em seguida, entregando a qualquer mão que havia visto na frente.

M: Não tem nada de valor nesta pedra... e só uma pedra como todas as outras...

C: Interessante... tenho que examiná-la com mais intensidade!

V: Faça o seu trabalho e vê se descobre alguma coisa...

N: Onde você a encontrou?

Finn: Tava enterrada...

R: Onde?

Finn: Lá embaixo...

V: Finn? O que ele quer saber é o local exato...

Finn: Tá bom... tava mexendo na horta, plantando algumas sementes quando a achei...

R: Vou lá dar uma checada...

N: Vou com você... quero ver se não tem mais nada...

Algumas horas mais tarde, Madge havia saído do quarto a uns dez minutos.

M: Onde esta o resto do povo?

V: Challenger está no laboratório, examinando a pedra misteriosa e os rapazes estão trabalhando no moinho...

M: Não me diga que estragou de novo?

Finn: Aquela carroça sempre estraga...

Todas riram.

C: Do que estão rindo?

M: Nada demais... e ai descobriu alguma coisa?

C: Parece que é uma pedra normal...

Finn: O que?

C: Não encontrei nada de anormal nela...

M: Eu falei... ou esqueceram que eu sou expert em pedras?

V: Como se pudéssemos né?

Eles riram.

Nesta hora Roxton e Ned chegam exaustos e sujos.

M: Parecem que não tomam banho a dias...

R: Muito engraçado Madge... quero só ver você fazendo o que eu faço...

M: Não muito obrigada... - Madge olhou nos olhos de Roxton lembrando do dia em que trocaram de corpo.

R: Não seria uma idéia tao agradável...

Madge abafou um risinho.

A noite chegou branda, todos a mesa postos para o jantar preparado por Verônica e Finn.

R: Descobriu alguma coisa sobre a pedra Challenger?

C: Na verdade ainda não terminei meus experimentos, mas o que tudo indica é que é uma pedra como qualquer outra!

N: Mas por que tem a cor azulada?

C: Eu não sei explicar ao certo...

M: Tanto tempo vivendo aqui no plateau e até hoje não sabe que tem coisas que são inexplicáveis?

R: Madge tem razão... algumas coisas que nem a ciência explica...

C: Você quer dizer que a ciência ainda não pode explicar...

V: Você tá querendo dizer que há a possibilidade de algum dia existir a explicação de ser de tudo...

C: To querendo dizer que a ciência tá a cada dia evoluindo... alguns anos pra frente vai ser possível muitas coisas...

Finn: Chall tem razão... até a destruição do mundo...

C: Tem razão... nunca pensei que o ser humano seria capaz de destruir ele mesmo!

M: Eu nunca duvidei disso! - Percebeu que havia falado demais, mas já era tarde demais. Um silêncio pairou sobre a casa da árvore, esperando uma possível explicação, que na verdade era passível de sabedoria de que nunca iria vir.

Madge se levantou e se dirigiu para o seu quarto, nem sequer olhou para trás.

Finn: O que houve com ela?

V: É uma longa historia...

Finn viu os rostos cansados de seus amigos e entendeu que aquele não era o momento para perguntas e se calou.

Muitos pensamentos revoavam na mente de Madge, não sabia ao certo onde queria chegar, mas aqueles pensamentos com certeza a feriam, como se estivesse lhe enfiando uma faca bem afiada em seu corpo.

Uma forte tempestade se aproximava, um vento frio já dava sinais do que estava por vir. Poucos minutos depois relâmpagos e trovões ressoavam e iluminavam toda a selva, as árvores iam de um lado para o outro com a força dos ventos batendo em seus troncos. A casa da árvore estava o maior fuzuê, cada um tentando se proteger, já que um dos raios atingiu o telhado destruindo-o.

C: O que está havendo?

R: Todos estão bem?

No quarto, Madge tentava fechar a janela, que cismava em abrir com o vento.

M: Mas que droga...

Em meio a umas dessas tentativas, viu uma coisa estranha no meio da floresta.

M: O que? O que é aquilo?

Tentava descobrir o que era, mas ao mesmo tempo tentava se proteger dos pingos grossos da chuva que teimavam em bater em seu rosto.

Uma luz verde entrou pela janela, ficando cada vez mais forte e o que se pode ouvir foi o som de uma pequena explosão. A luz cessou, ficando somente o som dos trovões e a claridade dos relâmpagos. Roxton e os outros correram para o quarto de Madge e depararam-na caída inconsciente perto da cama.

R: Madge? Por favor... fale comigo!

A chuva foi se acalmando e em poucos minutos o que restara foi uma garoa fina, quase imperceptível, Madge ainda estava desmaiada, deitada em sua cama com a expressão tranquila.

Finn: Ela não parece que está sofrendo...

Verônica arqueou a sobrancelha e sorriu.

Ned: É como se estivesse sonhando!

C: Ela está bem...

R: Por que continua inconsciente?

C: Deve ter batido a cabeça, mas fique tranquilo... não é nada grave... não há nenhum hematoma... ela só deve estar cansada!

Pela manhã, puderam ver os estragos feito pela chuva. A sala estava completamente destruída, o laboratório nem se fala.

Challenger sentou no chão desanimado.

V: Algum problema?

C: Ainda pergunta? Vai demorar séculos para colocarmos tudo no lugar...

Ned: Tem razão...

V: Se trabalharmos em equipe...

Finn: Tá bom... acho que nem o super-homem daria conta...

Eles riram.

C: É só você mesmo pra nos fazer rir nestas horas!

Finn: O que?

R: Do que estão rindo?

C: Nada... como Madge está?

M: Eu estou ótima...

Todos olharam assustados. Nem parecia que a um minuto atrás Madge estava desmaiada.

Ned: Mas... como isso é possível?

M: O que?

V: Encontramos você caída no quarto inconsciente... ontem de madrugada!

M: Mas agora eu estou ótima!

Finn: Este é mais um mistério que não será desvendado... - abafou um risinho.

C: Acho que devia ficar de repouso!

M: Acho que se eu deitar de novo, vou dar um troço... e por falar nisso tem muita coisa pra fazer!

Olhos espantados foram diretamente ao seu encontro.

Ned: Tem certeza de que está se sentindo bem?

Madge olhou para todos e entendeu que a situação estava um pouco tensa pro seu lado.

M: Tá bom... digamos que nunca fui um exemplo de pessoa, mas estou cansada de sempre ser a irmã malvada da família...

R: Como assim irmã malvada? Não estou entendendo!

M: Por favor Roxton... não finja que não sabe de nada... eu sei o que pensam de mim... que sou egoísta, mesquinha, mal humorada... não precisam ficar comentando, da para perceber... mas, decidi que não quero falar sobre isso... - um breve silêncio se fez.

C: Você está enganada...

M: Não pensem que eu sou boba ou coisa do tipo, e tenham a certeza de que isso não se trata de vocês, e sim de mim. Não pensem que estou julgando vocês... não... e nem poderia... se tem algo que aprendi, foi nunca cometer os mesmos erros! - Madge deu um pequeno e singelo sorriso e se retirou.

Finn: Alguém entendeu o que se passou aqui?

R: Não estou tentando amenizar as coisas... acho que nem precisa... mas, até pra mim, este comportamento é muito estranho...

V: Será que o que houve ontem de madrugada tem alguma coisa haver com isso?

C: Não podemos afirmar, mas é uma possibilidade...

Ned: Não estou dizendo que não gostei, mas realmente o estado dela não é nada legal, apesar de que adorei ouvir o que ela disse! - Ned riu e foi repreendido pelos outros.

R: Podemos estar brincando com alguma coisa bem grave...

V: Roxton tem razão...

Alguns dias se passaram, ainda faltavam alguns ajustes para que a casa da árvore pudesse ser, digamos, como era antes. Madge ajudara no que era preciso e isso surpreendeu a todos.

V: Mais um pouco para a esquerda... não... um pouco pra frente... foi demais!

M e Finn: Dá para decidir logo... isso aqui é pesado!

Nesta hora, o sofá inclinou e foi contudo para cima de Finn, mas num movimento rápido Madge segurou-o sozinha, colocando-o devagar no chão.

Finn e Verônica arregalaram os olhos a ficaram boquiabertas.

Finn: Mas... como?

V: Como você conseguiu?

Madge parecia estar em estado de choque por um minuto, permaneceu em silêncio olhando para o nada.

Finn e Verônica foram até ela tentando chamar a atenção dela, mas em vão.

Madge voltou a si e se assustou ao ver as amigas dançando em sua frente.

M: O que estão fazendo? Um concurso de dança?

R: Dança?

Ned: Do que estão falando?

V: De nada...

R: De um concurso de dança...

C: Concurso de dança? Estou dentro...

M: Não é nada disso...

Ned: Contem comigo...

R: Daqui a uma semana? Ótimo... vou me preparar...

Finn: Vocês estão confundindo as coisas...

Finn nem terminou de falar. Estavam sozinhas as três novamente.

M: E agora?

V: Muito obrigada... acho que por sua causa temos mais trabalho a fazer... - deu um longo suspiro.

M: Minha culpa? Nem vem...

Finn: O que vamos fazer?

Elas se entreolharam, buscando alguma alternativa plausível.

M: Acho que vou ter que falar com o Roxton...

V: Então tá... vamos fazer o seguinte... você fala com o Roxton, eu falo com o Ned e a Finn fala pro Challenger, ok?

Finn meio a contra gosto aceitou.

Alguns dias se passaram e algumas coisas ficaram meio as esquecidas, apesar da calmaria de que tem sido depois daquela tempestade.

As mulheres não voltaram com o assunto do sofá, bem como os homens não tocaram no assunto do concurso de dança, porém cada um evitando conversas muito longas uns com os outros.

Até que um belo dia a tarde, Verônica e Finn conversavam animadamente, quando Roxton chegou e cortou-as.

R: Oi... estou percebendo que as coisas estão mais calmas por aqui...

V: Pois é... - falou tentando evitar alguns assuntos constrangedores.

Finn apenas riu.

R: É só que não estou aguentando mais esperar...

Verônica e Finn se entreolharam.

Finn: Como assim?

R: O que não estão entendendo?

V: Esperar o que?

R: O concurso de dança...

Verônica e Finn arregalaram os olhos e arquearam a sobrancelha.

Finn: Mas...

R: Madge conversou comigo e pediu que eu tivesse um pouco mais de paciência... me pediu até pelo menos a poeira abaixar um pouco...

V: Madge falou isso?

Roxton balançou positivamente a cabeça.

Finn: Er.. bom...

V: Você pode esperar até amanhã?

Roxton achou um pouco estranho, mas aceitou.

R: Claro...

Assim que Roxton saiu, Verônica olhou para Finn.

V: Eu mato a Madge!

Finn: Só se for depois de mim!

Enquanto isso, Madge estava em seu quarto, ainda um pouco assustada com o que viu em o que pareceu ser um pesadelo, mas parecia bem real.

Seus olhos marejados, seu coração batendo em descompasso e sua boca seca, demonstrava que alguma coisa naquele pesadelo a deixou extremamente incomodada. Verônica entrou no quarto com tudo sem perceber o que se passara com Madge.

V: Como você pôde? Não acredito que seja tão covarde a ponto de não ter conseguido falar com o Roxton! - parou bruscamente ao perceber uma lágrima rolar no rosto de Madge.

V: O que houve?

Madge permaneceu calada, com a cabeça cabisbaixa.

V: Tudo bem... acho que exagerei um pouco... mas não precisa de chorar por causa disso... - realmente aquilo era bastante estranho. Uma mulher que até pouco tempo atrás era conhecida como a mulher de ferro e fogo, que sabia passar por todas as situações, sem sequer mudar sua expressão. A preocupação começou o tomar conta do coração da loira, que sem qualquer restrição a abraçou. Um abraço forte e acolhedor, Madge nem sequer pensou em recusar, somente a abraçou e permaneceu assim por longos minutos, até conseguir se acalmar.

M: Eu não sei o que deu em mim... não sei explicar... muito obrigada!

V: Tem certeza de que é só isso?

M: Sim...

Verônica percebeu que ela escondia algo, mas sabia que não ia adiantar insistir, mesmo estando um pouco estranha ainda era a Madge.

A noite Madge não se juntou ao resto do pessoal, que se encontravam na mesa jantando.

R: Onde está Madge?

V: Ela não quis vir jantar...

Finn: Disse que estava sem fome...

Ned: Diferente de você né!

Todos riram.

Finn: Não achei graça nenhuma... eu to com fome!

V: Não é nenhuma novidade... sempre está?

Chall percebeu que Roxton não estava a vontade.

C: Roxton... ela está bem!

R: Não sei... ela anda muito estranha ultimamente...

Ned: Pra mim ela sempre foi estranha...

V: Ela deve estar com saudade de casa...

C: Pode ser...

R: Eu não acho... acho até que ela já acostumou com este lugar!

Finn: Acho que ela tá muito bem aqui... imaginem que semana passada estávamos arrumando a casa depois daquela tempestade, você não vão acreditar do que Madge foi capaz?

Ned: O que? Deixar vocês sozinha fazendo o serviço... tipico dela!

Finn: Não... ela foi capaz de segurar o sofá soz...

Nesta hora, Verônica deu um pisão no pé de Finn e olhou para ela.

C: O que Finn? Só o que?

Finn: Deixem pra lá...

V: O que a Finn quis dizer foi que Madge foi capaz de segurar o sofá de forma que eu pudesse retirar um objeto de baixo dele... ela levantou um pouco a parte direita do sofá para que eu pudesse agir!

Ned: Podemos falar que já é um bom começo...

Já tendo jantado e ajeitado um pouco as coisas, todos foram dormir. Madge não saiu sequer do seu quarto, mas o medo de fechar os olhos era tamanha. O medo de ver aquelas imagens lhe apertavam o coração. Mas por fim, foi vencida pelo sono e adormeceu como um anjo.

Fim do 1º capítulo