Título: Interlúdio
Autora: Patricia Emy
Classificação: Angst/Vignette
Spoilers: This Is Not Happening
Disclaimer: Fox Mulder, Dana Scully, John Doggett, Monica Reyes e demais
personagens pertencem a Chris Carter, 1013 Productions e 20th Century
Fox. Não há intenção de infringir as leis de direitos autorais.
Resumo: Dois agentes refletem sobre os eventos que testemunharam.


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Interlúdio
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Ele voltou seus olhos em minha direção, mas eu já sabia o que estava lá
antes mesmo de eles se encontrarem com os meus.

O corpo sem vida abandonado no meio da mata.

Os agentes aglomerados à sua volta.

O silêncio.

Tudo era tão dolorosamente familiar.

Skinner trocou algumas palavras com os outros agentes e saiu em direção
ao acampamento. Os demais o seguiram, deixando-nos a sós.

John permaneceu ali, com o olhar fixo na forma inerte daquele homem. Seu
semblante não carregava expressão alguma.

Os paramédicos chegaram e colocaram o corpo sobre a maca, cobrindo o seu
rosto com um lençol. Momentos depois, a ambulância partiu, desaparecendo
no meio da noite.

Ele ainda estava de pé no meio daquela clareira.

"Você fez o que pôde, John."

"Você me disse a mesma coisa da outra vez, Agente Reyes."

Não era exatamente raiva que eu sentia em sua voz. Conhecia muito bem a
sensação.

"Foi diferente", eu disse.

"Tem razão. Mas isso não muda nada", ele deixou escapar um longo suspiro
antes de se virar, "Eu disse a Agente Scully que ela queria encontrá-lo,
mas que, ao mesmo tempo, tinha medo do que encontraria. Agora sei que
falava por nós dois."

"Senti o seu medo daquela vez, assim como senti o medo dela agora, mas
isso não vai--"

Um sorriso amargo se formou em seus lábios. "Acho que essa conversa de
intuição não vai nos levar a lugar algum."

"Diga o que quiser, John. Ainda não acabou", respondi ao me afastar.




Ela partiu, deixando-me a sós com meus fantasmas.

A manta surrada que cobria o corpo de Fox Mulder jazia esquecida no chão.

Mais um fantasma para me assombrar.

Olhei para a foto em minha carteira, para o pequeno rosto sorridente que
gravara em minha memória, tentando apagar a imagem de seus olhos sem vida
fitando o vazio.

Sentia-me entorpecido.

Aquilo me perseguia, havia se tornado uma obsessão. Mas, assim como
queria que aquilo tudo terminasse, eu temia o seu desfecho.

Pude me ver no desespero daquela mulher. Sucumbindo aos poucos à verdade
devastadora que se revelava.

'Ainda não acabou'

As palavras de Monica ecoavam em minha mente.

Eu só queria acreditar.


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FIM
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