Família

Os pedestres atravessavam apressadamente as ruas de Boston, dentre eles, uma angustiada Ally. Larry Paul teve que voltar mais uma vez à Detroit e isso a entristecia, por mais que tentasse lutar contra o sentimento. Sentia-se insegura, não podia negar. Quase enlouquecera Renée pela manhã, mas como a amiga bem lembrara, ao menos dessa vez Larry tinha uma data para o retorno e logo, logo, ele estaria de volta.

Entrou na Cage & Fish nervosa e de cabeça baixa. Mal notou uma Elaine feliz que veio correndo até ela:

- Ally, vá direto à sua sala. Você tem um cliente importante esperando.

A advogada suspirou, cansada.

-Elaine, não. Não estou com cabeça, não marquei nada e...

-Sério, Ally, vá vê-lo. Esse você vai querer atender.

Com um suspiro resignado, encaminhou-se até sua sala. Abriu a porta vagarosamente e para sua surpresa, Sam Paul estava lá, sorridente.

- Olá.Vim rever minha advogada.

O garoto então levantou e correu para abraçá-la. Assim que soltou-o do abraço, Ally percebeu que o garoto olhava insistentemente para um canto de seu escritório. Seguindo seu olhar, deu de cara com Larry.

-Eu disse que viria visitá-la.- A voz do menino interrompeu o contato visual do casal – Nós combinamos, lembra, Ally? – A advogada concordou com a cabeça. - E agora vou lá fora conversar com a sua secretária para que vocês possam se beijar.

Dito isso, Sam saiu solenemente.

-Ele cresceu... – Ally começou, hesitante.

-É. – Foi tudo o que Larry respondeu.

-Hum... E então, como foi lá?

Inexplicavelmente, o medo começou a crescer dentro dela. Larry pigarreou timidamente e ela soube que vinha algo não muito bom.

- Eu disse à Jamie que estava voltando à Boston e que tratia Sam comigo. De não gostou da idéia à princípio, mas eu disse que ela poderia vir para cá ou ficar em Detroit, uma vez que Sam também estava disposto a vir comigo. – Subitamente ele abaixou o tom de voz e falou mais rapidamente: - Infelizmente ela veio, mas não se preocupe você não a verá com freqüência. – Antes que a namorada pudesse falar (ou gritar) algo, ele continuou, tentando acalmá-la. – Já mencionei que ela está noiva?

- Noi-noiva?

Ally estava aturdida.

-Sim, e ironicamente, ela está noiva de um terapeuta. Ele também virá para Boston.

Ambos não puderam deixar de sorrir.

-Então está tudo resolvido?

-Sim.

Larry aproximou-se dela e beijou-a calmamente. Separaram-se um instante e Ally foi abrir a porta para chamar Sam, e Elaine, Mark, Richard, John e o próprio Sam quase caíram ao chão. Estavam todos ouvindo atrás da porta.

- Belo dia, hein? Fico feliz que tenha dado tudo certo para vocês!Vamos, John. – Disse Richard, batendo no ombro de Larry, antes de sair de fininho, com John atrás de si. O resto do pessoal dispersou-se rápido e Sam correu para abraçá-la.

- Que tal um sorvete, amigo? – Larry perguntou, bagunçando os cabelos do filho.

Saíram os três, felizes. Ally sabia que nem Richard ou John iriam se importar. Formavam uma família agora. A vida seria boa.