Disclaimer: Personagens pertencem a Marion Zimmer Bradley. Essa fic não possui fins lucrativos.

Categoria: As Brumas de Avalon.

Completa.

Resumo: Totalmente alternativa, mas foi alguns anos depois dos ritos de Beltane. Apenas um singelo sonho. Ou não...

Notas:Atendendo a inúmeros pedidos... Do Leonardo. Aqui está (e eu pus "Arthur" com "h", satisfeito?). Também não esqueci das maçãs de Avalon. ;D

I Still Remember

Nem agora, nem nunca saberei se isso não passou de um sonho. Porque vejam bem, sempre que sonhava com ela antes, eu nunca conseguia alcançá-la...

Senti meu corpo balançar da esquerda para a direita lentamente, e então abri os olhos. Eu estava dentro de um pequeno barco. Olhei para cima e vi que estava rodeado de brumas que aos poucos se dissipavam. Em minha frente, de pé no barco estava uma das sacerdotisas da Deusa vestindo sua típica roupa azul. Ela ergueu os braços falando numa língua incompreensível para mim. As brumas desapareceram e avistei a ilha de Avalon.

Nesse momento o barco chegou à margem e tanto eu quanto a sacerdotisa desconhecida tivemos de desembarcar. Para meu total espanto e felicidade, Morgana me deu as boas vindas.

- Você mandou chamar-me Arthur, pediu minha ajuda e aqui estamos, você e eu.

Não recordava de ter pedido coisa alguma, ou como parei naquele barco, mas a voz dela era suave, exatamente como eu me lembrava. Eu queria me abaixar e beijar o chão por onde ela passava, mas isso não seria permitido ao Grande Rei. Ela chegou mais perto, pôs as mãos em meus ombros, abaixei-me e assim e assim ela pode beijar meu rosto. Lembrei a mim mesmo que ela fora a Deusa para mim anos atrás, mas agora eu tinha que esquecer da mulher. Lembrar-me apenas da Morgana irmã.

Ela tomou-me pela mão e levou-me até o seu caldeirão mágico, que estava entre um círculo de macieiras. Ao ver meu olhar insistente sobre as belas maçãs, ela me ofereceu uma, que guardei enrolada em meu manto.

- O que deseja Arthur Pendragon? Você tem o direito de fazer duas perguntas.

Morgana agitou com as mãos a água do caldeirão e esperou. Mas eu não fui até ali para fazer perguntas. Mas mesmo assim fechei os olhos e pedi, pedi do fundo do meu coração o que eu mais desejava. A água aquietou-se dentro do caldeirão e realizei então o meu mais caro desejo.

Quando tudo terminou tive vontade de perguntar se ela não me deixaria de novo, se a Deusa não me rejeitaria novamente. Mas a verdade é que era eu quem sempre a deixava, não é? Sim, é verdade que ela me deixou também, mas nos momentos mais necessários, fui eu quem a deixei sempre a pedido de Gwenhwyfar. Deixei minha promessa a Avalon e junto com ela, Morgana.

Morgana sempre seria a Deusa para mim. E se Morgana me abandonava, a Deusa me abandonava também. Sendo assim, porque não voltar às costas á Deusa e permanecer fiel ao Cristianismo, que sempre ficou ao meu lado, representado em minha mente por Gwen? Eu amo Gwen, assim como amo a Lancelot, mas nenhum desses dois amores, nem mesmo os dois juntos se comparam ao amor proibido que sinto por Morgana.

Momentos depois adormeci nos braços daquela a quem eu chamaria até a morte.

Mais tarde ela conduziu-me de volta ao barco e parti de volta a meu reino, segurando firmemente a maçã que me fora ofertada.

Respirei fundo três vezes e acordei em minha cama em Camelot, com Gwenhwyfar ao meu lado, adormecida. Ela, se soubesse, diria que eu deveria me envergonhar e me arrepender por isso. Envergonho-me sim, mas não me arrependo.

Nunca saberei se estive lá mesmo ou se tudo não passou de um sonho enviado pelo mal, como diria minha esposa. Anos já se passaram, mas eu ainda lembro desses acontecimentos, sonho ou não.

Porque o que realmente me deixa em dúvida é o fato de eu ter acordado segurando em minhas mãos a maçã de Avalon que Morgana me deu.

Fim.