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Dirty Little Secret

- Ita-chi-san! – Chamou tentando parecer calma, fitando o imponente homem que jazia em pé em frente à janela da imensa sala de espera. – Vim as-sim que sou-be...

Ele fitou a mulher de orbes perolados com uma expressão vazia, mas em seu interior residia um misto de preocupação e medo e se fosse de seu feitio choraria em frente a ela.

Mas não o era...

Por isso, manteve sua comum pose firme e mesmo que o coração lacerasse ao imaginar que sua pequena corresse algum perigo de vida, ainda assim permanecia firme. Carranca séria na face.

- Fa-lei com o me-di-co que a aten-deu... – Caminhou lentamente até ele e com os olhos marejados, prosseguiu ainda com dificuldade de articular as palavras. – Ela es-tá física-mente bem... – Abaixou a cabeça, desviou o olhar.

- O que está acontecendo, Hyuga? – Perguntou áspero, odiava rodeios.

Ela não sabia exatamente por onde começaria um assunto tão difícil com aquele. – Ela so-freu trau-mas físi-cos sérios... – Não conseguia encará-lo, a verdade que diria a seguir era muito triste. – Sa-ku-ra-chan vai fi-car bem, Ita-chi-san...

- Mas? – Indagou sem paciência, arqueando uma sobrancelha.

E num fio de voz, a morena respondeu. - Mas... O be-bê n-não re-sis-tiu...

O quê? Bebê? Que bebê? A mente dele borbulhava com aquela nova informação. Sua mulher estava grávida? Como isso seria possível, estavam juntos há somente dois meses... Não que fossem cuidadosos quanto a isso, mas achou que Haruno tomasse pílula regularmente. Ficou tão atordoado que não ouvira mais uma palavra sequer que Hyuga pronunciara, sentiu somente o toque leve de sua mão pousar sobre seu ombro, enquanto falava-lhe palavras de conforto.

- Sin-to mui-to... Mas vo-cê pre-cisa s-ser fo-rte, pre-cisa aju-dá-la nes-se mo-me-nto di-fícil... Estaremos sempre ao seu lado para o que precisarem...

Em questão de segundos, O Uchiha ficou sozinho na sala. O silêncio era sua única companhia naquela madrugada fria de domingo.

Sentia-se tão impotente, tão incrivelmente culpado por não ter podido protegê-la.

...


Dias se passaram desde o acontecido lamentável. Haruno se recusara a receber visitas enquanto estava no hospital e falar sobre o incidente era a cada dia uma tarefa mais difícil. Itachi permanecia a seu lado, silencioso, observando as nuances de comportamento que tomavam a personalidade de Sakura durante as duas semanas após o ataque que sofrera em seu apartamento.

A identidade do agressor permanecia um mistério, pois Haruno se recusava a proferir qualquer palavra sobre o assunto. Na verdade, ela não falara qualquer palavra sobre assunto algum. Passava a maior parte do seu tempo alheia ao mundo exterior, negava-se a se abrir para qualquer um que fosse.

Ela era uma mulher órfã de pai e mãe. E tudo que lhe restara no mundo eram seu melhor amigo Uzumaki Naruto, Hinata e Itachi. Ele, depois de meses de convivência, conquistou um espaço importante no quesito confiança. Entretanto, falar sobre aquele fatídico dia era demais para ela.

Psicólogos diagnosticaram um caso de choque pós-traumático e que retornar à sua rotina normal era algo necessário para sua recuperação. Mas Haruno se negava, permanecia prostrada, sozinha, em silencio.

...


Mediante a frágil situação, Itachi preferiu afastá-la do caos que rondava sua família desde então. As manchetes sensacionalistas sobre o Caso Haruno, como a imprensa nomeara, rendiam durante dias a fio especulações e noticias baratas sobre o que acontecera com Sakura naquele dia.

A família Uchiha era famosa no ramo de Advocacia em todo Japão e em outros países da Ásia, portanto era normal que paparazzi os encurralassem em esquinas menos esperadas atrás de informações sobre os casos que tratavam. Afinal, seu clientes eram a nata de Tokyo. E apesar de odiar tal rotina, os Uchiha já estavam acostumados aquele ritmo de vida. No entanto, era a saúde de Sakura que estava na berlinda.

Julgando que tudo o que sua futura mulher necessitava era descanso e paz, resolveu levá-la em uma viagem na intenção de passar os últimos dias de verão em sua casa de campo, local discreto e afastado. Considerada Paraíso particular de sua família.

E talvez assim, a faria descansar. E talvez, se abrir para ele.

Ele ainda precisava descobrir quem lhe fizera mal. Quem lhe tirara a paz de sua mulher e a vida de seu herdeiro.

Sakura precisava se abrir.

...

...


A alguns quilômetros de distância, em um pequeno chalé discreto, encoberto por nuvens densas e escuras, cercado por pinheiros e arvores típicas de regiões montanhosas jazia um homem sentado em uma cadeira de madeira naquela ampla varanda, e pela posição de suas mãos sobre as têmporas notava-se que estava pensativo.

O que foi que eu fiz?

A maldita pergunta martelava-lhe a mente todos os dias desde que...

A machucara.

Desde o dia em que perdera o controle com a mulher que mais... amara?

Ele a amava?

Essa era uma das tantas questões...

E a resposta era bastante simples.

Sim.

Do jeito dele. Do jeito irracional Uchiha de ser, no fundo, a amava.

No fundo, Uchiha Sasuke amava Haruno Sakura.

No entanto, agora, isso não teria muita importância...

Ele a ferira e forçara, a machucara e a tocara de uma maneira como nenhum homem deveria tocar uma mulher.

Perdi o controle...

Ainda era tão difícil assumir que realmente perdera a cabeça com ela. Isso não deveria ter acontecido.

Culpa o assolava desde...

- Sasuke-kun, vem pra dentro, estou com saudades...

A voz irritante dela o estava enlouquecendo. Difícil dizer por quanto tempo agüentaria ficar ao lado daquela... mulher.

Uma das coisas mais irritantes na vida é ter um podre debaixo do tapete. Pois aí, essa é a forma mais eficaz de se conseguir o que se quer de quem quer que seja.

Ele nunca fora um homem de ser manipulado, mas Karin, a assistente executiva de seu pai, havia encontrado um ponto fraco sobre aquela carapaça grossa do Uchiha mais novo. Agora, Sasuke precisava ficar ao lado dela.

Lembrava-se com terrível desgosto da ameaça dela e da forma como impusera as condições para que não estragasse sua vida definitivamente. Sasuke-kun, se você não quiser que eu vá a policia e conte a verdade, tem que fazer o que eu quiser. E no momento, eu quero você!

Asquerosa e maldita! Foi por culpa dela que ele largou Sakura em primeiro lugar. Tudo por culpa dela!

O ódio em seus olhos era tão evidente. Enquanto lembranças inundavam sua mente do dia em que Karin o vira no escritório de Advocacia de sua família e presenciara toda a cena comprometedora, oculta por uma estante repleta de livros de Direito.

- Tem todo o dinheiro aí?

Um homem mal encarado fitava a mala e seus olhos se perdiam em luxuria ao vislumbrar a quantidade de notas e as várias tonalidades e estampas das mesmas.

- Sim. – Sasuke replicou seco. Odioso por estar nessa situação. Fechou o cofre pessoal de seu pai e virou-se para fitar o homem que mais do que depressa tomou a maleta prateada em suas mãos gulosas. – Eu nunca mais quero ver a sua cara. Se você ou algum de seus capangas rondarem a minha família de novo... – Houve uma pausa até que lançara um olhar ameaçador ao homem. – eu os mato.

Aquela foi a primeira vez que Sasuke dissera palavras tão cruéis e realmente as proferia a sério. Nunca imaginaria que algum dia se envolveria com um dos homens mais perigosos do Japão, todavia velhos hábitos são dificies de serem esquecidos. E a jogatina sempre fora um dos vícios que não o largava.

Começara desde jovem, Fugaku lhe havia ensinado o Poker quando seu filho tinha apenas 8 anos. Desde então, o menino aperfeiçoara arte de ludibriar o outro, levava-a a serio e treinava jogadas inimagináveis quase que todos os dias. Evidentemente, sua expressão vazia era praticamente sinônimo de jogo ganho.

Mas, as jogatinas foram ficando cada vez mais sérias e os parceiros de mesa cada dia mais experientes, digamos assim.

Certo dia, um parceiro de jogo, Suigetsu, um viciado por jogos de azar, bebidas e diversões baratas, apresentou o Uchiha ao mundo subterrâneo, como costumava chamar. Uma parte de Tokyo que somente os caras mais barra pesada freqüentavam.

De início, Sasuke relutou. Mas os jogos foram tomando seu senso de realidade e a vitórias repetidas proporcionavam a seu ego algo de um sabor incrivelmente doce. Ele se sentia poderoso. Passar a perna nos melhores dos melhores. Vencer. Sempre.

Mas quando se joga com bandidos, normalmente ganhar não é uma opção.

Ele não deveria ter brincado com fogo...

- Maldito!

Praguejava silencioso enquanto deixava o corpo tombar lentamente na cadeira de seu pai.

Ele acabara de entregar uma quantidade imensa de dinheiro para um bandido, a fim de quitar suas dívidas de jogo.

A situação seria menos asquerosa se, ao menos, o dinheiro fosse dele...

BAM!

Um barulho no fundo da sala soou, acusando que ele não estava sozinho.

- Quem está aí?

Uma ruiva esbelta apareceu das sombras e disse-lhe num tom baixo:

- Sasuke-san, sinto muito, eu ... não... é o que está pensando... eu não estava espiando...

Mas...

- Pode contar comigo. Não direi a ninguém.


Obviamente não poderia acreditar nas palavras daquela mulher por muito tempo. Afinal, duas semanas após o acontecido, Karin o chantageava.

Desejava que ele largasse sua noiva na véspera do casamento, alegando que ela o amava e sempre o amou. Que Karin e ele eram tão parecidos e mereciam ficar juntos. Que Sakura não deveria fazer parte de sua vida e sim ela. Karin perdia-se em seu mundo particular. Em suas fantasias doentias...

Todos os argumentos frágeis que a ruiva dera ao Uchiha durante semanas foram completamente ignorados. Até que, finalmente em uma noite casual, naquele restaurante onde os dois foram vistos pela última vez, as famosas palavras vieram magicamente á tona. E sua dona estava muito feliz de si mesma por ter finalmente utilizado seu maior trunfo. – se você não quiser que eu conte a verdade ao seu pai...

Desde então, o Uchiha sentiu-se obrigado a fazê-lo. Abandonou Sakura e bem...

Passou a ficar com ela. Com Karin.

...


Enquanto isso, na casa de campo da família Uchiha...

Fugaku e Itachi conversavam sobre algum assunto de importância desconhecida na biblioteca.

A visita inesperada do patriarca da família pegou o casal de surpresa, no entanto parecia até mesmo natural sua atitude, afinal o Fugaku talvez estivesse apreensivo devido a atenção indesejada que o incidente recente trouxera para o nome Uchiha.

Sakura esperava sozinha no quarto. Sentada sobre a cama, parecia pensativa. Lembranças a levavam para longe... Marcas de choro ainda adornavam suas bochechas levemente rosadas.

Estava chorando recentemente?

Por quê? Será que se lembrara do bebe perdido ou talvez do ato cruel que Sasuke lhe causara? As lembranças dolorosas iam e viam a todo instante... Pareciam magnéticas...

Ou talvez fosse outra coisa...

A expressão de Haruno estava tão... Triste...

Seu olhar se perdeu pela paisagem do lado de fora, deixando que pousasse apreensivo e indolente sobre cada pedaço de chão daquela terra tão verde.

Um suspiro exasperado partiu por entre os lábios.

Então, percebera a porta do quarto abrir atrás de si e em questão de segundos uma presença surgiu ao alcance de sua pele fria. Ele enlaçou seus braços em torno da cintura feminina enquanto aspirava o leve aroma de jasmim em cada fio de seus cabelos sedosos.

Itachi...

Uma lágrima ameaçou rolar em sua face, entretanto Haruno reuniu todos os esforços para manter-se firme e prosseguir com fibra na decisão que tomara minutos atrás.

- Itachi. – Sakura virou-se para encará-lo seriamente. E as palavras que se seguiram provavelmente eram as mais inesperadas que ele poderia imaginar.

- Eu não posso mais... – Desviou o olhar somente por uma fração de segundo e quase, quase não conseguiu pronunciar o restante. Mas um flash de coragem e determinação lhe impulsionou a prosseguir.

Ela o encarou profundamente e se afastando o máximo que podia, disparou.

- Eu quero terminar com você.

Continua...

Próximo capítulo: Dirty Little Secret II


Oh gosh!

E aí, o que acharam?

Espero que tenham apreciado o escrito... E nos veremos em breve :)

Ah sim, reviews seriam muito gentis e animariam a autora ;)

Beijinhos mil

Hime-chan.

PS: Vocês gostam de Kakasaku?