EPÍLOGO

A menina de não mais que dois anos estava nos ombros de Jared enquanto ele e Jensen se encaminhavam para o carro junto com Nicholas, que iria dirigir. Taylor sentia-se no céu por estar num lugar tão alto.

- Será que eu posso ficar com a minha neta um pouco agora? – Jensen reclamou enquanto Jared ria e lhe entregava a menina, que abriu os bracinhos para que Jensen a segurasse no colo.

- Pensei que tinham vindo a Orlando para verem Mark e eu. – Nicholas ligava o carro enquanto Jensen e Jared brincavam com Taylor e sequer ouviram o que o loiro havia dito. – Pai! – Ele chamou mais alto, mas rindo.

- Que foi, garoto? – Jensen respondeu, mas sem tirar os olhos da menina.

- Pai, eu tenho 35 anos, não sou mais um garoto. – Ele disse em vão, claro, filhos nunca crescem para seus pais. – Enfim, coloquem a Taylor na cadeirinha, sim? Nada de ir no colo.

- Até parece que eu não criei você e não sei disso, não é Nicholas? – Jensen respondeu rindo no banco de trás ajudando Jared a ajeitar Taylor na sua cadeirinha.

- Papai, estamos indo buscar o papai? – Ela perguntou com o típico jeito de criança enquanto Nick dirigia pelas ruas de Orlando, na Flórida.

- Estamos. – Nick respondeu carinhoso. – Está com saudades?

- Aham. – Ela respondeu sorrindo.

- Nick, como anda a gravadora? – Jared perguntou também do banco de trás. Nenhum deles queria perder a chance de ficar com Taylor. Desde que chegaram, nenhum dos dois largou a menina.

- Bem, Jared, está indo muito bem. – O loiro respondeu orgulhoso. – Estamos ainda filtrando alguns trabalhos que recebemos, tivemos muitas demos para ouvir nesses seis meses.

- Coisas boas? – Jared perguntou rindo, sabendo que com certeza Nick deveria ouvir várias pérolas.

- Nem tudo, não é? – Ele respondeu também sorrindo. – Mas Mark tem me ajudado com várias coisas, ele sempre teve um ótimo "feeling" pra isso.

- Nem acredito que você foi pra faculdade de música. – Jensen disse sorrindo. – Isso é influência sua, já sabe né? – Jensen disse a segunda frase olhando para Jared.

- Acho que sou uma ótima influência. – Jared respondeu enquanto dava um brinquedo qualquer que Nick tinha no carro para Taylor.

- A gente já chegou? – Taylor perguntou impaciente.

- Ainda não, filha. – Nick respondeu enquanto parava num sinal vermelho.

- Se a culpa é minha por Nick ser músico... – Jared continuou olhando apaixonado para Jensen. – A culpa é toda sua do meu Mark ser médico.

Jensen deu uma sonora gargalhada que até Taylor começou a rir sem nem saber porquê.

Depois de cerca de meia hora de conversa e risadas, eles chegaram até o hospital onde Mark trabalhava. Eles mudaram de Nova York assim que Nick resolveu ter uma gravadora após sair da faculdade. Agora ele era produtor musical e tinha montado uma gravadora cerca de 11 anos atrás. Depois de dois anos lançando alguns trabalhos alternativos, Nick descobriu alguns talentos que além de emplacarem sucessos internacionais ainda tiveram suas músicas escolhidas para filmes que foram, posteriormente, indicados ao Oscar. Atualmente, era considerada a melhor da Flórida.

Mark agora era residente em neurocirurgia um respeitado neurocirurgião que trabalhava no Florida Hospital. Especializou-se em neurologia infantil e, além de seu trabalho no hospital mais bem conceituado do estado, ainda fazia trabalhos voluntários em abrigos e orfanatos nos finais de semana. Foi assim que ele e Nick conheceram Karen, uma adolescente de 13 anos, que estava grávida e, sem condições de ficar com a criança, havia decidido dar o bebê para adoção. E foi assim que Taylor entrou na vida dos dois com pouco mais de uma semana de vida.

Ao chegarem ao Florida Hospital, todos desceram do carro e Nick ouviu uma discussão qualquer sobre qual dos dois iria carregar Taylor. A menina parecia feliz com os dois avôs e gargalhava no colo de Jensen enquanto Jared lhe fazia cócegas. Nick nunca imaginou na vida que veria seu pai sendo assim tão coruja com a menina. Eles haviam conhecido ela na mesma semana em que Mark e Nick a adotaram, e foi difícil voltarem à Nova York sem querer levar a menina junto.

Assim que entraram na recepção do hospital, Nick cumprimentou algumas enfermeiras e a recepcionista, e andou na frente, seguido por Jared e Jensen, que agora colocaram a neta no chão. Ela andava orgulhosa, de mãos dadas com os dois avôs, um de cada lado.

Os corredores do hospital eram frios como de costume, mas bem iluminados. Ao chegarem a sala de Mark, era um orgulho tanto para Jared quanto para Jensen, ver em letras garrafais na porta na porta "Dr. Mark Padalecki – neurocirurgião", que não importava quantas vezes eles liam aquilo, era sempre como se fosse a primeira vez.

- Papai! Papai! – Taylor saiu correndo assim que a porta se abriu mostrando o moreno alto com os cabelos um pouco mais curtos do que quando era adolescente, mas ainda com o mesmo corte.

- Ei, chegaram cedo! – Ele pegou a menina no colo quando ela correu para os braços dele. – Oi filhota!

- Esse negócio de ser casado com médico... – Nick disse olhando para Jared. – É um problema, não é Jay? Nunca estão em casa!

- Ah eu sei bem! – Jared respondeu abraçando Ackles em seguida.

- Que exagero, Nicholas. – Mark respondeu sorrindo sem graça, sabendo que o marido tinha um pouco de razão. – Como você está? – Ele sussurrou para Nick após um selinho.

- Bem, tudo ótimo. – Nick respondeu tranquilo. – Tem dois avôs aqui só brigando pela atenção da neta.

- Papai, eu queria um chocolate. – A menina pediu e Mark já fazia cara de que ia atender a vontade da pequena. Nick percebeu que ele tinha um sim na ponta da língua, e logo interrompeu.

- Tay, lembra o que combinamos... – Nick disse mais sério olhando pra menina.

- Sim, que eu não posso comer chocolate todos os dias. E eu já comi ontem. – Ela respondeu fazendo um beicinho adorável, que sempre convencia Mark, ele morri de dó da menina e sempre acabava fazendo o que ela queria.

- Nick... – Mark olhou pra ele como se ele fosse o homem mais cruel do mundo.

- Mark. – Nick respondeu com o típico olhar responsável enquanto a menina se aninhava no peito de Mark. – E não passe a impressão que eu sou o vilão aqui! Você sabe que ela não pode.

- Tudo bem. – Mark não podia tirar a autoridade do outro porque, além de saber que a filha tinha uma certa intolerância a alimentos considerados quentes, sabia que para se criar um filho era preciso cooperação.

- Como estão as coisas no hospital, filho? – Jared disse se aproximando de Mark, que agora se esforçava tentando manter Taylor em seu colo, mas a menina parecia querer escalar o corpo dele.

- Estão ótimas, pai. – Ele respondeu sincero.

- Estão ocupando todo tempo do meu marido na verdade. – Nick respondeu enquanto Jensen pegava Taylor dos braços de Mark dizendo algo como "vem com o vovô".

- É, essa semana foi um pouco corrida mesmo, mas foram uns três dias que tive que ficar de plantão, o outro neurocirurgião estava fora da cidade, e o hospital não pode ficar sem nenhum. – Mark respondeu abraçando Nick pelas costas. – E tem gente que não está gostando, sabe pai...

- Estou vendo. – Jared disse rindo e Nick revirou os olhos, mas rendido ao abraço do outro. – Vamos sair com Taylor agora, vocês podem ficar um pouco sozinhos. – Jared sugeriu.

- Vão pra casa, descansem... Vamos comprar brinquedos pra nossa neta, não é amor? – Jensen disse e Jared prontamente concordou. Ele pôs a menina no chão e novamente a seguraram pelas mãos.

- Não mimem essa menina! – Nick disse enquanto saíam pela porta da sala de Mark.

- Até parece né, amor? – Mark disse enquanto os dois pareciam encantados com a menina. – Isso é uma condição genética dos avôs e avós... Eles têm que mimar seus netos, senão não são pessoas completas. – Mark brincou e Nick riu o beijando mais uma vez.

- Sinto sua falta. – Ele disse enquanto tirava alguns fios de cabelo dos olhos de Mark e sentia-o abraçar forte.

- Eu também. Muita. – Foi a resposta do moreno alto. – Mas são só esses dias, logo voltaremos a nossa rotina normal.

- Pronto pra ir? Ficar só comigo por algumas horas? – Ackles perguntou sorrindo.

- Eu sempre estou pronto pra você. – Foi a resposta de Mark que o beijou imediatamente.

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O parquinho onde Jensen e Jared estavam com Taylor estava lotado de crianças e de brinquedos, mas a menina se recusava a sair da piscina de bolinhas a qualquer custo.

- Então é isso? – Jensen foi o primeiro a falar pegando em uma das mãos do agora também marido. – É assim que é a vida? Criamos nossos filhos, depois nossos netos...

- Eu acho que sim. – Jared disse sentindo uma paz de espirito que há tempo não sentia. – Nossos filhos estão bem, temos uma neta linda, saudável... O que mais a gente poderia esperar da vida? De quebra ainda sou casado com o homem mais lindo mundo. – Jared disse no tom mais apaixonado possível, Jensen riu abraçando-o.

- Ainda me ama como me amava? Mesmo agora que não somos mais jovens, bonitos e cheios de oportunidades? – Ele já sabia a resposta, só gostava de ouvir.

- De que está falando? – Jared o abraçou mais forte. – Você é lindo. Eu diria que esses fios de cabelos brancos que apareceram ao longo dos anos e esse óculos te deixaram ainda mais sexy. – Jared disse e podia jurar que deixou Ackles um pouco sem graça. – E tenho certeza que você ainda me ama mesmo sabendo que nem todos os meus cabelos são mais tão escuros e que não tenho mais aquele corpo de quando nos conhecemos.

- Para com isso, Padalecki, você continua ótimo. – Jensen falou enquanto discretamente dava uma bela checada no corpo do outro. – Além do mais, estamos envelhecendo juntos... É o que eu sempre quis... Tenho alguém pra me fazer companhia, pra conversar, pra nos divertirmos, tomarmos um vinho de vez em quando e ainda deixar alguma rivalidade no futebol americano e no beisebol melhorar a nossa relação... – Jensen fez o marido sorrir lembrando de todos os momentos que passaram juntos naqueles anos.

- Quem diria que nossos filhos se aturariam por tanto tempo. – Jared brincou ao olhar Taylor sorrindo ao brincar com uma das meninas do parque. – E foram capazes de nos dar essa preciosidade...

- Sabia que eles não nos decepcionariam, juntos ou separados, mas dava pra ver que ali o negócio não iria acabar cedo. – Jensen disse lembrando-se de todas as vezes em que pegou Mark ou Nick se esgueirando pela madrugada para irem um ao quarto do outro em casa.

- Acho que, no fim das contas, fizemos tudo certo, não é? – Jared olhou para o relógio e viu que estava quase escurecendo e provavelmente deveriam voltar pra casa.

- Tenho certeza que sim. – Jensen respondeu e andou sorrindo até a piscina de bolinhas para pegar a neta.

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Mark e Nick estavam em casa com uma música romântica instrumental tocando. Nick descobriu-se apaixonado por saxofonistas e vivia comprando CDs do estilo, acabou que Mark adorou o estilo também. Sempre que estava em casa, ouviam juntos.

Eles tinham uma poltrona enorme no meio da sala em que os dois conseguiam se deitar. Mark estava praticamente deitado no colo do outro, com a cabeça na altura do ombro do loiro, a meia luz, bebiam vinho e trocavam algumas poucas palavras. Queriam apenas ficar juntos, em silêncio, aproveitando o momento como se fosse o último de suas vidas.

- Está dormindo? – Nick perguntou tomando um gole de vinho.

- Claro que não. – Mark disse com uma voz preguiçosa de quem estava, no mínimo cochilando. Ele se revirou um pouco para ficar de frente com o marido. – Os coroas estão babando na Taylor, nem ligam mais pra gente.

- Bem vindo ao ciclo da vida, doutro Mark. – Nick brincou rindo. – Isso é o que normalmente acontece nas famílias.

- Obrigado por me dar uma. – Mark falou sério encarando os olhos amendoados de Nick.

- Faço qualquer coisa por você. – Foi a resposta mais do que apaixonada do outro. – Taylor só apareceu pra completar nossa felicidade.

- Estamos indo bem, não é? – Mark perguntou rindo lembrando-se do quanto eram pais completamente inexperientes.

- Aprendemos com os melhores não é? – Nick respondeu e o outro não poderia concordar mais.

Ouviram o barulho de alguém entrando no apartamento que ambos haviam comprado juntos em Thornton Park, um condomínio que mesclava cidade grande e natureza, ao norte de Orlando. Eram quase sete horas da noite e só de ouvirem a voz de Taylor conversando alegremente, já sabiam que todos haviam chegado.

- E então eu ganhei dois vestidos e mais cinco brinquedos da vovó Sandy. – Ela contava e tentava mostrar com os dedos das mãos os números que dizia. – E depois o vovô Jeffrey me levou pra ver os golfinhos!

- Eu não sei quem está estragando mais essa menina... – Mark levantou-se da poltrona junto com Nick para receberem os pais e a filha na sala. – Se vocês dois ou a mamãe e o Jeffrey. – Ele pôs sua taça e a de Nick em cima da mesa de centro.

- Mas estava mais do que na hora de voltarem. – Nick disse pegando a filha no colo depois dela tentar se enroscar em suas pernas.

- Ah nem demoramos tanto! – Jensen foi o primeiro a dizer.

- É, e espero que vocês tenham ao menos aproveitado o tempo sozinhos. – Jared continuou. – Acho bom pedirmos o jantar, Taylor deve estar com fome.

- Já providenciamos. – Mark disse olhando Nick de canto. – É um jantar especial. Taylor, guardou o segredo que o papai pediu?

- Sim! – Ela disse orgulhosa olhando de Nick para Mark. Padalecki piscou para ela divertido.

- O que está acontecendo? – Jensen perguntou um pouco desconfiado.

- Especial por quê? – Jared agora tinha ficado extremamente curioso.

Mark e Nick fizeram um mistério antes de dizer. Trocaram olhares cúmplices e Taylor apenas riu feliz da situação. Olhar seus avós com cara de crianças curiosas era realmente engraçado.

- Falem logo! – Jensen cruzou os braços já impaciente.

- É! Vamos! – Jared ria da situação, mais de nervosismo do que qualquer outra coisa.

- Bom, conversamos nós três e... – Mark começou fazendo uma pausa. – Decidimos que seria bom para Taylor ter um irmãozinho. E ela adorou a ideia.

- O que? – Jensen correu para abraçar o filho junto com Taylor. – Não acredito! Um menino?

- Sim! – O loiro dizia enquanto Jared sorria feito Taylor abraçando Mark.

- Onde ele está? – Jared parecia que era ele quem ia levar o menino pra casa.

- Ainda não fomos buscá-lo. – Nick começou. – Mas ele se chama Mike e tem cinco anos. Ainda está na casa de adoção e até que Jeffrey termine a papelada toda, como fez com Taylor, teremos que esperar alguns dias antes de trazê-lo para casa.

- Vocês estão se saindo melhor que a encomenda, garotos. – Jensen disse orgulhoso do filho e de Mark também.

- Fomos bem criados, sabe como é. – Nick respondeu e Mark concordou.

- Realmente isso merece uma comemoração! – Jared disse animado enquanto iam todos para a cozinha. – Espero que tenham caprichado no jantar.

- Foi Mark quem cozinhou. – Nick dizia enquanto o moreno alto fingia uma modéstia que não tinha.

- Acho que ficou bonzinho. – Ele respondeu enquanto todos tomavam seus lugares na mesa e ele servia o prato que havia feito.

A única coisa que Mark pensava é que Nick realmente tinha razão. Quem precisava da escola afinal? Ele tinha conseguido entrar na Universidade de Nova York para cursar Medicina graças a bolsa que o futebol tinha lhe conseguido como ele havia planejado. Nick depois de ter aprendido a tocar violão, não queria saber de outra coisa e seguiu seu coração. Jensen o apoiou completamente assim como Jared.

Da escola eles levaram os amigos, a prova estava na foto da estante da sala, a festa de casamento dos dois com os amigos verdadeiros que tinham na época da escola. Ao lado, uma foto de Taylor com sua madrinha, ou como ela chamava, titia Becca, ao lado de Steve, melhor amigo de Nick que fazia uma careta engraçada na foto. Toda vez que Mark olhava para o retrato, sentia vontade de rir, nunca imaginou que Steve se casaria com Rebecca.

Isso na realidade remetia sempre ao fato de que Mark se sentia pressionado a adotar outro filho, porque se James não fosse padrinho de alguém, ele já tinha ameaçado cortar laços com o médico. Dramático, como sempre foi desde a escola. Até hoje ele enchia o saco de Mark por não ter contado a ele primeiro que ele e Nick namoravam.

Mark ainda conseguia sorrir ao ver a foto de Sandy com Taylor e Jeffrey no dia em que levaram a menina ao Sea World. Ela pode ter tido seus problemas como mãe, mas com certeza estava compensando tratando Taylor feito uma princesa. E, para Mark, era a maneira perfeita de realmente conseguir seu objetivo. Ele nunca havia lhe dito, mas quando ela demonstrou ser capaz de amar tanto a neta, ganhou o respeito de Mark como filho.

Entre as conversas e o jantar especial, seguido da sobremesa preferida de Taylor, pudim de caramelo, cada um pensava a sua maneira o quanto tudo era especial. A menininha adormeceu na cadeirinha de refeição e Mark e Nick se levantaram para colocá-la no berço. Quando foram todos dormir, a sensação que tinham era de dever cumprido. Não haviam criado uma família tradicional com pai, mãe e filhos. Haviam criado uma família de verdade, com amor, respeito e união. E não precisavam de mais nada além daquilo.