Ficha Número 77

Disclaimer: A história pertence a chubieta, os personagens a Stephenie, e a mim somente a tradução.

Sinopse: Edward Masen é um garoto convencido que se vê obrigado a passar um verão com seus tios em Forks, onde conhecerá Bella Swan, uma garota tímida, mas Edward se empenhara em conquistá-la para ter algo de diversão em seu verão.


Capítulo 10 - Bella, fale comigo!

(Traduzido por Julia Spinosa)


Caminhei até meu quarto ainda sorrindo e quando entrei, notei Bella sentada em minha cama, olhando fixamente para o meu laptop...

- Bella... – sussurrei com o pânico refletindo em minha voz. Aproximei-me rapidamente dela e peguei seu braço, mas Bella se soltou bruscamente de meu aperto – Bella... deixe-me explicar, por favor, não é o que você...

- Ficha número 77 – me interrompeu.

- Bella, por favor – insisti.

- 77... – repetia ela como se estivesse em transe – 77... 77...

- Bella... – peguei seu rosto em minhas mãos – olhe para mim – seus olhos estavam perdidos em algum lugar – Bella... – repeti seu nome. Esta vez ela me olhou e sua expressão ferida fez com que quisesse voltar no tempo e ter apagado as fichas antes. Se não tivesse ido ao banheiro, teria notado quando Bella entrasse em meu quarto, teria fechado o laptop e depois quando ela se fosse, teria apagado as fichas e continuaria sendo feliz com ela, mas não. Bella continuava olhando-me fixamente sem dizer palavra nenhuma. A peguei pelos ombros e a sacudi para que reagisse – Bella... Fale comigo! – lhe supliquei. Ela me olhou durante um tempo interminável e podia notar como seus olhos ficaram mais e mais brilhantes. Inferno. Estava chorando por minha culpa! – Não chore, Bella, por favor, deixe-me explicar... – mas ela levantou da cama e se dirigiu até a porta. Corri até ela e a peguei pelo braço.

- Me solta – disse duramente.

- Bella... – repeti seu nome novamente.

- Me solta... – respondeu e me olhou com a expressão fria. Soltei seu braço e ela se foi sem nem sequer me olhar. Fechei a porta do quarto e fui até a cama, onde o laptop continuava ligado mostrando:

FICHA Nº77: ISABELLA MARIE SWAN

Apelidos: Bella (é como ela prefere) e Bells (lhe chamam assim, seu pai e Jacob Black)

Primeiro encontro: 06 de Julho (Primeiro dia em Forks). Casa dos Cullen.

Família: Charlie Swan e Reneé Higginbotham Dwyer. Seus pais de casaram muito jovens, mas seu casamento durou pouco, se divorciaram quando Bella tinha seis anos de idade. Viveu com Reneé na Califórnia até os cinco anos, e se mudaram para o Arizona. Sua mãe se casou de novo com Phil Dwyer, um jogador de beisebol, que atualmente se dedica como treinador de ligas menores, enquanto que ela é professora. Ambos vivem em Phoenix, Arizona. Por outro lado, Charlie Swan, seu pai é Chefe da Policia Local e geralmente vai pescar com seu amigo, Billy Black, pai de Jacob, melhor amigo de Bella.

Data de aniversário: 13 de Setembro.

Personalidade: Baixa autoestima, acredita que seus olhos e cabelos castanhos são comuns de mais para que alguém dê atenção à ela. Fica nervosa quando está com alguém que não conhece e se mostra uma pessoa séria e de poucas palavras. Não conhece o egoísmo, prioriza as necessidades dos outros sob as dela. Cora com muita facilidade cada vez que se envergonha. Chora por dois motivos: raiva e tristeza. Se incomoda quando alguém se preocupa com ela, já que está acostumada a cuidar de sua mãe errática.

Tiques nervosos: Franze a testa quando pensa demais em uma coisa. Morde o lábio e abaixa o olhar quando lhe dá vergonha em dizer algo. Move as mãos quando mente.

Melhor amiga: Alice Cullen, estudam juntas.

Melhor amigo: Jacob Black (Jake para Bella). O conhece por Charlie Swan, seu pai, quem mantem uma amizade de longa data com Billy Black.

Gostos e Interesses: Leitura, sua livro favorito é Morro dos Ventos Uivantes, ainda que tem certeza que prefere as obras de Jane Austen. Não tem interesse especial por música, mas gosta de ouvir a clássica, dentro de seus compositores favoritos se encontram Debussy e Chopin. Não gosta de esportes nem de ver televisão. Gosta de caminhar pelos arredores. Não gosta de frio e umidade, mas ainda assim decidiu se mudar para Forks para viver durante um tempo com seu pai, assim sua mãe poderia acompanhar Phil (seu esposo) durante as viagens.

Rimas utilizadas de Gustavo Adolfo Bécquer: 16, 17, 22, 23, 24, 27, 32, 38, 46, 57.

Primeiro encontro: 08/Julho: "Ao pegar um atalho pela estrada, demos com uma praia desconhecida, decidimos ir explorá-la, fomos de mãos dadas e observamos as estrelas. Depois caminhamos pela costa, lhe dei um beijo nos lábios, ao ver sua doce expressão, a beijei novamente e ela me respondeu apaixonadamente e o choque de algumas ondas fez que terminássemos caindo na água. Depois de nos beijarmos por um longo tempo, com nossas mãos entrelaçadas voltamos para o carro. Ela então, me deu um beijo na bochecha e nos despedimos, lhe dei um beijo no canto da boca".

Ameaças: Jacob Black, por baixo da aparência de melhor amigo, esconde suas intenções amorosas. Não disfarça o fato que procura monopolizar toda a atenção de Bella mostrando seus reluzentes dentes e usa o recurso "Lembra dessa vez quando...?" para enfatizar o fato de que ele conhece Bella à mais tempo e já compartilhou mais momentos com ela.

~xXx~

- Edward Anthony Masen! – gritou Alice quando entrou em meu quarto.

- Alice, sai daqui – grunhi enquanto cobria o rosto com a almofada.

- Não irei até que me explique o que aconteceu com Bella- disse sentando em minha cama.

- Não.

- Edward, não sou burra. Algo aconteceu entre Bella e você. Algo muito feio. Está a duas horas repetindo o número 77. Está perdida em seus pensamentos. Levamos duas horas fazendo com que falasse! Papai disse que está em choque – gritou – E a última vez que estava bem, disse que viria te buscar, assim que não tem que ser muito inteligente para perceber que você tem tudo a ver com o que lhe está acontecendo.

- Alice... – gemi – saia.

- Já disse que não irei até que me diga o que aconteceu – insistiu.

- Faça o que quiser – me rendi e fechei os olhos tentando ouvir o inesquecível. Alice suspirou pesadamente e se foi. Não sei quantos minutos ou horas passaram quando ela decidiu voltar:

- Bella está em casa, conseguimos levá-la até lá. Papai lhe deu alguns calmantes para que durma – ao ver que eu continuava calado, soltou um suspiro exasperado e me obrigou a olhá-la – Edward, poderia me dizer, por favor, o que aconteceu entre Bella e você? – suspirei resignado e comecei a falar:

- Fui ao banheiro e esqueci de fechar meu laptop... quando voltei Bella o estava vendo... Eu... não sabia que ela estava aqui – a olhei em confuso.

- Sim, decidimos que tomasse banho aqui, jantar com a gente e depois ir para casa. Assim quando estava pronta, decidiu vir para seu quarto para te surpreender e... – deixou a frase no ar.

- E ela viu que tinha escrito em meu laptop... – disse em uma voz audível.

- E o que é o que tinha lá que era tão terrível?

- Veja, quando cheguei na adolescência, minhas colegas começaram a reparar em mim e convidando-me para festas. No começo, recusava, ainda não estava interessado em sair com garotas, preferia jogar Play Station com meus amigos – ri sem vontade – mas eles me sugeriram que saísse de vez em quando, assim servia para conhecer mais gente e me distrair um pouco. Com o tempo, eu comecei a gostar de festas e casa dia que passava ficava mais sociável e os convites para sair aumentaram consideravelmente – olhei para Alice em busca de alguma reação, mas ela me olhava impassiva – E eram tantos que começaram a confundir minha cabeça e me dei conta que precisava colocar em ordem... – suspirei pesadamente antes de confessar a parte estranha da minha história – Então tive a ideia de... – abaixei o olhar envergonhado e comecei a falar em tropeços – criar algumas fichas nas quais continham dados sobre as garotas com quem saia... que foram uma ajuda – memórias, no começo só anotava as coisas em papel, mas com o tempo, foram-se acumulando muitos papeis e decidi passá-los para meu laptop, assim eu criei um arquivo com todas as "fichas" que tinha criado e as enumerei.

- Não está dizendo que... – me interrompeu Alice alarmada.

- Sim, Alice, isso mesmo que estou dizendo – disse frustrado - e nesse arquivo tenho todas as garotas com que já sai desde que decidi que eram mais do que podia lembrar. Bella era a ficha número 77, por isso repete esse número – passei uma mão pelo cabelo nervoso – estava vendo que o que tinha escrito ali não lhe fazia justiça, porque ela era perfeita e me amava! Me disse quando estávamos em La Push – me levantei da cama e comecei a andar de um lado para o outro em meu quarto – e então... então... – parei de repente e olhei para Alice com um brilho maníaco nos olhos – então me dei conta, Alice! Me dei conta que amava Bella! E estava tão... – comecei a gesticular com as mãos – tão... emocionado... tinha que dizer... tinha que dizer que a amava! Estava tão... tão... – sacudi a cabeça de forma histérica – distraído que decidi lavar o rosto com água fria para tirar o sorriso idiota que tinha no momento, me sentia tão bem, Alice... Nunca antes tinha me sentido assim! Sai do banheiro ainda sorrindo e quando voltei... – suspirei largamente – já sabe o que aconteceu – me aproximei e me sente junto a ela em minha cama.

Alice me olhou durante alguns minutos e então me deu um tapa na cara. Levei a mão até minha bochecha direita para tentar parar a dor que começava a sentir.

- Edward Anthony Masen, você é uma pessoa horrível! – começou a gritar comigo – Nunca pensei que tivesse a mente tão contorcida! Como você pode fazer uma coisa assim? As garotas têm sentimentos! – Quis responder: "Por isso disse, mereciam que lembrasse seu nome, por isso criei as fichas", mas me contive – Jamais pensei que seria assim! Se soubesse nunca teria ajudado com bella! Me envergonho de você! Me envergonha que seja meu primo! Coitada da Bella! Você tem noção do dano que fez? Ela te ama, Edward! Agora entendo porque está em choque! – se levantou da cama em um salto – Me escute bem, porque vou dizer apenas uma vez, se eu fosse Bella, jamais voltaria a falar contigo – sibilou – você é a pior pessoa que conheço – dito isso, voltou a me bater, mas dessa vez na minha bochecha esquerda – Você não merece o perdão da Bella, você merece o pior – grunhiu e saiu do quarto batendo a porta. Joguei-me na cama e fechei os olhos esperando acordar desse pesadelo.

~xXx~

Acordei quando os raios do sol chocaram contra meu rosto, ontem tinha esquecido de fechar as cortinas e embora esse detalhe, em um dia normal teria provocado que andasse de mau humor o dia todo, hoje não me importava. Tinha problemas mais importantes para solucionar.

Fui até o banheiro arrastando meus pés e depois de tomar uma ducha, tentei pentear meu cabelo inutilmente. Antes de ir tomar café d amanhã, me olhei uma ultima vez no espelho e suspirei, minhas enormes olheiras mostraram claramente minha noite sem dormir.

Quando desci as escadas, já estavam todos tomando café. Alice me dirigiu um olhar assassino quando me viu, Emmett sorriu quando ela voltou seu olhar para seu prato, enquanto meus tios trocavam um olhar de preocupação. Resignado a ser observado o tempo que ficaria aqui, me sentei junto com os outros.

- Bom dia – cumprimentou minha tia, enquanto colocava um prato com cereais em minha frente. Eu só me limitei a assentir com a cabeça e peguei uma colherada, a olhei durante alguns instantes e não pude evitar pensar em Bella, os grãos de cereais eram da mesma cor de seus olhos. "Por que tinham que ser cereais com sabor de chocolate?" pensei chateado e subi para me trancar no quarto.

Estive um tempo debatendo entre ir ou não ir á casa de Bella. Por um lado, sabia que tinha que ir e esclarecer as coisas com ela para que tudo voltasse a ser como antes, mas por outro lado, não sabia o que dizer, obviamente não podia lhe dizer: "Sabe, Bella? Tenho saído com tantas garotas, que tive a ideia de criar uma ficha para cada garota que saia para não ficar mal. Quando te conheci pensei que seria mais uma para minha lista e me empenhei em te conquistar para ter alguma diversão no verão, mas me apaixonei por você, pensava em lhe dizer da próxima vez que te visse, mas jamais pensei que veria meu laptop".

Eu deveria ter desligado o laptop. Devia ter o fechado, pelo menos. Devia ter apagado o arquivo. Nunca devia ter criado uma ficha da Bella. Nunca devia ter criado esse arquivo. Daria o que fosse para voltar no tempo, mas sabia que isso era impossível. Respirei fundo e me dirigi até a casa de Bella.

~xXx~

Estacionei meu carro em frente à casa de Bella e caminhei nervoso até a porta. Toquei a campainha e esperei que ela abrisse a porta. Depois de esperar alguns minutos, insisti novamente, mas ninguém saia. Insisti e insisti durante mais uma hora, mas ninguém saiu. Assim que andei de volta para o carro, com o olhar fixo no chão.

Sabia que Bella não queria falar comigo, mas tinha a esperança que de desse a oportunidade de explicar as coisas e me desculpar por todo o dano que tinha feito. Enquanto dirigia de volta, tratava de pensar em que podia fazer para ela me deixa explicar, teria que ter algo que pudesse fazer...

Quando cheguei na casa de meus tios, subi diretamente para meu quarto, não estava com animo para que todos me observassem como se fosse uma bomba a ponto de explodir.

Ainda estava meu laptop no mesmo lugar que Bella o tinha deixado, me aproximei dele sabendo que cedo ou tarde teria que desligá-lo, depois de tudo, não era culpa do pobre aparelho o que eu tivera armazenado dele. O abri e no instante que a ficha de Bella apareceu diante de meus olhos, não pude evitar lê-la e aceitar que ela tinha todo o direito de não falar comigo. Tinha sido um idiota ao criar esse arquivo!

De repente, algo chamou minha atenção. Os versos. Talvez, se escrevesse algo assim em uma folha de papel, como já o tinha feito antes, conseguisse que Bella me desse uma oportunidade de falar, depois de tudo, em uma ocasião tinha dito que escrever poesia era "o mais romântico" que havia feito por ela.

Motivado por esse descobrimento, procurei algum verso que poderia amolecer o coração de Bella, busquei uma folha de papel e um lápis e comecei a escrever:

"Se nossas queixas em um livro

Se escrevesse a história

E se apagasse em nossa alma quando

Apagasse em suas folhas.

Quero-te tanto que ainda: deixaram em meu peito

Suas pegadas de amor tão profundas

Que só com que você apagou uma,

Eu apaguei tudo!"

Mas abaixo adicionei minha mensagem:

Sinto muito pelo que aconteceu. Por favor, me dê uma só oportunidade para te explicar tudo.

Edward

Era uma nota rápida, mas queria que Bella a lesse, se escrevesse algo grande de mais, corria o risco que ela jogasse fora minha carta sem nem sequer lê-la. Desci correndo as escadas e fui novamente em direção à casa de Bella, deslizei a carta por debaixo da porta, toquei a campainha e voltei para a casa de meus tios.

Tinha se passado uma semana e eu continuava afundando em minha miséria. Cada dia que passava me custava mais a dormir, tudo o que via era Bella. Fechava os olhos e lá a via, os abria e a continuava vendo. Estava indo para a loucura e Bella ainda se negava em me ver. Ainda lhe tinha escrito poesia a cada dia, tinha chamado infinitas vezes em sua casa, enviado textos de mensagem para seu celular, tocado a campainha inúmeras vezes e esperado longas horas do lado de fora de sua casa, a porta nunca de abria.

Hoje era uma dessas vezes, estava sentado na entrada se sua casa olhando o bosque, que já conhecia de cor (a essa altura suspeitava que podia dizer quantas arvores tinha ali e que animais percorriam os arredores) quando começou a chover torrencialmente e decidi que depois de três horas e meia, era melhor que voltasse para casa.

Continuando meu comportamento habitual, pulei o jantar e me tranquei no quarto, não passou muito tempo quando ouvi algumas batidas na porta.

- Edward? Podemos conversar? – perguntou Esme, colocando sua cabeça pela porta. Limitei em assentir com a cabeça e me senti na cama. Apontei para a cadeira que estava na minha frente para que ela e Carlisle, que entrou atrás dela, se sentassem.

- Edward – ele começou a dizer – estamos preocupados com você. Está assim há dias, neste estado de... zumbi... praticamente não fala, quando está aqui vive trancado em seu quarto e...

- Isso não é bom para você – continuou Esme – precisa se distrair, não pode continuar assim – abaixei o olhar e o fixei em minhas mãos – Edward, sabemos o que aconteceu com Bella e...

- Sabem? – disse ficando em pé de repente – se sabem, porque continuam falando? – perguntei enquanto caminhava como louco pelo quarto – Sou uma pessoa horrível! – disse passando uma mão pelo meu cabelo – Já não sei o que fazer para que Bella fale comigo! Já tentei de tudo! Mas ela continua sem me deixar falar, apesar de entender... por que falaria? Eu... – suspirei – sei que não mereço que ela fale, mas... gostaria poder ter a oportunidade de me explicar... de me desculpar, o única coisa que peço é que me dê um minuto do seu tempo... – sentei-me derrotada em minha cama.

- Edward... – disse Esme sentando-se perto de mim – não seja tão duro consigo mesmo...

- Todos cometemos erros – continuou Carlisle sentando-se do meu outro lado – é parte da natureza.

- Mas eu... – comecei a dizer.

- Você cometeu um erro e agora está sofrendo as conseqüências disso, mas a vida continua, Edward e mesmo que seja difícil de entender, precisa continuar – interrompeu-me meu tio.

- Deve dar um tempo a Bella, ela ainda está machucada pelo que fez – Esme me abraçou pelo ombro – com Carlisle estivemos pensando e acreditamos que seria bom para você voltar para Chicago e afastar-se de tudo.

- Mesmo que gostamos de te ter aqui, acreditamos que sair de Forks só irá contribuir para que lembre mais de Bella – ele me assegurou.

- Eu... não sei o que fazer – suspirei, cobri o rosto com as mãos e comecei a soluçar.

- Edward, não fique assim – pediu minha tia, abraçando-me com mais força e me puxando para ela – Vai ver que tudo irá ser resolvido – Me afundei em seu peito e ela acariciava-me o cabelo enquanto sussurrava: "Espere até amanhã, irá ficar tudo bem".

- Tem razão – murmurei depois de ter terminado de lamentar-me.

- O que pensa em fazer? – perguntou-me Carlisle.

- Irei me despedir de Bella – respondi fixando o olhar na almofada – depois disso voltarei para Chicago, tem razão, me faz mal estar em Forks, será melhor que volte para casa... também na próxima semana chegam as cartas de admissão e gostaria estar lá quando isso acontecesse. Meus pais não falam em outra coisa, o único que querem é que receba a carta de Harvard – disse com pesar.

- Arg! – exclamou Esme – essa estúpida tradição. Não tem que prestar atenção ao que Lizzie diz, você deve estudar o que você quer, Edward, não deixe que ela e Ed, decidam por você.

- É sua decisão e se eles não te apoiarem, nós o faremos – disse Carlisle – sempre estaremos ao seu lado para te apoiar – sorriu-me.

- Obrigado, de verdade, realmente eu... – comecei a dizer.

- Sim, você merece – assegurou Esme, como se estivesse lendo minha mente – é um bom garoto, Edward.

- Obrigado – disse de novo – nunca tinha me sentido assim... vocês são tão diferentes... meus pais nunca tinham se sentado comigo para conversar o que acontece, sempre que estamos juntos, se limitam a dizer o que tenho que fazer, a única pessoa que se preocupa comigo em casa é Maddie...

- Não se sinta mal, você nos tem para o que precisar – me disse sinceramente.

- Obrigado... – sorri tristemente.

- Agora – disse colocando-se de pé – irei comprar sua passagem de volta para Chicago e garantir a transferência de seu carro – me deu um tapinha suavemente nas costas e saiu.

- Vou ligar para Lizzie para avisá-la o que você vai fazer porque está tão preocupado com a sua carta de Harvard que quer estar lá quando chegue. Não acredito que tenha problema se dizer isso – riu Esme – faça o que tem que fazer, Edward – acrescentou em tom serio, me deu um beijo na bochecha e saiu do quarto.

Levantei-me da cama, liguei o laptop e busquei um último verso que servisse de despedida:

"Como em um livro aberto

Leio de seus alunos no fundo

Por que fazer beiço

O riso que desmente com os olhos?

Chora! Não tenha vergonha

De confessar que me quisesse um pouco.

Você vê: sou um homem... Eu também choro!"

Era um verso deprimente, mas refletia bem meu estado de animo. Tomei ar e me preparei para escrever a última nota para Bella:

Já não sei o que fazer para que me dê oportunidade para falar. Sei que não mereço seu perdão, mas preciso que me escute, é como se uma parte de mim estivesse morta, desde o dia em que deixou de falar comigo. Sinto tanto pelo que aconteceu. Acredite que daria o que fosse para ganhar seu perdão e que voltássemos a estar juntos. Mas já me dei conta, que você não quer mais saber se mim (e não te culpo). Não sabe como me odeio agora por te causar tanto sofrimento.

Sei que é hora de ficar longe de você, já percebi que não quer saber de mim, assim que esta é a última carta que receberá de mim. Decidi voltar antes para Chicago, é o melhor, assim poderá sair de sua casa sem medo de me encontrar por aí.

Depois de ler a carta várias vezes, eu assinei e fui pela última vez na casa de Bella.

Estacionei em frente à casa e desliguei o motor. Estive um tempo observando como as gotas de chuva deslizavam pelas paredes, até que decidi descer do casso. Corri rapidamente até a porta, para escapar da forte chuva que caia.

Parei em frente à porta por um instante, sem saber o que fazer, o coração batia tão forte que estava seguro que podia ouvir desde o interior da casa, apesar da chuva. Tirei a carta do meu bolso e a deslizei por debaixo da porta. Suspirei e toquei a campainha pela última vez.

- Te amo, Bella – sussurrei e andei de volta para o carro.

- Edward... – virei bruscamente pensando que era uma alucinação, quando a vi, parada junto à porta.


Apesar dele estar apaixonado, e dar um pouco de dó, ele simplesmente procurou por isso usando fichas, mentindo para as garotas. Uma hora ele teria que tomar as consequências do que fez. Será que a Bella o vai perdoar tão fácil? O que vocês acham?

Volto em breve

Beijos

xx