Horrible

Autora: Merula

Tradução: Aryam


N/T: Super-GW-boys na véspera de Natal ^_~


Extra 1

"É um pouco tarde para visitar o museu."

O homem vestido de negro não se sobressaltou, simplesmente se virou e olhou para cima. "Cara, é véspera de Natal. Não tem coisa melhor para fazer?"

O super-herói coberto de metal bufou e executou um pouso perfeito no chão ao lado de seu nemesis. "Não há nada melhor do que parar o mal."

Espectro rodou os olhos. "Faça-me o favor, salve seus discursos heróicos para os civis. Não estou fazendo nenhuma vilania-"

"Ainda."

"Ainda," o inimigo concordou amigavelmente. "Não achei que estaria patrulhando essa noite, Aço. Quero dizer, é Natal – a sua patroa não vai ficar estressadinha por você não estar em casa?"

"Não tenho uma patroa." Heero estudou Espectro cuidadosamente. Aprendera nos últimos meses que o vilão sempre tinha uma carta na manga. O que seria dessa vez?

"Sozinho no Natal? Que droga."

"Olha só quem fala."

Espectro riu, olhos cintilando emoldurados pela máscara. "Compras de última hora?"

"Acredito que a loja do museu esteja fechada. Mas tem uma farmácia aberta descendo a rua."

O vilão descartou a sugestão. "Não estou no clima para velas e bombons, obrigado."

"Não é o tipo de coisa que a sua patroa gosta?"

Espectro rodou os olhos novamente. "Estava mesmo procurando algo para mim." Seu sorriso aumentou e estudou o rosto coberto pelo capacete. "Por outro lado... posso ter encontrado algo bem aqui."

Heero ficou tenso. Aquele maldito homem poderia desaparecer quando quisesse – impossível de rastrear. Até então, era só o que fazia – mas não significava ser o único truque no repertório do vilão. O herói anterior desistira por alguma razão...

Espectro pendeu a cabeça para o lado travessamente. "Aposto que está preocupado dentro dessa armadura... tentando descobrir o que eu estou tramando..."

Heero não viu razão para negar. "Vou te impedir dessa vez-"

"Qual seria a graça nisso? Além do mais, não fiz nada que justifique uma apreensão."

"Você invadiu o museu."

"Não é para tanto. Entrei andando calmamente. Não é minha culpa se as câmeras de segurança não conseguem me ver."

Merda. Ele vai desaparecer de novo. Será que o novo sensor consegue segui-lo? Heero o acessou pelo visor. Hora de ver se as semanas de trabalho valeram a pena.

Esperou, cada músculo tencionado no limite. O que aquele homem estava prestes a fazer?

Espectro ainda sorria, perfeitamente relaxado – e por que não estaria? Conseguira escapar até agora...

Antes que Heero pudesse reagir, o vilão se aproximou. "Olhe para cima," sugeriu, a voz cheia de divertimento.

Inferno! Heero fez o que lhe foi pedido, certo de que algo cairia sobre ele.

Mas não havia nada. Nada além de enfeites de Natal...

E tirara os olhos de Espectro...!

Merda! Baixou o olhar rapidamente, certo de que seu arquiinimigo já teria sumido, que teria sido despistado.

Mas ele ainda estava lá – mais perto do que antes.

Tomado de surpresa, o vilão atravessou a mão pelo capacete, as pontas dos dedos acariciando o rosto de Heero.

"Visgo," sussurrou e beijou Heero. Um rápido roçar de lábios que acendeu o sangue do super-herói mesmo enquanto sua mente gritava em protesto.

Espectro conseguia passar pela armadura! Ele podia...

"Feliz Natal!" Seu nemesis deu uma piscadela e desapareceu. Deixando Heero no meio de um museu vazio.

Rapidamente, acionou o capacete e começou a esquadrinhar as premissas – mas o novo programa não apontou nada de novo. Sem sinal do malfeitor.

Mas que droga. Heero xingou mentalmente antes de ligar o mecanismo de vôo. Ninguém lhe avisara que Espectro conseguia atravessar matéria... embora isso explicasse várias de suas fugas.

Enquanto tentava assimilar essa nova característica, um outro pensamento se fez consciente:

Será que consigo fazê-lo me beijar de novo?

FIM.


Visgo (mistletoe) – Nos Estados Unidos há a tradição de que quando duas pessoas param debaixo de um visgo (planta comum de decoração no Natal) devem se beijar.