Sailor Estelar

O céu estava nublado e relampejava intensamente. Estava correndo há algum tempo sem rumo, sem saber o que fazer. Seus amigos haviam sido derrotados e ela ainda podia ouvir em sua cabeça as súplicas deles pedindo para que fugisse. Correu o máximo que pode debaixo da chuva que castigava a cidade até o ponto em que não sentiu mais as forças de suas pernas e deixou-se cair em um beco escuro. Sim ela estava com medo, mas, acima de tudo, estava com raiva. Fechou o punho com toda a força e desferiu um golpe contra a parede para diminuir sua frustração, mas tudo o que conseguiu foi mais dor.

- Como podemos ter sido derrotados tão facilmente? - indagou-se revelando toda a raiva em sua voz. Cansou-se de ficar lamentando e resolveu partir, pois sabia que se ficasse ali o inimigo a encontraria. Levantou-se e num rompante pôs-se a correr.


- Venha Serena! O que faz aí parada e onde você estava? Não sabe que é perigoso andar por aí sozinha. - disse a senhora ao trazer a jovem recém chegada para dentro da casa.

- Mamãe, o que a senhora está fazendo?

- Como o que eu estou fazendo? Estou arrumando as malas. Vamos partir da cidade imediatamente. Não sabemos o que está acontecendo, o porque destes ataques tão repentinos, só sei que precisamos sair daqui. - falou a Sra.Tsukino puxando a filha pela mão.

Porém Serena sabia que não poderia partir, tinha prometido as suas amigas que as salvaria e foi com estes pensamentos na cabeça que a menina estacou no lugar, impedindo que a mãe continuasse a puxá-la.

- Mas o que houve filha?

-Eu... eu... eu sinto muito mamãe. Mas... mas eu não posso ir com vocês. - sussurrou a jovem com pesar, abaixando a cabeça para não ver a expressão incrédula no rosto da mulher mais velha.

- Não fale bobagens Serena! - agora foi a vez do Sr.Tsukino se manifestar. - Acha que a deixaremos sozinha aqui perante aos ataques destes alienígenas, bruxos, sei lá por quem estamos sendo atacados.

- Isto mesmo irmã, nem mesmo as Sailors foram páreo com esta criatura que está destruindo Tóquio. Além do mais o que você vai ficar fazendo aqui se esta cidade está quase morta. - o menino interpelou, achando ridícula a idéia da adolescente. A cidade estava praticamente destruída, sucumbindo a ataque a mais ataque dos invasores misteriosos e a população desesperada já fugia desesperançada diante da derrota cruel que as suas mais fiéis guardiãs, as Sailor Senshi, sofreram.

Serena abaixou a cabeça para esconder as lágrimas que começavam a cair murmurando ao mesmo tempo um pedido de perdão. Perdão pelo que estava prestes a fazer com a sua família, perdão por sua fraqueza e incompetência de proteger os inocentes de Tóquio.

- Está tudo bem filhinha! Vai dar tudo certo. - falou Ikuko acariciando o rosto da jovem. Serena levantou seus brilhantes olhos azuis e fitou a mãe por alguns segundos, em seguida lhe deu o seu mais belo sorriso prosseguido com um beijo na testa.

- Tem razão mamãe... - falou a menina virando-se pronta para partir - vai dar tudo certo. - concluiu pondo-se a correr porta afora.


Suas amigas haviam sido derrotadas, ela havia sido derrotada. Não sabia mais o que fazer e somente uma opção de salvação passava em sua mente: as Others Senshis. Lembrou-se que pediu a elas que não tomassem parte na batalha, pois desde que começou os ataques ela foi invadida por um mau pressentimento. Tentou achar um jeito de derrotar o inimigo enquanto seguia caminho para a casa das others, mas por mais que pensasse nada lhe surgia à mente. Contudo, abandonou seus pensamentos quando viu que já se encontrava diante da residência de Urano e Netuno.

- Haruka, Michiro... tem alguém em casa! - gritava Serena do lado de fora do apartamento. Foi quando de repente a porta se abriu, revelando o rosto de Haruka.

- Princesa! - exclamou a jovem em alívio. - Graças a Deus que você está bem, sabíamos que não se deixaria ser capturada tão facilmente. -concluiu Haruka, puxando a loira para dentro da casa rapidamente.

Ir a procura das Others foi a melhor decisão tomada, conclui Serena, pois mal acabara de chegar ao apartamento deparou-se com todas reunidas a esperando.

- E então o que sabemos sobre este inimigo? - falou garota sem rodeios, tentando recuperar a confiança e postura de líder das Sailor que lhe foi atribuída e que tinha sido extremamente abalada diante de derrota tão esmagadora pelo inimigo.

- Bem Alteza... - Plutão começou incerta.

- Setsuna, não estamos no futuro portanto não precisa me tratar tão formalmente. - a loira fez uma leve careta diante de tanta formalidade. Enquanto as senshi eram suas melhores amigas, sempre dispostas a lhe puxarem a orelha e lhe darem conselhos, as others pareciam esquecer que antes de ser a princesa da Lua, ela ainda era uma adolescente como qualquer outra.

- Está bem, mas creio que isto não mudará a minha resposta, que é a de que não sabemos nada sobre o inimigo. - concluiu, lançando um olhar a Saturno que desde cedo estava prostrada diante da janela do apartamento, com um olhar distante em direção a cidade.

- Hotaru há algo errado? - indagou Serena ao notar a menina de cabelos curtos parada à janela.

- Que fumaça toda é aquela lá? - retrucou a jovem, apontando em direção a cidade e rapidamente as outras uniram-se a ela observar o local indicado pela garota.

- Aquilo não é uma fumaça comum. É um ataque! - Michiro soltou um suspiro frustrado. Outro ataque em um intervalo extremamente curto de tempo. Parecia que o inimigo não dava brecha e isto apenas atestava uma coisa: que ele era forte, forte o bastante para não precisar descansar nenhum segundo diante de suas investidas.

- Então o que estamos esperando? Vamos! - falou Serena, pegando o seu broche de transformação e gritando as palavras mágicas, preparando-se para mais um embate com extremo pesar.

Ao chegarem ao local do ataque a primeira coisa que as Sailor repararam é que a área, que um dia, elas supunham, fora um dos centros comerciais da cidade, estava praticamente destruída. Com cautela elas começaram a andar por entre os escombros a procura de algum ferido, sobrevivente, qualquer coisa, ao mesmo tempo em que observavam atentamente a sua volta para qualquer ataque inimigo.

- Não gosto deste silêncio. - murmurou Urano para uma Netuno que caminhava ao seu lado e terminava de desvirar um bloco de cimento caído no chão, apenas para atestar que as pessoas que estavam sob ele não tinha resistido a investida. - Posso sentir que algo está nos espreitando. -completou, a sensação de alguém as observando pelas costas faziam arrepios descer pela sua espinha.

Contudo mal acabara de concluir seus pensamentos quando algo surgiu dos escombros. E não era apenas um, eram vários. Milhares de demônios as cercavam.

- Uma emboscada! - gritou Saturno invocando sua alabarda e preparando-se para o combate.

Num instante tudo virou um caos desmedido e a cada demônio destruído pelas Sailors, mais deles surgiam, como se os restos mortais de cada um derrotado fosse capaz de gerar dois demônios novos.

- Mas o que é isto? - Sailor Moon exclamou assustada, recuando e pondo-se na defensiva ao ver-se completamente cercada.

- Parece que quanto mais atacamos, mais aparecem. - esclareceu Netuno, disparando mais um de seus ataques em vão, pois assim que a ameaça foi eliminada, mais apareceram. .

-Acho... que eles podem se regenerar. - Plutão respondeu, cortando o ar com a sua alabarda e partindo um dos adversários ao meio.

-Se é isto Plutão, o jeito é transformá-los em pó para que não tenham o que regenerar. - completou Urano

-É uma boa - retrucou Sailor Moon - mas acontece que eu já estou ficando sem forças. - murmurou cansada, a respiração ofegante e os braços doloridos de tanto mexerem e remexerem para disparar seus golpes.

- Pois então traga suas forças de volta porque aí vêm eles. - falou Urano apontando para os demônios que recomeçaram o ataque, pondo-se na defensiva pronta para receber o impacto de qualquer golpe que eles pudessem lançar. Viu a bola de energia do ataque deles vir em sua direção e prontamente preparou-se para o pior, começando a invocar seu próprio poder para contra atacar, quando um grito pareceu ribombar nos edifícios destruídos.

- TEMPESTADE ESTELAR!

Foi o que as Sailors ouviram antes do desaparecimento completo do inimigo.

- Mas... mas... mas quem foi que fez isto? - perguntou uma Sailor Moon incrédula ao ver que os youmas que antes lhes davam tanto trabalho agora não passavam de pilhas de poeira.

- Lá em cima! - gritou Saturno, apontando para o alto de um prédio onde uma silhoueta parecia esconder a luz do sol.

Todas olharam para o lugar apontado pela guerreira simplesmente para ver a figura de uma mulher com o uniforme semelhante aos delas e um cajado de aparência estranha em sua mão.

Num movimento repentino, a outra guerreira saltou do alto do prédio, pousando entre as Sailors que a observavam confusas. O uniforme dela era igual ao das outras senshi. A saia era dourada com uma listra branca na barra e o laço das costas também era dourado, diferente do que ficava no peito que era branco e sustentava um broche dourado no meio que possuía uma estrela no seu centro. Na tiara, na bota branca com uma faixa dourada no início do cano e que ia até o joelho e na gargantilha dourada havia uma pequena estrela. Seu longo cajado igualmente dourado tinha em uma das pontas uma meia lua desproporcional e em posição vertical e no centro da meia lua havia um círculo com uma estrela dentro. E no meio da estrela havia um cristal.

- Sailor Estelar. - sussurrou Plutão ao reconhecer a guerreira recém chegada.

A misteriosa senshi percorreu seu olhar azulado sobre todas as Sailor, parando o seu olhar em Sailor Moon e curvando-se logo em seguida em uma pequena reverência.

-Alteza. - disse polidamente para a loira na sua frente.

-O que faz aqui Estelar? - retrucou Plutão em um tom azedo, cruzando os braços sobre o peito e lançando um olhar gelado a menina.

- Salvo a sua vida e a primeira coisa que você diz é isso. Um obrigado cairia bem. - um sorriso extremamente largo brotou no rosto da garota. Um sorriso que estranhamente lembrou a Serena de alguém familiar.

- Quem te mandou aqui Estelar? - continuou Sailor Plutão, ignorando o comentário da jovem.

- Ela. - respondeu Estelar, apontando uma mão enluvada para Sailor Moon.

Sailor Plutão apenas cerrou em direção a Sailor Estelar. Algo na afirmação da recém chegada não se encaixava.

- Está querendo dizer que a Rainha a mandou. - Setsuna prosseguiu o interrogatório com um tom de descrença na voz. A Rainha jamais... Pensou contrariada, sabendo que a garota mentia e com certeza iria descobrir mais cedo ou mais tarde o porque.

- Isto mesmo. - respondeu a jovem, o sorriso intacto no rosto mesmo diante da expressão azeda de Plutão.

-Ei vocês duas! - interrompeu Urano. - Pode nos dizer o que está acontecendo?

-Me desculpe a grosseria. Sou Sailor Estelar, uma das guardiãs da Tóquio de Cristal.

- Guardiã da Tóquio de Cristal?! Então você veio do futuro? - perguntou Sailor Moon, relaxando um pouco ao ver que além de ser uma Sailor amiga, ela era conhecia de Plutão, o que garantia que não era uma ameaça. Com isto, a jovem revertou a sua transformação e as outros, seguindo seu exemplo e com os mesmos pensamentos que ela na cabeça, fizeram o mesmo.

- Isto mesmo. Mas quando não estou transformada sou chamada de Selene. - concluiu a menina, o sorriso ainda largo no rosto.

- É um lindo nome. - falou Serena, arregalando levemente os olhos ao ver que sem o glamour que acompanhava as Sailor por questão de proteção de identidade, a garota ainda sim era bela, e estranhamente familiar. Divergiu seu olhar de Setsuna para a menina e de volta a Setsuna, que encarava a jovem com uma expressão fechada, vendo que a postura de ambas era bem semelhante.

- Sim é um lindo nome. - retrucou Setsuna seca. - Porém vamos parar com a conversa porque precisamos sair daqui antes que aqueles youmas nos armem outra armadilha. - concluiu, virando-se rapidamente e saindo dali o mais rápido possível.


Sra. Tsukino andava impaciente pela sala em um o estado de nervos puro.

- Mas aonde aquela menina terá ido? - era a pergunta que ela se fazia a cada cinco minutos.

- Mamãe! Alguém em casa? - Serena chamou a entrar em casa, acompanhada por Selene que a seguia de perto.

-Serena! - exclamou a mulher num tom aliviado, indo correndo abraçar a filha que adentrava a casa e ignorando completamente a presença da outra jovem ao seu lado. - Onde você se meteu filha, por que saiu daquele jeito? E quem é esta menina? - falou Sra. Tsukino ao finalmente reparar na garota que estava ao lado de Serena. Ela tinha cabelos negros e lisos que iam até a cintura e os olhos eram claros de um belo tom de azul, além de aparentar ter no máximo quinze anos.

- Como vai senhora. Meu nome é Selene, muito prazer. - respondeu, fazendo uma reverência polida.

- Prazer. E quanto a você senhorita. - retrucou a Sra. Tsukino, voltando a sua atenção para Serena. - Por que sumiu daquele jeito? Por que você disse que não poderia ir embora?

-Acontece mãe... - murmurou Serena num tom incerto - é que tenho que ajudar as minhas amigas.

-Ajudar suas amigas? Em que? - Ikuko encarou a filha que desde que chegara mais cedo estava agindo de modo estranho.

- Preciso libertá-las das mãos deste ser que está atacando o nosso planeta. - respondeu a menina, desviando o olhar do rosto da mãe.

- O que? Elas foram seqüestradas. E você acha que pode ajudá-las? Quem você pensa que é? - Ikuko sacudiu a cabeça diante da inocência da filha. Ela tinha um coração puro demais e isso ainda lhe causaria problemas.

- Sailor Moon... - sussurrou a jovem com pesar. Serena havia decidido contar aos seus pais a verdade, pois não tinha certeza se voltaria da batalha que estava para enfrentar e não queria que a última lembrança que eles tivessem da filha fosse de uma menina desleixada e irresponsável. Queria que eles se orgulhassem dela, mesmo que nunca mais voltasse a vê-los.

- Sailor Moon! Você ficou louca! - a mulher segurou-se para não ter um ataque de risos histérico diante da besteira que ouvia.

- Deve ter ficado mamãe, como uma tonta como a Serena pode ser a Sailor Moon. - zombou Shingo e Serena apenas o olhou de esguelha com uma expressão séria no rosto e que não a deixava mentir.

- É verdade mamãe! As meninas e eu somos as famosas Sailor Senshi. - reiterou, vendo que apenas com palavras não conseguiria convencer a sua família. Viera apenas para despedir-se deles, contar-lhes a verdade para assim explicar os motivos de sua partida, mas não esperava que eles fossem tão incrédulos. Era tão difícil assim de acreditar que a chorona, medrosa, irresponsável, atrapalhada Serena Tsukino fosse a guerreira que lutava pelo amor e pela justiça? Se bem que, parando para pensar, depois de todas essas "qualidades" listadas, ela mesmo não acreditaria em si.

- Isto é impossível... - falou a mulher incrédula. Era totalmente inacreditável que a sua desajeitada filhinha fosse uma heroína. Mas, mesmo não sabendo porque, ela acreditava na garota. Porém seu marido e filho não demonstravam a mesma certeza e olhavam para a jovem com uma certa desconfiança. Olhar este que foi percebido por Serena.

- Vocês não acreditam?! Pois então eu vou provar. - restrucou a jovem irritada, pegando seu broche do bolso de sua roupa. - Moon Eternal Make Up! - gritou decidida, sentindo os primeiros traços da energia de transformação circundar seu corpo.

Na sua frente, a ua família possuía um ar confuso que aos poucos transformava-se em surpreso e chocado enquanto observavam Serena se transformar.

- Belo poder de persuasão Majestade. - Selene ironizou.

- Ma... Majestade?! - Ikuko falou ainda tentando recuperar o fôlego diante de tamanha revelação.

- Não me chame assim Selene. - retrucou Serena com as bochechas vermelhas ao final da transformação.

- Desculpe força do hábito. Mas pela cara dos seus pais, melhor eles ficarem sabendo deste rolo todo aos poucos... Sailor Moon. - brincou, apontando para a família Tsukino que não sabiam o que fazer, pois na sua frente não estava mais a menina desajeitada que eles criaram e conheciam desde o nascimento, mas a legendária heroína do Japão.

-Serena... Sailor Moon... filha, por que você não nos contou isto antes? - perguntou Ikuko com os olhos largos enquanto se aproximava da menina, estendendo um braço hesitante e tocando na ponta do laço que compunha o uniforme da guerreira, recuando a mão rapidamente como se tivesse levado um choque. Era informação demais para um dia só.

- Porque era arriscado. - falou uma nova voz que preencheu a sala. Ao procurarem pela origem da voz, perceberam que ela provinha de uma gata preta com sinal de lua crescente na testa, o que causou um novo choque à família de Serena.

- Eu sou Luna. Conselheira da Sailor Moon e da Rainha Serenity.

- Rainha Serenity?! - indagaram os Tsukino em unisso.

-Longa, muito longa história. - retrucou Selene.

- Se o inimigo soubesse quem era a família da Sailor Moon poderia colocar todos em risco. Além do mais como vocês reagiriam se soubessem que sua filha é uma guerreira.

- Seria bem legal! Afinal não é todo dia que a minha irmã tonta salva a Terra. - Shingo abriu um enorme sorriso, já se acostumando imensamente em ver a sua heroína favorita parada no meio da sala de estar.

- E se você soubesse que ela já morreu tentando salvar a Terra. - completou Luna num tom extremamente sério.

- Vo-você já morreu. - choramingou Ikuko só de pensar pelo que a sua garotinha já tinha passado. Agora que o susto de descobrir a verdade tinha esvaído, a realidade a atingia por completo. Serena era Sailor Moon, uma guerreira, uma heroína, uma mulher que arriscava a sua vida todos os dias por completos estranhos. Poderia ser nobre mas ela, como mãe, se soubesse disso mais cedo teria trancado a jovem em seu quarto e assim protegê-la pela eternidade. Ao ver o estado da mulher mais velha, Sailor Moon correu para confortá-la, enquanto lançava um olhar enviesado para Luna.

- Não foi nada de mais. Eu estou aqui não estou, foi por isso que não contei a verdade para não preocupar vocês. - consolava a jovem. - Luna você tinha que abrir seu focinho. - rosnou Serena para gata enquanto a sua mãe em prantos choravam em seu ombro.

- Gente está tudo muito bem, tudo muito bom, mas Ma... Perdão, Serena nós temos que ir salvar as outras Senshis. - Selene comentou, desviando o olhar da cena familiar a sua frente.

-Ela tem razão. Mamãe, papai procurem um lugar seguro para ficarem. Eu vou salvar minhas amigas. Prometo que tudo vai acabar bem. - sorriu para eles e segurou Selene pela cintura, enquanto Luna empoleirava-se em seu ombro, com um último sorriso por cima do ombro pra sua família, ela saiu de casa as pressas, rapidamente começando a usar os telhados das outras casas como caminho enquanto afastava-se mais e mais aos pulos da residência dos Tsukino.


As Others estavam reunidas na casa de Haruka e Michiro, esperando a chegada de Serena e Selene e enquanto aguardava, Setsuna percorria de um lado para o outro da sala, soltando um resmungo uma vez ou outra.

- Escute Setsuna, notei que você não foi muito com a cara daquela menina. O que há de errado com ela?

- Não há nada de errado com ela Haruka. Ela é simplesmente toda ERRADA. - resmungou a guerreira. - Sei muito bem que ela não está aqui a pedido da Rainha, alguma ela deve ter aprontado no futuro. E eu tenho certeza que ela está relacionada com a chegada destes novos inimigos. - falou Setsuna mais para si mesma do que para as outras, mas não baixo o suficiente para evitar que este comentário chegasse aos ouvidos de Haruka.

- Ela está relacionada com o inimigo?! - indagou Haruka. - Acha que ela é uma espiã Setsuna?

-Não! - afirmou a Guardiã do Tempo.

- Mas você fala de um jeito como se a conhecesse muito bem.

- E conheço, esta menina é o desastre em pessoa, deixa um rastro de caos por onde passa. É a Sailor mais irresponsável do Reino, a dor de cabeça dos soberanos. Não sei nem como ela conseguiu se transformar em uma Sailor. E sabe o que mais me irrita? É que por mais irresponsável que seja ainda sim...

- Meu Deus Setsuna, estou emocionada pela sua demonstração de afeto e admiração. - zombou Selene que acabara de chegar acompanhada por Serena, interrompendo o discurso da mulher e lançando a ela um olhar de aviso. Não era seguro as senshis saberem tanto sobre o futuro. Ela como guardiã do tempo deveria saber isto melhor que todo mundo.

- Pois digo que cada palavra proferida anteriormente por mim é verdadeira. - rebateu irritada, cruzando os braços sobre o peito.

- Nossa! Para Setsuna perder a paciência desta maneira,é porque esta garota deve ser realmente um caos. - sussurrou Hotaru ao ouvido de Michiro que apenas achava graça da situação.

-Eerr... - interrompeu Serena. - Vamos parar com esta discussão, nós estamos aqui com um objetivo: descobrir quem é o inimigo e o que ele quer.

- Se você quer descobrir isto por que não pergunta para esta daí? - apontou Setsuna para Selene. - Se ela está aqui como ela diz "a pedido da Rainha" ela deve saber o que está nos atacando.

- Não é que eu sei mesmo. - provocou Selene de volta e Setsuna apenas soltou um muxoxo, cruzou os braços e sentou-se no sofá pronta para ouvir a história. - Bem gente, este novo inimigo veio do futuro, mais especificamente do meu tempo. Ele é um Pirata Espacial que ataca planetas, transforma a população em escravos e os vende no mercado negro espacial, depois é claro de vender o planeta atacado.

- Mas que horror. - Serena falou admirada, os olhos largos já imaginando os horrores que a população da Terra iria sofrer se ela não fizesse algo.

- Continuando. Bem, quando ele chegou na Terra viu que não seria fácil dominá-la por causa das Sailors e da Rainha. E eu não sei como ele ficou sabendo sobre os portais do tempo. - Selene deu de ombros ao contar esta parte.

- Mas se o inimigo é tão poderoso assim como parece por que ele viajou no tempo para nos atacar? - interrompeu Hotaru.

- Simples, o inimigo é poderoso para as Sailors Senshis desta época. No futuro vocês são muito mais fortes do que são hoje, principalmente a Rainha e o Rei.

- Você está querendo dizer que este ser viajou no tempo apenas para nos derrotar. - murmurou Serena para a menina.

- Bingo Majestade!

- É mas a pergunta que fica no ar agora é: como eles conseguiram passar pelos portões do tempo? Eu sei que nunca permitiria isto.

- Realmente, mas nem todo mundo é perfeito. Principalmente a Guardiã do Tempo, não é mesmo? - disse Selene num tom de escárnio, lançando um olhar zombeteiro a uma enfesada Sestuna.

- Mas se ele quer nos destruir, por que ele seqüestrou minhas amigas e o Darien?

- Porque ele precisa de soldados. Ele também captura os guerreiros do planeta em questão para os tornarem seus soldados.

- Lutar contra os meus amigos como naquela vez que lutamos contra Galáxia? Eu não vou agüentar, temos que descobrir onde eles estão. -choramingou Serena, sendo consolada por Hotaru.

- Talvez você descubra o esconderijo dele mais cedo do que imagina. - Michiro falou enquanto olhava pela varanda para uma estranha visão que surgiu no céu de Tokyo.

"SAILOR MOON!" foi a voz que ecoou pela cidade, chamando a atenção de todos que ainda estavam nela, inclusive as guerreiras.

"Tenho uma proposta para lhe fazer, que tal fazermos uma troca? Devolvo-lhe todas as suas amigas e como retribuição você se alia a mim. Sei que você é a mais poderosa, ainda porque você tem a posse do Cristal de Prata. Prometa que você vai pensar com carinho no assunto, afinal eu sou um negociador." o discurso encerrou-se com um grande brilho prateado e o desaparecimento da sombra da misteriosa figura de surgiu sobre a cidade.

- E agora Luna o que eu faço?

- É arriscado Serena. Não podemos confiar na palavra de um sujeito que está nos atacando. - aconselhou a gata, tentando bolar a melhor maneira de lidar com essa nova ameaça antes que fosse tarde demais.


- Senhor acha que ela aceitará o acordo?

- Porque não. A poderosa Sailor Moon em troca destes cinco palermas. Se eu conseguir me aliar à futura Rainha Serenity, serei o soberano do mais poderoso reino do universo.

- Mas senhor pelo que me parece aquele homem que o senhor capturou junto com as outras Senshis é o futuro Rei Endymion. Irá mantê-lo vivo? Ele pode atrapalhar os seus propósitos.

- Eu sei mas por enquanto o manterei vivo. Afinal ele pode ser útil meu caro Troy.

- Sim senhor Kolie.


As Sailors corriam pelas ruas desertas da cidade. Indo de encontro à espaçonave que flutuava tranqüila nos céus sobre Tokyo.

- Tem certeza que esta é a nave dele Estelar? - Sailor Moon mirou a mostruosa espaçonave e sentiu um arrepio percorrer o seu corpo.

- Claro que sim, afinal não é todo dia que uma coisa deste tamanho aterrissa na cidade. - respondeu como se esta fosse a coisa mais óbvia do mundo.

"Sailor Moon." anunciou uma voz vinda de dentro da nave. "Fico feliz que tenha vindo minha cara. Vejo que já se decidiu em relação ao acordo. E então irá aliar-se a mim?"

- Primeiro eu quero ver meus amigos, depois eu dou a resposta. - retrucou a garota apreensiva.

"Se assim você deseja, cá estão eles."

Uma esfera de energia muito luminosa e que cegou todas as Sailors desceu vagarosamente de dentro da nave e trazia em seu interior cinco corpos inconscientes.

- Darien! Meninas! - gritou Sailor Moon ao ver o seus amigos e pôs-se correr em direção a eles para socorrê-los. As outras senshis ainda tentaram impedi-la de cometer esta imprudência, visto que poderia ser uma armadilha, mas prontamente foram cercadas por soldados inimigos e quando Serena deu por si, também viu-se cercada por vários youmas.

"Acordo é acordo Sailor Moon. Eu já fiz a minha parte, agora faça a sua."

-Sailor Moon! - Saturno e Estelar gritaram ao mesmo tempo, já materializando as suas armas e partindo para o ataque. Porém antes que elas conseguissem acertar o primeiro youma eles desapareceram levando consigo a guerreira da lua. Estelar olhou para a nave que começou a mexer-se, pronta para partir, e sem pensar duas vezes girou o seu cetro nas mãos e o posicionou acima da cabeça mirando diretamente para a nave.

- Ah você não vai fugir não! TEMPESTADE ESTELAR! - uma bola de energia dourada saiu da ponta do cetro e dirigiu-se em direção a nave que partia. Entretanto por mais poderoso que fosse o golpe, não conseguiu causar danos o suficiente na máquina para impedir a sua fuga, visto que a distância tinha diminuído o poder do impacto. - Mas que merda! - rosnou Estelar indignada ao ver seu ataque não surtir nenhum efeito e cravou seu cetro no chão, pensando que agora elas estavam com um tremendo problema.

Continua...