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– Edward. – ela sussurrou, agarrando meu cabelo enquanto minha boca descia por seu pescoço. Ela estremeceu levemente, e eu soube que estava fazendo a coisa certa.

– Edward? – arfou o meu nome mais uma vez. Me reposicionei no estreito sofá, para onde tínhamos migrado há alguns minutos e alcancei sua clavícula com meus lábios. Ela fechou seu aperto em minhas mechas quando arranhei meus dentes levemente sobre a pele fina.

– Edward... – Caramba, eu devia ser muito bom mesmo, já que ela simplesmente não conseguia deixar de chamar meu nome. Sorri, sentindo-me presunçoso.

Dessa vez, no entanto, Bella deu um puxão na parte de trás do meu cabelo, trazendo meu rosto de volta para o dela. Inclinei-me novamente para tomar os seus doces, carnudos e perfeitos lábios, como eu havia provado por mim mesmo, incessantemente, nos últimos minutos.

– A gente precisa parar. – disse ela.

E eu parei.

Congelei, na verdade, reparando pela primeira vez na nossa posição. Será que eu tinha feito alguma coisa errada? Eu estava entre suas pernas, que se encontravam firmemente envoltas em torno do meu quadril. Merda, com certeza Bella estava sentindo o quão feliz eu me sentia, roçando-me bem no centro de suas pernas.

– Estou indo muito rápido, não é? – falei, me afastando de seu corpo e me apoiando sobre os braços. – Me desculpe, eu acho que me empolguei demais, e-

– Não, não é isso. – ela apressadamente me cortou, puxando-me de volta para deitar contra seu corpo.

– É só que daqui a pouco a máquina de neve vai passar pela rua, e temos que ir para o almoço dos seus pais. – explicou Bella, acariciando o local onde havia puxado meu couro cabeludo.

Máquina? Almoço? Meu cérebro anuviado por outros assuntos mais importantes – como por exemplo, Bella quente e receptiva sob mim – não conseguiu processar de imediato suas palavras. Só quando ouvi ao longe o barulho estrondoso de um motor contínuo, foi que me lembrei do que se tratava.

– Ah, sim. Claro... – respondi abobalhado. Eu tinha me perdido tanto naquele momento com ela que sequer tinha reparado na poluição sonora vinda da rua. Era, definitivamente, uma novidade para mim estar avoado, como eu ficava junto a Bella.

– Pois é. – ela riu de leve ao ouvir minha fala desnorteada. – Eu vou tomar um banho primeiro, está bem?

Assenti a cabeça, embora internamente eu só pensasse em como um banho cairia bem agora, ainda mais na companhia de Bella. Ela beijou-me mais uma vez, brevemente, e nos desvencilhamos. Bella levantou do sofá e eu me sentei. Rapidamente, busquei uma das almofadas para colocar sobre meu colo, apenas para evitar qualquer situação potencialmente embaraçosa.

– Ei. – ela chamou. – Não precisa se esconder de mim. – falou, e piscou um olho antes de subir as escadas. Soltei um longo suspiro. Eu realmente parecia um adolescente inexperiente.

A verdade era que essa era uma situação incomum para mim, e como todas as vezes, eu tendia a ficar um tanto vulnerável com novas experiências. Quer dizer, eu já tinha saído para bares e ficado com mulheres aleatórias em algumas noites, porém eu jamais havia passado uma noite e uma manhã – ainda mais de Natal – simplesmente conhecendo, da forma mais casta e pura, uma garota como Bella. Eu certamente havia descoberto muito mais coisas sobre ela, nesse intervalo curto de tempo, do que cheguei a descobrir sobre uma ex-quase-namorada. E eu sentia a necessidade de levar isso devagar, de deixar Bella à vontade.

Ouvi a água correndo lá em cima no banheiro, e apertei a almofada contra mim, respirando fundo para tentar me acalmar e não pensar em como Bella, nesse momento, estaria se despindo lentamente, seu cabelo longo batendo contra suas costas nuas e macias, suas mechas escuras roçando nas pontas de seus seios… Estremeci com o pensamento, e bufei a minha tensão para fora. Era só o que eu podia fazer.

– Edward? – de repente sua voz suave me chamou, alarmando-me. Sentei mais ereto no sofá.

– Algum problema? – perguntei. Vi suas pernas nuas através das ripas da bancada no topo da escada, sem conseguir ver seu corpo inteiro.

– Eu acho que... bem, eu... - começou a falar hesitante, como se ainda estivesse avaliando suas palavras. Estava aflito para que ela terminasse a frase.

– Acho que preferia que você estivesse aqui? – ela disse duvidosa, soando tão acanhada, que mal parecia a moça atrevida que me desafiara no mercado, horas atrás.

– Você tem certeza? – inquiri, levantando do sofá e parando no primeiro degrau. Bella estava envolta em uma toalha branca, com seu cabelo preso num coque desleixado e parecia adorável. Ela assentiu a cabeça para a minha pergunta e logo em seguida, eu subi as escadas até ela.

Eu estava decidido a aproveitar o máximo de tempo que eu tivesse com Bella.

– Quer dizer, eu acho que ambos precisamos apenas relaxar e curtir… – ela deixou as palavras perdurarem no ar, e eu concordei ao perceber que ela pretendia que as coisas entre nós fluíssem naturalmente, sem pressa.

Podia parecer estranho, e se qualquer um dos meus amigos de Chicago me ouvissem pensando isso, certamente me chamariam de viadinho, mas o fato era que eu sentia algo dentro de mim que dizia "vá com calma com Bella". Eu só esperava que tivéssemos tempo suficiente para fazer muitas outras coisas depois.

– Posso emprestar uma meia limpa do meu pai, se não se importar? – ela falou, me vendo tirar minha meia encardida da neve e das botas, antes de entrar no banheiro. Assenti a cabeça, concordando.

O banheiro não era enorme, mas era em ordem. Assim que entrei, notei que Bella não havia enchido a banheira, mas sim ligado o chuveiro. É claro que uma pontada de decepção repentina me atingiu, inevitavelmente. Mas segui em frente e parei no meio do cômodo, esperando que Bella desse o próximo passo.

– Tem certeza que não tem perigo de o seu pai aparecer por agora? – questionei, só para poder me tranqüilizar.

– Tenho. Ele está do outro lado da cidade e, com essas condições de estrada, só vai aparecer por aqui no final da tarde.

Bella passou pela minha frente e tirou a toalha que a envolvia antes de entrar no box. Ela não teve pressa, e eu não contive nem meu olhar, muito menos meu coração, que deu um pulo ao ver a parte de trás de seu corpo nu. Antes que eu pudesse me controlar, senti meu sangue correndo direto para a região ao sul do meu corpo - o que foi inevitável devido a grata surpresa de encontrar em suas costas aquela que era, talvez, a tatuagem mais sexy que eu já vira em uma mulher. Os fios que soltavam-se de seu coque completavam o quadro.

– E aí, não vai entrar? – ela perguntou já debaixo do chuveiro. Eu suspirei uma vez e tirei minha camisa de manga comprida, a calça e a cueca. Ainda bem que eu não estava com aquela cueca furada que eu tinha pensado em colocar quando me vesti ontem.

Quando abri a porta do box, Bella já estava passando o xampu em seu cabelo, de olhos fechados. Quando o vapor do chuveiro se dissipou, permiti que os meus olhos vagassem por seu corpo, e a apreciei.

Eu poderia dizer que ela era gostosa– afinal, realmente era; mas tinha algo de menos superficial nela, uma beleza cativante e sensual. Quando voltei a olhar seu rosto, ela já estava de olhos abertos, um traço de sorriso sapeca brincando em seus lábios.

– Oi. – falou.

– Oi. – respondi, e ambos soltamos nossas risadas, achando graça do momento exageradamente tenso que tínhamos criado. Foi bom para aliviar.

Bella me puxou para perto, colocando-me sob a ducha quente. Eu fechei os olhos para aproveitar a sensação quando ela subiu suas mãos por meus braços até chegar aos ombros.

– Você está tenso. Acho que dormir no sofá não foi muito bom. – comentou Bella e deixou um beijou no meu ombro esquerdo. – Se eu tivesse mais tempo, faria uma massagem.

Mas a gente deixa pra próxima.

Piscando para mim, ela terminou de enxaguar seu cabelo. Me perguntava como eu devia aparentar estar agora, salivando ao olhar seus firmes seios e a forma como a água e as bolhas escorriam por eles; certamente eu parecia um cachorro babão. Bella pegou meu olhar furtivo e eu desviei rapidamente, de repente achando bastante interessante o padrão de azulejos do banheiro.

– Pode olhar, eu não me incomodo. – chamou ela, e eu retornei minha atenção ao seu rosto. Os próprios olhos de Bella desceram por mim, e quando voltou a me fitar, ela sorriu provocante. – Muito pelo contrário.

Suas palavras deixaram transparecer a sua auto-confiança que eu já tinha conhecido antes. Bella me entregou o sabonete para que eu usasse enquanto ela terminava de lavar o cabelo, e eu o passei pelo meu torso e braços. Ela ficou assistindo o tempo todo também - acho que não era necessário dizer o quanto excitado eu estava por ver Bella me olhando daquele jeito desejoso e atrevido.

Entrei sob o chuveiro para me enxaguar, trocando nossas posições. Quando Bella se virou, fiz a pergunta que havia me intrigado antes.

– O que é isso? – apontei para a tatuagem. Ela sorriu.

– Flores de cerejeira. Fiz no Japão quando participei da final de um campeonato de fotografias lá. – falou, virando-se para que eu pudesse observar melhor; o desenho cobria grande parte da lateral esquerda de suas costas, indo da lombar até o ombro.

– É linda. – comentei. Não pude evitar que minha mão estendesse para tocar as flores tão delicadamente desenhadas em sua pele. – Muito linda.

Acariciei sua costela, subindo por seu braço até chegar a seu rosto. De repente, eu não estava mais falando apenas da figura tatuada em seu corpo. Bella era incrível. Diferente de todas as mulheres com quem eu já tinha ficado. Seu corpo era delicado e aparentemente frágil, mas eu via sua força interior em cada movimento – ela era uma mulher decidida, sabia o que queria, e isso estava nítido em seus gestos, o que me deixava ainda mais excitado. O corpo dela não era esculpido por horas de academia, mas tinha curvas suaves e seios apetitosos que com certeza caberiam perfeitamente em minhas mãos e, principalmente, em minha boca.

Senti o impulso de provar seus lábios mais uma vez e me inclinei, capturando sua boca e recebendo um arfar de surpresa de Bella. Esperei por um segundo que ela relutasse, mas pelo contrário, Bella guardou o sabonete que eu segurava e empurrou meu peito até que eu sentisse minhas costas encostando contra a parede fria. Estremeci com o contraste – seu corpo acalorado imprensado no meu e os azulejos gelados do box. Bella retribuiu o beijo com fervor e muita vontade.

E então, ela fez o que eu menos podia esperar, e o que eu mais ardemente desejava.

– Ungh, Bella. – grunhi quando sua mão envolveu o meu pau. Puta merda, eu adorava ser surpreendido por essa mulher.

Enterrei minhas mãos em seu cabelo molhado enquanto aprofundava nosso beijo, sua língua dançando sensualmente contra a minha e eu suguei seus lábios com ânsia. Gemi e arfei contra sua boca enquanto ela movia sua pequena mão em um vai e vem sobre mim, aumentando a velocidade e intensidade com cada passada, magistralmente firmando seu aperto nos lugares certos. Meus quadris iam de encontro a ela, ávidos por mais fricção.

Bella acariciou meu abdome com sua outra mão e desceu para se encontrar com sua mão direita, antes de provocar minhas bolas. Gemi alto quando seus lábios desgrudaram-se dos meus e ela os desceu por meu pescoço por um momento, antes de retornar à minha boca.

Não demorou muito até que eu explodisse em suas duas mãos, que em sincronia foram capazes de me tirar do chão em menos de dois minutos. Cacete, essa foi rápida. Eu realmente parecia um adolescente inexperiente.

Esperei minha respiração regularizar enquanto Bella soltava beijos espalhados pelo meu queixo, pescoço e peitoral, arrastando sua boca aqui e ali. Quando me senti recuperado o bastante, escorreguei minhas mãos por sua cintura até seus quadris.

– Posso? – perguntei, apertando levemente sua bunda. Ela mordeu o lábio inferior e assentiu. Desse jeito, com olhos profundos, gotas escorrendo por sua boca, e a pele alva corada pelo chuveiro quente e a excitação, Bella parecia extremamente sexy. Eu queria retribuir meu prazer da mesma forma.

Desta vez, inverti nossa posição e eu a coloquei contra a parede, rapidamente sugando as gotas que escorriam de seus lábios para seu pescoço. Minha mão alcançou seu sexo quente e eu adorei sentir e ouvir sua satisfação, quando ela arfou em meu ouvido. Meus lábios desceram até seus seios e não reprimi a vontade de sentir os bicos rosados e endurecidos em minha língua. Bella gemeu quando envolvi um mamilo com minha boca, sugando, mordiscando e provando o doce da água e de sua pele. Fiz o mesmo com o lado esquerdo enquanto acariciava o seio abandonado com minha mão livre, sem parar de massagear firmemente seu clitóris com a outra mão.

Bella agarrou meu cabelo, afastando ligeiramente suas pernas quando deslizei dois dedos para dentro dela. Era inacreditável o quão quente ela era, e o quão molhada ela estava - muito além da água que caía sobre nós. A sensação era maravilhosa. Usei meu dedão para continuar a acariciar seu nervo em círculos calculados.

Tão logo, ela se dissolveu em meus braços em seu clímax, arfando e dizendo meu nome em um tom baixo e quase tímido. Voltei a sugar sua nuca, ainda sentindo Bella por dentro envolvendo meus dedos com força. Ela entrelaçou sua mão em meu cabelos enquanto recuperava sua respiração.

Nosso banho não demorou para acabar depois disso, mesmo tendo roubado uns beijos enquanto acabávamos de nos banhar.

Já passava da uma da tarde quando terminamos de nos arrumar, e eu coloquei as roupas de ontem e as meias do pai de Bella. E sim, nenhuma cueca; por sorte, não estava mais tão frio ou nevando. Agradeci ao menino Jesus mais uma vez por esse pequeno milagre de Natal.

Ao terminar de colocar minhas roupas, desci para sentar no sofá, dando-lhe mais privacidade em seu quarto. Mais rápido do que pensei, ouvi o som de seu secador de cabelos cessar, indicando que ela havia terminado.

– Acha que está bom assim? – Bella me perguntou quando saiu do quarto vestida com um jeans colado e uma camisa de botão estampada.

– Está linda. – falei com sinceridade. Ela desceu as escadas com um par de botas pretas na mão, sentou-se no primeiro degrau e as colocou. As botas eram de salto e faziam suas pernas parecerem centímetros mais longas. Depois de pegarmos nossos casacos, luvas e cachecóis para sair, Bella me parou em frente a porta, segurando minha mão. A sua estava gelada.

– Edward, eu só queria dizer duas coisas. – ela começou a falar, parecendo nervosa. Seu tom já me fez ficar apreensivo e senti um ápice de adrenalina por meu corpo; era uma reação que eu tinha sempre que vinham com essa de "tenho uma coisa pra te falar". Meneei a cabeça para que ela continuasse.

– A primeira é que essa situação é completamente inusitada pra mim. Quer dizer, eu mal te conheci e já vou me meter no almoço de Natal da família. – disse com os olhos cheios de insegurança. – Não quero parecer uma intrusa. Só aceitei o convite porque... bem, porque eu realmente estou a fim de passar mais um tempo com você e sabe-se lá quando eu vou voltar a te ver.

– Você tem algum compromisso, algum trabalho marcado? – perguntei, e o pensamento que não havia tido antes me ocorreu: Bella morava em Forks e eu em Chicago. Eu, definitivamente, estava bastante interessado nela e queria conhecê-la melhor. Alguma coisa tinha que dar errado nessa equação. Como sempre na minha vida.

– Não, eu não. Mas você deve ter que voltar pra sua faculdade, não é?

– É. Mas só daqui a duas semanas. Temos bastante tempo. – falei, apertando suas mãos e as esquentando. – A não ser que você não queria...

– Não! Claro que não. Quer dizer, sim, eu quero. – eu sorri de seu afobamento com as palavras e me inclinei para beijar levemente sua boca, tentando acalmá-la.

– E qual era a outra coisa que queria me dizer? – indaguei ao me afastar.

– Que estou muito grata por você me providenciar comida de Natal. – falou. Em seguida, seu estômago roncou alto e ambos rimos. – E vamos logo, pois estou morrendo de fome!

Felizmente, a rua de sua casa já estava livre da neve que caíra na tempestade à noite. O maior desafio agora seria a estrada e o caminho até a casa dos meus pais, que ficava entranhada na mata. As pistas estavam escorregadias, a polícia do trânsito abria passagem nas pistas principais, e era possível ver os estragos nos carros que haviam ficado parados no meio da rua, completamente encobertos pela neve. Assim que lembrei da caminhonete de Bella, ela verbalizou o que eu pensava.

– Minha pobre Ruth deve ter virado picolé a essa altura. Será que deu perda total? – indagou com a voz chateada.

– Você quer passar lá pra ver? A gente pode tentar chamar o guincho hoje.

– Não, eu liguei e pedi pro meu pai mandar alguém pra ver como ela está. Devem levar de volta pra minha garagem daqui a pouco.

– Ah, os privilégios de ser filha do chefe de polícia da cidade... – provoquei, sorrindo para Bella. Ela gargalhou e rolou os olhos.

– Como se não fosse muito melhor ser filho do diretor do hospital de Forks. Saiba que só estou aqui agora por causa disso.

– Como assim?

– Não lembra que meu pai só ficou tranquilo ao saber que você dormiria lá em casa quando disse de quem você era filho, e nem se importou que você fosse um estranho pra mim? – ela explicou e eu assenti a cabeça.

– Agora estou até me sentindo mal por não convidá-lo para o almoço também. Será que ele não consegue escapar e dar uma passada lá em casa? – perguntei, afinal, era o mínimo que eu podia fazer para ser educado.

– Não. Ele está bastante atolado na delegacia. Literalmente. – ela riu.

Com mais tempo do que normalmente levaríamos, conseguimos chegar sãs e salvos na casa da Família Cullen. Estacionando atrás da Hilux de Emmett, caminhamos o pequeno trecho até a porta. Bella cambaleou duas vezes no percurso devido a guerra entre suas botas de salto e a neve do chão. Eu me segurei para não rir, mas obviamente não consegui me conter.

– Ei, pare de rir de mim! Só coloquei esse salto pra ficar apresentável pra sua família, ok? – ela falou, indignada.

– Aprecio o sentimento. Mas não esquente a cabeça. Minha mãe é a pessoa que menos se importa com esse tipo de coisa.

– Ela não liga pra aparências? Bom saber.

– Não é bem isso. Quer dizer, você vai ver com seus próprios olhos. Minha mãe é um tanto… excêntrica. – falei e Bella me olhou levemente amedrontada.

Quase sempre essa era uma reação parecida quando meus amigos conheciam Esme, e principalmente quando entravam em sua casa repleta de apetrechos "místicos". A única menina a quem eu já tive um interesse romântico e levei para conhecer meus pais, saiu de lá assustada ao conhecer a cigana de estimação da minha mãe. Ela jurava que a boneca tinha criado vida e olhado para ela, amaldiçoando-a.

Antes mesmo de tocar a campainha, ouvi as risadas de Matt e do meu pai, que certamente devia estar perdendo seu fôlego ao perseguir o neto pela casa, como eles adoravam fazer. Toquei e esperei até que Rosalie a abriu.

– Ué, por quê tocou a campainha? – perguntou ela antes de reparar em Bella e sorrir para mim, com uma cara de que havia entendido tudo. Tinha achado melhor não deixar Bella mais desconfortável do que aparentava estar, caso entrássemos sem sermos anunciados. Em todo caso, eu havia ligado avisando que levaria uma convidada, portanto a presença dela não era inesperada.

– Rosalie, essa é Bella. Rose é esposa do meu irmão Emmett. – falei, e ambas estenderam suas mãos para se cumprimentar.

– Feliz Natal, Rosalie. – ela disse, sorrindo gentilmente.

– Feliz Natal. – enquanto Rose falava, Emmett apareceu por trás dela.

– Esse é Emmett, meu irmão mais velho. Essa é Bella Swan. – falei entre os dois, e meu irmão deu-lhe um aperto de mão, trocando votos de bom natal com Bella. Quando ela se virou, Emmett fez um sinal de positivo e piscou um olho para mim, como se a aprovasse.Babaca.

– Oh, você deve ser a amiga que Eddie falou! Como vai, querida? – minha mãe apareceu no hall de entrada de repente e puxou Bella para um brusco abraço. Bella pareceu alarmada por um instante, mas se deixou ser acarinhada pela minha mãe. Eu rolei os olhos para a excessiva efusividade dela, sempre presente mesmo para com quem tinha acabado de conhecer.

– O nome dela é Bella Swan, mãe. Filha do Chefe Swan da polícia, você já deve ter ouvido falar nele, talvez? – expliquei enquanto caminhávamos para a sala de estar. O local ultra-decorado com motivos natalinos tocava músicas atípicas de natal - os blues que meu pai tanto amava - e a sala tinha o mesmo cheiro característico desse dia desde quando eu era pequeno; uma mistura reconfortante e agradável de canela, lenha e algo discretamente doce.

– Sim, o chefe é um velho amigo. E a menina Bella realmente é mesmo bela. – ela riu de sua piadinha. – De longe eu já sinto uma ótima energia em você, querida, alguém já te contou o quanto sua aura é clara?

Enquanto minha mãe explicava a Bella as funções de uma aura límpida, pedi licença para ir trocar a roupa de ontem que ainda vestia e subi para colocar uma limpa. Desci rapidamente, interrompendo minha mãe, que não havia parado de tagarelar um minuto.

– Mãe, acho melhor deixarmos isso pra mais tarde, não é? Tenho certeza que estão todos famintos. – falei antes que ela começasse a fazer contas para saber se Bella e eu éramos de signos compatíveis e almas gêmeas eternas ou, pior, dar dicas de sexo tântrico a ela.

– Oh, mas é claro. Aquele pequenininho já está fazendo arte pela casa. Seu pai não parou quieto um minuto desde que acordou. Está só brincando com ele.

Ao dizer isso, o pequenino em questão deixou sua presença ser anunciada com os sons altos de passinhos que percorreram a porta dos fundos da cozinha e chegaram até a entrada na sala, parando ao lado do sofá.

Com a testa suada e arfante, Matthew veio ao meu encontro com um grande sorriso, mas diminuiu sua empolgação quando reparou na visitante nova da casa; seu rosto brilhou de curiosidade e timidez. Me ajoelhei em frente a ele para falar.

– E aí, meu chapa. – estendi meu punho fechado para que ele batesse com o dele, fazendo o nosso aperto de mão estilizado. Tinha sido Matt que ensinara aquilo pra mim, e sabe-se lá de onde ele tirou a idéia.

– Demorou pra chegar, hein, seu Cara de Ferrugem. – ele disse após colidir de leve seu pequeno punho contra o meu. – Cadê meu presente que você prometeu?

– Ih, que menino mais mal educado. Não vai dar Feliz Natal pro seu tio preferido, não? – ralhei de brincadeira, e meus dedos colocaram-se a postos para fazerem cócegas nas laterais de seu corpo. Ele sacudiu a cabeça rapidamente, prendendo o riso.

– Não? Ah, você vai ver só uma coisa. – eu disse e ataquei-o com meus dedos. Suas risadas altas e incontroláveis traziam uma sensação de calor ao meu coração. Todos os presentes a nossa volta riram até eu declarar trégua e envolver meu sobrinho em um abraço.

Matt respondeu prontamente, me desejando Feliz Natal e me dizendo que eu tinha perdido a passagem do Papai Noel - mas que, apesar disso, eu não deveria esquentar a cabeça pois ele havia se assegurado de guardar para mim o meu presente. É claro.

– Obrigada, Matt. Eu trouxe um presentinho pra você sim, mas é pra gente dividir. – ele arregalou os olhos de expectativa. Levantei a sacola de papel que carregava os M&M's que havia comprado ontem e completei. – É doce, colorido, redondo e vem um montão deles. Mas é segredo, não conta pra sua mãe.

Ele abriu a boca para falar alguma coisa, porém lembrei-lhe que era segredo murmurando um "shh". Matt assentiu a cabeça, e em seguida meu pai deu um passo a frente para cumprimentar a Bella.

– Bella Swan, que bom encontrar com você fora de um pronto-socorro. Não tem nenhum arranhão agora, tem? – o Dr. Carlisle brincou, sorrindo e sacudindo a mão de Bella. Ela corou como um pimentão e por impulso, repreendi meu pai mentalmente por fazê-la sentir constrangimento diante de toda minha família.

– Não. Seu filho cuidou muito bem de mim. – falou, seus olhos focando nos meus brevemente. E foi inevitável ter lembranças do banho que compartilhamos há pouco tempo atrás. Como sempre, você tem esses pensamentos inapropriados para certas ocasiões, Edward. – Feliz Natal.

– Feliz Natal, Bella. O seu pai, como está? Da última vez que nos encontramos, ele me contou da cirurgia no joelho. – meu pai perguntou. Ele, assim como Matt, estava com cara de quem havia corrido uma maratona, os cabelos uma bagunça e o rosto em vermelho vivo. Embora estivesse ainda abaixo de zero lá fora, correr no quintal atrás de seu neto, uma bolinha de energia, sempre era exaustivo.

– Tio Ed? – Matt chamou-me timidamente enquanto Bella e meu pai trocavam palavras como velhos conhecidos. Virei meu rosto para dar atenção a ele.

– Será que agora a gente já pode comer? Já tô com uma lombriga de fome! – ele exclamou quando a sala ficara em silêncio novamente, e todos rimos da sua sinceridade infantil.

– Bom, já que estamos todos reunidos, acho que podemos finalmente almoçar. Vou subir para me lavar, mas podem ir sentando à mesa. Esme, meu amor, guie nossa convidada especial, por favor? – meu pai pediu.

Ela aquiesceu. – Claro, benzinho. Bella, o banheiro é a segunda porta a direita, ao final daquele corredor, se quiser usá-lo. Vou colocar essa torta que eu pensei que nunca fosse chegar para assar, antes que estrague. – minha mãe falou olhando apontadamente para mim, de onde eu ainda estava agachado. Emmett foi a cozinha para ajudar, mas Rosalie ficou.

– Vamos lá lavar essas mãos e esse rosto, Matt. Eu falei que não era pra ficar correndo na neve. Se ficar doente, quem vai cuidar de você vai ser o seu pai, que permitiu isso!

– Rose, deixa o menino ser criança. – reclamei, achando seu zelo materno um pouco severo demais. Era tarde de Natal, afinal. Quer dizer, não que eu próprio tivesse o costume de curtir esse dia, mas tenho certeza que depois dessa manhã com Bella, alguma coisa tinha mudado meu humor natalino, e eu sentia isso. Algumas coisas pareciam mais leves e calorosas no dia de hoje.

– Você sabe do histórico de bronquite dele, Edward. Ficar correndo desse jeito e pegar essa friagem? Está errado.

– Bem, se lembre que era o meu pai, um médico, que estava brincando com ele. Deixa de ser chata, vai. Não tem problema nenhum. – falei. Rose bufou, mas calou-se, andando para pegar a mão de seu filho. Eu poderia ter mencionado a ela o quanto eu mesmo estava bem após ter corrido, horas antes, com Bella na neve, mas achei melhor deixar essa memória para ser guardada apenas por nós dois.

Antes que Rose pudesse fazer com que Matt saísse do lugar, ele puxou a manga da minha jaqueta e se inclinou para sussurrar no meu ouvido.

– Tio, essa moça é que é sua namorada secreta? – olhei para ele, dando uma pequena risada. – O papai falou ontem que você tinha ficado na casa dela por causa daquele monte de neve que caiu e vocês ficaram brincando de casinha, e ele disse também que o Papai Noel nem conseguiu passar lá na casa dela.

Eu ouvi Bella abafando suas risadas atrás de mim, tendo prestado atenção a tudo que o sussurro muito alto de Matt havia dito.

– Não, ela é uma amiga. Bella, venha cá conhecer o Matthew. – falei, virando-me para ela. – Essa é a Bella, Matt.

– Feliz Natal, Matt. – ela se abaixou e beijou sua bochecha, sorrindo amplamente. Meu sobrinho estendeu a mão para que ela a sacudisse, claramente copiando os adultos.

– Feliz Natal, Bella. Sinto muito pelo Papai Noel não ter conseguido entrar na sua casa.

– Sem problemas, tenho certeza que ele vai passar enquanto eu estiver fora. Deixei até os biscoitos e leite em cima da mesa pra ele. – ela falou, piscando um olho com seu sorriso amigável. Eu fiquei brevemente hipnotizado pela sua graciosidade com a criança, e ao que parecia, Matthew também ficara. Ele se inclinou para mim novamente com olhos alargados.

– Tio Ed, você tem que namorar ela! Ela é a menina mais bonita que eu já vi. – falou em seu falso sussurro. Rosalie riu, fingindo indignação.

– A menina mais bonita não era eu? Você fala isso pra todas mesmo, não é? Aprendeu com esse seu tio, tenho certeza. – falou Rose enquanto gargalhava, e puxou Matt para subirem. – Vem, vamos trocar essa roupa, senão esse almoço só sai no Natal do ano que vem.

– Ele é uma graça, Edward. Tão esperto. – Bella disse, ainda com resquícios de risadas na voz, observando-os desaparecer escada acima. Eu sorri junto.

– Ele é. Tem a quem puxar. – falei, apontando um dedo para mim mesmo. Ela rolou os olhos.

– Me mostre o caminho do banheiro, por favor? – pediu.

– Você adora me levar pra um banheiro, não é? – provoquei e ela abriu a boca, indignada.

– Isso é só porque você é um garoto tão sujo e merece uma boa limpeza. – retrucou ao seguirmos até o banheiro. Eu realmente não esperava sua resposta tão avançada.

Engoli em seco quando, mais uma vez, a imagem de suas mãos ensaboadas percorrendo meu corpo invadiu minha mente. Maldita imaginação fértil demais; por que é que todo pensamento que tenho logo se transforma em imagens tão vivas?

– Aliás… Cara de Ferrugem? Taí um ótimo apelido pra você. – ela zombou enquanto eu lavava a mão em uma pia, e ela na outra. Eu grunhi em protesto.

– Coisas daquela cabecinha imaginativa do Matt. Ele disse que era "por causa do meu cabelo e por que às vezes eu fico de mau humor e pareço estar enferrujado".

– Só às vezes? – ela riu, me olhando pelo espelho. Pensei duas vezes antes de espirrar água nela, mas apenas ameacei.

– Se lembre que sou o mau humorado que estará te alimentando com um banquete digno da realeza. Você vai se ajoelhar aos meus pés para agradecer depois desse almoço. – falei, as palavras saindo da minha boca antes que eu me desse conta do duplo sentido.

Senti as pontas das minhas orelhas queimando. Obviamente, eu não quis implicar que Bella era obrigada a qualquer tipo de agradecimento de natureza sexual.

A não ser que ela quisesse, é claro.

Estava mais do que óbvio que a minha cabeça de baixo não pensava da mesma forma como a de cima. Apesar dos protestos do meu corpo, eu estava decidido a não pressionar ou apressar Bella.

– Ei. – ela me chamou. Bella havia terminado de enxugar as mãos enquanto eu debatia internamente.

– Relaxa. – ela falou e sorriu, me fazendo sentir mais aliviado. – E vê se não acaba com a água do mundo.

Ela me beijou suavemente nos lábios enquanto fechava minha torneira, e esperou que eu enxugasse as mãos para me puxar por uma. Chegamos na sala de jantar ao mesmo tempo que Rose e Matt, que fez questão de sentar ao meu lado. Bella sentou-se a minha frente. Todos em seus postos, minha mãe preparou-se para um pequeno discurso.

– Antes, eu queria agradecer a Deus por estarmos todos juntos hoje. Eu sabia que tudo ia acabar bem, mesmo com um certo filho me abandonando na véspera de Natal. Bom apetite! – anunciou ela, enquanto eu rolava os olhos.

O almoço foi agradável, embora todos parecêssemos famintos que não viam comida há dias - já eram quase três e meia da tarde, afinal. Volta e meia eu olhava para Bella, para checar se ela estava à vontade. Ela não parecia estar ainda completamente confortável, pois seu olhar parecia perder-se de vez em quando, voando de um lado a outro enquanto observava a conversação da minha família - algo que não era incomum para um estranho que olhasse de fora um momento íntimo entre pessoas.

Seus olhos estavam cheios de curiosidade e interesse genuíno. Eu podia perceber que ela não estava acostumada a grandes comemorações com uma família tão numerosa, tamanha era a expressão de um fascínio tímido em seu rosto.

Em dado momento, um leve rubor apareceu em suas bochechas ao ser perguntada pela minha mãe sobre o motivo de tantas visitas ao pronto-socorro do hospital da cidade. Bella respondeu poupando os detalhes, mas afirmando que tudo não passava de conseqüências do seu trabalho - e claramente, todos ouviram com interesse o que ela contava sobre a sua arte e paixão pela fotografia.

Quando minha mãe anunciou a hora da sobremesa - oh, a tão aguardada sobremesa–, Bella segurou meu olhar com um sorriso discreto, que fazia selar nosso pequeno segredo, já que eu duvidava que ela estivesse aqui caso eu não tivesse ridiculamente subornado-a naquele mercado. Desejei que a mesa fosse curta o suficiente para eu conseguir alcançar sua mão e tocá-la, e então ficamos apenas a nos entreolhar até pequenos pratos serem passados para nós. Quebrei nossa conversa silenciosa para perguntar algo que tinha martelado na minha cabeça.

– Ué, mãe, pensei que você fosse fazer uma nova torta? Daria tempo suficiente, não?

Ela sacudiu a cabeça enquanto cortava um pedaço para mim e me passava.

– Deu tempo. Mas preferi dar a que eu fiz, hoje de manhã, de presente ao velho senhor Volturi. O pobre homem não recebeu nem uma visita esse ano. Era o mínimo que eu podia fazer.

Aro Volturi era o vizinho mais próximo da casa dos meus pais, e desde sempre eu me lembro da participação de seu quintal nas partidas de beisebol entre eu e meus amigos. O quintal a céu aberto da minha casa era repleto de flores que minha mãe cultivava - uma verdadeira floricultura - e impróprio demais para crianças brincarem.

O senhor Volturi era rabugento, mas era apenas um velho italiano amargurado, cuja família havia ficado para trás na Itália após a Segunda Guerra. Volta e meia inventávamos rumores de que ele era um fascista refugiado, mas a verdade era que dois de seus filhos e sua esposa tinham morrido em um ataque, e ele viera para os Estados Unidos com um único filho, junto de suas irmãs. Atualmente, eram cada vez mais raras as visitas de parentes, e era algo de partir o coração.

– Ah sim. Que bom, mãe. Fez bem. – simplesmente falei.

– Esme, a comida estava ótima. Principalmente o purê de batata. – comentou Bella, em seguida. – Tem algum segredo?

Eu vi os olhos da minha mãe brilhando. Ela sempre adorava uma oportunidade de passar seus vastos conhecimentos e, principalmente, falar sobre suas experiências na cozinha.

– Na verdade, o segredo está no alho, que é cozido no forno durante uma hora! – explicou, erguendo um dedo para dar ênfase a exclamação. – E claro, o creme de leite fresco. Não é maravilhoso todos esses sabores que a gente tem pra explorar?

– Claro. Eu gosto muito de especiarias e temperos. Nada como uma boa erva. – Bella falou, mas assim que terminou a frase, eu engasguei com o pedaço de torta que mastigava. Suas últimas palavras, nessa família, com certeza tomariam uma conotação bem diferente daquilo que ela quis dizer, e eu imediatamente soube disso.

Ouvi risos mal escondidos vindos de todos, exceto do inocente Matt e Bella. Ela olhou para mim exasperada.

– Você está bem? – perguntou.

– Ele está ótimo. É só que nosso Edward não tem um histórico muito bom com ervas. – meu pai, que estava sentado na ponta da mesa e à minha direita falou, dando leves pancadas nas minhas costas entre os ombros.

Por favor, por favor não mencionem essa história. Era a frase que repetia-se como um mantra na minha mente.

Não era possível que eu mal começara a conhecer Bella e ela já iria descobrir o quanto essa família é maluca e o quanto eu fui um idiota na adolescência. Por favor, não contem sobre o dia em que meu pai e minha mãe me pegaram roubando um baseado de Emmett e me incentivaram a fumá-lo, apenas para que eu soubesse com o que estava lidando e decidisse se eu gostava daquilo ou não.

Por favor, não me lembrem do fatídico dia em que corri nu - a não ser por uma meia encardida - em torno da piscina de casa, achando que era um golfinho e sabia nadar. Por que era claro que eu, Edward Anthony Masen Cullen, seria o único da família a um dia ter as piores e mais adversas reações à bendita maconha.

– Ah, não? – questionou Bella, com olhos perigosos; olhos de quem já tinha sacado tudo e iria me interrogar só para me ver incomodado e atordoado sob sua inquisição. No entanto, seus olhos rapidamente moveram-se para Matt, e ela fechou a boca. – Bem, você pode me contar sobre isso mais tarde, certo, Edward?

– C-claro. – afirmei, embora já estivesse bolando uma explicação menos tosca para ela. Bella não precisava saber que, um dia, Carlisle Cullen e Esme Masen foram jovens adeptos do amor livre, do naturalismo e das drogas naturais. Nem ela, e muito menos o Chefe da Polícia de Forks, Charlie Swan.

– Mamãe, não quero mais. Tô cheio. – como se lesse meus pensamentos que imploravam por mudança de assunto, Matthew disse enquanto empurrava seu prato de sobremesa meio comido na direção de Rose, que estava ao seu lado.

– Tem certeza? – ela indagou. Matt fez que sim com a cabeça.

– Pode deixar que eu como! – Bella simplesmente exclamou, antes mesmo de Emmett se manifestar e clamar o pedaço sobressalente, como de costume. Rose olhou por um instante para ela, quase assustada, mas passou-lhe o prato.

– Desculpe não perguntar antes se ninguém mais queria, mas é que alguém tinha me prometido um pedaço maior de torta. – explicou Bella, olhando para mim, mas continuou a falar após refletir por um momento.

– Ok, e agora estou me sentindo uma porca gorda esfomeada. – com os olhos baixos, completou em um fio de voz que soou alto o suficiente para desatar uma crise de risos surpresos em toda a mesa. Até mesmo Matt tinha seu pequeno corpo sacudido pelas risadas.

– Não vejo porquê se preocupar com isso. Quadris fartos são sinônimo de saúde e fertilidade, minha filha! – minha mãe sutilmente comentou, para meu desespero. Bella enrubesceu como nunca, rindo sem graça.

– Bom, acho que já está na hora desse mocinho tirar sua soneca da tarde. – Rosalie desviou o assunto, olhando para Matt, que no momento esfregava os olhinhos com os punhos.

– Não, mãe, deixa eu ficar aqui. O tio Edward ainda não me deu o presente que ele prometeu. – protestou o menino.

– Mais tarde eu dou. Agora, vá descansar. – falei bagunçando seu cabelo. A contra gosto, Matt desceu da cadeira e seguiu Rosalie, que o levou para o antigo quarto de Emmett no andar de cima.

– Vou passar um café, alguém me acompanha? – minha mãe perguntou enquanto levantava, e foi seguida por Emmett e meu pai.

Com apenas Bella e eu sentados à mesa, fiquei observando-a terminar de comer o

pedaço de torta. Para minha surpresa, eu me peguei completamente entretido.

Com a colher, ela meticulosamente repartia o doce em pedaços pequenos, comendo primeiramente a parte crocante do lado de fora, e deixando uma grande porção do recheio intacta.

– Por que está poupando o recheio? – perguntei quando a curiosidade aguçou-se.

– Assim eu posso saborear melhor. – ela deu de ombros e lambeu os lábios como uma criança.

– Não é uma torta tão boa assim. – falei segurando meu sorriso; porque, afinal, era a pura verdade.

– Não tanto quanto uma caseira, mas tem vezes que a gente clama por uma porcaria, só pra dar valor ao que é bom de verdade.

– Ahm… – simplesmente murmurei, já que não via aonde ela estava querendo chegar com isso. A cada momento, Bella parecia me intrigar mais.

Após um instante de silêncio, ela tornou a falar.

– Sua família é legal.

– Obrigada, eu acho…

– Como assim você acha? – perguntou, rindo levemente.

– Quer dizer, não é um elogio que eu ouça muito sobre minha família. Unida, atípica, esquisita, amorosa talvez. Mas legal? Jamais.

– Eu sei, eu costumo ser mais criativa que a maioria, mesmo. – ela riu, vangloriando-se de brincadeira.

– Não. Você definitivamente não é como a maioria. – minha voz saiu em um tom mais sério do que eu pretendia. Bella olhou apreensiva para mim.

– Eu espero que isso seja um elogio. – comentou com timidez, e voltou-se para o prato já quase vazio.

– Isso é um elogio. – eu disse, sorrindo quando ela me olhou por debaixo dos cílios, tão paradoxalmente inocente e sedutora.

Finalmente terminando sua sobremesa, Bella ergueu-se da cadeira e veio ao meu encontro, do outro lado da mesa. No mesmo instante, eu a puxei para sentar no meu colo e seus braços logo entrelaçaram-se ao redor do meu pescoço.

– Obrigada. – ela sussurrou e apenas olhou para mim. No entanto, eu não segurei meu riso quando vagueei meus olhos para seus lábios e reparei nos vestígios de recheio de torta de maçã que enfeitavam os cantos de sua linda boca.

– Que foi? – perguntou e arregalou os olhos. – Ai, meu Deus, eu estou com alguma coisa verde no meu dente, não é? Mas que merda, isso sempre acontece!

Bella corou ao mesmo tempo em que vi sua língua percorrer seus dentes enquanto ela virava o rosto para longe de mim. Peguei sua bochecha com uma mão para que ela voltasse a me encarar.

– Não, nada disso. – eu falei, rindo ainda mais pela sua reação. – É só que tem um pouco de doce sobrando aí. E acho que é o meu trabalho livrá-la disso.

– Ah é? – ela sorriu sorrateira e eu me aproximei para lentamente lamber um canto de sua boca, e em seguida o outro. Bella suspirou.

– Eu acho que tem um pouquinho sobrando aqui dentro também, não quer tentar?

Passando minha língua por sobre seus lábios, os suguei delicadamente até sentir sua língua aparecer para a minha. Senti Bella pressionar-se contra mim e o calor de seu corpo e de sua boca tão deliciosamente doce me fizeram gemer.

Roçando sua língua lentamente contra a minha, Bella fechou com mais força a mão que segurava meu cabelo na nuca e quando a eletricidade de um arrepio percorreu minha espinha, indo parar direto na minha ereção iminente, eu me lembrei do local onde estávamos e me afastei.

Ambos arfamos, e olhei inebriado para ela até Bella limpar a garganta e declarar. – A gente ainda vai terminar isso depois, ok?

– Ainda hoje? – perguntei com esperanças, parecendo um garoto afoito.

– Depois. – ela repetiu sacudindo a cabeça. Assim que inclinou-se para rapidamente roçar seus lábios contra os meus, um som alto nos assustou, e Bella pulou para fora do meu colo, correndo em direção à música que tocava.

– É o meu pai ligando. – falou. Quando reconheci o som, eu fui incapaz de prender minha gargalhada. Os acordes de Macho Man, do Village People, repercutiam freneticamente pela sala vazia.

– Cadê essa porcaria de bolsa? – ela esbravejou enquanto vasculhava a pilha de casacos e bolsas penduradas no hall de entrada.

Finalmente achando seu celular, Bella voltou para sentar-se no sofá, conversando discretamente com o pai. Os meus próprios pais e Emmett, no mesmo momento, resolveram voltar da cozinha, preenchendo a sala com um burburinho de uma conversa acalorada. Não demorou muito para que eles me incluíssem na discussão ao tentar me convencer a jogar algum jogo típico de Natal, como era nosso costume.

– Você sabe o quanto eu não suporto mímica, Em. – resmunguei para meu irmão, que sabia ser insuportavelmente insistente quando queria.

– Credo, que mau humor. Achei que estaria mais alegrinho depois da noite de ontem… – ele tentou disfarçar meneando a cabeça em direção a Bella.

– Emmett. Cala a boca. – ordenei. Por que parecia que, às vezes, a minha família sentia prazer em me ver envergonhado?

– Só uma partida, meu filho. Tenho certeza que Bella vai se divertir. – minha mãe apelou, e Bella virou-se para nós enquanto desligava seu celular.

– O quê? Mímica? Eu adoro, de verdade. – ela falou, arrancando um sorriso de minha mãe. – Mas é uma pena que eu não possa ficar, Esme. Meu pai chegou em casa agora há pouco da delegacia, e meu palpite é de que ele está faminto.

– Ah, sim. Claro, minha querida. Vou separar algumas coisas do almoço para você levar, está bem? – mamãe ofereceu.

– Bem… eu recusaria em outra ocasião, mas estava tudo tão delicioso que eu duvido conseguir cozinhar qualquer coisa próxima disso hoje. Ok, está bem. – Bella cedeu e minha mãe saiu para a cozinha.

– E aí, o que vai ser hoje? Mímica? Detetive? Imagem e Ação? – perguntou Rosalie enquanto descia as escadas. Ela sentou-se ao lado de Emmett, que envolveu seus ombros com um braço.

– Vocês decidam. Eu vou levar Bella para casa. – falei, levantando-me do sofá. Estendi uma mão para ajudá-la levantar também.

– Foi uma ótima tarde. – falou Bella, enquanto meu pai se erguia para abraçá-la.

– Concordo. Da próxima vez, traga o Chefe. – disse ele com o olhar apontado para mim. Bella apenas acenou com a cabeça.

– Foi um prazer conhecê-la. – disse Emmett, envolvendo-a em um abraço, como um gigante abraçando um ursinho de pelúcia.

– Igualmente. – ela falou sorrindo. – O filho de vocês é uma graça. Acho que devo dar os parabéns?

– Quem sabe. Talvez tenha sido genética, mas pode ter sido apenas sorte. – comentou Rosalie, também cumprimentando Bella com um abraço. Minha mãe voltou da cozinha com um embrulho, colocando-o em uma sacola de papel e entregando a Bella.

– Obrigada pela tarde adorável, Esme. – sorriu enquanto envolvia os braços em torno de minha mãe que, como sempre, quase chegou a esmagar o pequeno corpo de Bella com seu abraço entusiasmado.

– Obrigada a você por ter dado abrigo ao meu filhinho. – ela falou e se inclinou para sussurrar nada discretamente no ouvido de Bella. – E eu tenho a sensação de que ele terá sempre um abrigo lá, daqui por diante.

– Bom, acho que é melhor irmos antes que seu pai morra de fome. – chamei a atenção de Bella. Ela se desvencilhou do abraço apertado de Esme e com um último aceno a todos, me acompanhou ao carro. Liguei o aquecedor assim que entramos, e nos aconchegamos nos bancos.

Ao sairmos pelo portão, porém, a primeira coisa que reverberou na minha mente me fez voltar a soltar risadas. Bella olhou curiosa para mim.

– Que foi?

– Só lembrei de uma coisa. Será que você pode me explicar por que o toque do seu celular para o seu pai é um dos mais famosos hinos gays do mundo? – inquiri, referindo aoserelepe toque de Macho Man, que tinha ouvido quando o celular de Bella tocara.

– Ah! – ela falou depois de um momento e deixou escapar uma longa gargalhada. Teve que se acalmar antes de explicar. – Bom, aquilo é o resultado de uma aposta. Na verdade, é uma longa história.

– Não seja por isso, nós temos bastante tempo até sua casa.

– Meu pai vai me matar se souber que contei isso pra você…

– Eu juro que ele não saberá que você contou.

– Então nada de risadinhas quando chegarmos lá, ok?

– Prometo. – falei desviando meus olhos da estrada, por um instante, para afirmar a ela.

– Está bem. Na época, eu tinha dezessete anos e aquele seria, tecnicamente, o último Halloween que eu passaria em casa. Digo, tecnicamente já que não fazia ideia que voltaria pra Forks depois de terminar a faculdade. – começou a dizer parecendo empolgada e com um fundo de riso na voz. – Todos os anos nós, eu e meus amigos da escola, tínhamos uma tradição: um campeonato cujo troféu iria para O Maior Devorador de Tortas de Abóbora do Ano.

– Eu já percebi que você e as tortas sempre tiveram uma relação bem íntima, não é? – provoquei, rindo quando ela mostrou a língua para mim.

– Eu sei que é bobo, mas a gente se divertia pra caramba. Enfim, naquele ano, o pai da minha amiga Alice havia decidido participar também, como uma espécie de despedida da nossa tradição de infância; e foi isso que acabou gerando uma nova competição, uma entre alguns de nossos pais. Ao todo, foram cinco participantes. E é claro que meu pai quis também, só por seu espírito competitivo.

– E qual era a tarefa para ganhar esse tal troféu? – indaguei.

– Simples. Quem comia mais fatias de torta de abóbora em dois minutos, vencia. – ela explicou e me peguei arregalando os olhos.

– E você participava disso? Não é uma brincadeira um tanto pesada pra uma garota? – não podia imaginar uma Bella adolescente numa competição de comida com garotos da mesma idade. Acreditem, eu já tive dezessete anos e sabia muito bem o quão voraz podia ser a fome masculina da puberdade.

Ela deu de ombros.

– Eu sei que, depois de hoje, você irá pra sempre me ver como uma porca gorda esfomeada e eu devo ter matado qualquer chance de ir pra cama com você, mas isso era moleza pra mim. Eu sempre fui pequena, porém nem isso me impediu de ser a vencedora por quatro anos consecutivos.

– Bella, eu definitivamente não te vejo como uma porca gorda esfomeada. Muito pelo contrário. – eu afirmei, me recordando de como seu corpo não podia ser mais atraente para mim. – Aliás, acho ótimo você não ser como as outras mulheres e ter paranóia em controlar tudo o que come. Mas então, o seu pai e o hino gay do Village People...?

– Bem, nessa competição, o prêmio do vencedor era ter o direito de escolher a fantasia de cada um dos outros competidores, aquilo que usariam durante o Halloween do ano. Porém, na competição dos adultos, como os filhos fizeram as regras, nós estipulamos também o prêmio. Só que ao contrário.

– Como assim, ao contrário?

– O pai que ficasse em último lugar teria que usar a fantasia que seu filho escolhesse, e… você já pode imaginar que quem perdeu foi justamente o meu e eu escolhi a sua fantasia. E digamos apenas que um dia eu descobri que meu pai era o maior fã da era Disco em Forks na sua adolescência, e sempre quis usar isso contra ele. – ela falou e riu.

– Ooh. Então o chefe Swan fantasiou-se de algum integrante do Village People? Mas qual?

– Uhum. O motoqueiro. Você vai conhecê-lo e vai entender o motivo. – Bella falou e ri junto a ela, me indagando se a personalidade de seu pai seria tão discordante do estereótipo de policial durão quanto soava ser.

Chegamos em frente a sua casa e a rua já estava com muito menos neve do que quando saímos. Estacionei do lado de fora, já que a viatura de Charlie ocupava a garagem; estranhamente, entretanto, não vi a caminhonete de Bella por perto, como ela dissera que à essa altura já deveria estar. Agradeci internamente por não estar mais nevando e poder deixar meu Volvo ao relento.

Assim que subimos as escadas da pequena varanda, subitamente, meu coração disparou. Era estranho, já que não havia nada para me preocupar. Eu tinha consciência que Bella, tecnicamente, não passava de uma amizade recente, e embora fosse alguém com quem eu vislumbrasse um futuro romântico, tinha quase certeza que ela não iria querer me apresentar a seu pai como algum caso sério - assim como eu não o fiz para a minha família. Eu sabia que meu temor era mais pelo peso que o título de seu pai trazia do que qualquer outra coisa.

Policiais carregavam algemas. Carregam armas. Qualquer palavra minha poderia ser usada contra mim, não era o que sempre diziam?

Respire, Edward. Respire.

No mesmo momento em que Bella girou a chave na maçaneta, a porta se abriu, revelando um homem alto, esguio, com os mesmos cabelos e olhos castanhos como os de Bella; ele portava uma expressão ligeiramente dura. Era impressionante como Bella havia puxado a seu pai.

Isto é, a não ser por um pequeno detalhe adornando o rosto do jovem senhor.

Charlie Swan portava um bigode farto que parecia ter parado no ano de 1977. E era um trecho de pelos tão imponente que, de certo, decidi ser a coisa mais engraçada do mundo naquela hora. Tão engraçada, que precisei disfarçar minha gargalhada com um terrível ronco, seguido por uma espécie de tosse seca.

Eu parecia um porco com convulsão.

– Oi, pai. Você me assustou. – Bella falou alto depois de uns segundos de um silêncio estarrecido pela minha reação. Ela apertou meus braços com força enquanto eu continuava a metade tossir, metade gargalhar sob tudo. Apertou com tanta força que eu estava certo de que deixaria marcas de unha. Algumas lágrimas escorriam dos meus olhos devido aos risos e tudo o que eu queria era poder ser capaz de controlar minha mente estúpida e babaca.

– Edward, esse é o meu pai, Charlie Swan. – ela disse, batendo nas minhas costas com um tantinho de violência. Encobri minha boca com uma mão para fingir tossir mais uma vez antes de tomar uma posição um pouco mais decente. Tomei fôlego e franzi o cenho para tentar prender minha expressão em um formato sério.

– Como vai, Chefe Swan? Feliz Natal. – eu falei estendendo a mesma mão, sequer tentando pronunciar um sorriso, para evitar que se transformasse em risada. Ele olhou com uma sobrancelha ligeiramente levantada para a mão que ofereci e, notando meu deslize, fui rápido em trocar para a esquerda. Charlie Swan tinha o aperto firme como de um urso e eu tinha toda certeza de que minha palma estava pegajosa de suor.

Ótimo começo com o Chefe, Edward. Muito bom mesmo, seu idiota.

– Vou bem e você? Está tudo bem aí? Pegou alguma gripe com essa nevasca toda? – Charlie pronunciou suas primeiras palavras em uma voz grave. Eu sacudi a cabeça e dei graças à Deus quando um dos gatos de Bella apareceu na porta, saindo para se enroscar nas pernas da dona. Se abaixando para pegar o bichano no colo, Bella interpelou.

– É a friagem. – ela falou o que provavelmente foi a primeira mentira que lhe veio à cabeça. – A dona Esme estava me contando sobre como a rinite dele ataca nessa época do ano. Mas, então, vamos ficar aqui parados do lado de fora?

Entramos na casa, em seguida, e enquanto Bella ia até a cozinha dar um jeito nos embrulhos da comida que minha mãe mandara, Charlie me convidou para sentar na sala em frente ao aquecedor elétrico, deixando a lareira de lado. O outro gato, o… como era mesmo o nome? Jason? Jensen? …James? Estava esparramado num canto no sofá. Sentei-me, sendo recebido por seu olhar de desprezo e nada mais. Tão logo, ele voltou a roncar.

– Então quer dizer que você é filho de Carlisle Cullen? – perguntou Charlie, de repente. Assenti a cabeça, esperando ele continuar. – É uma grande responsabilidade. Ele é um grande homem.

– Sim, e eu sei disso. – ri desajeitado. Retornamos ao silêncio desconfortável enquanto ouvia-se o tilintar de talheres e pratos na cozinha. Charlie puxou o ar antes de falar, prendendo minha atenção.

– Antes que eu me esqueça, agradeço por ter aceitado Bella no almoço da sua família. Ela teima em dizer que não se sente solitária, mas eu sei que não é verdade.

– Não tem de quê. Foi um prazer, ela é uma ótima companhia. – falei e dessa vez sorri genuinamente. Ambos voltamos a olhar para o nada, ouvindo Bella trabalhando na cozinha. Lembrei-me de tentar limpar, disfarçadamente, a água que tinha saltado contra dos meus olhos com minha crise de riso. Antes que eu tentasse bolar algum tipo de desculpa melhor para o meu comportamento na entrada da casa dos Swan, Bella chamou o pai.

– Pronto, já está servido o seu almoço-quase-janta de Pós Natal! – anunciou ela. Charlie levantou-se e pediu licença para ir até a cozinha, deixando-me sentado no sofá.

Observei de longe pai e filha abraçando-se, ele em agradecimento e ela em demonstração de carinho, e ouvi os murmúrios de "obrigado, filha" e "Feliz Natal, papai".

Senti, então, que era hora de eu ir embora, já que parecia estar me intrometendo num momento íntimo compartilhado pela pequena família.

– Eh… Bella, eu já estou de saída. Prometi brincar com Matt e até agora não consegui. – chamei, me levantando do sofá. Bella soltou seus braços do pai, que sentou-se à mesa, e me encontrou no hall em frente à porta da rua.

– Está bem. Muito, muito obrigada por tudo… – ela falou, envolvendo seus braços no meu pescoço e me abraçou para sussurrar no meu ouvido. – Tudo mesmo.

Afastando-se, Bella piscou um olho com um sorriso deliberadamente provocador e eu tive que tomar fôlego para não deixar que meu impulso de agarrá-la bem no meio de sua sala tomasse conta.

– Eu também. – sorri discretamente. Bella olhou sobre seu ombro para trás, para constatar que Charlie estava mais interessado em sua comida do que em nós dois. Ela ficou na ponta dos pés para deixar um beijo suave e tenro na minha boca.

– Então… a gente pode se ver amanhã? – ela perguntou ao se afastar de mim cedo demais. Não iria fazer muita coisa amanhã a não ser ver filmes o dia todo com a família, como minha mãe praticamente me recrutara a fazer, durante o almoço. Eu já devia saber que não escaparia de não ter passado a ceia de Natal com eles. No entanto, já estava pensando em algum bom restaurante onde eu pudesse levar Bella.

– Claro. Eu te ligo. – avisei, e entreguei meu celular para que ela gravasse o seu.

– Tudo bem. Até amanhã, Edward. – ela sorriu para mim da forma mais encantadora possível. Podia ver até mesmo um traço de rubor em suas bochechas.

– Até amanhã, Bella. – falei. Enquanto Bella abria a porta, chamei a seu pai, que parecia entretido demais com o peru recheado da minha mãe.

– Chefe Swan, foi um prazer conhecer o senhor. Até mais ver. – falei. Charlie apenas meneou a cabeça e levantou um braço para acenar. Achei ter visto um pouco de molho grudado em seu bigode, mas deduzi que seria melhor não dizer nada. Saí em seguida, dando um último rápido beijo em Bella e desci as escadas com o maior sorriso no rosto. Eu mal podia esperar até encontrar com ela novamente.

Naquele momento, me senti o dono do mundo; Era o mesmo sentimento de quando eu tinha ganhado toda a coleção de bonecos do G.I. Joe aos oito anos.

Ou melhor, não.

Ganhar a garota mais incrível que conheci nos últimos anos tinha sido, de longe, o melhor presente da minha vida.


N/A: Se você não conhece Village People, você não é uma pessoa alegre! Aqui o link do video: youtube watch?v=AO43p2Wqc08

G.I. Joe é também conhecido como Comandos em Ação aqui no Brasil.

A tatuagem da Bella: weheartit entry/8981903

Não estou 100% segura se esse capítulo saiu da forma como eu queria passá-lo, então quero saber o que acharam. Só apertar essa linha aqui embaixo e deixar uma linda review, ok?

Beijos!