Aviso: Essa fic é baseada no game HetaOni (fanmade), por Tomoyoshi (JP).

Aviso 2: Hetaoni é bem mais que um jogo de pessoas presas numa casa tendo que escapar de um monstro. Se você começar a ter problemas crônicos de memória, pare de ler a fic.

Disclaime: O anime "Hetália Axis Power" e o game "Hetaoni" não me pertencem.

Boa leitura

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CAP. 01

A CASA

-O-

O casarão ficava nas montanhas, há três horas do local do encontro mundial. A pintura era clara, mas estava gasta. Talvez em algum momento tenha puxado para o creme ou o branco. Quantos anos tinha aquela casa? Pela ferrugem dos portões e altura da grama, muitos anos.

Os quatro países estavam em frente a ela. Japão, Alemanha, Prússia e Itália. Este último mais atrás, olhando para o alto e perdendo-se na imensidão daquele ceú claro e limpo.

_ Vee! É aqui. _ Itália sorriu de forma infantil.

Japão, que estava a frente, parecia impressionado. Seus olhos castanhos refletiam a casa cuja fama de mal assombrada havia os atraído.

_ Achei que fosse só um boato... Nunca pensei que fosse realmente achá-la.

_ Ela tem um ar de abandono _ Prússia falou fazendo uma careta e coçando os cabelos prateados _ Mas não é ruim.

_ Mesmo assim, não acho devíamos entrar _ Alemanha falou com a voz monotônica de sempre.

_ Nem eu _ Japão moveu os olhos para fitar os amigos às suas costas _ Nós não podemos somente olhar em volta e sairmos?

_ Vee...? _ Itália deu um passo para trás deixando sua frustração estampada no rosto daquela forma tipicamente infantil _ Depois de todo trabalho que tivemos pra encontrá-la? Ah, vamos... Só por um instante...

Alemanha mirou o topo da casa e suspirou. Andou a frente de todos e girou a maçaneta. Estava destrancada.

E assim, entraram.

O hall de entrada estava vazio e o assoalho rangia a cada passada. Não havia quadros, estantes ou qualquer outro adorno. Apenas uma paisagem branca. Apesar de tudo, não tinha teias de aranha, poeira sobre o chão ou qualquer outro traço digno de uma casa com fama de "mal assombrada".

Mas algo não estava bem. Uma angústia repentina em Alemanha o fez pensar isso.

_ É mais limpo do que pensei. _ Itália comentou.

_ E... Ei, podemos ir agora? _ O loiro inquiriu com voz para dentro.

_ Qual é o problema, West? _ A pergunta de Prússia saiu com uma nota de deboche e outra de surpresa _ Está com medo?

De repente o som de algo se quebrando chamou a atenção de todos, principalmente de Alemanha.

_ Eu acho que realmente devíamos ir embora. _ O loiro foi taxativo.

_ Não existem fantasmas ou coisas do tipo aqui. _ Japão falou sem emoção enquanto andava em direção ao barulho. Era incrível como os europeus curtiam histórias de terror. Talvez mais do que os asiáticos. _ Onde está seu bom senso?

_ Tome cuidado, Japão. _ Prússia o avisou.

_ Tudo bem. Só vou ver o que aconteceu e já volto.

O asiático seguiu por um corredor relativamente largo que se estendia até a sala de estar, sala de jantar e a cozinha. Todas surpreendentemente arrumadas. A primeira fora mobiliada por dois sofás brancos, aparentemente confortáveis, a beira de um tapete retangular. Também havia uma mesa com uma televisão.

Talvez a casa não fosse tão antiga assim.

Já a sala de jantar era composta por uma grande mesa de madeira com quatro cadeiras. A cozinha também era completa, faltava apenas geladeira.

E lá estava o motivo do barulho. Um prato quebrado no chão.

Apenas um prato.

Derrubado por alguém.

Definitivamente a casa era habitada. Deveria encontrar os outros.

Temendo estar invadindo alguma propriedade privada, Japão seguiu a passos lentos para não incomodar nenhum morador, no entanto, quando chegou ao hall não viu ninguém.

_ Será que foram embora? _ Falou para si enquanto caminhava até a porta da frente _ Lamentável...

Mas seu coração falseou quando segurou a maçaneta e tentou abrir. Estava trancada. Como? Não tinha como aqueles três trancarem a porta... A menos que tenham corrido ao ver o provável morador, que consequentemente, trancou-a.

Era uma hipótese.

O jovem passou então a andar pelo corredor oposto ao que havia seguido inicialmente, desconfortável com a idéia de pedir para que alguém abrisse a porta. Não gostava de provocar transtornos, no entanto era isso que estava fazendo naquele momento.

Dobrou o corredor e de repente viu um vulto abrir e fechar a única porta que havia no final daquele lugar.

Seu coração deu um salto até a garganta e passou a pulsar freneticamente. Japão respirou fundo e com os olhos bem abertos.

"Estou vendo coisas..." Pensou.

Vagarosamente aproximou-se da porta e, ao segurar a maçaneta, fechou os olhos e respirou fundo. Girou-a, mas não abriu. Estava trancada.

O rapaz deu meia volta e retornou ao hall para subir as escadas rumo ao primeiro andar da casa. Havia uma possibilidade dos boatos acerca daquele lugar estarem finalmente lhe afetando. Definitivamente, deveria parar de imaginar coisas. Não havia por que uma nação ter medo de assombrações... Embora América morresse de medo delas.

Enquanto subia a escada, quase tropeçou em algo jogado em um dos degraus. Segurou-se no corrimão para não cair e olhou para o próprio pé. Havia um chicote largado ali. O chicote de Alemanha.

"O que isso está fazendo aqui?"

Japão ficou mais receoso. Tinha certeza que aquilo pertencia ao amigo. Pegou o objeto e continuou subindo a escada sem reparar que sua respiração estava ficando mais acelerada. Ao subir, abriu a primeira porta sem lembrar-se de bater, e entrou em um quarto vazio.

Vazio e mobiliado.

_ Com licença? _ Falou enquanto entrava.

Dentro dele havia um closet semi-aberto e Japão se atreveu a ver o que era. Abriu a porta lentamente e antes que pudesse ver o local com mais exatidão, se deparou com uma imagem, no mínimo, preocupante.

A pouca luz mostrava Alemanha, de pé, encostado na parede e com os olhos arregalados para o nada. Respirava freneticamente e sequer se movia.

_ Alemanha! _ Japão abriu mais a porta _ O que aconteceu? Alemanha!

Nada. O país alemão estava em estado de choque a ponto de sequer notar o amigo ali.

_ Você está bem? Vou pegar água pra você!

Sem pensar duas vezes, o asiático correu escada abaixo até a cozinha, e não tardou em pegar um copo e abrir a torneira da pia, mas nada saiu. Tinha que existir outro lugar.

Subiu novamente a escada para o segundo piso. Tentou abrir todas as portas que encontrou por la. A essa altura, pouco importava se estava incomodando o dono da casa. Uma nação forte como Alemanha não ficaria naquele estado a toa.

Finalmente achou um banheiro. Abriu rapidamente a torneira da pia e viu o líquido escorrer. Felizmente não estava quebrada. Encheu o copo que trazia consigo, desligou a torneira e se dirigiu no quarto onde o amigo estava.

_ Hei! _ Japão pegou a mão do europeu o fez segurar o copo _ Beba um pouco d'água. Vai ficar melhor.

Alemanha o mirou como se acabasse de vê-lo ali. Respirou fundo e bebeu. A medida que o líquido descia pela sua garganta, seus nervos foram se acalmando. No entanto, algo estava errado. Aquela água... O gosto era estranho.

Ao terminar de beber, Alemanha o mirou ofegante.

_ Tem certeza que isso é água?

_ Pela cor, acho que sim.

_ Entendo... _ Respirou fundo enquanto passava a mão pelos cabelos loiros _ Desculpe-me pelo meu estado.

_ Onde estão os outros?

_ Não sei... Corremos por nossas vidas... E os dois foram em direções diferentes... Eu acho... _ Alemanha sentia que as palavras atrapalhavam sua respiração _ Desculpe-me... Me dê um tempo pra me recompor.

_ Ah... Claro. Eu vou procurar os outros.

Japão fechou a porta contendo sua vontade latente de perguntar o que realmente aconteceu, mas sua prudência o mandava esperar. Sem querer, seus olhos escorregaram sobre uma chave dourada e antiga abandonada na cômoda ao lado da porta.

Pensou na porta por onde aquele vulto passou.

O país pegou o objeto e desceu novamente a escada. A probabilidade daquela chave abrir aquela porta era pequena, mas não nula. Enquanto caminhava, olhou decidido para a katana presa à sua cintura. Não era tudo o que tinha para se defender. Também trouxera consigo um pergaminho que lançava maldições, muito eficiente para protegê-lo de qualquer ser sobrenatural que estivesse por la.

Ótimo, já estava começando a cogitar a possibilidade da existência de um ser sobrenatural na casa.

Ao chegar à bendita porta, colocou a chave na fechadura. Encaixou. Girou-a e a porta se abriu. Devagar, Japão a empurrou e localizou logo o interruptor ao seu lado. Ligou as lâmpadas e, para a sua surpresa, se viu diante de uma biblioteca.

Quando entrou no local, a porta imediatamente se fechou e um barulho de tranca foi ouvido. Pelo visto a porta trancava-se automaticamente.

Aproximou-se de uma mesa cheia de livros e mais alguns papéis jogados. Livros que pediam para serem folheados. A essa altura, a idéia de que a casa tinha dono já fora descartada de vez. Japão deixou a chave em cima da mesa e pegou um deles para ler. As páginas desgastadas revelavam a antiguidade da peça, mas prendeu a atenção do rapaz por um curto intervalo de tempo.

Grande erro.

Entre uma página e outra, Japão olhou para frente e de repente uma criatura saiu detrás de uma das estantes, tão subitamente que o jovem pulou pra trás e deu um grito.

Era mostruoso. Tinha olhos grandes, o triplo do tamanho de Alemanha, um corpo liso, cinzento e flexível. Parecia-se muito com o alienígena amigo de América, só que bem mais assustador.

A criatura avançou tão rapidamente que golpeou Japão com um soco, lançando-o contra a parede.

_ ARG!

O asiático se levantou aos tropeços antes que levasse o segundo golpe. Desesperado, correu até a porta, sendo seguido pela criatura.

_ VOCÊ... NÃO VAI... FUGIR! _ O monstro falou. Incrivelmente, o monstro falava!

O país praticamente se jogou contra a porta e segurou a maçaneta, mas era inútil. Ela não abria.

_ A chave!

Olhou para trás e viu a criatura correndo em sua direção. Instintivamente, Japão puxou a katana e conseguiu ferí-lo antes que o contrário acontecesse. Passou pelo oponente e correu em direção à mesa, agarrando a chave como se sua vida dependesse disso.

_ VOLTE...!

Outro ataque arremessou Japão contra a estante de livros, fazendo-a cair para trás com a colisão. Quando a criatura estava prestes a dar o golpe final, a nação puxou seu pergaminho e gritou com toda a força do pulmão:

_ MALDIÇÃO!

Um raio vermelho saiu do selo e atingiu a criatura, fazendo-a urrar. Nesse meio tempo, Japão correu novamente até a porta e a destrancou com brutalidade. Saiu antes que o monstro o acertasse e fechou-a bruscamente. Estava seguro.

Talvez.

Cambaelante, andou para trás com o coração pronto para sair pela boca. Seu sangue latejava, seu corpo tremia e seu raciocínio se perdeu no meio do susto.

Estava sentindo dor. Muita dor. Dor que somente uma nação conseguia provocar em outra.

Precisava achar os outros o mais rápido possível.

Continua


Bem, como já viram, tirei a história do modo RPG e a coloquei no modo narrativo, então não terá aquela coisa de andar procurando as coisas e diálogos auto-explicativos, mas tentarei deixar a história o mais fiel possível ao game.

Tentarei ^^

As personagens principais da história, pra quem não sabe, são: Itália Veneziano (apesar de não ter aparecido, é o protagonista), Itália Romano, Japão, Alemanha, Prússia, Espanha, Inglaterra, América, França, China, Russia e Canadá. Doze. Exatamento o número de horas de um relógio de ponteiros.

Para saber mais sobre a história, acesse os vídeos de Hetaoni postados por SoteAG - A mesma pessoa que traduz os scripts em japonês

Ps: A fic começou em parceria com a Lika-chan, mas ela me pediu para tirar o nick dela -.- Mesmo assim aviso que ela me ajudou muito com algumas traduções ;)

Abraços!