Nos últimos capítulos, Ed recebera uma ligação do exército de Amestris convocando-o a retornar a Central City imediatamente. O motivo? Estava ocorrendo uma série de assassinatos a alquimistas federais e a presença do Fullmetal era necessária. Ed, Al e Noa partiram na manhã seguinte ao telefonema, encerrando o passeio à Resembool mais cedo do que planejavam. O exército desconfiava que havia uma organização secreta por trás disso e trataram de investigar. Obviamente, Winry desconhecia os detalhes dessa investigação, contudo, ao ver no jornal uma notícia que tratava do assassinato de treze alquimistas federais, além de notícias de Noa, que fora mandada de volta devido aos perigos da Central, ela ficou extrememente preocupada com Ed e Al e decidiu partir para a Central imediatamente, embora Pinako não tivesse muita boa vontade na viagem da neta. Noa, Thomas e Sarah decidiram partir com ela também, embora a contragosto dos pais dos dois últimos. Ao chegar na Central, perceberam que la estava realmente perigoso, devido a escolta que fora enviada para eles, ou melhor, para Winry. Fora la que eles descobriram que Ed e Al estavam no hospital, embora os estragos maiores fossem mesmo nos automails de Ed. Ao voltarem para a casa da Sra. Hughes, onde ficaram hospedados, encontraram lá Riza Hawkeye, Roy Mustang e outros quinze subordinados esperando pelo Fullmetal, e o coronel disse que queria falar com Ed a sós...


KALI

DESCOBRINDO UMA PAIXÃO

CAPÍTULO 12 – SEASON FINALE - MORTE


Na verdade, quando o coronel Mustang disse "a sós", ele quis dizer: "Sem que os Hughes, seus amigos ou os soldados de baixa patente escutem". Al, lógico, era uma exceção. Eles passaram as horas seguintes discutindo um plano, mas esses e outros detalhes eu só viria a descobrir posteriormente, assim como o fato de que eu estaria ainda mais envolvida com aquela luta, no futuro.

Rememorando desde a minha infância até aquele momento, percebi que os Elric sempre escondiam coisas de mim, talvez pela ânsia pueril de me proteger. Eles não faziam ideia do quanto aquilo me incomodava. Ficar apenas em Resembool, esperando por notícias que nunca vinham; cartas vagas que quase nunca chegavam e ligações de diamante deixavam-me extremamente angustiada.

Eu odiava aqueles dias nos quais eu ficava sozinha com vovó, apenas imaginando se eles estariam bem, se tinham se machucado... Os estragos nos automails do Ed mostravam que eles estiveram se envolvendo com coisas perigosas, mas quando eu perguntava algo, Ed sempre dizia: "Não foi nada", como se fosse a mais pura verdade. Ou como se, não dizer a razão do estrago no automail, fosse deixar-me mais tranquila quanto a isso.

Às vezes eu simplesmente pensava que um dia eles não voltariam mais, que eu receberia uma carta do exército dizendo como eles eram pessoas maravilhosas e o quanto serviram a pátria com empenho, dentre outros elogios, mas que, infelizmente, eles morreram no campo de batalha. Tal pensamento era, no entanto, doloroso demais para ser sustentado naquele momento.

Eu estava sentindo que o findar daquela reunião traria algo ruim. E esse meu pressentimento, infelizmente, se confirmaria em breve.

- Eles devem estar discutindo estratégias importantes para acabar com os planos da organização que o Ed falou – comentou Sarah, mais para quebrar o silêncio do que para contar alguma novidade – Acha que eles vão demorar muito lá dentro?

Sarah parecia nervosa, mas ela não era a única. Estávamos todos apreensivos com aquela reunião secreta em caráter extraordinário.

Tentei chegar mais perto das escadas que levavam ao quarto que o pessoal estava usando como sala de reuniões, mas dois soldados tomaram a minha frente.

- Sinto muito, Srta. Rockbell, – era um dos homens que me escoltaram junto com Riza, quando chegamos a cidade – temos ordens superiores para não deixar ninguém subir. Terá que esperar aqui.

Soltei um muxoxo e voltei para o sofá.

- Os armários não vão nos deixar subir – disse o óbvio. "Os armários" seriam os dois homens que vigiavam as escadas, eles eram bem maiores e mais fortes do que eu.

Após muitas horas, quando já estava começando a anoitecer, foi quando os que estavam no primeiro andar resolveram descer. Jantamos juntos e, ao término do jantar, eles anunciaram que partiriam para o centro da cidade, não muito longe dali, e que devíamos ficar ali na casa dos Hughes até que eles voltassem.

- Ed... – eu o chamei, já a porta – Vocês vão lutar?

- Provavelmente – disse ele.

- Está se metendo em perigo de novo, não está?

- Wi-

- Não minta. Não pra mim.

- Provavelmente será perigoso sim – confirmou Ed – É por isso que quero que fique junto com os outros aqui e espere nós voltarmos.

- Se você voltar – falei com tristeza na voz – Eu não tenho um bom pressentimento quanto a isso, Ed...

- E desde quando você acredita nisso? – questionou Ed. Eu estava cabisbaixa – Ei! – ele levantou meu queixo delicadamente, fazendo-me encará-lo – Eu vou voltar, prometo.

- ...

- Prometo, Win – ele repetiu – Quantas promessas você já me viu quebrar?

- Nenhuma – respondi ainda apreensiva.

- Então... Isso é uma promessa. Eu vou voltar, Win.

Os olhos dele estavam com aquele brilho de determinação que eu tanto admirava. Naquele momento, acreditei realmente que tudo daria certo. E meu coração aqueceu-se quando ele me chamou de Win. Era bem mais típico do Al me chamar assim, o Ed não costumava fazê-lo tanto, mas quando ele tratava-me pelo apelido, ele sempre estava sendo extremamente carinhoso. Acho que era por isso que eu adorava quando ele me chamava de Win. Só de Win.

- Edo-kun! – Noa já chegou abraçando o Ed – Você precisa mesmo ir?

- Sim – ele desvencilhou-se delicadamente dela – Preciso ir agora.

- Nii-san! – disse Al – Se você não vier logo, ficaremos pra trás. O pessoal já está indo.

- Você também vai? – não queria que Al fosse. Correr o risco de perder os dois não me agradava e, na mesma noite, me agradava menos ainda.

- Alphonse-san, por que você tem que ir? Você não é do exército – argumentou Sarah.

- Não sou do exército, mas eles precisarão de mim – respondeu Al – E se eu não for quem vai cuidar do nii-san?

- Como se eu precisasse disso – disse Ed, convencido.

- Acho melhor acabarem com esse namorico logo, antes que nos atrasemos – disse Mustang.

Sarah e eu coramos, mas os meninos pareceram levar na brincadeira.

- Tá falando isso só porque a mulher que você ama vai com você... – disse Ed.

- Ora, não fale assim com seu superior – reclamou o coronel – Vamos.

- Vamos.

Não poderia dizer quanto aos outros, mas eu queria ter ido junto. No entanto, ficáramos. Obedecêramos mesmo contrariados. Não sabíamos o porquê de eles terem partido. Para ser sincera, não sabíamos nada a não ser que eles tiveram uma reunião e resolveram partir, provavelmente para a execução de um plano misterioso, ou algo assim.

Esperamos na sala, ainda sem saber o que fazer ou o que falar. Até que Gracia quebrou o silêncio:

- Maes também fazia esse tipo de coisa... Eu ficava preocupada, mas no final, ele sempre voltava.

- A Sra. sente falta dele né, Sra. Hughes? – perguntei. Ela assentiu com a cabeça – Eu também sinto...

- Quem era ele? – perguntou Sarah inocentemente.

- Meu marido – respondeu a Sra. Hughes – Ele trabalhava no exército também, era o melhor amigo do Roy e a pessoa mais gentil que já conheci...

- Ele chegou a conhecer Elysia-chan? – perguntou Sarah, deduzindo pela conjugação dos verbos no passado que o Sr. Hughes já não estava mais entre nós.

- Sim, sim – Gracia sorriu – Era o amor da vida dele!

- Um dos amores, Sra. Hughes – corrigi – Ele te adorava também...

- Não tenho do que me queixar... – comentou a Sra. Hughes ainda sorrindo.

- Ele paparicava muito a Elysia-chan... Imagino se ele tivesse vivido para ver a adolescência dela. Coitados dos pretendentes... – sorri imaginando a cena.

- Tem quanto tempo que ele morreu? – perguntou Thom, provavelmente sentindo que não era uma morte tão recente assim, visto que embora sentidas e com saudades do patriarca da família, nós não estávamos chorosas.

- Tem bastante tempo – respondi – A Elysia-chan tinha três anos quando aconteceu e agora já ta uma mocinha...

- Ela daqui a pouco faz dez anos, tá crescendo muito rápido – concordou a Sra. Hughes.

- Ela tá dormindo, né? – perguntou Sarah.

- Sim, sim – respondeu a Sra. Hughes – Ela não aguentou de sono. Só acorda agora de manhã... Winry-chan, você tem que vir mais vezes aqui, não apenas para concertar o automail do Ed-kun. Elysia-chan pergunta sempre por você, você é como uma irmã mais velha para ela.

- Também sinto como se ela fosse minha irmã menor – comentei, sorrindo – Eu não vim mais assim porque... Era doloroso ficar vindo aqui, sabe? Vendo o quartel tão perto, as pessoas que se lembravam de mim... Tudo isso me fazia lembrar que o Ed tinha desaparecido e eu já não tinha mais esperanças de vê-lo novamente, principalmente depois que ele voltou há um ano e decidiu fechar o portal que ligava os dois mundos...

- Eu entendo, Winry-chan – disse Gracia – Deve ter sido difícil para você... Dói saber que alguém se foi, mas quando você não sabe o que aconteceu com a pessoa, às vezes é muito pior...

- É sim...

- A primeira vez que ele desapareceu, eu tinha falado com o Roy, ele moveu todo o exército para ir atrás do Edward-kun... Al foi interrogado umas trocentas vezes na ocasião.

- Por que? – perguntou Sarah.

- Porque ele tinha sido a principal testemunha ocular do que aconteceu. A mais confiável, pelo menos... – respondeu Gracia – Apesar de que Envy não estava, digamos disponível, para interrogatório. Uma garota de Reole foi interrogada também, mas não foi detida. Alphonse-kun testemunhou a favor dela, apesar de tudo. Ela também contou sua versão dos fatos...

- Até hoje eu desconheço a história toda daquele dia... – respondi – Primeiro achei que era doloroso demais pro Al falar sobre isso, mas depois percebi que, apesar de doloroso, o motivo pelo qual ele não me contou nada era porque ele estava tentando me proteger.

- O exército tentou fazer com que o interrogatório não foi traumático para ele, ele foi interrogado aqui em casa mesmo – disse Gracia – Na verdade, "interrogatório" nem é a palavra certa, foi muito mais um testemunho do que um interrogatório. Ninguém do exército o acusou de nada...

- Eu sei. O exército respeita muito o Al e eu sou muito grata por isso. Mas confesso que eu gostaria de saber o que aconteceu.

- Acho que não faz mal contar, já tem muito tempo – disse Gracia. Eu me ajeitei no sofá para ficar mais confortável – Naquele dia que eles enfrentaram os homunculi, o Edward-kun faleceu.

Todos nós ficamos extremamente surpresos e chocados com tal informação.

- Como assim? – perguntou Noa.

- Envy, o homúnculo, assassinou-o com uma lança ou algo assim, eu já não lembro – disse Gracia. Eu ainda tentava entender se ela se referia a uma morte literal ou não, mas com essa de lança, acredito que ela falava que ele morreu literalmente – O Alphonse-kun ficou desesperado quando viu a cena; não só a cena, mas também o corpo do Edward-kun completamente ensanguentado. Ele fez transmutação humana naquele dia.

- O que?! – perguntei chocada – Mas ele sabe que não se pode ganhar algo sem dar algo de igual valor e-

- Ele deu a si mesmo - respondeu a Sra. Hughes – Ele se sacrificou para trazer o Edward-kun de volta.

- Meu Deus! – eu realmente não sabia disso. Os meninos que estavam comigo na sala estavam boquiabertos também. Vi Sarah derramar algumas lágrimas, sentada no sofá.

- Acontece que quando o Edward-kun voltou e viu seu irmão apagado, ele deduziu na hora o que havia acontecido e, decidido a não deixar seu irmão morrer por ele, ele também transmutou a si mesmo. E foi assim que o Al voltou e o Ed desapareceu. O que a gente não sabia é que o Ed tinha ido parar num outro mundo...

- Nossa! Então isso tudo tem mais de três anos – disse Noa – Porque foi nesse período mais ou menos que eu conheci o Ed-kun.

- Ele disse que o lado de lá era bem parecido com o de cá – disse Gracia.

- Sim, é – confirmou Noa – A diferença é que lá o Ed-kun não podia usar alquimia. E aqui sou eu quem não posso usar meus poderes como antes.

- Poderes? – a pergunta foi de Gracia, mas eu também ficara curiosa com aquela afirmação.

- Clarividência – disse Noa – Funcionava melhor quando as pessoas estavam dormindo, mas bastava um toque para que eu pudesse ler a mente de quem quer que fosse.

- Leu a mente do Edward-san? – Sarah, que já havia se recomposto, fez a pergunta cuja reposta eu queria saber.

- Sim – disse Noa – Mas não foi proposital. O simples toque de mãos era suficiente para que eu visse algo. Um vislumbre da mente ou da memória dele.

Tá. Aquilo era novidade para mim. Depois de tanto tempo, eu não sabia que Noa tinha essas... Digamos... Habilidades. Será que Ed sabia disso? Ou ela invadia seus pensamentos sem que ele soubesse?

O pessoal do QG já havia saído há algum tempo e era praticamente impossível controlar a ansiedade. Era inevitável pensar que Ed e Al estavam no meio de uma possível guerra, correndo perigos inimagináveis e eu só poderia ficar ali, sentada, esperando. Eu me sentia uma inútil, essa era a verdade. E, além disso, toda essa espera me deixava apreensiva.

Olhei ao redor daquela sala e me senti um pouco aliviada ao constatar que não era só eu que estava a ponto de ter um ataque de nervos. Tentei relaxar mais uma vez, em vão. Os comentários que se ouviram a seguir foram de que dessa vez o pessoal da Central se metera em maus bocados. Acho que isso explicava, em parte, o fato de eu ter me sentido tão inquieta.

Não houve tempo para que eu ponderasse a respeito, entretanto. Algo aconteceu.

xxx

Cerca de cinco minutos depois, ouviu-se um forte estrondo. Podia ter sido impressão minha ou fruto da minha imaginação – assomado ao susto – mas achei que tudo tremeu embaixo dos meus pés e podia quase jurar que vi os vidros das janelas balançarem e fazerem o ruído, mesmo que baixinho, de algo rachando.

- O que foi isso? – Gracia perguntou o que eu queria saber bem antes que as palavras se formassem em minha boca.

- Isso foi estranho – comentou Thomas – Parece que foi uma explosão.

- E foi – respondeu Noa – Olha pra lá! – ela apontou para uma área há algumas quadras de onde estávamos – Vejam quanta fumaça!

Finalmente a voz alcançou minha garganta e eu consegui perguntar:

- Não foi pra lá que Ed, Al e o todo o pessoal do QG foram? – sim, porque aquela era a direção do centro, se eu não estava enganada.

O silencio tornou-se sepulcral. Sem o uso de palavras minha pergunta fora respondida, e eu não gostei nada da resposta...

Naquele dia em que o Ed apareceu - ou melhor, reapareceu - após tantos anos longe, eu nunca imaginei que os acontecimentos se desenrolariam dessa forma. Olhando para trás agora, vejo que perdi muito tempo ignorando o que realmente importa e agora que me dei conta, talvez seja tarde demais...

Sentimentos atravessavam a garganta, incapazes de produzir algum som. Se ao menos eu pudesse voltar ao tempo...

Tempo. Era irônico pensar que isso era tudo que eu queria e, no entanto, o que eu menos tinha naquele momento...

Minhas pernas fraquejavam na tentativa de chegar à minha salvação ou a um desastroso fim.

Ironicamente, só o tempo tinha a resposta.

Foi então que percebi minha necessidade primária naquele momento: eu precisava desesperadamente ver o Al e o Ed. Precisava desesperadamente saber se eles estavam bem. De repente, bateu-me um desespero como nunca imaginei que fosse sentir na vida, como se a minha própria existência estivesse também em risco. Não era algo que eu pudesse descrever.

xxx

Após constatar, de forma trágica, que o pessoal do QG estava na direção onde ocorreu a explosão, segui para lá na tentativa de ver, ou saber, o que aconteceu naquele lugar. Fui seguida de perto pelo pessoal que estava ali na casa de Gracia-san comigo, inclusive a própria Sra. Hughes. Parecia perigoso, mas minha teimosia, junto com a de outros ali presentes, não permitiria que ficássemos sentados na casa dela, quietinhos e comportados à espera de notícias por mais tempo. Corremos então o mais rápido possível rumo ao epicentro da confusão.

A surpresa maior, porém, foi quando nos aproximamos de lá. Havia muita, mas muita fumaça. Ela era tão densa que quase nos impedia de respirar. Algumas pessoas do exército estavam lá, tossindo bastante. Porém, o que mais nos deixou estupefatos, e aflitos, foi constatar que o chão simplesmente não existia mais. Num raio de pelo menos 20 metros o chão cedeu e dava para ver apenas um buraco, isso quando a fumaça se dissipou um pouco. Havia pessoas caídas no chão também, aparentemente todas do exército. Não soube dizer se estavam vivas ou mortas. A Sra. Hughes abafou um grito na garganta e até eu senti vontade de gritar também. Um desespero profundo foi tomando conta de mim, eu queria saber imediatamente onde estavam o Al e o Ed, mas parecia que ninguém ali presente poderia me dar a resposta, nem mesmo os que já estavam lá, pois pareciam atordoados demais para tanto.

Pude ouvir vozes distantes e percebi que eram pessoas chamando conhecidos. Isso parecia um pouco melancólico, mas notei que se quisesse encontrar alguém, esse seria o meio mais eficiente no momento. Então, comecei a gritar:

- ED!... AL! - comecei a andar pela fumaça, com a devida atenção, enquanto continuava meu chamado, que aquela altura já era quase uma invocação – ED!... AL!... - gritei um pouco mais alto que da primeira vez. Logo a Sra. Hughes, Noa e o pessoal que ali estava começaram a repetir esse mesmo gesto, chamando também os nomes de Roy, Riza, Breda e outros amigos do QG, na tentativa de achar um deles, ou todos.

- OOOI! - eu ouvi uma voz, fiz sinal para que o pessoal se aquietasse.

- OLÁ! – chamei.

- AQUI! - respondeu a voz familiar, aquela voz... Riza!

- RIZA, É VOCÊ? - perguntei, ainda tentando achá-la.

- WINRY-SAN? - respondeu um tanto surpresa – O QUE VOCÊ TA FAZENDO AQ- - ela interrompeu-se, desistindo de brigar comigo naquela hora - ISSO NÃO IMPORTA AGORA... SOU EU SIM, ESTOU AQUI. PROVAVELMENTE A UNS CINCO METROS DE DISTÂNCIA...

- ESTOU INDO, RIZA! - disse– VOCÊ ESTÁ BEM?

- SIM – respondeu ela – SÓ ESTOU MEIO PRESA...

A voz de Riza estava mais próxima agora. Gritei que estava chegando, não precisava ser do exército para saber que nos encontraríamos mais fácil se continuássemos mantendo o contato sonoro, e foi isso que eu fiz. Continuei gritando coisas pra ela e ela continuou respondendo, até que finalmente nos vimos.

Riza estava caída no chão e tinha uma pedra enorme sobre sua perna esquerda, o que a impedia de sair dali. Devia estar doendo aquilo, mas a tenente foi bem forte em classificar-se como "meio presa". De fato, não era como se ela estivesse toda soterrada, mas aquela perna definitivamente precisaria de cuidados especiais e muito provavelmente estava quebrada.

Juntamos forças com os homens que ali estavam e, com o auxílio de uma vara de ferro, que usamos como catapulta, conseguimos remover a enorme pedra de cima de Riza. Aparentemente o pessoal do exército já estava acostumado com situações parecidas com aquela, pois fizeram uma imobilização improvisada na perna do tenente, enquanto outros chamavam os paramédicos que já estavam na região da explosão.

- Você tá bem, Riza? - a Sra. Hughes perguntou – Está doendo muito?

- Não, estou bem – respondeu ela – Estou preocupada com o coronel e os outros... Temo que possam ter sido tragados pela cratera.

Fiquei branca com o comentário.

- O Ed e o Al estavam junto deles? – perguntei.

- Não vi direito o que aconteceu, tinha muita fumaça. Mas o Ed e o coronel estavam juntos. O Al estava em algum lugar por aqui. Lembro-me de tê-lo visto pouco antes da explosão.

- E ele estava bem?

- Até àquela hora, sim – respondeu a tenente. Os paramédicos chegaram e colocaram Riza numa maca – Por favor, façam seus curativos aqui mesmo, tenho que localizar meu superior e meus subordinados.

- Temo que não possa se mover agora tenente, a Sra. quebrou a perna – informou o médico.

- Besteira! - disse ela – Estou bem, façam o trabalho de vocês e me deixem fazer o meu.

Eu acreditaria que ela estava bem, se bem na hora o médico não tivesse colocado o osso de Riza no lugar e esta não tivesse abafado um grito de dor com um som sustenido. Juro que senti a dor dela naquela hora... O médico então lavou o local e pôs gesso, dizendo pra que ela não se mexesse até o mesmo secar. Sentamos ali com ela e esperamos, embora meu desejo fosse sair de lá e fazer o que Riza disse que faria.

- Riza? - chamou uma voz familiar. Era, para meu alívio imediato, Al – Você tá bem?

- Sim, foi só uma fratura e você? - reparei que o antebraço direito de Al também estava enfaixado e havia uma enorme camada de poeira sobre ele.

- Desloquei o tendão – disse Al, como se fosse uma coisinha de nada – O que faz aqui Win? Aliás, o que todos vocês fazem aqui? – ele olhava surpreso para a turminha que deveria estar esperando em casa, mas estava ali, no meio do campo de batalha.

-Estávamos preocupados, Alphonse-san – disse Sarah, com sua típica timidez.

- Mesmo assim-

- Como assim "o que estão fazendo aqui"? - perguntei chocada, interrompendo uma possível argumentação de Al – Ouvi o barulho da explosão e vim! Achou que eu ia ficar lá na casa da Sra. Hughes e fingir que você e o Ed não poderiam estar em perigo? Falando nisso, cadê o Ed? – olhei ao redor, ainda não havia sinal dele.

- Não sei – respondeu Al tristemente – Estou preocupado com ele. A última vez que o vi, ele estava com o coronel Mustang bem ali – Al apontou pra um lugar que, para o meu desespero era bem no meio da cratera que a explosão deixou.

- Tem certeza? - perguntou Riza, também preocupada. Al assentiu – O que eu mais temia aconteceu... Espero que não estejam muito feridos - Riza levantou-se, um soldado deu a ela muletas, nas quais ela se apoiou para ficar de pé – Vamos! - ordenou – Temos muito trabalho a fazer.

Quando a fumaça finalmente se dissipou por completo, pudemos ver a extensão do buraco que a explosão fizera. Era enorme, maior do que eu supunha. Como uma simples explosão pudera fazer tantos estragos?

Apenas minutos depois, os que sobreviveram àquela explosão e estavam bem o suficiente para lutar reuniram-se. Nosso grupo de desobedientes ficou dessa vez.

- Alquimia – disse Al – Essa explosão foi produto de alquimia.

- Como você sabe? – perguntou um soldado – Tem certeza?

- Tenho – disse Al – Já vi muito disso para confundir com outra coisa...

- Que foi, Alphonse-kun? – perguntou Riza para um Alphonse de testa franzida – Conheço essa cara, fala logo do que suspeita.

- Não é bem uma suspeita, mas... Isso não ta me cheirando bem...

Ficamos escutando, enquanto Al pensava numa forma de expressar sua ideia.

- Isso foi uma armadilha, é a conclusão mais lógica que posso tomar.

- Por quê? – Alguém se atreveu a perguntar.

- Claro! – completou Riza, ignorando a pergunta do soldado – Se eles estavam em busca de alquimistas federais, nada melhor do que criar uma situação de perigo, para reunir todos em prol da defesa da cidade...

- Isso mesmo! – confirmou Al.

- Isso significa que os alquimistas federais não encontrados até agora estão possivelmente... Mortos? – perguntou a loira com um tom levemente desesperado.

- Ou sequestrados – completou Al, com pesar. Sim, pesar, afinal o coronel e o Ed estavam entre esses desaparecidos. Como a "manteiga derretida" que eu era, já estava quase chorando com aquela conclusão.

- Olha, não é certeza, Win – disse ele ao notar meus olhos marejados, acariciando meu cabelo – Se eles foram mesmo sequestrados, talvez ainda dê tempo de fazer algo.

- O que devemos fazer?

- Creio que nós três deveríamos coordenar esta operação – disse o major Klaus, que de todos ali era o que tinha a maior patente, ou pelo menos, o mais corajoso dentre aqueles com a patente de alquimista federal.

O que se seguiu foi uma conversa técnica sobre como identificar a extensão da transmutação a partir da explosão e daí o Al faria cálculos para descobrir onde isso levaria, em suma, a origem da transmutação. Assim que decidiram isso, ele começou a trabalhar. O major Klaus tratou de reunir todos os capacitados fisicamente, em especial, outros alquimistas para lutar.

- O Alphonse-san vai ficar bem? – Sarah perguntou à Thom. – Ele deslocou o dedo, não foi?

- Ele vai ficar bem – respondi. Eu havia ouvido a conversa sem querer – Ele já passou por coisas piores e sobreviveu...

- Ele é tão forte... – comentou ela.

- É sim... Ele ganha até do Ed lutando – sorri – Ele vai ficar bem sim...

- Ele é muito inteligente também, né? – disse Sarah impressionada - Veja como ele está lidando com esse caso...

- Faltou dizer "bonito" – completei. Sarah corou.

- Eu... – ela estava extremamente sem graça.

- Já sei que você gosta dele, Sarah... Não sei dizer se ele corresponde seus sentimentos, mas você também tem suas qualidades, então, não perca as esperanças. Você pode conquistar ele, amiga!

Sara estava realmente sem graça com aquela conversa. Ela já estava roxa de tão corada que estava. O vermelho já havia sido ultrapassado há muito tempo.

- Relaxe maninha! – disse Thom – São boas notícias afinal...

- Localizei, Riza-san! – disse Al, saindo da cabana improvisada que armaram no meio da rua para eles.

- Hm...

- Descendo pela cratera tem um túnel de um antigo sistema de esgotos que havia nesta cidade, mas fora desativado, devido à reforma sanitária – disse Al, abrindo o mapa que estava em sua mão em cima de um pedaço de concreto grande – Os rastros alquímicos apontam que, quem quer que fosse, seguiu por esta direção. – ele apontou o local - Meu palpite é de que os alquimistas federais que estavam dentro do raio desta cratera foram transmutados para outro lugar, provavelmente esse aqui – ele apontou outro local, à esquerda do anterior, no mapa - através de uma combinação de fórmulas alquímicas e com a ajuda deste duto antigo de esgoto.

- Então vamos atacar essa noite – disse Riza sem hesitação alguma – Quanto mais rápido agirmos, maiores as chances de acharmos eles vivos.

- Sim, mas temos que ter cuidado redobrado, é provável que estejamos entrando em território inimigo – ponderou Al –Não sabemos quantos são e nem o objetivo deles. Pode ser muito bem outra armadilha.

- Sim... Tem razão – disse o major Klaus, também ponderando - Mas as vidas dos nossos homens estão em perigo... Precisamos arriscar.

- Ok. Tem razão. – concordou Al – Sei que temos que agir rápido, contudo, ajamos com cautela, por favor.

- Com toda cautela – Riza olhou para nós – Vocês esperam aqui em cima ou então voltam pra casa dos Hughes. Não quero que desçam, mesmo que escutem quinhentas novas explosões, entendido?

- Sim senhora! – respondemos com certo medo do tom de voz que ela usara. Não era um tom que permitia argumentação. E era o primeiro tenente Hawkeye quem estava mandando, não nossa amiga, Riza-chan.

Eu só saberia dos acontecimentos posteriores pelo relato de outra pessoa, pois fui obrigada a, mais uma vez, esperar pela volta dos meus amigos. Esses acontecimentos, contudo, seriam reveladores e predecessores de novos acontecimentos que me fariam seguramente afirmar que essa história ainda não havia chegado a seu capítulo final.

- Nos vemos em breve – disse Al, usando alquimia e seguindo com o comando tático cratera abaixo.


NOTA DA AUTORA:

Bem, acabou a temporada. Estou me sentindo um tanto saudosa, porém muito orgulhosa por ter levado isso até o fim, muito embora esse capítulo não tenha ficado 100% como eu esperava, principalmente lá pro meio... Mas, tudo bem ^^ Agradeço de coração à todos que participaram acompanhando e comentando meu trabalho ao longo dessas quatorze postagens e quase dois anos seja por review, PMs, MSN, etc... Sem vocês, podem ter certeza que eu não concluiria isso.

Contudo, não há motivos para lágrimas (a autora ta se achando aqui. Té parece que os leitores chorariam se ela terminasse a fic por aqui... ¬¬'), tem uma temporada novinha em folha pela frente, e eu já estou trabalhando empenhadamente nisso! xD

Fiz umas mudanças tensas no meu roteiro da próxima temporada (tipo: quase tudo o.o), mas creio que ela será mais instigante para todos (espero).

Karenine fez uma fic maravilhosa de Inuyasha chamada Gomenasai (acho que foi até por lá que nos conhecemos, não foi, Karen-chan? Eu comentando sua fic... ^^), mas enfim, ela fez um making off da fic dela e sugeriu que eu fizesse o mesmo com esta, visto que ela é tão longa.

Se a ideia for do agrado de todos, posso fazer sim ^^, lembrando que isso não vai interferir na data de postagem da próxima temporada (para os que estão achando que a postagem de um extra faria "Com outros olhos" demorar séculos para sair). Falando nisso, eu ainda não sei qual vai ser a data de postagem da nova temporada, mas quem sabe na postagem do making off eu já possa dizer isso a vocês...

Se gostaram da ideia, digam isso nos comentários (além do que acharam deste capítulo e da fic, claro ^^) e eu postarei aqui mesmo o making off, falando de minhas ideias e impressões sobre Kali, entre outras coisas, e responderei quaisquer perguntas que vocês deixarem nas reviews, na medida do possível.

Se votarem pelo making off, em breve eu posto ele aqui, caso contrário, nos vemos na próxima temporda de Kali! De qualquer forma, isso é um "até breve"! o/

Não se esqueçam de marcar "Author alert" na caixinha de reviews, antes de enviá-la, porque a próxima temporada provavelmente será postada separada dessa, como se fosse uma nova fic, então se fizerem isso, assim que eu postar o FFnet avisará a vocês por e-mail que postei. Não se preocupem, não sou daquelas autoras que escrevem 20 fics por dia, então o site não vai poluir a caixa de entrada de ninguém com alerts meus...

Mais uma vez, obrigada por tudo. Pelas reviews, observações, sugestões, críticas, elogios, pelos xingamentos à Noa lol, pela companhia, amizade, apoio moral e até aos que leram anônima e secretamente, mas não deram as caras por algum motivo... Enfim, tudo mesmo! Valeu, minna-san! Foi um prazer estar com vocês por todos esses meses! Honto, honto arigatou! xD

Ja ne! o/

See you next time...

K-chan