NA: Tem um tempinho que escrevi essa fic e hoje resolvi que não custa nada postá-la. Essa fic se passa durante Inuyasha Kanketsu-hen, mas não é preciso ter assistido pra entender a história. Ah! Como meu teclado tava com problemas na época, algumas palavras aí podem estar sem acentos e afins, tentei corrigir, mas provavelmente deixei passar alguma, ou algumas... hehehe Mas, de qualquer jeito, espero que gostem! Boa leitura!


I Need Help You


Kagome estava na escola, assistindo suas aulas tranquilamente, ou, pelo menos, tentando assistir. Seus pensamentos estavam concentrados em certo hanyou, na era feudal. Ela estava preocupada com ele porque, após a morte de Kikyou, ele ficara retraído, calado, triste, abatido... Nem brigava mais com Kouga, ou com Shippou. E o pior de tudo é que ele insistia em mostrar que estava bem, quando era óbvio que ele não estava. Por mais que a colegial tentasse, não conseguia fazer com que Inuyasha se abrisse, e essa situação já estava a matando.

Kagome andou pensando também sobre seus tempos na era feudal e começou a constatar que guardar essa vida dupla como segredo não era tao fácil quanto ela pensara a principio, principalmente por causa de suas amigas Eiri, Ayumi e Yuka. Tinha dias, principalmente aqueles em que acontecia algo com Inuyasha, que as amigas pareciam capitar as coisas no ar. Hoje era um desses dias.

- Kagome? - chamou Eiri – Você esta muito distraída hoje...

- Aposto que ta pensando naquele seu namorado – retrucou Yuka

- Não é nada disso! - argumentou Kagome, levemente corada – Pra começo de conversa, Inuyasha não é meu namorado!

- Não... Imagina... - ironizou Ayumi

- Não é não! - enfatizou Kagome

- Mas, você gosta dele, não gosta? - perguntou Eiri

- Ele gosta de você também? - atropelou Yuka

- ... Gosto. Eu gosto dele sim. – confessou Kagome, corando novamente.

- Ele sabe disso?

As amigas de Kagome estavam em polvorosa. Era a primeira vez que a garota assumia que gostava do rapaz estranho de cabelos brancos.

- Imagino que ele não faça a menor ideia – respondeu a colegial

- Nunca pensou em contar pra ele?

- Me declarar? Tão loucas? - questionou Kagome, agora hiper corada - Além do mais – continuou Kagome, um tanto melancólica - Ele ama outra garota...

- Não brinca!

- Verdade. É um antigo amor do passado que ele ainda não conseguiu esquecer.

- Que chato, K-chan! - disse Yuka – E eles estão juntos?

- Não, ela morreu há poucos dias. Ele está arrasado.

- Nhay! Que pena! - exclamou Yuka, juntando as duas mãos, quase como se fizesse uma oração, toda compadecida – Você falou com ele depois disso?

- Mais ou menos, provavelmente ele não quer falar no assunto – respondeu Kagome – Ele odeia que sintam pena dele, acho que é o pior dos sentimentos que podem oferecê-lo. Ele fica fazendo pose de durão, mas eu sei que ele está sofrendo... Mas... Mas... Mesmo assim, ele não quer ajuda, não quer dar o braço a torcer... Sei lá, parecer fraco.

- De onde ele tirou essas ideias? - perguntou Eiri – Qualquer pessoa normal sofre quando alguém querido morre.

- Eu sei. - disse Kagome – Mas, ele é muito orgulhoso.

- O que você pretende fazer a respeito, Kagome? - perguntou Ayumi

- Não sei...

- Mas, você precisa ajudar ele de alguma forma! - retrucou a amiga

- Eu sei! - Kagome suspirou pesadamente – Mas, como eu vou fazer pra ele entender que eu não tenho pena dele, que eu só quero que ele saiba que estou do lado dele?

- Nossa Kagome! Isso foi lindo! - disse Eiri – Você devia dizer exatamente isso pra ele!

- Você acha? - perguntou Kagome insegura

- Uhum. - respondeu Eiri - Eu sei que você não é orgulhosa. Um pouco de bom senso nessas horas significa tudo.

- A Eiri tem razão, Kagome – disse Yuka – Fala com ele hoje.

- Tudo bem, vou tentar – disse Kagome sorrindo – Obrigada, meninas!

- A aula terminou depressa, embora para Kagome tenha durado séculos. A garota voltou voando para casa – não literalmente, lógico – e, após um almoço super corrido, ela foi direto para o poco Come-ossos. Estava ansiosa, nervosa, e um monte de coisas, mas tentou se acalmar. Encontrou Inuyasha no topo de uma árvore, como sempre que ele resolvia montar vigia ou, como era o caso, ficar sozinho.

- Inuyasha? - chamou Kagome – Inuyasha? - insistiu. Ela sabia que ele estava ouvindo.

- O que é? - perguntou o hanyou, sério

- Desce um pouco, quero falar com você.

- Não quero conversar agora.

- Eu preciso falar com você. Por favor...

Inuyasha desce da árvore, ainda com o semblante sério.

- O que é?

- Vamos dar uma volta.

Inuyasha estudou a expressão de Kagome, sabia que ela não queria dar volta nenhuma, apenas conversar com ele a sós. Pela sua expressão séria, parecia ser algo importante. Inuyasha então nada disse, apenas seguiu a garota. Eles foram ate o sopé de uma pequena colina, perto de uma árvore frondosa, a beira de um riacho.

- Pode falar agora, o que é? - perguntou Inuyasha, percebendo que já estavam a uma distância considerável da cabana de Kaede, embora não fosse tao longe assim.

- Estou preocupada com você – disse a colegial

- Preocupada? Porque?

- Não se faça de desentendido – retrucou Kagome – A Kikyou morreu, você a amava. Não venha me dizer que ta tudo bem.

- Eu to bem.

- Não ta não! Eu notei como você ta diferente – Kagome solta um suspiro – Inuyasha... É natural que você esteja sofrendo, não há nada de errado nisso.

- Eu não estou sofrendo, não preciso que sinta pena de mim.

- Eu sei disso! É esse seu problema! - exclamou Kagome, exasperada – Você sempre acha que as pessoas ou te odeiam ou tem pena de você, mas olha, eu tenho uma novidade: Eu não sinto por você nenhum dos dois!

- Se você é tão indiferente, por que veio falar comigo? - perguntou o hanyou

- Não sou indiferente! Existem outros sentimentos as pessoas podem ter por você, além de ódio e pena.

- Como o que? Medo?

- Não! Amizade, e...

- E...?

- ...Amor. - disse Kagome meio corada – Olha, - ela respirou fundo - eu só queria que você soubesse que não esta só. Não precisa sofrer só. Eu estou aqui com você, vou estar sempre. Você não precisa se fechar na sua concha. Você é forte, Inuyasha! É essa a imagem que eu tenho de você. Ela não vai mudar porque você esta sofrendo, ou porque você resolveu se abrir de vez em quando... É isso que faz de nós humanos, e, querendo ou não, você é metade humano. Imagino que talvez seja complicado pra você entender tudo isso que esta sentindo agora, mas você não precisa passar por isso sozinho. Eu... Eu...

- Obrigado, Kagome – interrompeu Inuyasha – De verdade, estou agradecido por ter insistido em falar comigo. Eu...

Kagome esperou em silêncio que ele falasse.

- Eu estou muito confuso – disse Inuyasha – Estou triste com a morte de Kikyou, com raiva de Naraku porque ele a matou, com raiva de mim mesmo, por não ter conseguido impedir...

- Ninguém pôde impedir Inuyasha, não estava ao seu alcance.

- Meu coração está despedaçado, Kagome.

Kagome abraça Inuyasha e ele se deixa embalar pelo abraço. Eles ficam daquele jeito por longos minutos. Passado um bom tempo, Inuyasha diz pela segunda vez:

- Obrigado.

- Não precisa agradecer – disse Kagome

- Você não existe... - sussurrou o hanyou – Humanos... Eu não entendo eles.

Kagome sorriu. Pelo visto ela tinha ajudado, mesmo que um pouco, seu amado hanyou a se sentir melhor.