Lynne Graham

Adaptação.

Personagens pertencentes a Lynne Grahame e Stephenie Meyer

Historia pertence a Lynne Graham.

A Noiva do Deserto

Lynne Graham

CAPÍTULO V

Sozinha, Isabella notou a valise que não voltara a ver desde que fora levada ao palácio. Apressada, trocou as roupas suadas por um prático conjunto de calça comprida e camiseta e escovou os cabelos. Quinze minutos haviam se passado. Pela fresta da tenda, podia ver o helicóptero no meio do acampamento. Transpirando, ergueu a valise e deu alguns passos.

Nunca mais o veria.

E daí? Não vivera vinte e sete anos longe dele? Nunca é muito tempo. Maldição! Tinha de tomar a atitude mais sensata, mesmo que fosse a mais dolorosa!

Nunca é muito tempo... Qual a diferença entre um romance e um casamento temporário? E por que estava tão furiosa, se definha o poder de decisão?

Poder de decisão? Onde ele poderia estar, se a outra opção era nunca mais vê-lo? Se os pensamentos tivessem o poder de matar, o príncipe já estaria morto. Estava atormentada, e a palavra nunca erguia-se como uma muralha entre ela e a liberdade que tanto prezava.

Um barulho ensurdecedor se fez ouvir lá fora e as hélices do helicóptero começaram a girar. Isabella, que jamais chorava, surpreendeu-se banhada por uma torrente de lágrimas desesperadas e furiosas. Desprezava-se e odiava Edward. Num espaço de quarenta e oito horas ele havia virado sua vida de cabeça para baixo, atraindo-a para uma armadilha que só reconhecera tarde demais. Jamais o perdoaria por tê-la empurrado contra a parede e a forçado a render-se!

— Qual é o problema, sitt?

Isabella enxugou as lágrimas apressada e encarou a jovem árabe que acabara de entrar.

— O príncipe Edward está irado. Ele ficou muito preocupado com sua segurança, mas os dias levarão embora a raiva e o ressentimento.

Isabella deixou que Angela tomasse sua mão para cuidar doa ferimentos.

— Soube que sua família foi ameaçada por Angela. Isso é verdade?

— Sim, mas agora não preciso mais me preocupar com a ameaça. Minha família vivo sob a proteção do príncipe, e ele dará um novo emprego a meu pai.

— Que bom.

— Estou feliz por nosso príncipe não ter se casado com Irina. Era o que o Rei desejava, mas as pessoas que a conhecem, não podiam concordar com esse desejo.

Então Irina recebera o selo de aprovação real. Edward não mencionara esse fato. Por isso ela se mostrara tão hostil e arrogante.

— O que viu no pátio do palácio... não deve ter piedade dela. — Angela comentou. — Irina fez tudo aquilo para envergonhar o príncipe e convencê-lo a mandá-la embora. Uma mulher não deve embaraçar um homem daquela maneira! Se o pai dela souber, certamente a expulsará! O pobre coitado morreria de tristeza e vergonha.

Angela terminou o curativo e levantou-se, limpando as mãos no tecido da saia.

Imediatamente suas duas ajudantes apareceram, carregando uma infinidade de utensílios. Suportes para incensos, que foram acesos para perfumar a tenda, uma banheira de alumínio, colocada depois atrás de um biombo, e muitos baldes de água morna, que foram sendo trazidos um a um.

Isabella acompanhou a movimentação num silêncio atônito, até que Angela a puxou para trás do biombo. Sério, a criada cobriu os olhos.

— Não vou olhar, sitt. Só quero ajudar.

Isabella riu, a tensão desaparecendo como que num passe de mágica. Por que não? Edward não podia estar falando sério sobre o casamento. Seria ridículo! A ameaça havia sido produto da raiva. Mais tarde o chamaria à razão, os dois conversariam como adultos e tudo seria resolvido.

Aceitaria sua hospitalidade por mais alguns dias e veria como iria se sentir. Não precisava voltar para casa correndo como uma donzela vitoriana ameaçada de estupro! Fugir seria repetir o gesto de covardia que cometera na Inglaterra, dois anos antes, e nada a impedia de aproveitar a oportunidade para conhecer Edward um pouco melhor. Enquanto isso, poderia até começar a pesquisa...

Em silêncio, acomodou-se na banheira cheia de água morna e deixou-se banhar, fechando os olhos quando Angela dedicou-se à cuidadosa higiene de seus cabelos. Envolta em toalhas, esperou que a criada a penteasse e pintasse suas unhas. Por que tanto capricho?

— Parece cansada, sitt. Deite-se e durma um pouco. A festa se estenderá por horas.

Festa? Então alguém ia oferecer uma festa! Satisfeita a curiosidade, Isabella sorriu e acomodou-se no divã. A última coisa que ouviu foi o motor de um helicóptero.

Quando abriu os olhos novamente, teve certeza de que o ruído era provocado por vários helicópteros. Algumas horas haviam se passado desde que adormecera, conseqüência da noite de insônia.

Angela ajudou-a a vestir a túnica de seda bordada e ajeitou a faixa de tecido brilhante em torno de sua testa.

— Está linda, sitt. Podemos ir?

Isabella a seguiu para o ar quente e parado do exterior da tenda. Só precisaram andar alguns metros para chegarem a uma segunda barraca, muito maior que todos as outras, repleta de mulheres bem vestidas e cobertas de jóias. Uma a uma, todas se aproximaram para beijá-la no rosto. Eram imensamente simpáticas, mas não falavam seu idioma, e Isabella lamentou não poder conversar e fazer algumas perguntas. Um banquete impressionante estava sendo servido numa mesa no centro do ambiente.

Não sentia fome, mas decidiu provar alguns quitutes por delicadeza. A refeição estendeu-se por algumas horas, mas a reunião não a aborreceu. Eram tantas coisas acontecendo à sua volta que estava fascinada, e quando a comida foi retirada começou a dança. Música típica da região brotava de diversos auto-falantes, e todas riam muito e divertiam-se na atmosfera quente e barulhenta.

— Por favor, siga-me, sitt — Angela apareceu a sou lado. - Chegou a hora.

Quando Isabella levantou-se, a música cessou. Hora de quê? Gostaria de perguntar, mas Angela devia estar indicando que a festa chegara ao fim, e ainda não conseguira descobrir o que comemoravam. As pessoas gritavam Lullah... lullah!, provavelmente uma despedida, já que todos acenavam em sua direção, e ela decidiu retribuir, enquanto seguia a criada até as cortinas penduradas no extremo oposto da tenda que funcionavam como divisória.

Edward estava do outro lado, cercado por um grupo de homens. Parecia tão lindo com a tunica de linho branco e o véu azul escuro, preso à sua cabeça por um grosso cordão dourado, que de repente ela teve medo de que as pernas não pudessem sustentá-la. Um homem mais velho e barbudo falava com ar solene e recebia toda a atenção do grupo.

Quando esse homem adiantou-se e segurou sua mão, prendendo uma espécie de lenço em torno de seu pulso, Isabella ficou surpresa. Então ele prendeu a outra ponta do lenço no pulso de Edward e começou a falar. Que diabos estava acontecendo? Quando o lenço foi retirado, a compreensão a alcançou como uma bofetada. O sujeito devia ser uma espécie de sacerdote! A menos que estivesse enganada... Não. Devia estar enganada.

Assustada, olhou para Edward e viu que ele a encarava com a testa franzida, provavelmente estranhando sua palidez. Deus, amenos que estivesse muito enganada, acabara de tomar parte numa cerimônia de casamento, e no papel de... Noiva? Ela, Isabella Swan , que sempre fora contra o casamento, havia acabado de participar de uma cerimônia de casamento com a qual jamais concordara? Chocada, percebeu que estava tremendo. Não podia ser legal... não quando não entendera uma palavra do que havia sido dito. Os homens estavam se afastando.

— Qual é o problema com você? — Edward perguntou em voz baixa, visivelmente tenso.

— Devia estar trancafiado! Não consenti com esse casamento!

— Mas eu avisei que seria minha esposa se ficasse...

— E por acaso eu disse que concordava?

— Você ficou... e eu interpretei seu gesto como um consentimento — o príncipe respondeu com tom incrédulo. — Acreditei que finalmente havia sido tocada pelo bom senso!

— Há uma grande diferença entre ficar e casar — Isabella suspirou. Em seguida a raiva a dominou e ela o encarou, os olhos repletos de acusações. — Fez tudo isso de propósito, não foi? Sabia que eu não acreditaria naquela ameaça ridícula, e aproveitou-se de minha ignorância para...

Edward segurou-a pelos ombros e puxou-a para mais perto.

— Pare com isso. Esse não é o lugar para uma discussão. Na verdade, não haverá mais esse tipo de discussão. Agora você é minha esposa. Não me envergonhe diante de minha família, pois isso seria algo que eu não poderia perdoar... nem eles. Esses procedimentos são sérios. Onde está seu respeito?

— Mas eu não sabia... Eu não percebi...

— Eu não disse?

— Bem... Sim, mas eu não acreditei.

— Pois agora pode acreditar.

— Não quero!

— Então, por que ficou? Por que não partiu naquele helicóptero?

— Não pensei que estivesse falando sério sobre se casar... não hoje, aqui, agora! E não numa cerimônia desse tipo — ela concluiu num sussurro, tonta e chocada. Por que não percebera antes? Não esperava que uma cerimônia completa, com um sacerdote, convidados e testemunhas, fizesse parte de um acordo de matrimônio temporário.

— O que há de errado com a cerimônia?

— Nada, mas... Bem, pensei que quisesse um certo tipo de contrato... Irira disse...

— Oh, não! O que foi que ela disse? — Edward trovejou, subitamente furioso.

— Ora, ela me contou que você não pretendia um casamento de verdade, e já li algumas referências à essa prática denominada mut'a.

— Mut'a — o príncipe repetiu. — Não reconhecemos esses arranjos, porque eles permitem todo o tipo de abusos. Nossas regras matrimoniais são determinadas pela lei, e valem tanto quanto as vigentes em seu país.

— Oh!

— Lamento desapontá-la, mas estamos realmente casados. E você ainda não disse por que não partiu com o helicóptero.

Isabella ficou em silêncio, a mente no mais completo caos.

— Vou alegar insanidade temporária! — disse.

Edward encarou-a como se pretendesse dizer algo importante, mas o som de vozes do lado de fora da tenda o fez mudar de idéia.

— Vai sentir-se ainda mais casada quando isso terminar — ele prometeu, afastando-se alguns centímetros.

— O que quer dizer? Eu...

A chegada de um religioso a silenciou. O pobre coitado entrou apressado, desfiando um punhado de desculpas pelo atraso, e logo atrás dele vinha um casal elegante e sério.

— Posso apresentá-la ao reverendo Jenks, capelão do Royal City Hospital? — Edward ofereceu com expressão tranqüila. — Minha irmã Alice e seu marido, Jasper, que gentilmente aceitaram o papel de testemunhas.

Aturdida, Isabella apertou a mão do ministro, recebeu um abraço caloroso de Alice e um aperto de mão formal, embora firme, de Jasper.

— Fomos culpados pelo atraso — a irmã do príncipe explicou. — Devíamos ter chegado essa manhã, mas sabe como é o mundo dos médicos... Fomos retardados por uma emergência.

— Já sabemos que foi chamada à sala de cirurgia, e naturalmente compreendemos que a necessidade de salvar uma vida é maior que qualquer coisa — Edward respondeu.

— Mas isso criou uma grande confusão, meu irmão. Sei que queria as cerimônias em ordem inversa, e era minha obrigação ajudar a noiva a vestir-se e fazê-la sentir-se em casa, apresentando-a a todos os parentes. A pobrezinha ficou à deriva no próprio casamento! Receio que Angela não tenha sido a intérprete ideal aos olhos dos mais velhos. São todos tão esnobes...

Jasper adiantou-se e pousou a mão no ombro da esposa.

— Não acha que devemos dar a apalavra ao reverendo Jenks, querida? Isabella logo vai perceber que, quando começa a falar, você não pára nem para respirar.

Isabella forçou um sorriso. Então Edward pretendia realizar a cerimônia católica em primeiro lugar, e nesse caso teria compreendido a situação a tempo de impedi-la. Mas... teria mesmo impedido o casamento? Teria tido a coragem necessária para recusá-lo diante de sua família, frustrando assim as expectativas de pessoas tão importantes?

Deus, um gesto como esse teria causado enormes problemas, sem mencionar a humilhação pela qual o faria passar... Não, não acreditava que tivesse a coragem necessária para colocá-lo em posição tão delicada, quando sua consciência insistia em sugerir que desempenhara um papel considerável no mal-entendido que os empurrara para a desastrosa conclusão.

— Podemos proceder? — o religioso quis saber.

Quando o príncipe afirmara que se sentiria ainda mais casada no fim do dia, não estava exagerando. O serviço foi tradicional. Isabella ofereceu suas respostas com voz fraca, e quando Edward segurou sua mão para colocar a aliança ela estava tensa, rígida como um manequim de cera.

No momento de assinar o registro, sua assinatura saiu tremida. Mal entendido? Que o diabo o protegesse, porque o mataria com as próprias mãos assim que conseguisse pegá-lo sozinho!

— Vou adorar ter outra mulher liberal na família! — Alice riu quando o ministro iniciou uma conversa com Edward. — Tive de me casar para conquistar a liberdade, e papai ainda está tentando recuperar-se do choque de ver o que ele chamava de um hobby excêntrico transformar-se numa carreira.

— É cirurgiã? — Isabella perguntou, tentando comportar-se com um mínimo de

normalidade.

— Obstetra. Na verdade, não pude escolher outra especialidade. O homem jordaniano é uma criatura absolutamente machista, mas é capaz de correr quilômetros antes de deixar-se examinar por uma médica. Porém, quando descobre que há uma mulher para atender às necessidades de sua esposa, esse mesmo homem pode mostrar-se encantado! Estou feliz por ter se tornado parte de nossa família, Isabella — ela disse, sorrindo com sinceridade. — E lamento que tenha tido de esperar tanto por...

— É hora de irmos — Edward interrompeu bruscamente.

— Por que esse comportamento de príncipe coroado? — Alice perguntou com a testa franzida.

— Alice... — Jasper a censurou encabulado, consciente da atmosfera carregada.

A irmã do príncipe submeteu a cunhada a um olhar cheio de dúvidas e incertezas, preocupação e espanto.

— Esperamos que venham nos visitar — Edward convidou com tom seco.

Estavam saindo da tenda quando Isabella ouviu as palavras em árabe ditas pela irmã do príncipe.

— O que ela disse?

— Lamento, mas prefiro não traduzir — Edward suspirou, dirigindo-se ao helicóptero com passos seguros e rápidos, certamente esperando que a esposa o seguisse sem fazer perguntas. Atrás deles, a música deu início à festa.

— Edward?

Tenso, o príncipe parou e esperou que o alcançasse.

— Quer saber o que vai acontecer agora? É muito simples. No final do verão nos divorciamos. Você vai embora. Eu tomo outra esposa e deixo esse terrível, estúpido e imperdoável engano para trás.

— Divórcio? Outra esposa? — Isabella o encarava como se estivesse diante de um fantasma, incapaz de compreender a súbita mudança de disposição.

De repente ele seguiu em frente e subiu no helicóptero, obrigando-a a correr para alcançá-lo. Assim que ela se acomodou no banco de trás, Angela entrou pelo outro lado e sentou-se, silenciosa e servil como sempre. O motor pôs as hélices em movimento, provocando um ruído ensurdecedor e, felizmente, impedindo qualquer tentativa de conversação.

E ai o que acharam…..?