Capítulo 25 – Repercussões

O barulho no salão comunal da Grifinória era ensurdecedor. Harry não entendia porquê nenhum professor tinha aparecido ainda para acabar com a bagunça, já que o barulho com certeza já deveria ter acordado o castelo inteiro. Padfoot, o traidor, tinha se escondido na cama de Harry assim que o barulho começou. Pelo olhar que ele lançou a Harry, o nível sonoro alcançado por algumas das meninas era tão alto que machucava as sensíveis orelhas de cachorro dele.

Harry até tinha tentado seguir o exemplo de seu padrinho e se esconder no dormitório, mas cada vez que ele se aproximava das escadas, um de seus colegas o interceptava, levando-o novamente para o meio da multidão composta por praticamente todos os alunos pertencentes à Grifinória. Na verdade, Harry tinha a ligeira impressão de ter visto um cachecol azul e bronze em algum lugar, mas não tinha certeza se ele realmente tinha visto isso, ou se era só o sono falando mais alto. Outra coisa que Harry não entendia era a insistência de seus colegas em que ele participasse da bagunça, já que o único momento em que eles lhe davam atenção era quando ele tentava sair do meio do tumulto enquanto os outros alunos tagarelavam uns por cima dos outros, perguntando, questionando e teorizando sobre o que tinha acontecido com o cálice de fogo sem realmente dar a Harry uma chance de dizer um "A" sequer.

Já passava das duas da manhã quando finalmente o retrato da mulher gorda se abriu para deixar passar a figura enfurecida de Minerva McGonagal. Não que os alunos tenham percebido que não eram mais os únicos acordados.

-O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI?

Um pesado silêncio caiu sobre o salão comunal. Os alunos se entreolhavam sem saberem como reagir.

-É só uma celebraçãozinha, professora. – Fred Weasley foi o Grifinório que fez jus à fama de corajosos – temos um representante no torneio!

-Isso! – concordaram alguns dos outros leões mais corajosos.

-CHEGA! – a voz da professora ressoou nas paredes de pedra – todos vocês, para a cama! AGORA!

Levou um total de 3 segundos para que o salão comunal se esvaziasse. Satisfeita, Minerva passou os olhos uma última vez para ter certeza de que nenhum de seus alunos tinha ficado para trás. O salão estava vazio. Com um sorriso satisfeito no rosto, Minerva voltou rapidamente para o seu quarto. Talvez agora ela conseguisse dormir um pouco.

FILHODEQUEMFILHODEQUEM

Harry foi o último a entrar no quarto que ele dividia com Ron, Neville, Dean e Seamus, e assim que passou pela porta, percebeu que as ordens da diretora da Grifinória não seriam seguidas tão a risca quanto ele desejava.

-Você ainda não contou pra gente como conseguiu entrar no torneio, Harry. – disse Seamus.

-Isso é porque eu não entrei. – respondeu Harry torcendo para que os outros o deixassem dormir logo.

O moreno de olhos verdes estava exausto. Tudo o que ele queria era deitar e dormir. De preferencia dormir e só acordar depois que o torneio já tivesse acabado.

-Ah, qual é, Harry! Nós não vamos contar pra ninguém! – insistiu Dean.

-Eu não sei como isso aconteceu, ok? Eu não fiz isso! Não coloquei meu nome no cálice! – ele já estava perdendo a paciência e a falta de sono só fazia piorar o seu humor.

-Melhor a gente ir dormir. – falou Neville – antes que a diretora volte só por nossa causa.

Ainda insatisfeitos com a recusa de Harry em responder, os garotos sabiam que eles NÃO queriam fazer a diretora voltar à torre só pra brigar com eles. Deitado em sua cama, Harry não conseguiu não se preocupar com o silêncio de Ron, mas a presença de Sirius deitado ao lado de Harry na cama – e ocupando mais espaço do que Harry, um feito que o garoto ainda não conseguia compreender – ajudou o garoto a pegar no sono e dormir um sono sem sonhos pelo resto da noite.

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Foi apenas no dia seguinte, já durante o almoço, que Harry conseguiu ter um momento para falar com Ron e Hermione. Praticamente todos os grifinórios tinham decidido pular o café da manhã para poderem dormir por mais alguns minutos, o que fez com que Ron passasse a manhã toda reclamando de fome.

-É claro que eu acredito em você, Harry! – afirmou Hermione enquanto abraçava o amigo.

Ron ainda não tinha dito uma palavra para Harry. O moreno sorriu para a amiga, mas seu sorriso sumiu ao ver que o ruivo o fuzilava com os olhos.

-É tão obvio que alguém confundiu o cálice! – isso fez os olhos de Ron saltarem de Harry para Hermione – de que outra forma você teria sido escolhido como um QUARTO campeão?

-Acho que você é a única que percebeu isso... – murmurou Harry – todo mundo continua focado no fato de eu o meu nome ter sido chamado..,

-Oh, Harry... – Hermione não sabia o que dizer para alegrar o amigo, então seus olhos se voltaram para Ron, que encarava seu prato fixamente – RON! Não me diga que você realmente acredita que Harry teria feito uma coisa dessas?

-É claro que não! – o ruivo respondeu tão rápido que Harry e Hermione nem precisaram ver as orelhas vermelhas dele para saberem que ele estava mentindo.

-Oh, Ron... – até parece que você não conhece seu melhor amigo. – lamentou-se Hermione antes de se levantar e puxar Harry para longe da mesa da Grifinória. Todos os que tinham ouvido a conversa deles (incluindo Ron) se remexerem em seus lugares, muitos deles sentindo-se culpados por não terem sequer pensado no significado de existir um quarto campeão num torneio que tradicionalmente era disputado apenas por TRÊS representantes.

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Na semana após a nomeação dos campeões, Harry viu Hogwarts se dividir em cerca de seis grupos; o primeiro grupo era formado pelos alunos estrangeiros, que estavam inconformados com o fato de Hogwarts ter dois competidores. O segundo grupo – formado principalmente pelos sonserinos – reunia aqueles que se irritavam com o fato de Potter poder competir mesmo tendo claramente quebrado as regras. Num terceiro grupo se encontravam aqueles que viam a nominação de Harry como uma afronta direta à Cedric e a tão esperada glória da casa Lufa-lufa. Tinha também aqueles que estavam intrigados com a escolha de quatro campeões em vez de três, principalmente depois que a argumentação de Hermione tinha se espalhado entre os corvinais. O quinto grupo era o que Harry mais gostava e odiava, esse grupo era composto por aqueles que acreditavam que Harry não tinha colocado seu nome no cálice, ou pelo menos daqueles que apoiavam Harry completamente como campeão independentemente do porque ele tinha sido escolhido. O último grupo era também o menos, formado pelos poucos alunos (principalmente do quinto e sétimo ano) que não estavam nem ai para quem os campeões eram e queriam apenas aproveitar o torneio como forma de relaxarem entre as sessões de estudo.

Os professores pareciam estar divididos entre os que acreditavam em Harry e os que achavam que ele realmente tinha roubado a honra dos Lufa-lufas (ou seja, Sprout). Harry não sabia o que era pior: os sonserinos que tinham criado bottons que diziam "Apoie Cedric Diggory" e mudavam para "Potter Fede" sempre que Harry estava por perto ou os grifinórios que o seguiam onde quer que ele fosse. Fred e George pareciam achar que alguém iria sair de detrás de uma estátua para atacar Harry a qualquer momento e por isso o acompanhavam de uma sala para a outra.

Por fim, quando a primeira tarefa estava a apenas duas semanas de acontecer, o moreno de olhos verdes finalmente conseguiu se livrar de seus guarda-costas e, escondido debaixo de sua capa de invisibilidade, foi visitar Severus. Sirius, como cachorro, tinha uma liberdade muito maior do que Harry, portanto o garoto não se espantou quando, ao entrar nos aposentos de Snape, ele encontrou não só o pai, mas também o padrinho. Harry sabia que os dois adultos conversavam regularmente para trocar ideias, informações e estratégias para ajudar Harry a sobreviver ao torneio.

Ao se sentar no sofá entre as duas pessoas mais importantes de sua vida, Harry finalmente conseguiu relaxar por um momento. Era o primeiro encontro da família Black-Potter-Snape e Harry tinha certeza de que sairia dali com um plano perfeito para passar pela primeira tarefa ileso.


N/a: Reviews?