Título: Pequena Surpresa

Autora: Lab Girl
Beta: MLSP
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, future fic/family fic, romance, humor
Advertências: Menções bem light a relações adultas
Classificação: PG-13
Capítulos:
4
Status:
Em andamento

Resumo: Booth & Brennan agora têm uma família... e uma perspectiva animadora.

Notas da autora: Esta fic vem depois dos acontecimentos de "Pequeno Cupido". Quem não leu, recomendo altamente que leia, para entender como chegamos a este ponto (tem apenas 5 capítulos curtos). Os acontecimentos aqui se situam exatamente um ano depois da fic que a precede.

É mais uma história feita para o "Projeto Bones in picutre... the history continues!" do fórum Need For Fic. Eu já deveria tê-la publicado - era para o final de ano/Natal 2010 - mas eu acabei me enrolando com ela e só saiu agora. Mas antes tarde do que nunca ;)

Agradecimento Especial: A minha Beta querida, Nina, que mais uma vez é responsável por não me deixar guardar mais um trabalho no meu baú de fics.

Esta fanfic foi especialmente escrita para os BonesManíacos que adoram family fics e histórias felizes. Feita com muito carinho, espero que gostem!


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Capítulo 1

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"A Bones vai ter um bebê?"

Os olhinhos infantis de Parker Booth brilharam naquele instante, e o pai do garotinho conseguiu apenas sorrir.

"Pois é. Parece que você vai ter um irmãozinho, amigão!"

"Finalmente!" o garoto exclamou, espalmando as mãos sobre a mesa do restaurante. "Vocês demoraram, hein?"

"Parker!" Seeley Booth exclamou, olhando de forma rápida e sem graça para a namorada.

"Mas é verdade! Eu to esperando desde o ano passado" o garoto respondeu, em típica sinceridade infantil.

Booth sentiu o rosto queimar.

"Filhão, eu já expliquei que as coisas na vida não são sempre quando e como a gente quer. Ter bebês leva um tempo... não é como fazer tortas..."

"Na verdade, é quase isso, Booth."

O agente se virou, de olhos arregalados ante o comentário da parceira.

"Bones! Você quer fazer o favor de me ajudar aqui?" ele murmurou entre dentes.

"É o que eu estou fazendo, Booth" Temperance Brennan defendeu-se de modo inocente. "Afinal, ter bebês é mais ou menos como fazer tortas no sentido de que precisamos seguir um comportamento padrão... e uma receita é um padrão para a feitura de uma torta."

"Você está dizendo que fazer bebês é que nem fazer tortas? Que é só seguir uma receita e..." Booth gesticulava com as mãos no ar, mal acreditando no que estava se ouvindo repetir.

"Vai dizer que biologicamente falando não é isso mesmo!" ela defendeu.

"É só pegar os ingredientes e colocar na tigela, mexer tudo e levar pro forno" a vozinha de Parker fez a cabeça de Booth se voltar lentamente para o filho. "Vocês já misturaram os ingredientes pra fazer o meu irmão, e agora ele está no forno, que é a barriga da Bones!"

O sorriso de Parker foi o que desarmou Booth naquele instante. Porque, decididamente, ele estava admirado com a comparação que o filho acabava de fazer.

"Excelente analogia, Parker!" Temperance sorriu, erguendo um dos polegares para o menino.

"O que é analogia?" o garoto coçou a cabeça por um instante.

"Analogia é uma comparação. Foi o que você fez, e fez muito bem" a antropóloga explicou.

Compreendendo a questão, Parker sorriu ainda mais ante o incentivo.

"Meu Deus... de onde você tirou isso Parker?" Booth finalmente conseguiu encontrar a voz para perguntar.

"Das aulas com o Max" o menino informou prontamente.

Booth virou-se para a namorada e companheira, ainda meio aturdido. "O que o seu pai anda ensinando ao meu filho?"

"Fique tranquilo, Booth" Temperance colocou uma das mãos sobre o ombro do parceiro. "Eu já havia explicado algumas coisas a respeito de reprodução humana ao Parker, mas acho que ele andou fazendo mais algumas perguntas ao meu pai."

"Eu percebi" Booth arregalou os olhos para enfatizar a resposta.

"E parece que o meu pai fez um bom trabalho" Temperance prosseguiu, com a maior naturalidade. "Viu como o Parker associou a reprodução humana à feitura de tortas de forma tão inteligente?"

"Eu também percebi isso" Booth murmurou, revirando os olhos.

O agente não sabia se ria ou sentia-se vítima de um complô dos Brennan e seu filho, mas acabou preferindo a primeira opção.

"Você três ainda vão me deixar maluco dia desses!" ele sacudiu a cabeça, rindo.

"Quando é que a sua barriga vai crescer, Bones?" a pergunta trouxe a atenção de ambos os adultos de volta à criança à frente deles.

"Bom, Parker... vai levar algum tempo até que o bebê dentro da minha barriga comece a crescer e ocupar espaço. Normalmente as gestantes começam a apresentar crescimento abdominal visível por volta dos quatro meses. Então, acredito que dentro de mais três meses você já vai poder ver a minha barriga."

Os olhos de Booth se perderam observando uma Temperance sorridente dizer aquilo tudo, mesmo que em palavras demais para um menino de nove anos - no caso, seu filho - cujo rosto parecia se iluminar ante a mera possibilidade de ver o irmão ou irmã crescendo dentro da barriga de Bones.

E ele próprio, Seeley Booth, tinha quase certeza de que estava sorrindo feito um idiota naquele exato momento, mirando a mulher ao seu lado e imaginando como seria vê-la grávida de um filho seu.

"O meu colega Billy vai ter um irmãozinho no verão. A mãe dele está enorme" Parker disse, colocando as mãos na frente da barriga para enfatizar o que dizia.

Temperance e Booth riram da demonstração.

"Será que a sua barriga vai ficar tão grande quanto a dela, Bones?" o menino perguntou, puxando o canudinho do milk-shake para tomar mais um pouco.

"Bom, eu não sei exatamente de que tamanho está a barriga da mãe do Billy, mas se o seu exemplo foi fiel, acredito que a minha vai crescer tanto quanto a dela" Temperance sorriu, orgulhosa, antes de tomar mais um gole do suco de laranja à sua frente.

E Booth, que assistia embevecido a interação das duas pessoas que mais adorava no mundo, viu-se escorregar a mão, quase sem perceber, para o abdômen da companheira, numa leve carícia sobre o abrigo da terceira pessoa mais importante em sua vida. Temperance ergueu os olhos para Booth, e, para surpresa do agente, colocou a mão sobre a dele, mostrando que o carinho era bem vindo.

"E quando eu vou saber se é um menino ou uma menina?"

A pergunta de Parker fez com que os dois voltassem a olhar para o pequeno.

"Isso ainda vai levar um tempinho, amigão" Booth esticou um dos braços para limpar um pouco do milk-shake que havia lambuzado a boca do filho. "Mas nós com certeza vamos amar o bebê, seja menino ou menina."

"Eu já disse que não me importo se for menina, desde que seja igual a Bones."

Temperance sorriu para o garotinho, que correspondeu.

"Uma mini Bones..." Booth brincou com as palavras, o olhar divertido só de imaginar a possibilidade "...dose dupla, eu não sei se aguento!"

A namorada lançou-lhe um olhar de ofensa fingida, o que o fez rir, deliciado com a capacidade dela de entender que estava brincando.

"Posso comprar um presente?"

"Hã?" Booth levou os olhos até o filho, franzindo o cenho.

"Pro meu irmãozinho" o garotinho se explicou, segurando o grande copo de milk-shake com as duas mãos. "Ou irmãzinha" ele completou, sorrindo.

O que fez o pai sorrir também.

"Bom, eu ainda acho um pouco cedo pra isso..." Temperance começou, mas o parceiro logo depositou uma das mãos sobre o braço que ela apoiava na mesa.

"Eu acho uma excelente ideia!" Booth meneou a cabeça para o filho. "Em que está pensando, amigão?"

"Hummm... eu pensei em..." Parker levou um dos dedos ao queixo, os olhos se erguendo para cima, enquanto parecia amadurecer uma ideia "...um taco de baseball!"

"Uau! Baseball" o pai arqueou as sobrancelhas, parecendo alegremente surpreso com a sugestão do filho.

"Você acha que seria apropriado, Booth?" Temperance puxou levemente a manga da camisa do namorado-companheiro, murmurando de um modo que ela certamente acreditava que somente ele seria capaz de ouvir.

"O papai me ensinou a jogar quando eu tinha três anos, Bones" um Parker animado informou.

"Tão cedo?" a cientista surpreendeu-se.

"É a idade em que as crianças começam a aprender esse esporte, Bones. Com três ou quatro anos."

"É um esporte um tanto complicado para crianças dessa idade, não?" ela franziu as sobrancelhas, mas logo em seguida a expressão suavizou-se, e o rosto adquiriu um brilho súbito. "Se bem que, um filho meu... com os meus genes... certamente vai ser dotado de uma inteligência privilegiada, que vai possivelmente resultar em facilidade de aprendizado precoce em diversas áreas do conhecimento, assim como na esportiva."

Ao terminar o pequeno discurso, a antropóloga voltou os olhos para o rosto do parceiro, que tinha uma expressão de puro divertimento.

"O que foi?" ela questionou, intrigada. "Eu disse algo errado?"

"Não" Booth riu. "Pelo contrário. Você foi tipicamente Bones... a minha Bones."

Então, ele envolveu os ombros dela com um dos braços.

"Nossa Bones!" a voz do garotinho sentado à frente do casal se fez ouvir, repetindo as palavras do pai com um meneio.

E Booth mirou-o com alegria inegável nos olhos. "Nossa Bones!" ele tornou a dizer, fazendo o filho sorrir.

"Eu deveria dizer que não sou um objeto para ser tratada como uma propriedade..." a voz de Temperance trouxe a atenção dos garotos Booth para ela. "Mas eu já entendo que essa é, na verdade, uma forma carinhosa de tratamento."

Pai e filho riram com gosto, e Temperance sorriu, feliz por deixá-los felizes, mesmo que ela não entendesse a extensão do porquê ou do quanto.

Parker puxou o canudinho e sugou com ruído os últimos vestígios do milk-shake.

"Bom, que tal irmos andando?" Booth levantou-se, puxando a cadeira da companheira.

Os três se retiraram da mesa, e o agente foi para o caixa a fim de pagar a conta. Assim que a garçonete lhe passou o troco, a cabecinha de Parker surgiu atrás de Booth.

"Eu vou ter um irmãozinho!" o garoto exclamou para a funcionária do lugar, sorridente.

"Err... Parker..." Booth murmurou, sem saber o que dizer.

"Oh, é sério?" a moça perguntou, sorrindo também.

"Eu vou ser um irmão mais velho" o garoto informou, orgulhoso da ideia.

"Meus parabéns!" a moça o cumprimentou.

"Desculpe, ele está muito... muuuito feliz com a notícia" Booth esboçou um sorriso, pegando o filho pelos ombros para conduzi-lo para fora do restaurante.

"É compreensível. Não é todo dia que se ganha um irmãozinho, não é?" a moça brincou, piscando para o menino.

"E você nem sabe o quanto eu tive que esperar pelo meu!" Parker soltou, para espanto de um horrorizado Booth.

"Parker! Ta na hora. Vamos, diga tchau para a moça" o agente disse, puxando o filho e arrastando-o para fora, virando-se rapidamente para a funcionária no balcão. "Tchau e obrigado."

"Volte sempre!" a garçonete abanou, se despedindo deles.

"Parker, você está exagerando um pouco, amigão" Booth disse quando finalmente chegaram ao carro.

"Por quê?" o menino perguntou, inocente, sentando-se no banco de trás do veículo.

"Eu sei que você está feliz por saber que finalmente vai ter o irmãozinho que tanto queria, mas você não pode sair por aí dizendo pra todo mundo que demorou demais pra eu e a Bones fazermos um bebê" o pai tentou ser o mais claro possível enquanto afivelava o cinto de segurança do filho.

"Mas é verdade... vocês demoraram um tempão" o menino viu o olhar sério do pai, e completou, "Mas ta bom, eu prometo que não vou mais dizer que demorou."

Booth sorriu, aliviado, voltando-se para entrar pelo lado do motorista.

"Mas que demorou, demorou" o agente pôde ouvir uma vozinha sussurrada a suas costas.

"Parker!" chamou, olhando para o rostinho do filho pelo retrovisor, que exibia um sorriso brilhante.

"Na verdade ele tem razão, Booth" a voz de Temperance fez o agente desviar o olhar para a passageira a seu lado.

"Você vai defendê-lo, Bones? Eu estou tentando ensinar bons modos ao meu filho" Booth resmungou.

"Eu sei. E admiro isso. Mas não posso deixar de observar que ele é um garoto muito esperto e está dizendo a verdade."

"Tudo bem, mas eu não quero que os outros pensem... que pareça... bem, que nós... demoramos muito pra fazer... você sabe..." ele gesticulava nervosamente com as mãos, um olhar constrangido para a parceira.

"Mas nós realmente demoramos anos até começarmos a ter rela-"

"Bones! Pelo amor de Deus, tem crianças aqui!" Booth gritou, alarmado.

Temperance olhou para o agente, tão assustada quanto o garotinho no banco de trás com o grito repentino.

"Desculpem, eu... eu não queria gritar" Booth suspirou, passando uma das mãos pela testa, e então virou-se para a companheira, sussurrando. "Mas você ia dizer aquela palavra... com S... na frente do Parker!" Booth explicou.

"Eu realmente não ia usar a 'palavra com S', como você se refere..." ela começou a se explicar, em voz suficientemente baixa para que apenas o parceiro a ouvisse "Eu ia dizer algo menos explícito, mas o que eu queria mesmo falar é que não entendo por que repreende Parker por ser sincero com as pessoas. Ele é apenas um garoto, e para ele a noção de tempo ainda não é tão exata quanto a nossa."

Booth sentiu um pequeno nó se formar no estômago ao fitar a carinha séria e inocente da mulher que amava. Essa era Bones... e ele sabia que uma das razões por ela se dar tão bem com seu filho era justamente porque era tão ingênua e sincera quanto Parker no que dizia respeito a certas questões da vida. E embora no fundo admirasse isso, sabia que em certas ocasiões podia ser mal interpretado.

"Eu entendo seu ponto, Bones" ele começou, falando em tom calmo e suave, de modo que Parker também pudesse ouvir. "Mas às vezes excesso de sinceridade pode ser inconveniente" ele virou-se ligeiramente para o banco de trás, encarando o filho. "Entendeu agora, amigão?"

Parker o fitou em silêncio por um instante, em seguida sacudiu a cabeça adornada por cachos loiros. "Acho que entendi."

"Bom!" Booth sorriu, satisfeito, voltando-se completamente para o volante. "E agora, vamos indo."

Ligando o carro, o agente manobrou, retirando o veículo da vaga onde estava estacionado e ganhou calmamente a rua. A questão parecia ter finalmente se resolvido a contento.

No entanto, se ele não estivesse tão satisfeito com sua sensação de alívio, teria percebido, com um pequeno olhar, que a parceira olhava silenciosamente pela janela do carro, os pensamentos bem distantes dali.


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Continua...

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Nota da Autora: * atualização movida a comentários *