Pela Estrada

Sinopse: – Entendo que possa não se interessar – Edward disse de repente – mas estou indo para Forks. Perto de Seattle. Vou pela estrada – o escutava, mas não entendia suas palavras. Ele só sorriu torto e acrescentou: - Pode vir comigo se quiser. ByE em uma Road Fic.

Disclaimer: A história pertence a sombrerodecopas, Twilight e os personagens em sua maioria Stephenie Meyer, e a mim somente a tradução.


Capítulo 6 – Dormindo com o Inimigo?

Claro que mudei o tema imediatamente. Não podia me arriscar que Edward voltasse a fazer um comentário parecido e me pegasse de guarda baixa. Ainda mais quando ainda me questionava a conotação do seu primeiro comentário, o tema para mim estava encerrado; não queria hiperventilar ao lado de Cullen e muito menos que notasse que era por sua culpa.

Com o tema pisado, esquecido, e enterrado seis metros abaixo da terra, voltamos a falar de banalidades: assuntos interessantes admito que me fez conhecê-lo (e suponho ele me conhecer), mas que não iam muito além da sua experiência esse semestre em Chicago, sua carreira, minha carreira...

Com isso chegou a hora de jantar; sim, já eram perto das nove da noite. Deus! Como o tempo voava. A rota pela qual viajávamos atravessava uma cidadezinha, assim que paramos em uma esquina onde tinha uma pequena cafeteria.

Era mais como um salão de chá, um lugar muito bonito, algo como a confeitaria da vovó. O ambiente era aconchegante e cheirava a canela, as toalhas de mesa estavam bordadas e as cortinas tinham delicadas rendas. Não tinha mais ninguém no local, estávamos sozinhos e resultava em um panorama divertido; já sabem, Edward e eu esperando ser atendidos naquele... lugar brega. Bom, pelo menos, em nossos planos seguia presente a ideia de paramos onde a sorte quisesse nos levar, e um chocolate quente com um pedaço de torta nos faria muito bem.

Não pude evitar sorrir ao notar a fofa senhora, a mesma que estava pintada na placa da entrada, que chegou para nos atender em nossa mesa. Edward sorriu para mim em cumplicidade quando percebeu o mesmo:

- Estávamos perto de chegar queridos, logo antes de vocês entrarem – nos falou a doce mulher – mas sempre digo um pedaço de bolo não se nega a ninguém, assim que... diga-me, o que a casinha de campo de Charlotte vai lhes servir?

- Eh, um pedaço de torta seria ótimo – respondi.

- Tenho de arando, de maçã com nozes e cheesecake.

- De arando está bom. Edward?

- Eu fico com a de cheesecake.

- Algo quente para beber? Lá fora está geando e lhes garanto que será reconfortante.

- Um chocolate quente? – perguntei olhando para Edward. Este me observou por um segundo-odiava que me olhasse dessa forma, me sentia exposta!-e logo assentiu – Qu-que sejam dois chocolates quentes – disse a mulher.

- Muito bem queridos, logo vou trazer.

Não demorei muito para comer, me sentia culpada de prender aquela mulher sabendo que se não tivéssemos chegado, ela já estaria em sua casa quentinha. Além do mais, saber que já era nove e meia me deu certa preocupação.

Praticamente já nos tinha passado um dia completo – porque muito mais não avançaríamos até chegar ao local onde decidiríamos dormir – e a duvida me pegava se, com o ritmo que levávamos, chegaríamos a Forks a tempo, para a noite de Natal.

- Acha que vamos demorar muito mais agora que desviamos da autopista? – perguntei. Bem, não era exatamente preocupação, mas algo em meu interior me lembrou de que como namorada era correto assegurar que chegaria a tempo em Forks para cumprir com a minha palavra.

- Vamos demorar mais, isso é certo, mas não acho que será mais do que meio dia extra – Edward respondeu tranquilo.

Bem, não era tão terrível, eu mesma suspeitava. Não é que a resposta de Edward me surpreenderia muito menos, de fato, me estranhava mais saber que demorar meio dia mais ou meio dia menos, não afetava tanto como deveria...

- Precisava chegar antes? – a voz de Edward me tirou dos meus pensamentos – Se quiser podemos voltar para a autopista, não tem problema com isso Bella – sua voz soava meio preocupada.

- Não – reagi – Digo... chegando na noite de Natal está bem – Edward me observou curioso. É verdade, ele não sabia do meu compromisso. – Vou jantar com Mike e os pais dele – expliquei.

- Oh – e voltou a se ocupar do seu pedaço – Certamente não vão querer perder esse compromisso com a nora da sua grandeza – acrescentou mais lentamente.

- O que? – não pude evitar rir do seu comentário. Havia escutado bem? – De que grandeza você está falando?

- Vamos você disse que o Newton era... seu segundo namorado não? Porque não contamos o Jacob nisso – acrescentou de brincadeira. Então, ainda se divertia com o tema. Dediquei-lhe um olhar de "muito engraçado" antes de deixa-lo continuar. – E bom, ainda que o contássemos, certamente Billy como os pais do Newton ou de outro garoto com que esteve te adoram – fez uma pausa e acrescentou – eu o faria – paralisei e o chocolate na minha garganta me fez engasgar – Já sabe se fosse seu sogro.

Quando me recuperei de suas palavras e da tosse que aquilo me provocou, finalmente pude perguntar algo que certamente era estranho vindo de, bem, Cullen:

- O que eu tenho de adorável? – vamos! Era engraçado, eu podia ser tudo menos adorável. Disso estava certa.

- Está usando outra das suas perguntas? – Edward perguntou com segurança.

Certo, voltamos ao mesmo joguinho – Eh... acho que sim – hesitei.

- Tem certeza que quer saber disso? – insistiu.

Queria? Pelo visto para Edward era um desperdício de pergunta. Uma vez mais me questionava: era conveniente insistiu ou não tinha maior importância? Talvez Edward usava a mesma técnica minha: soltar algo de repente para que um ficasse tentado a perguntar.

Dessa vez eu seria cautelosa – Não, não quero perguntar. – disse retratando-me.

Edward me observou com os olhos entrecerrados; logo começou a rir – Não pode fazer isso – se queixou entre risadas – Você é trapaceira, sabe? Mas dessa vez vou deixar passar.

Minha mandíbula praticamente caiu – Você que é cara-de-pau. Não sou eu que jogo sujo, estou te lembrando.

- Então estamos quites – acrescentou sorrindo enquanto levava outro pedaço de torta para sua boca.

Simples assim? Ele dizia que eu era trapaceira e tinha que aceitar? Estava em choque e Edward em frente a mim comia como se nada tivesse acontecido. Esse homem era único!

- Falávamos de Newton – lembrou-me, incitando-me a seguir com a conversa anterior. Certamente não sabia se ria ou me irritava por sua atitude. Mas bem, pode ser que isso me parecesse uma situação pouco, só um pouco, engraçada.

- Certo – admiti finalmente – falávamos de Mike, e que você está errado na questão sobre seus mais, eles não gostam muito de mim – revelei.

- Não gostam? Não devem ser então um casal muito lúcido. Bom, eles criaram o Newton assim que isso explica muito.

Esse homem não tinha papas na língua – Vou esquivar do seu ultimo comentário. Com respeito ao anterior, acho que não gostaram de saber que estudaria em cidade diferente do seu filho. Talvez esperavam que por ser sua namorada o seguiria sem hesitar.

Lembrava-se daquela vez, uma das poucas que estive na casa do meu namorado para jantar com seus pais, quando me perguntaram se eu iria para New York para estudar com Mike e do gesto pouco amigável que esboçaram quando a negativa acompanhou a minha resposta.

- Não o faria? – foi Edward que me questionou agora.

- Ir para outro lugar só por uma pessoa?

- Sim.

- Não, acho que não – por acaso para o mundo inteiro era muito normal abandonar tudo por alguém? Digo, eu tinha meus planos antes de conhecer o Mike. É complicado deixar tudo para trás tão de improviso, pelo menos nesse tipo de decisões que tem tudo planejado, e pensar em deixa-las de lado só por isso. – Você o faria? – tive que perguntar por que a expressão de Edward não mostrava nada mais do que reprovação pela minha resposta.

- O faria.

Não pude ocultar minha súbita surpresa – Sério?

- Por que não? – e escutá-lo de sua boca soava tão... simples.

- Ainda quando, não tem, tem que escolher entre uma carreira em uma universidade? Suponhamos que queira estudar Arte em New York, por exemplo, e... e tem planos de viver próximo ao Central Park, estando ali quer conhecer a redondeza, visitar museus, as galerias e poder se adaptar a esse estilo de vida. Deixaria todos esses planos só por alguém que acaba de conhecer? Não... não acho que seja o melhor, digo, é repentino.

Meu ponto estava claro? Não era ser egoísta, mas por que tinha que ser eu quem mudaria suas prioridades? Desde que tenho ideia de ir para uma universidade quis ir para Chicago. Sempre havia sonhado com a vida nesse lugar, e por que havia conhecido Mike seis meses antes de me mudar, tinha que jogar tudo no lixo?

- Talvez... – Edward hesitou em suas palavras, - está além de deixar tudo por alguém ou mudar suas prioridades como nesse caso – disse olhando-me nos olhos – esse não é realmente o ponto.

- Ao que se refere?

- Talvez... – voltou a tomar uns segundos antes de continuar – só porque era o Newton, você não mudou suas prioridades. Quem sabe se amanhã você queira atravessar o país para ficar com alguém. Talvez, quando conheça esse alguém, já não pareça uma ideia tão absurda.

Ouch. Foi um balde de água fria. Ou pior, foi como se batesse no chão sem levar paraquedas, e sim, doeu. E como Edward podia vir e me dizer isso? Não, não podia ter razão, digo, não podia ser certo e se não, que sentido tinha o que estava fazendo?

- Estou atravessando o país para poder jantar com ele – que melhor argumento poderia ter sobre Mike, se era a minha prioridade?

- Tem razão. Desculpe, não devia ter digo o que disse – sua voz soou inquieta.

- Não tem problema – sorri para ele, me acalmando – Quer comer mais alguma coisa? Lembra que eu estou convidando – acrescentei mudando o tema.

- Não tem que fazer sério.

- Edward, se você pagar eu vou dirigir, e certamente, vou ficar muito irritada – o ameacei divertida apontando-o com meu dedo indicador – Trato é trato e não quer me ter como sua inimiga.

- Como você disser Bella – e finalmente sorriu.

- Vou esperar vocês logo, queridos – a senhora Charlotte se despediu da porta quando saímos do local – E quando voltarem – gritou quando já estávamos perto do carro – espero que venham com mais tempo e assim contam a esta velha do seu romance jovem.

Meu rosto queimou em coisa de um segundo, ou fração desse se tratava de ser precisa – Nós não-

- Claro que voltamos com mais tempo – Edward adiantou-se – Muito obrigado por tudo senhora Charlotte – e subiu no carro como se não fosse nada.

E a mim, ainda perplexa, não me restou nada além da opção de subir no carro junto ao meu suposto namorado.

~x~

E agora estava olhando o teto sem poder dormir.

Logo depois de sair do salão de chá da senhora Charlotte, logo depois do estranho comentário de Edward sobre sermos namorados e de sua tão simples argumentação – me disse dentro do carro: para que tirar a ilusão da pobre velha de que somos namorados? – havíamos terminado em sua pousada compartilhando um quarto.

Por que não um quarto cada um? O único lugar que encontramos foi uma velha pousada afastada uns quilômetros do interior da rota pela que viajávamos. Os que haviam visto Psicose de Hitchcock entenderiam o meu ponto de por que terminei pedindo a Edward para alugar um quarto com duas camas.

Sem televisão, no escuro, o único que podia fazer era dar voltar na conversa anterior que havia tido com Edward. Aquela que havia doido tanto...

Talvez... – havia dito – só porque era o Newton, você não mudou suas prioridades.

E seguia doendo, e não pelas razões que deveria doer...

- Edward? – falei em sussurros, para o caso dele estar dormindo.

- Sim? – escutei sua voz, também devagar, proveniente da cama ao lado.

- Talvez... talvez você tenha razão.

- Em que tenho razão?

Custou soltar, mas finalmente saiu – Pode ser que minha prioridade não havia sido Mike. Pode ser que minha prioridade não seja o Mike – absurdamente acreditava que se subia a voz até mesmo Mike iria me ouvir – Suponho que não acreditei conceber a ideia de deixar tudo por alguém só porque não senti a necessidade de fazê-lo quando aconteceu comigo – era fácil falar nesse escuro sem ter que ver o rosto de Edward, nem me intrigar com sua expressão – Suponho que não é difícil ficar longe de Mike.

Por isso doía: estava admitindo que minha relação com Mike não era tão importante como deveria ser, nem que o próprio Mike o era; sabia que ele me esperava e que eu não lhe correspondia como devia.

- Você não o ama, certo?

- Eu gosto muito dele – para que seguir mentindo? Talvez o havia amado, mas agora não o fazia – Acha que é razão suficiente para estar com alguém?

- Não me considero o mais apropriado para responder isso – a voz de Edward, ainda em sussurros, soou meio rouca.

- Por que diz isso?

- Não acho que poderei ser imparcial. Sabe que não gosto do Newton assim que meu primeiro conselho seria simplesmente que o deixasse – parece que para nós dois servia conversar com aquele escuro: fazia um tempo que tinha notado que Edward não gostava do Mike, mas nunca o admitiu de forma tão direta.

- Isso. Por que você não gosta do Mike?

- Eu me pergunto o contrário: por que você gosta?

Por que o fazia? Isso era simples – É um bom garoto. É atento, me faz rir, liga pra mim, quando pode ele me visita; se preocupa por mim...

- Bom, ele não liga pra mim, não me visita, nem preciso falar que ele não se preocupa comigo – podia sentir o sorriso na voz de Edward, e aquilo foi engraçado.

- Vamos Edward – disse finalmente – Houve algum problema entre vocês alguma vez?

- Não, simplesmente nunca nos demos bem.

- Deveria saber que ele é uma pessoa boa, se quiser-

- Não estou interessado em ser amigo dele, Bella. Nunca estive e não estarei, e desculpe que seja assim – se desculpou – Além do mais, você mais do que ninguém sabe que ele também não gosta de mim.

Não o estava repreendendo, e era certo o que dizia: havia tido uma conversa parecida com Mike, e nesse momento não defendi Edward como agora defendia o meu namorado – Você tem razão, ele não gosta de você.

- Então, que ponto tem? – perguntou e não soava irritado. Parecia tranquilo de não dar mais voltar no impossível.

- Mas eu pensava igual ao Mike – admiti – e estava errada. Talvez se chegassem a se conhecer-

- Está dizendo que você gosta de mim? – me interrompeu. Estava virando um costume para Edward deixar-me com o discurso na metade.

- Não disse isso – não havia dito. Pelo menos, não com as palavras tão explicitas.

- Sim, você disse.

- Pense o que quiser – o desafiei.

- Já que custa tanto admitir, o perguntarei diretamente. Quero saber se agora você gosta de mim e não quero monossílabos na resposta; que seja pelo menos dez palavras.

Como que estava me obrigando a dizer o que gostava? Certo, eu gostava: um dia havia sido suficiente para perceber que havia vivido com um preconceito com relação a Edward. E agora o bonito queria escutar da minha própria boca. Ele queria dez palavras? Eu ia lhe dar dez palavras.

- Bem Edward, quer que diga se agora gosto de você? – falei lentamente marcando cada uma das dez, já cumpridas, palavras, e respondi finalmente com o mesmo monossílabo – Sim. Ai tem onze palavras, conte essa última como um simples presentes.

Escutei Edward soltar uma risada – Já disse que você é má, não?

- Se queria saber mais, deveria ter pedido pelo menos trinta.

- Vou levar isso em consideração para quando queira detalhes da sua vida – se vingou.

- Boa noite, Edward – eu disse virando-me para a parede.

- Boa noite, Bella – foi o último que ouvi antes de dormir.


*Adaptado do filme "Dormindo com o inimigo" (Sleeping with the Enemy, 1991) de Joseph Ruben.


Acho que esse Edward já sentia algo pela Bella, as coisas que ele fala são bem suspeitas. E a Bella com a sua quedinha por ele mostrando as asinhas, sei não viu haha. O que acham que vai acontecer com eles até chegar em Forks?

Obrigada pelas reviews meninas, fiquei tão feliz!

Tem alguma outra fic das paradas que vocês querem um capítulo em breve? Vou fazer o máximo para atualizar elas.

Beijos

xx