Eu já não sei onde estava aquele desejo de vida que existia dentro de mim antes de conhecê-lo; antes de ele tirar de mim aquele sorriso harmonioso que tinha o poder de encantar; antes de eu permitir que seus olhos encontrassem os meus, aqueles olhos verdes hipnóticos que me faziam perder o ar e que haviam tirado de mim todas as boas lembranças, aqueles olhos que só em um olhar e um suspiro me deixavam dilacerada, sozinha e sangrando no chão.
Um monstro de pele clara, cabelos negros e corpo esbelto, que mente, engana, seduz e abandona. A tristeza é tanta que até o ar me falta e infinitas lágrimas caem dos meus olhos já vermelhos e inchados de tanto derramá-las.
Minha rotina mudou, agora eu só choro, só sofro e objetos agudos e pontudos me chamam a atenção e parecem mais atrativos do que deveriam. Eu os pego na mão, examino e penso em fincá-los contra alguma parte do corpo onde sei que seriam letais... largando-os de repente eu toma consciência do que estava pensando em fazer. Mas consciência é algo que anda me traindo desde o momento em que o meu sofrimento começou e do momento em que a dor fez meu coração latejar; então eu me debulho em lágrimas novamente por saber que mesmo sem ele, eu deveria estar sorrindo, deveria estar com uma pessoa que faria meu coração voltar a bater extasiado por uma nova paixão. Ou então, quem sabe, fazê-lo parar de vez e me entregar a dor. Sem nem pensar, sai procurando por algum objeto pontudo; o estilete que está em meu quarto não seria o suficiente; encontro uma faca grande e afiada... me falta coragem para cravá-lo no coração, então faço um corte pequeno e profundo na veia do pescoço, sabia que era um caminho sem volta, lento e doloroso, mas não me importava... assim como não importava a hora do dia, tudo sempre estava escuro... e a partir de agora sempre estaria escuro pra mim.