Incontrolável.

Autora: Espero que divirtam-se com essa short enquanto não termino o capitulo novo de Naturalmente. Logo estarei postando a parte dois (final). Dedico esta short, a minha maravilhosa e mais querida amiga do coração mariahrlg! Porque ela é a melhor amiga que alguém poderia ter.

Boa leitura!


O amor é uma droga.

Sério. Pontos para a prova de que o amor é uma droga:

1) Nenhum maldito homem presta.

2) Ou os que prestam já estão ocupados.

3) ... Bem, vamos falar do 1o e do 2o por enquanto.

Certo, exagero dizer que nenhum presta. Então, sejamos sinceras, poucos deles prestam.

O que nos leva ao ponto dois.

Veja meu querido amigo por exemplo:

Benjamin Fenwick.

Loiro, olhos verdes e uma costa de matar. Ele trabalha na empresa de seu pai, mostrando desde cedo competência para tal. Ele simplesmente mata você com um sorriso, e é tão inteligente que nós faz suspirar. O negócio é que Benjy é namorado de minha maravilhosa amiga Emmeline Vance. A quem, vez ou outra eu lembro que conseguiu conquistar um dos poucos rapazes descentes que restam.

Isso me leva a pensar no outro ser masculino que presta:

Remus Lupin.

Alto, cabelos castanho-claros, olhos magnificamente azuis, médico. Ele é o sonho de qualquer mulher. Literalmente. Remus consegue ser tão doce, e tão másculo ao mesmo tempo. E eu sequer sabia ser possível tal proeza. Novamente, este já foi fisgado, e por ninguém menos que Tonks. Ou Nymphadora Tonks. Ela odeia ser chamada assim, então eu e nossas amigas só a chamamos pelo último nome. O surpreendente, é que Tonks tem apenas dezoito anos. Juro. Ela o conheceu em um dos estágios que ela fez no hospital em que ele trabalha, Saint. Oliver, e eles não se largaram mais.

Fora meus dois amigos, existem certos homens pelos quais valeria apena tentar uma relação: Amos Diggory, Caradoc Dearborn, Gregory Hall...

Então finalmente chegamos no número três, que é a razão pela qual eu não pude me apaixonar por nenhum desses caras, e diga-se de passagem, a maior das razões de que o amor é uma droga com-ple-ta:

3) O coração é realmente um orgãozinho estúpido.

Quero dizer, porque – porque – eu, Lily Evans tinha que me apaix... Sentir atraída pelo homem mais cafajeste possível?

Porque?

Com tantos homens infinitamente melhores, porque justo o maldito James Potter?

Digo, okay ele é o cretino mais bonito e sexy da face da terra. Mas ele é um cretino.

Minha raiva não é algo nem de longe incabível, Potter é simplesmente o cara mais egocêntrico que existe. Ele se acha irresistível demais com aqueles bíceps maravilhosos e o abdômen definido. Nos conhecemos por meio de Remus – que aliás eu não entendo o que se passa no cérebro dele para ter amigos tão distintos – que pediu para que ajudasse a preparar um jantar para seus colegas. Um tipo de reunião de amigos, homens não admitem que também se reúnem para fofocar como mulheres. Na-não, eles encontram-se para "beber e jogar" na casa de um deles.

Então quando ele e seu cérebro cheio de testosterona chegaram, Potter me devorou com os olhos – O que não é nada educado – e jogou uma de suas cantadas estúpidas para cima de mim. Quero dizer, fala sério, ele achou que era quem com aquele:

"- Hum, já sei o que vou querer de sobremesa Moony."

Um néscio de marca maior com certeza.

"- Felizmente, não é como se você tivesse escolha alguma Potter." – Falei seca.

"- Uau, doçura. Assim você acaba comigo." – Ele se fez de ofendido.

"- Remus, já acabei – Eu o ignorei e peguei minha bolsa – Boa sorte, e faça-se um favor e procure companhia melhor, sim?"

E foi o que se seguiu fora mais cantadas insuportáveis, e em todo maldito lugar que Remus estava, Potter estava. Seria totalmente ilógico se sentir brutalmente atraída por alguém assim. Deus, então o que há de errado comigo?

Meu despertador fez seu – já conhecido – barulho estridente, e o desliguei de imediato. Suspirei e me arrastei, preguiçosa, até o banheiro para lavar o rosto, escovar os dentes e colocar uma roupa para correr. Pus um short confortável, prendi cuidadosamente os cabelos em um rabo-de-cavalo e peguei um iPod ligando em um som bem agitado. Quando abri a porta de casa tomei um susto e saltei para trás ao encontrar Potter e seu sorriso safado logo em frente.

- Como você...?

- Remus. – Ele respondeu nem mesmo dando-me a chance de terminar a pergunta.

Revirei os olhos.

Eu realmente preciso explicar certas coisas ao meu querido amigo.

Potter aproximou-se perigosamente de mim. Aquele tipo de proximidade que mamãe e papai avisam sobre. Aquele que você deve repudiar se não for com a pessoa correta. E Potter definitivamente não é a pessoa correta.

Pus um braço em seu peitoral impedindo-o de se aproximar mais um milímetro sequer.

- Não está bêbado espero. – Eu disse a uma distância consideravelmente mais segura.

E ele riu.

E meus pelos se arrepiaram.

- Eu pareço bêbado?

- Você não é o que eu posso chamar de comum. – Eu disse arqueando uma sobrancelha.

- Ora, fico feliz que me ache memorável.

- Não de um modo bom, acredite. Agora, poderia se afastar por favor? Eu preciso sair.

- Oh, mas vim até aqui apenas para convidá-la para o café.

- Nem em um milhão de anos. – Eu disse aproveitando o espaço que ele me dera para sair e fechar a porta atrás de mim.

- Não seja tão dura, linda. – Ele murmurou apoiando-se com um dos braços na porta agora fechada.

- Caia fora - Eu disse ao me abaixar desviando de seu braço e então contornando-o e descendo as escadas para a calçada. – E não me chame de linda, eu tenho nome.

Eu coloquei um dos lados do fone do iPod, e ainda pude ouvi-lo antes de colocar o outro:

- Vai causar um acidente com essas pernas doçura.

Tive vontade de mostrar-lhe o dedo médio, mas isso seria terrivelmente deselegante, então apenas revirei os olhos e comecei minha corrida.

Potter simplesmente me tira do sério. Não é algo meramente irritante, é mais que isso. É praticamente perturbador. Tudo nele me enerva, principalmente o jeito com que olha para mim. Como se eu fosse comestível e extremamente apetitosa. Aliás, ele deve olhar dessa forma para qualquer mulher em um raio de dez metros, mas enfim, James não é um príncipe encantado.

Fato.

Suspirei e aumentei minha velocidade.

Longe disso, ele não é nem ao menos educado. E eu não sei o que diabos ele faz da vida, se é que faz algo. Sempre que o vejo ele está com a mesma cara de "Sou gostoso". Nunca o vi sequer comentar sobre seu trabalho. Ou seja, concluo que vou ter que dar um jeito de matar essas malditas borboletas do estômago e reprimir minha ridícula atração por aquele cachorro.

Uma hora depois, eu voltava para casa. Suada e irritada. Durante toda a corrida eu fui incapaz de pensar em outra coisa que não fosse o maldito. Bufei em irritação e virei para subir os poucos degraus depressa, entrar e tomar um banho. O negócio é que por causa da mureta que existe dos dois lados da escada eu não vi Potter esticado como um mendigo no degrau. Tropecei, mas equilibrei-me novamente e impedi minha queda.

Quando meu coração parou de bater acelerado por causa do susto, virei raivosa para ele.

- O que está fazendo?

Ele assoviou.

- Daqui a visão de suas pernas também é maravilhosa ruiva. – Ele sorriu safado.

Em um impulso, afastei-me colando em minha porta, incapaz de cobrir minhas pernas e protegê-las do olhar despudorado de James.

- Pare com isso! – Eu exclamei nervosa.

- Com isso o que? – Ele me olhou inocente.

- Pare de me deixar constrangida!

Ele riu. Então levantou-se e se aproximou como um felino preparando-se para atacar.

- Fique longe. – Eu ordenei.

Ele parou a dois passos de mim.

- Está com medo de mim linda?

Estou com medo de mim.

- Apenas faça o que mandei.

James riu, e sua risada provocou sensações das mais estranhas em meu corpo. Engoli em seco. Ele é definitivamente perigoso demais.

- Não vou morder. – Ele disse, e então acrescentou malicioso – Não agora pelo menos.

- Se depender de mim, e depende, não será nunca. – Eu sorri marota, mesmo ainda encurralada contra minha própria porta.

- Oh, assim despedaça meu coração. – Ele colocou uma das mãos no peito fingindo dor.

Revirei os olhos.

- Porque ainda está aqui? – Perguntei irritada comigo mesma por me deixar atingir tão ridiculamente por ele.

- Eu achei que talvez quisesse tomar café comigo, agora que terminou a corrida claro. – Ele sorriu inocente.

- Que parte do: "Nem em um milhão de anos" você não entendeu? – Arqueei uma sobrancelha.

- Na verdade eu apenas ignorei. – Ele deu de ombros como se isso fosse a coisa mais lógica a fazer.

Argh!

- Suma. – Rosnei.

Então virei para destrancar a porta. Obviamente eu não podia esperar que ele desistisse tão facilmente, afinal, ele é James Potter. Eu não o ouvi se afastando, e quando abri a porta e olhei por cima do ombro, ele continuava lá. Sorridente.

Porque infernos ele está sorrindo? Eu o mandei passear!

- Você me ouviu?

- Sim. – Ele apoiou-se na mureta.

- Então vá. – Eu fiz um movimento com a mão como se estivesse enxotando um cachorro.

Para minha surpresa ele riu.

Ele está rindo de mim?

- Fora! – Ordenei dessa vez.

- Calma coração.

- E eu tenho nome. – Comentei ácida.

Entrei e fechei a porta com força atrás de mim. Suspirei com irritação e segui para meu quarto para um banho. Dez minutos depois, eu colocara uma calça de moletom azul confortável e uma regata branca e me dirigi à cozinha ainda penteando os cabelos. Preparei na torradeira dois sanduíches apenas de manteiga e presunto, e peguei a caixa de suco de laranja da geladeira. Cuidadosamente organizei no prato os sanduíches e pus em um copo o suco, guardando logo em seguida tudo em seus respectivos lugares. Eu simplesmente odeio desordem. Não custa nada arrumar logo o que você usou.

Dirigi-me até a sala e sentei no tapete macio, colocando o copo e o prato à minha frente na mesinha para então esticar-me e pegar o controle da TV. Comi vagarosamente aproveitando cada pedaço dos sanduíches e ao final bebendo o suco enquanto assistia a um episodio de Friends que, mesmo após já ter visto umas trinta vezes, não me canso de assistir.

Durante o comercial, levantei-me e pus o copo e o prato na pia, lavando-os rapidamente, enxugando-os e pondo-os no lugar. Voltei para a sala e deitei no sofá vendo qual seria o programa seguinte que passaria, quando ouvi uma voz em frente à minha porta.

Franzi as sobrancelhas e levantei aproximando-me vagarosamente da entrada.

- São dezesseis e cinqüenta. – Escutei uma voz falar.

- Fique com o troco. – A voz de James veio logo em seguida.

- Obrigado senhor, tenha um bom dia.

Sem entender bulhufas, abri a porta. James estava no mesmo lugar que eu o havia "deixado" e agora tinha um pacote da Breadstall em cima da mureta, e ele tinha em mãos uma das mini tortas de cereja da loja e um copo de café da Monmouth. Assim que ele me viu abrir a porta sorriu.

- O que foi isso? – Eu perguntei.

Ele deu de ombros.

- Já que você não vai tomar café comigo, eu pedi umas tortas e vou comer aqui mesmo.

- Aqui? Você perdeu completamente o juízo? – Exclamei.

- Qual o problema?

- Você está na minha maldita porta! – Eu disse óbvia.

- Sim. E..?

- Como "E...?"? Saia!

- Não vou embora até aceitar sair comigo Lily. – Ele deu seu sorriso sacana de lado.

Essa foi uma das poucas vezes que o ouvi dizer meu nome. E, sendo sincera, me pegou totalmente desprevenida a maneira como ele soou maravilhosamente sexy saindo de seus lábios. Digo, eu já o ouvira dizer antes, mas nunca tão de perto e bem, nunca tão sério.

Como tudo o que é bom dura pouco, o encanto se quebrou rapidamente, e minha mente voltou a se concentrar em tentar odiá-lo. Tendo em vista que segundos antes ela pensava em alguma maneira de convidá-lo a entrar sem me fazer parecer uma vaca qualquer.

- Sinto muito – Eu disse sem realmente sentir – Já tomei café querido.

Ele observou-me por um instante.

Então sorriu maroto como só ele sabe sorrir.

- Então saia para almoçar comigo.

- Nope. – Falei com um sorriso e fechei a porta.

Uau! Pra quem estava irritadiça minutos atrás eu estou me sentindo maravilhosa depois de ter dispensado James. Isso obviamente, é meu subconsciente assumindo o controle. Tenho certeza que ele sabe que é uma idéia de jerico sentir algo por aquele panaca.

Sorri sozinha e desliguei a TV da sala antes de subir para meu quarto e iniciar uns projetos que fui encarregada. Sempre sonhei em ser arquiteta. E agora que sou, amo meu trabalho. Cinco horas mais tarde, levantei-me da cadeira e estiquei os músculos doloridos por causa do tempo que ficara sentada. Dali mesmo eu havia ligado para Buena Pasta, restaurante da família de Caradoc que entrega um divino talharim com camarões, e para Scott Jeakins avisando-o do término do layout da entrada que ele havia discutido comigo. Desci para arrumar a mesinha da sala, que é meu lugar preferido para comer já que acho demasiado tedioso comer em uma mesa sozinha na sala de janta. Me acostumei desde cedo a ter minhas refeições com a TV ligada.

Assim que terminei de arrumar com esmero a pequena mesa, ouvi o barulho da campainha. Estranhei, mas me dirigi logo até a porta e olhei pelo olho mágico para então, ver o rosto de minha irmã.

- Pepê! – Eu exclamei ao abrir a porta antes de abraçá-la.

Petúnia não é o que se pode chamar de "irmã mais carinhosa", mas ela demonstra afeto de seu jeito. Mesmo que ele seja um pouco estranho. Brigávamos em demasia quando pequenas, agora nós conseguimos passar dois ou três dias sem tentar nos matar.

- Oi geniozinho. – Ela deu um sorriso.

- O que faz aqui? Pensei que estivesse em Boston com Valter!

- Se que mesmo saber, eu enjoei daquele porco. A viagem estava um inferno, ele reclamava de tudo. Mas explico lá dentro, não me sinto confortável conversando com esse vagabundo aqui perto.

Franzi a sobrancelha e olhei por cima do ombro de Petúnia para encontrar o olhar de James – o vagabundo – , que jazia sentado no topo das escadas – sem camisa – sorrindo interessado.

- O que infernos você ainda está fazendo aqui? – Exclamei irada.

- Nesse momento? – Ele sorriu malicioso – Vendo que sua irmã não tem pernas tão excitantes como as suas.

Eu puxei Petúnia para dentro e coloquei o rosto para fora, fechando um pouco a porta.

- Você não vai tocar um dedo na minha irmã, ouviu? – Murmurei perigosa.

- Não é nela que quero tocar geniozinho – Ele fez uma careta como se o que eu tivesse dito fosse incabível.

- E não me chame de geniozinho.

- Sua irmã a chama assim.

- Ela é minha irmã. E coloque uma maldita blusa! – Eu acrescentei corando, evitando deslizar meus olhos por seu físico sexy.

Ele riu.

- Derramei café na minha.

- Oh – Sorri malvada – Que peninha.

- Você bem que poderia lavá-la para mim, não? – James sorriu.

- E o que faz você pensar Potter, que eu gastaria a minha água e o meu sabão com você?

- Eu adoro o jeito como você diz meu nome. – Nossos olhares se encontraram e quase recuei em resposta ao seu olhar intenso – É tão sexy.

Revirei os olhos.

- Você não vai querer um cara semi-nu em frente à sua casa vai? – James arqueou as sobrancelhas.

Bufei.

- Me dê essa droga de camisa! – Eu disse abrindo a porta para que pudesse sair.

Pisei forte indo até ele e peguei enfurecida a peça de sua mão. Assim que voltei para a segurança da porta de casa, virei para fuzilá-lo com os olhos.

- Quando eu terminar, quero você fora.

E fechei a porta novamente.

- Credo irmãzinha, o que você comeu? – Ela disse sem levantar os olhos de uma das revistas de ambientes que tenho ao lado do sofá.

- Vamos evitar falar sobre isso.

Então ela deixou a revista de lado e foi até a janela próxima da porta.

- Então... Você conhece o gostosão ali?

Revirei os olhos.

- Infelizmente.

- Uau, não seja tão dura geniozinho, ele até que tem um físico apetitoso. Mas sendo sincera me assustei quando o vi sentado ali. – Ela virou-se para mim.

- Ignore-o.

Petúnia riu.

- Certo, então o que temos para comer? – Ela perguntou seguindo-me para a lavanderia enquanto eu colocava a blusa se James para lavar.

- Eu acabei de pedir talharim com camarões. Deve estar chegando.

- Desculpe vir sem avisar – Petúnia disse enquanto olhava uma de minhas blusas que estava na pilha de roupas para lavar – Mas se eu fosse pra casa mamãe e papai iriam querer saber porque cheguei mais cedo da viagem e blá, blá, blá... Você sabe como eles são.

- Sim, sei. Afinal o que aconteceu?

Ela sentou-se no balcão enquanto eu abria o armário a procura do sabão em pó.

- Ah, Valter é até suportável quando quer, mas ele estava me dando nos nervos. Tudo que ele queria fazer era sair pra comer e voltar para o hotel para dormir. Quero dizer, francamente! Sem falar que ele deixava suas malditas roupas espalhadas por todo o quarto.

- Hum, então você disse que ia voltar para Londres?

- Não. – Ela deu de ombros - Eu só fiz minha mala e vim.

- Sem avisá-lo? – Eu franzi a sobrancelha. – Não é muito prudente, ele pode ter pensado que algo aconteceu com você.

Petúnia fez um movimento de descaso com as mãos.

- Tanto faz.

- Oh, Pepê... – Suspirei e liguei a máquina – Vamos, a comida já deve estar chegando.

Quinze minutos mais tarde ouvimos o som da campainha. Levantei do sofá, onde eu e Petúnia estávamos fofocando enquanto procurávamos um filme decente para assistir, e me dirigi até a porta.

Assim que me certifiquei que era o entregador abri a porta e não me surpreendi ao olhar por cima do ombro de Joey, e ver James sentado lá. Afinal, eu estava com a blusa dele, que ainda estava na secadora.

Joey é o garoto que sempre me entrega a comida do Buena Pasta, ele começou a trabalhar com quinze anos e desde então já fazem três anos que nos conhecemos. Ele sorriu e entregou-me os pacotes.

- Obrigada Joey – Agradeci e Petúnia logo veio para ajudar a carregar enquanto eu pegava o dinheiro no bolso para pagá-lo.

Joey, confuso, virou-se e arriscou uma olhada para James. Ele, não sorriu e apenas continuou encarando-o.

- Não ligue Joey, ele é maluco. – Sorri e entreguei-lhe o dinheiro – Pode ficar com o troco.

- Obrigado senhorita Evans. – Ele corou e sorriu antes de andar de costas e tropeçar nas pernas de James.

Eu o segurei pelo braço para ajudá-lo, e assim que ele se firmou, corou novamente e com um aceno rápido de cabeça virou-se e subiu na moto.

- Potter, o que tem na cabeça? – Ralhei com ele. – Você quase mata o garoto!

Pela primeira vez ele se demonstrou emburrado, torceu seus lindos lábios e franziu levemente as sobrancelhas.

- A culpa foi sua. Se não tivesse ficado toda sorrisos para ele, ele não teria tropeçado.

Quase engasguei com minha própria saliva.

- Minha? É você quem está aqui desde as seis como um maníaco!

- O que isso tem haver? – Ele mirou-me.

- Bem gênio, foi nas suas pernas que ele tropeçou!

- Se tivesse me deixado entrar ele não teria tropeçado. Aliás, duvido até mesmo que ele aparecesse.

Por um momento permaneci calada.

- Você está com ciúmes? – Eu fiz careta.

- Sim! – Ele exclamou.

Não pude evitar rir. Não havia como não rir. James parecia uma criança emburrada quando alguém pega seu brinquedo preferido emprestado.

- Você é mais anormal do que eu pensava Potter.

Petúnia apareceu na porta e deu um "oi" para James com as pontas dos dedos.

- Oi vagabundo! – Ela disse feliz.

- Pê! – Eu chamei-lhe atenção.

Petúnia revirou os olhos. Enquanto conversávamos Pê havia dito que definitivamente estava procurando um novo "amor" e que James é delicioso demais para ser ignorado.

- O-kay. – Ela falou antes de entrar.

James riu.

- Do que está rindo? – Franzi a sobrancelha.

- Você é tão mandona doçura.

- Bem, infelizmente não funciona com você.

- Depende do que estiver mandando. – Ele sorriu maroto.

Corei furiosamente e desviei o olhar. As borboletas infernais moviam-se agitadas novamente e eu não sei o que seria capaz de fazer se ele desse outro sorriso perfeito.

Minha irmã apareceu e entregou-me a camisa lavada de James.

- Aqui irmãzinha.

- Obrigada Pê.

Ela entrou novamente e joguei a camisa nele.

- Agora vá embora.

- Só quando você aceitar sair comigo coração. – Ele voltou a sorrir.

- Quando Marte explodir. – Eu disse antes de entrar novamente.

No final do almoço, após Petúnia me ajudar a lavar e guardar a louça, ela recebeu uma ligação e pegou sua bolsa dizendo que tinha que ir.

- Já?

- Tenho que aproveitar que papai e mamãe saíram e pegar a chave do meu apartamento na casa deles – Ela piscou – Não se preocupe geniozinho, eu venho te visitar amanhã.

Eu ri.

- Certo.

Abri a porta para Petúnia e ela me abraçou rapidamente.

- Tchau irmãzinha, se cuida.

Então ela virou passando por cima da perna esticada de James cuidadosamente com seus Manolo.

- Tchau vagabundo. – Ela acenou para ele.

James acenou de volta.

Sacudi a cabeça, mas sorri.

O que será que ele tem na cabeça? Não é normal fazer uma coisas dessas. Não seria mais fácil escolher outra mulher? Afinal ele tem seu próprio clubinho, é só chamar.

Fechei a porta e subi espreguiçando-me, louca por um cochilo. Caí em minha cama, e assim que fechei os olhos adormeci. Uma hora mais tarde acordei ainda na mesma posição que caí no sono, e meu corpo doía em alguns pontos pela posição não muito confortável. Suspirei, preguiçosa, antes de levantar. Eu preciso ir ao supermercado, ou amanhã não haverá nada para comer aqui. Lógico que precisar e querer são coisas completamente diferentes, mas a obrigação fala mais alto.

Coloquei um jeans confortável, uma regata branca com rendinhas nas alças e peguei uma bolsa vermelha e um sapato marrom de salto. Assim que abri a porta da frente tomei outro susto, não porque James inda estava lá, mas porque Sirius estava com ele.

- Black! – Exclamei – O que está fazendo?

- Jogando. – Ele me lançou um sorriso rápido antes de abaixar uma carta.

- Sim, posso ver. – Eu murmurei revoltosa – Quis dizer o que faz aqui?

- Estou jogando com Prongs.

Revirei os olhos.

- Claro. – Eu disse irônica – Porque não?

Tranquei a porta atrás de mim e andei evitando as pernas de James, as de Sirius e as estúpidas cartas que estavam no chão. Assim que passei por tudo alcancei os degraus e desci para a calçada.

- Sua bunda está deliciosa nesse jeans coração. – Ele sorriu.

Virei para ele fuzilando-o com o olhar.

- Espero que morda a língua e morra de hemorragia Potter.

Então virei para sair novamente entrei no carro e arranquei. Às cinco, voltei para casa com todas as compras no carro rezando fervorosamente para que James tivesse desistido de acampar à minha porta. Como eu não tenho sorte alguma, quando voltei ele ainda estava lá. E Sirius também.

Estacionei o carro e comecei a tirar as compras para levá-las para dentro. Segundos depois que eu começara, os dois aproximaram-se.

- Deixa comigo ruiva. – Sirius piscou pegando uns dez pacotes de uma vez.

- Abra a porta e deixaremos na cozinha para você Lily. – James sorriu.

Bem, quem sou eu para negar ajuda?

Abri a porta e indiquei a cozinha, e dentro de três minutos todas as compras já estava fora do carro. James e Sirius voltaram para a frente da porta e sentaram-se continuando o jogo de onde tinham parado. Eu os observei surpresa.

- Então... – Eu disse chamando-lhes atenção – Obrigada pela ajuda.

Se seguiram então três ações:

James sorriu encantado.

Sirius mandou-me um beijo.

E eu revirei os olhos.

- Coração – James levantou os olhos para mim – Eu vou daqui à meia hora. Ocorreram umas coisas no trabalho.

Dei de ombros.

- Tanto faz.

- Eu ligo mais tarde. – Ele sorriu sacana e piscou.

- Bem em uma situação normal eu ficaria preocupada, mas você não tem o meu número Potter, então acho que não vou precisar desligar o telefone da tomada. – Sorri superior.

Ele e Sirius riram.

- Agora entendo porque você gosta dela Prongs. – Sirius sorriu maroto para James.

Com uma careta, fechei a porta e fui até a cozinha para começar a arrumar as compras. A verdade é que desde que conheci James, pareço uma adolescente perto dele. Desde aquela maldita cantada cretina eu me pego pensando como seria beijá-lo, como seria rir com ele... Mas logicamente tudo fora imediatamente descartado em ocorrência de sua fama estúpida. Eu não me envolvo com homens que não tem uma relação séria. Não sou do tipo que divide. Sou possessiva ao extremo, por isso sempre soube que nunca haveria nada entre nós.

Às onze, eu já havia organizado tudo, feito faxina em minha biblioteca, tomado um banho quente e esperava meu bolo de cenoura com chocolate assar.

Entrei na cozinha acendendo a luz do forno para checá-lo mais uma vez quando meu telefone tocou.

- Evans. – Eu disse apoiando-o no ombro enquanto pegava o prato onde eu colocaria o bolo.

- Hum, sua voz soa dolorosamente sexy no telefone. – James murmurou malicioso.

Larguei o prato no balcão e segurei o telefone com a mão apoiando a outra na cintura.

- Potter? – Eu perguntei descrente.

- Eu mesmo coração.

- Como conseguiu meu telefone?

Ele riu.

- Espere, nem diga. Remus.

- Sim. – Pude imaginá-lo sorrindo.

Deus! O que Remus tem na cabeça? Virei encostando no balcão irritada, quando meu olhos caíram sobre o relógio da cozinha.

- James, são onze e quinze da noite. Não sabe que é falta de educação ligar tão tarde para a casa das pessoas?

Pude ouvir barulhos vindo do outro lado.

James riu novamente.

- Sabe, mesmo tendo dito que adoro quando me chama de Potter, eu gosto muito mais quando diz meu nome.

Corei e logo bufei irritada.

- Não mude se assunto.

- Liguei porque acabei de chegar em casa e estou sentindo-me estranhamente solitário, após passar o dia com você.

Quase engasguei.

- Você não passou o dia comigo!

Ouvi sua risada novamente.

- Passei sim.

- James, você ficou na minha porta. É diferente.

- Se você quisesse eu teria ficado bem mais próximo. – Ele murmurou.

- Exatamente, se eu quisesse.

- Eu sei que você quer Lily. – James disse – Assim como eu quero desde o magnífico dia que nos conhecemos na casa de Remus.

Engoli em seco.

Seja forte Lily.

- Vamos – Ele encorajou – Não é como se fosse um esforço.

Ele se acha o último maldito biscoito do pacote!

- Depende do ponto de vista Potter. Do meu, é esforço em demasia.

Ele riu bem-humorado.

- Quando vai aceitar sair comigo linda?

- No dia em que o inferno congelar. – Eu falei desligando o forno para tirar o bolo.

- Como você sabe se o inferno já não é frio?

- Boa noite Potter. – Eu disse desligando o telefone em seguida.

Tirei cuidadosamente o bolo do forno, colocando-o na bancada preparando-me para o virar e colocá-lo no prato que separei.

O telefone tocou novamente.

- Evans.

- Lily. – James ria do outro lado da linha!

Isso apenas me deu mais raiva de toda a situação.

- Vou desligar.

- Esp- Ainda pude ouvi-lo antes da ligação cair.

Coloquei com raiva o telefone no balcão e voltei a minha tarefa de colocar o bolo no prato. Terminei rapidamente e deixei o bolo esfriando, para comer de manhã. Apaguei as luzes e subi para meu quarto, enfiando-me debaixo das cobertas.

O telefone tocou mais uma vez e atendi na extensão do meu quarto.

- O que é agora? – Eu rosnei imaginando quem seria.

- Você não foi muito educada – Ele disse divertido.

- Oh, claro. E você é o "senhor boas maneiras" ligando depois das nove para a casa de alguém.

- Certo, mas eu já justifiquei minha ligação.

- Não é o suficiente para mim, sem falar que ela é infundada tendo em vista que você apenas ficou em minha porta e não junto à mim.

- Bem – Eu podia ver o sorriso em seu rosto – Pelo menos eu justifiquei. Você nem ao menos disse porque estava desligando.

- Eu não preciso de justificativa! É você quem está ligando!

- Saia comigo. – Ele disse.

- Não. – Eu respondi antes de desligar novamente o telefone

Deitei socando o travesseiro, o telefone tocou.

- Pare de me ligar!

- Você vai sair comigo agora?

- Não! – Desliguei pela quarta vez o telefone.

Dez segundo depois tocou mais uma vez.

- Não me ligue mais seu maníaco, ou vou puxar o telefone da tomada!

James riu.

- Por favor – Ele pediu – Saia comigo Lily, e eu não vou mais incomodá-la. Um encontro.

Calei-me.

Ele estava pedindo por favor.

- Juro que a deixarei em paz – Ele murmurou – Mas antes, saia comigo.

Meu coleguinha parvo chamado coração, começou a acelerar seus movimentos como sempre fazia quando o assunto começava com "James" e terminava com "Potter".

Engoli em seco.

- Amanhã às dezessete e meia. Eu odeio atrasos. – Falei antes de desligar.

Larguei o telefone na cama e deitei olhando para o teto. Eu acabei de marcar um maldito encontro com James Potter.

James Potter.

Levei as mãos ao rosto. Eu devo estar enlouquecendo!

Suspirei profundamente. Eu preciso falar com alguém. Emmeline está na França com Benjy que a levou para conhecer o vinhedo que ele tem lá. Hestia está com Dorcas em um "jantar social" na Rússia. E Marlene... Bem Marlene deve estar dormindo. Minha mão alcançou o telefone e disquei o número de Lene depressa. Sete toques depois ouvi do outro lado:

- O que é? – Disse uma voz arrastada e sonolenta.

Pisquei duas vezes confusa.

- ... Quem... Quem é você?

Então ouvi um som ao fundo.

- Oh-meu-Deus, Sirius, nunca atenda o meu telefone! – Marlene disse obviamente sonolenta, mas ainda assim irritada.

- Se você tivesse movido o seu traseiro antes isso não teria acontecido. – Ele reclamou.

- Oh, cale a boca e me dê o aparelho.

- Eu não sei se quero – Ele provocou.

- Apenas me dê a droga do telefone Black! – Ela rosnou.

Sirius Black está com a Lene?

- O que, infernos, Sirius está fazendo na sua casa à meia-noite Marlene? – Eu disse irritada.

Ela dormiu com Sirius e não me avisou nada! Ela está afim dele e não me disse. E eu estou surtando por causa do cretino do Potter e esse Black maldito não me deixa falar com Marlene!

- Eu acho que é bem óbvio o que estávamos fazendo ruiva. – Ele disse jocoso.

- Cale a boca Sirius! E me dê essa porcaria! – Marlene exclamou constrangida.

- Lene, o que diabos, você estava pensando?

- Eu sei o que os vizinhos dela provavelmente estão pensando. – Ele riu rouco.

Ouvi um barulho estranho, um baque, e então Lene:

- Qual é o seu problema? Cai fora, e vá dormir no chão da sala!

- Porque não no sofá? – Ouvi Sirius perguntar confuso.

- Porque Docinho gosta de dormir no sofá, então não sobra muito espaço – Ela disse marota.

- Docinho?

- É o cachorro! Meu cachorro! Em que você estava pensado quando chegou?

- Você quer mesmo saber em que eu estava pensado? – Ele falou malicioso.

- Argh, esqueça. Agora some. Eu preciso falar com Lily.

- Certo, certo.

Finalmente Lene concentrou-se em mim.

- Desculpe por isso Lils.

Suspirei.

- Tudo bem Lene, é só que... Eu estou tão, tão... Deus, estou tão irada! Potter conseguiu meu número e eu não faço idéia de como o fez!

- Uau ruiva, Prongs está mesmo de quatro por você. – Ouvi o assovio de Sirius.

- O que está fazendo? – Marlene perguntou irritada.

- Estou na cozinha, vim pegar algo para beber.

- Eu quis dizer o que você está fazendo com a extensão?

- Eu também quero falar com a ruiva.

- Desligue agora.

- Mas...

- Agora Sirius, ou eu juro que mando Docinho arrancar o seu brinquedinho. – Lene ameaçou.

- Você não teria coragem.

- Teste-me.

Permanecemos todos em silêncio por uns momentos. Juro que achei que Sirius fosse idiota o suficiente para desobedecer Lene, mas ele logo falou:

- Bem, até depois ruiva. E não demore muito por favor, você sabe, eu e Lene pretendemos fazer coisas de adulto mais tarde.

- Ew, Black! Que nojo. Poupe-me.

Ele riu mas logo desligou.

- Que cara você foi arranjar hein?

Lene suspirou.

- Nem me fale.


Reviews são de graça e fazem bem ao coração.

Obrigada por ler.

Lalah-Chan;