Arthur Dent era um homem comum ,ele gostava de chá, da sua casa e de saber o que estava acontecendo no momento em que se encontrava (esse último item acontecendo apenas em raríssimas ocasiões). Só havia três coisas peculiares a respeito de Arthur Dent, a primeira o fato de ser um dos dois últimos seres humanos vivos do universo ,a segunda o fato de inconscientemente matar repetidamente em diversas encarnações a entidade conhecida como Agrajag ,e terceiro o seu hábito de fazer amizade com figuras um tanto incomuns ,entre eles um alien de um pequeno planeta perto de Betelgeuse que tinha uma política bem forte de nunca pagar por nada ,um robô depressivo que devido a uma série de viagens no tempo agora já tinha ultrapassado cinco vezes a idade do próprio universo, um ex presidente da galáxia de duas cabeças que fora votado três vezes consecutivas a criatura mais mal vestida do cosmos ,e a Morte por si própria. O motivo talvez para isso é que em situações incomuns Arthur se impressionava por cerca de cinco segundos e depois voltava a querer uma xícara de chá, sua casa e saber o que estava acontecendo, dava um estranho senso de normalidade as coisas.

Um dia a cada cem anos a Morte anda entre os vivos e nesse dia ela conheceu Arthur Dent ,e realmente havia sido um dia excepcional para ambos, principalmente após a morte súbita da garota enquanto assistiam a uma re-exibição de Casablanca no cinema local, o dia só se tornou mais excepcional ainda ao cruzar as portas da sua casa e encontrar a mesma garota ,embora com a pele em um tom de branco puro, sentada no seu sofá após a morte trágica do cacto que enfeitava sua mesinha de café. Após o choque inicial ele lhe ofereceu uma xícara de chá e lhe contou o final do filme, "Melancólico, mas parece certo mesmo assim" ela comentou a respeito . Não era padrão os perpétuos fazerem amizade com mortais mas sempre havia alguma exceção ,até seu irmão tinha Hob Gadling, então ela resolveu ter Arthur Dent.

Arthur Dent de uma das janelas da fantástica nave Coração de ouro olhava para a imensidão escura do universo a sua frente, tão imerso em seus pensamentos que demorou para notar que ao seu lado estava uma garota com a pele completamente branca, roupas góticas, um colar com o sinal de ankh no pescoço e um sorriso no rosto voltado diretamente para ele.

-Didi ?

-Apenas uma vez a cada cem anos.

- Por que você está aqui ? Está na minha hora ?

-Ainda não.

-Por algum motivo não acho isso muito reconfortante- ele disse emburrado o que a fez sorrir.

-Tanto estresse vai te causar rugas, e talvez um ataque cardíaco.

-Isso é uma profecia ?

-Não, apenas um conselho amigável.

-Por que você está aqui ?

-Uma pausa no trabalho, ninguém no universo vai morrer durante os próximos nove minutos, realmente raro, não acontece algo assim há algumas dezenas de milhões de anos.

-Sei ...Você estava lá para todos eles ? – ele disse sem nem precisar explicar que se referia aos bilhões de seres humanos que haviam perecido junto com a Terra.

-Sim.

-Você está em todo lugar.

-E ninguém escapa de mim.

-Eu escapei.

-Não para sempre Sr Dent.

-Você me assusta as vezes.

-Eu sei. Eu vou sentir falta da Terra, acabou se tornando um dos meus planetas favoritos ,principalmente no último século, tão divertido. Eu vou sentir falta do rock.

-E do jazz.

-Do futebol.

-Do cricket.

-Da pizza.

-Dos hambúrgueres.

-Do teatro.

-Da televisão.

-Dos filmes de Julie Andrews.

-E dos de Humphrey Bogart.

Os dois sorriram nesse momento.

-Você gostaria de uma xícara de chá Didi ?

-Eu adoraria.